Sunday, 20 of May of 2012

Tag » perseverança

O Senhor Busca meu Pobre Coração

Quantos anos comungando diariamente! – Qualquer outro seria santo – disseste-me -, e eu, sempre na mesma! – Meu filho – te respondi -, continua com a Comunhão diária e pensa: que seria de mim se não tivesse comungado? (Caminho, 534)

Saboreando na intimidade da alma a infinita bondade divina, lembremo-nos de que, pelas palavras da Consagração, Cristo se tornará realmente presente na Hóstia, com seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade. Adoremo-lo com reverência e com devoção; renovemos na sua presença o oferecimento sincero do nosso amor; digamos-lhe sem medo que o amamos; agradeçamos-lhe esta prova diária de misericórdia, tão cheia de ternura, e fomentemos o desejo de nos aproximarmos da Comunhão com confiança. Eu me surpreendo diante deste mistério de Amor: o Senhor procura como trono o meu pobre coração, para não me abandonar se eu não me afasto dEle.

Reconfortados pela presença de Cristo, alimentados com o seu Corpo, seremos fiéis durante esta vida terrena; e mais tarde, no céu, junto de Jesus e de sua Mãe, chamar-nos-emos vencedores. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Demos, pois, graças a Deus, que nos trouxe à vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo. (É Cristo que passa, 161)

Fonte: Opus Dei.


Leave a comment

O Nosso Sofrimento

O grande teólogo, filósofo e Doutor da Igreja Santo Agostinho disse: “A firmeza cristã exige não só fazer o bem, mas também sofrer o mal”.

A raiz do sofrimento está no pecado: “Ele retomou: “E quem te fez saber que estavas nu? Comeste, então, da árvore que te proibiu de comer!” O homem respondeu: “A mulher que puseste junto de mim me deu da árvore, e eu comi!” Deus disse à mulher: “Que fizeste?” E a mulher respondeu: “A serpente me seduziu e eu comi”. Depois disse Deus: “Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!” E Deus o expulsou do jardim do Éden para cultivar o solo de onde fora tirado (Gênesis 3,9-13.22.23).

Sofremos pelos nossos erros, enganos e seduções. “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: É Deus que me está tentando”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Antes, cada qual é tentado pela própria concupiscência, que o arrasta e seduz. Em seguida a concupiscência, tendo concebido, dá a luz ao pecado, e o pecado, atingido a maturidade, gera a morte (Tiago 1,13-15).

Pela nossa ignorância, estupidez, ambição, orgulho, prepotência e ira desenfreada, acarretamos muitas dores e sofrimentos para o nosso corpo e alma. O sofrimento é uma grande ferramenta para o nosso ensino e disciplina espiritual. Os grandes homens da humanidade se serviram desta ferramenta para realizarem as suas grandes obras. Ninguém escreve seu nome na História, ninguém torna se herói sem passar pela escola do sofrimento. Ninguém chega ao Paraíso sem passar primeiro no calvário. “A cruz é uma escola”, dizia Santo Agostinho.

Grandes conquistas, grandes vitórias, grandes tormentas. Impossível chegar lá, sem grandes dificuldades. O sofrimento é a poderosa arma do corajoso, do persistente. A maior e a melhor lapidação para o homem é o sofrimento. O salmista reconheceu a riqueza do sofrimento em sua própria vida: “Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra… Foi-me bom ter um passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119,67-71).

É no meio do infortúnio que o homem se ver acuado da sua soberba. É na adversidade e na humilhação que o homem enxerga melhor a sua miserabilidade. É na desgraça e no óbice que o homem entende que não é nada. É na doença incurável que o homem se ver como um verme. “Os vermes o comerão gostosamente”. “Quanto menos o homem, essa larva, e o filho de homem, esse verme” (Jó 24,20; 25,6).

ENTREGÁ-LO A DEUS

As maiores bênçãos do mundo foram geradas através dos maiores sofrimentos. Nas grandes vitórias foram derramados sangue e lágrimas. As glórias deixam marcas de terríveis dores. Conta-se que o grande poeta alemão Johann Goethe disse certa vez: “Nunca tive uma aflição que não se tenha transformado em poema”. Goethe afirmou: “O homem que não é posto a prova não evolui”.

Similarmente, escreve São Pedro Apóstolo: “Nisso deveis alegrar-vos, ainda que agora, se necessário, sejais contristados por um pouco de tempo, em virtude de várias provações, a fim de que a autenticidade comprovada da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, cuja genuinidade é provada pelo fogo, alcance louvor, glória e honra por ocasião da Revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1,6.7).

O insigne escritor sacro Paul E. Bilheimer escreveu: “Os melhores traços do caráter cristão, em geral, são frutos do sofrimento. Quando estão no início de uma provação, a maioria dos cristãos se encontra num estado de frieza, com uma mente mundana e carnal; no final dela, porém, seu espírito já está abrandado, amadurecido e edificado”.

As aflições santificadas abrandam a aspereza e aplainam as quinas pontiagudas da nossa vida. Consomem as impurezas do egoísmo e do materialismo. Abatem o orgulho, moderam as ambições humanas e sufocam o fogo das paixões. Expõem o mal que existe em nosso coração, revelando fraquezas, falhas e defeitos e tornando-nos conscientes do perigo espiritual. Disciplinam o espírito obstinado. Para alguns de nós, somente a escola do sofrimento será capaz de transmitir as lições sobre paciência, tolerância e domínio próprio que precisamos aprender.

Um dos métodos usados por Deus para aperfeiçoar o caráter cristão consiste em permitir que soframos injustamente. A maioria pensa que sofrer já é difícil, quem diria sofrer injustamente! Contudo, ao falar sobre sofrer injustamente, Pedro declara: “Pois, que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus. Porquanto para isto mesmo fostes chamados…” (1 Pedro 2,20.21).

Sem dúvida, estamos falando de uma ferramenta muito afiada e dolorosa para nossa alma. Você sabe, no entanto, que quando um torneiro mecânico tem um trabalho muito fino e detalhado para executar, ele escolhe a ferramenta mais afiada que possui. De modo semelhante, Deus emprega o afiado recurso do sofrimento injusto quando deseja esculpir um lindo desenho na vida do cristão. É difícil receber injúria dos outros e sempre retribuir com o bem, mas enquanto o molde divino não for profundamente gravado na estrutura de nossa alma, Deus não terá completado a sua obra em nós.

Não podemos evitar sofrer nas mãos dos outros. É certo que isso acontecerá. No entanto, em última análise, ninguém consegue ferir-nos a não ser nós mesmos. Nenhuma injustiça que os homens cometam contra nós poderá machucar-nos a menos que permitamos que ela nos torne ressentidos e rancorosos. Um ato ou atitude só pode nos causar mal de verdade se dermos lugar à amargura e a ira.

Porém, você pode perguntar: “Como posso evitar a amargura? Como posso deixar de me sentir magoado?” Existe a história de uma criança indígena que se aproximou de um velho líder da tribo, levando um pássaro ferido nas mãos. O velho olhou para o pássaro e disse: “Leve-o de volta e deixe-o onde você o encontrou. Se você o segurar, ele morrerá. Se você devolve-lo para as mãos de Deus, ele curará sua ferida, e o pássaro viverá”.

Eis uma lição sobre o que devemos fazer quando somos atingidos pela dor. Nenhuma mão humana é capaz de curar um coração ferido; é preciso entregá-lo a Deus (Lucas 4,18; Mateus 11,28-30). “O meu Deus proverá magnificamente todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza, em Cristo Jesus” (Filipenses 4,19).

Temos consciência que muito sofrimento fica sem explicação. Toda a sua realidade será revelada na eternidade. É impossível a razão humana entender o mistério do sofrimento.

O sofredor Jó passou seus dias implorando e suplicando ao Senhor Deus que lhe desse maiores informações e explicitasse o seu padecimento. Quando o Todo-Poderoso finalmente manifestou, ele demonstrou que seu servo Jó não tinha capacidade nem para entender a resposta, muito menos para discutir com o seu Eterno Criador. E no final do seu calvário, o patriarca Jó compreendeu e se colocou nas mãos de Deus com absoluta confiança (Jô 3,1-4; 9,1-4; 42,1-17).

Em alguns casos o sofrimento que é inexplicável no momento, mais adiante, por vontade de Deus é simplesmente compreendido. Por que o bondoso Deus permitiu que o jovem José do Egito fosse vendido pelos seus próprios irmãos como escravo e depois sofresse dois anos na prisão por permanecer honesto e casto? Mais tarde o propósito ficou claro, ou seja, o por quê? Foi respondido (Gênesis 50,17-21; Romanos 8,28).

Nem sempre podemos obter a reposta para as nossas dificuldades, todavia, temos a capacidade de entender que só em Deus, o Todo-Poderoso, podemos confiar absolutamente.

“Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele, e ele agirá; manifestará tua justiça como a luz e teu direito como o meio-dia” (Salmo 37,5.6).

Do sofrimento, podemos tirar uma grande lição, ele nos diz que necessitamos desesperadamente do Senhor Deus.

Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
e-mail: pe.ináciojose.osbm@hotmail.com


1 comment

Perseguição

NEM SEMPRE a perseguição teve as mesmas características. Durante os primeiros séculos, pretendeu-se destruir a fé dos cristãos por meio da violência física. Em outros momentos da história, sem que essa violência desaparecesse, os cristãos viram-se – vêem-se – oprimidos nos seus direitos mais fundamentais, ou a braços com campanhas dirigidas a minar a fé dos mais simples e a desorientá-los. Mesmo em terras de grande tradição cristã, levanta-se todo o tipo de obstáculos para que se possam educar cristãmente os filhos, ou privam-se os cristãos, pelo mero fato de o serem, de justas oportunidades profissionais.

Não é infreqüente que, em sociedades que se chamam livres, o cristão tenha que viver num ambiente claramente adverso. Pode-se dar então uma perseguição disfarçada, com o recurso à ironia, que tenta ridicularizar os valores cristãos, ou à pressão ambiental, que pretende amedrontar os mais fracos: é uma dura perseguição não sangrenta, que não raras vezes se vale da calúnia e da maledicência. “Em outros tempos – diz Santo Agostinho -, incitavam-se os cristãos a renegar Cristo; agora, ensina-se os mesmos a negar a Cristo. Naquela época, incitava-se; agora ensina-se; antes, usava-se de violência, agora, de insídias; antes, ouvia-se o inimigo rugir; agora, apresenta-se com mansidão insinuante e envolvente, e dificilmente se deixa descobrir. Todos sabemos de que modo se violentavam os cristãos para que negassem a Cristo: procuravam atraí-los para que renegassem; mas eles, confessando Cristo, eram coroados. Agora ensina-se a negar a Cristo e, enganando-os, não querem que pareça que os afastam de Cristo”. É como se o Santo estivesse retratando os dias de hoje.

O Senhor também quis prevenir os seus para que não se desnorteassem com a contradição que procede, não dos pagãos, mas dos próprios irmãos na fé, que com a sua atuação injusta, motivada geralmente por invejas, falso zelo e faltas de retidão de intenção, julgam que prestam um serviço a Deus. Todas as oposições, mas especialmente estas, devem ser superadas junto do Senhor no Sacrário.

São circunstâncias que expressam um especial convite do Senhor para que estejamos unidos a Ele mediante a oração. São momentos em que devemos exercitar a fortaleza e a paciência, sem nunca querermos devolver mal por mal. Com a ajuda divina, a alma sairá dessas provas mais humilde e purificada, experimentará de um modo especial a alegria do Senhor e poderá dizer com São Paulo: Estou cheio de consolação, transbordo de alegria em todas as nossas tribulações.

Ensinai-nos, ó Deus, a imitar o que celebramos, amando os nossos próprios inimigos, pois festejamos Santo Estêvão, vosso primeiro mártir, que soube rezar pelos seus perseguidores.

O CRISTÃO que sofre perseguição por seguir Jesus tirará dessa experiência uma grande capacidade de compreensão e o propósito firme de não ferir, de não ofender, de não maltratar. O Senhor pede-nos, além disso, que oremos por aqueles que nos perseguem,veritatem facientes in caritate, praticando a verdade com caridade. Estas palavras de São Paulo levam-nos a ensinar a doutrina do Evangelho sem faltar à caridade de Jesus Cristo.

A última das Bem-aventuranças acaba com uma promessa apaixonada do Senhor: Bem-aventurados sereis quando vos insultarem, vos perseguirem e vos caluniarem por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos porque grande será a vossa recompensa nos céus. O Senhor é sempre bom pagador.

Estêvão foi o primeiro mártir do cristianismo e morreu por proclamar a verdade. Também nós fomos convocados para difundir a verdade de Cristo sem medo, sem dissimulações: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Por isso, quando se trata de proclamar a doutrina salvadora de Cristo, não podemos ceder perante os obstáculos, antes havemos de comportar-nos de tal modo que se cumpram em nós estas palavras de Caminho: “Não tenhas medo à verdade, ainda que a verdade te acarrete a morte”.

A história da Igreja mostra que, às vezes, as tribulações fazem com que uma pessoa se acovarde e esmoreça no seu relacionamento com Deus; mas, em muitas outras ocasiões, fazem amadurecer as almas santas, que carregam a cruz de cada dia e seguem o Senhor identificadas com Ele. Vemos constantemente esta dupla possibilidade: uma mesma dificuldade – uma doença, incompreensões, etc. – tem efeitos diferentes conforme as disposições da alma. Se queremos ser santos, não há dúvida de que as nossas disposições devem ser as de seguir sempre de perto o Senhor, apesar de todos os obstáculos.

Em momentos de contrariedade, é de grande ajuda fomentar a esperança do Céu: ajuda-nos a ser firmes na fé perante qualquer tipo de perseguição ou tentativa de desorientação. “E se caminharmos sempre com esta determinação de antes morrer que deixar de chegar ao fim, mesmo que o Senhor vos leve com alguma sede por este caminho da vida, Ele vos dará de beber com toda a abundância na outra e sem temor de que vos venha a faltar”.

Em épocas de dificuldades externas, devemos ajudar os nossos irmãos na fé a ser firmes perante essas oposições. Prestar-lhes-emos essa ajuda se não lhes faltarmos com o nosso exemplo, com a nossa palavra, com a nossa alegria, com a nossa fidelidade e a nossa oração; e sobretudo se procurarmos ser especialmente delicados em viver com eles a caridade fraterna, porque o irmão ajudado pelo seu irmão é como uma cidade amuralhada; é inexpugnável.

A Virgem, nossa Mãe, está particularmente perto de nós em todas as circunstâncias difíceis. Hoje dirigimo-nos também de modo especial ao primeiro mártir que deu a vida por Cristo, pedindo-lhe que nos ajude a ser fortes em todas as tribulações.

Fonte: Falar com Deus.


1 comment

Mansidão (III)

A MANSIDÃO opõe-se às manifestações estéreis de violência – que no fundo são sinais de fraqueza: impaciência, irritação, frieza, mau humor, ódio, etc. -, ao dispêndio inútil de forças por aborrecimentos que não têm razão de ser, nem pela sua origem – muitas vezes, surgem de ninharias que se podiam ter ultrapassado com um sorriso ou com o silêncio -, nem pelos seus resultados, porque não resolvem nada.

Da falta desta virtude provêm as explosões de mau humor entre os esposos, que vão corroendo pouco a pouco o verdadeiro amor; a iracúndia e suas conseqüências funestas na educação dos filhos; a falta de paz na oração, porque, ao invés de se falar com Deus, ruminam-se ofensas recebidas.

O domínio de si próprio – que faz parte da verdadeira mansidão – é a arma dos fortes; impede que falemos cedo demais, que digamos palavras ferinas que depois preferiríamos nunca ter pronunciado. A mansidão sabe esperar o momento oportuno e matiza os juízos, preservando-lhes toda a sua força.

A falta habitual de mansidão é fruto da soberba e só produz solidão e esterilidade à sua volta. “O teu mau gênio, as tuas reações bruscas, os teus modos pouco amáveis, as tuas atitudes desprovidas de afabilidade, a tua rigidez – tão pouco cristã! -, são a causa de que te encontres só, na solidão do egoísta, do homem amargurado, do eterno descontente, do ressentido, e são também a causa de que à tua volta, em vez de amor, haja indiferença, frieza, ressentimento e desconfiança. É preciso que, com um temperamento amável e compreensivo, com a mansidão de Cristo amalgamada à tua vida, sejas feliz e faças felizes todos os que te rodeiam, todos os que te encontram no caminho da sua vida”.

Os mansos possuirão a terra. Possuir-se-ão a si próprios, porque não serão escravos das suas impaciências e do seu caráter iracundo; possuirão a Deus, porque a sua alma estará sempre inclinada à oração, num clima de contínua presença de Deus; possuirão os que os rodeiam, porque só um coração manso e humilde conquista a amizade e o carinho dos outros. Na nossa passagem pelo mundo, temos que espalhar o bom aroma de Cristo: o nosso sorriso habitual, uma calma serena, bom-humor e alegria, caridade e compreensão.

Examinemos qual a nossa disposição para o sacrifício, necessário para tornar agradável a vida aos outros; se somos capazes de renunciar aos nossos juízos, sem pretender ter sempre razão; se sabemos reprimir o mau gênio e passar por alto os atritos que surgem no convívio diário.

O tempo do Advento é uma boa ocasião para reforçarmos esta atitude do coração. Chegaremos a consegui-lo se procurarmos com mais freqüência Jesus, Maria e José; se soubermos aproximar-nos do Sacrário para conversar com o Senhor sobre os assuntos que mais nos preocupam ou nos contrariam.

Fonte: Falar com Deus.


Leave a comment

Mansidão (II)

A MANSIDÃO não é característica dos homens moles ou amorfos; pelo contrário, exige uma grande fortaleza de espírito, e o próprio exercício desta virtude implica contínuos atos de fortaleza. Assim como os pobres são os verdadeiramente ricos segundo o Evangelho, assim também os mansos são os verdadeiramente fortes. “Bem-aventurados os mansos porque estão protegidos contra o demônio e contra os golpes das perseguições na guerra deste mundo. São como copos de vidro recobertos de palha ou de feno, que não se quebram quando recebem uma pancada. A mansidão é como um escudo muito forte contra o qual se chocam e se desfazem os ataques das setas agudas da ira. Os mansos vão vestidos com vestes de algodão muito suave, que os defendem sem incomodar ninguém”. A matéria própria desta virtude é a paixão da ira nas suas múltiplas manifestações, uma paixão que passa a ser de tal modo moderada e retificada que não desperta senão quando é necessário e na medida em que o é.

Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. Diante da majestade de Deus, que se fez criança em Belém, tudo o que nos atinge adquire as suas justas proporções, e o que poderia ser uma grande contrariedade permanece na sua exata medida. Aprendemos a não perder a paz e a ser justos ao avaliarmos os diversos incidentes da vida diária, a calar-nos em muitas ocasiões, a sorrir, a tratar bem os outros, a esperar o momento oportuno para lhes corrigir uma falta.

Aprendemos também a sair em defesa da verdade e dos interesses de Deus e dos nossos irmãos com toda a firmeza que seja necessária. Porque a mansidão não é contrária a uma cólera santa perante a injustiça. Não é mansidão o que serve de refúgio à covardia.

A ira é, pois, justa e santa quando se propõe respeitar os direitos dos outros e, de modo especial, a soberania e a santidade de Deus. Vemos Jesus santamente irado diante dos fariseus e dos mercadores do Templo. O Senhor encontra o Templo convertido num covil de ladrões, num lugar profanado, dedicado a coisas que não tinham nada que ver com a adoração de Deus, e irrita-se terrivelmente, demonstrando-o com as suas palavras e atos. Os evangelistas descreveram-nos muito poucas cenas tão contundentes como esta.

E juntamente com a santa ira de Jesus para com os que prostituem o lugar santo, vemos a sua grande misericórdia para com os necessitados: Chegaram-se a Ele cegos e coxos que se encontravam no Templo, e Ele os sarou.

Fonte: Falar com Deus.


Leave a comment