Sunday, 20 of May of 2012

Tag » oração

Mês Mariano: Pedir as graças que os outros recusam

 

mariaarautosSe, porventura, tomamos consciência de que nosso amor mariano é débil e fraco, devemos fazer um pedido a Nossa Senhora.

Por sua onipotente intercessão, a Santíssima Virgem faz chover de modo contínuo sobre o mundo graças de devoção e de fidelidade a Ela, assim como graças de repúdio ao mal e às tentações do demônio. E, infelizmente, essas graças não são recolhidas nem correspondidas da maneira tão ampla como deveriam ser. Muitas delas caem em chão arenoso ou em pedras onde não desabrocham. Devemos, então, ser sensíveis a essa prodigalidade de dons celestiais, não permitir que se desperdicem, e dirigir a Nossa Senhora esta súplica:

Ó minha Mãe, por vossa insondável misericórdia, concedei-me todas as graças que os outros não aproveitam. Enchei minha alma com as dádivas divinas que reservastes para terceiros e que foram recusadas. Desse modo, correspondendo eu, amparado por vosso maternal auxílio, poderei reparar em algo a tristeza que representa para Vós a visão dessa caudal de graças sem aproveitamento. E que assim, ao menos neste vosso mísero escravo, resplandeça o dom feito aos homens. Amém.”

 

 

É uma prece a ser feita em todos os dias do mês de maio, por aqueles que se sentirem movidos interiormente a isso. Por exemplo, ao recebermos a Sagrada Eucaristia, expressemos a Nosso Senhor, por meio de sua Mãe Santíssima, o nosso desejo de que essas graças se recolham em nossa alma, que sejamos tochas ardentes de amor a Eles, e o receptáculo de todo espírito de incompatibilidade com o pecado e o mal, que devem caracterizar o verdadeiro católico.


Leave a comment

Como posso rezar com a Sagrada Escritura?

 

Não é raro encontrar-se com uma pessoa que pensa que a fé cristã é uma “religião do Livro”. Possivelmente por isso o Catecismo da Igreja Católica nos recorda que não é assim, e que o cristianismo é, bem dizendo, «a religião da “Palavra” de Deus»[1]. É uma distinção muito importante e sobre a qual vale a pena refletir um pouco. Deus quis dar-se a conhecer ao ser humano, para nos revelar quem Ele é, quem somos nós e o caminho de nossa salvação. Esse processo de revelação alcança seu cume no Senhor Jesus, a Palavra Eterna que se faz homem e nos fala em palavras humanas. A Sagrada Escritura é o testemunho inspirado pelo Espírito deste longo caminho de revelação que culmina com Jesus, o Senhor. Por isso dizemos que a Bíblia «contém a Palavra de Deus e, por ser inspirada, é realmente Palavra de Deus»[2]. A Escritura é, pois, não só fonte de ensinamento e sabedoria, como também nela nos encontramos com a Palavra de Deus. Disto decorre uma realidade que queremos ressaltar nesta reflexão: uma vez que a Sagrada Escritura é um lugar de encontro com Deus que nos fala, devemos aprender a rezar com a Bíblia. Deus se revela em palavras humanas e por isso, por meio destas palavras humanas, podemos nos encontrar com Ele, dialogar com Ele, aprender com Ele. Surge, pois, uma pergunta muito importante: Como posso rezar com a Sagrada Escritura?

Leitura da Escritura em espírito de oração

A Igreja «exorta com veemência e de modo peculiar a todos os fiéis… a que, pela frequente leitura das divinas Escrituras aprendam ‘a eminente ciência de Jesus Cristo’ (Flp 3, 8)»[3]. Esta é uma primeira forma de rezar com a Bíblia. Trata-se de ler a Escritura não como qualquer outro livro, e sim com a consciência de que é Palavra de Deus. É importante esta primeira tomada de consciência, pois nos predispõe de maneira adequada, preparando nosso coração e abrindo nossas mentes. Devemos, também, procurar um lugar tranqüilo e um tempo adequado para fazê-lo. O silêncio interior e exterior sempre são fundamentais para a oração, e o são também para uma leitura meditada da Bíblia.

Junto com isso, é necessário recordar que a Bíblia não é um livro qualquer. Ao ser inspirado pelo Espírito Santo tem que ser lido e interpretado como foi lido pela tradição da Igreja. Daí a necessidade de recorrer a comentários da tradição e do Magistério da Igreja que nos possam iluminar o sentido dos textos bíblicos.

Trata-se, então, de fazer, em espírito de oração, uma leitura que nos permita nutrir-nos continuamente dos ensinamentos e critérios divinos. Santo Agostinho «compara a meditação sobre os mistérios de Deus com a assimilação do alimento, e usa um verbo que se repete em toda a tradição cristã: «ruminar»; isto é, os mistérios de Deus devem ressoar continuamente em nós mesmos, para que se tornem familiares, orientem a nossa vida e nos nutram, como acontece com o alimento necessário para nos sustentarmos. E são Boaventura, referindo-se às palavras da Sagrada Escritura, diz que “devem ser sempre ruminadas para poderem ser fixadas com aplicação ardente do espírito”»[4].

Podemos “ruminar” a Palavra «de vários modos, lendo por exemplo um breve trecho da Sagrada Escritura, sobretudo os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Cartas dos Apóstolos … ler e meditar sobre o que lemos, “ruminando” sobre isto, procurando compreendê-lo, entender o que me comunica, o que me diz hoje, abrir a nossa alma àquilo que o Senhor nos quer dizer e ensinar»[5]. Esta leitura assídua da Escritura é fundamental sobretudo para conhecer e amar cada vez mais a Jesus Cristo, já que como dizia São Jerônimo “desconhecer a Escritura é desconhecer Cristo”.

A lectio: um Dom e um método

Junto a esta leitura meditada da Sagrada Escritura existe também um método de oração com a Bíblia que os filhos da Igreja utilizaram ao longo de vários séculos. É também uma leitura meditada, mas se caracteriza por ter uma série de “passos” a seguir que nos ajudam a aprofundar em uma determinada passagem bíblica. Como todo método, devemos recordar que é uma ajuda, uma maneira concreta com a qual procuramos cooperar com a graça que o Senhor derrama abundantemente sobre nós, mais ainda quando procuramos nos encontrar com Ele. Na oração é o Senhor que sai ao nosso encontro e nós que respondemos. Toda experiência de oração se inicia sempre a partir de um Dom. Como diz São Paulo, é o Espírito Santo quem nos move a clamar desde nossos corações «Abba, Pai»[6]. Nós procuramos aplicar nossa inteligência e vontade para realizar da melhor maneira possível aquilo a que somos convidados.

Esta segunda maneira de rezar com a Bíblia é a que chamamos lectio. Lectio é uma palavra latina que se traduz por “leitura”. Faz referência à Lectio divina, quer dizer, à leitura meditada da divina Escritura. Desde suas origens este método de oração conheceu diversas formas e aplicações, e é recomendado pela Igreja como uma maneira de aprofundar no sentido autêntico da Sagrada Escritura e extrair os ensinamentos que ela tem para a própria vida. É muito provável que conheçamos este método para rezar, ou conheçamos alguém que nos possa ensinar isso. Às vezes é difícil no início, mas pouco a pouco se vai aprendendo e acaba sendo uma ocasião privilegiada para aprofundar na Sagrada Escritura e nos encontrarmos com Deus.

A lectio, enquanto método de oração, é ocasião para o encontro e diálogo com Deus em apoio à meditação, aprofundamento e aplicação pessoal da Palavra divina contida na Sagrada Escritura. É importante recordar que em sua estrutura se faz distinção claramente entre o “em si” — onde procuramos compreender o que diz o texto da Escritura, para o qual é fundamental o recurso à leitura que a Igreja tem feito dessa passagem bíblica — e o “em si-em mim” — onde aplicamos a nossa própria vida o que diz o texto bíblico —.

Mediante este método procuramos fazer silêncio no coração, escutar com reverência a Palavra divina, acolhê-la na mente mediante o estudo, a reflexão e aprofundamento e acolhê-la no coração como a terra fértil acolhe a semente para fazer com que produza frutos de conversão para a vida cotidiana. Por isso um passo muito importante da lectio é nos propormos resoluções práticas e concretas que nos ajudem a pôr em prática os ensinamentos divinos, a “fazer o que Ele nos diz”[7].

O objetivo da lectio ou deste método de “ruminar” da Palavra não é sentir algo intenso, mas a própria conversão. Trata-se de avançar no processo de configuração com Cristo, nos assemelharmos cada dia mais a Ele no amor e caridade. Portanto, uma boa oração não deve ser medida pela intensidade do sentimento que possamos experimentar, mas sim pelo tanto que nos ajuda a nos aproximarmos mais de Jesus, a mudar uma conduta pecaminosa por uma conduta virtuosa. A oração é um momento privilegiado para nos renovar e dar um novo impulso no processo de “nos despojarmos e revestir-nos” de que fala São Paulo[8], graças ao encontro com o Senhor e a abertura a sua Palavra transformante.

A Escritura e nossa configuração com Jesus

Aprender a rezar com a Bíblia dá um impulso decidido ao nosso crescimento espiritual. O encontro com a Palavra de Deus nos convida a configurar nossa vida com sua Palavra. Frei Luis de Granada chamava as Sagradas Escrituras «espelho e regra de nossa vida»[9]. Nela vemos refletida nossa imagem, quer dizer, quando nos confrontamos com ela, sobretudo se o fazemos em espírito de oração, vemos se nos assemelhamos ou não à Imagem do homem perfeito, Jesus Cristo, nosso Senhor. Ao “nos olharmos” nela podemos ver com clareza tudo aquilo de que temos que nos despojar, e ao mesmo tempo descobrimos as virtudes de que temos que nos revestir para nos assemelharmos cada vez mais ao Modelo de plena humanidade.

Enquanto “regra de vida” a Escritura é fonte de critérios objetivos, divinos, evangélicos, necessários para o reto discernimento, para o rechaço das tentações[10] e para saber praticar o bem. Mas recordemos que não se trata só de aprender a viver melhor. Rezando com a Bíblia aprendemos a acolher a Palavra de Deus. Quer dizer, aprendemos a acolher Deus em nossa vida, encontrando-nos e dialogando com Ele. Isso ajudará para que todo o nosso ser se vá configurando com a Palavra de Deus, avançando assim de maneira decidida pelo caminho da santidade.

PERGUNTAS PARA O DIÁLOGO

1.   Sou consciente de que na Sagrada Escritura está contida, de modo escrito, a Palavra que Deus quis me fazer chegar para que eu alcance a vida eterna,em Jesus Cristo?

2.   Isto se reflete no espaço que lhe dou em minha vida diária? Como?

3.   Procuro cada dia escutar a Palavra de Deus, meditá-la, “ruminá-la”, guardá-la no coração e pô-la em prática, como fazia Maria?

4.   Conheço bem nosso método de oração ou lectio? Entendo bem a distinção entre o “em-si”, e o “em-si – em-mim”?

CITAÇÕES PARA A ORAÇÃO

  • A Escritura é inspirada Por Deus: 2Tim 3,14;
  • A palavra pregada pelos apóstolos é acolhida comopalavra de Deus: 1Tes 2, 13;
  • A palavra de Deus é viva e eficaz: Heb 4,12; exerce sua ação nos crentes: 1Tes 2, 13;
  • A Escritura é útil para aprender e ensinar; por ela nos preparamos para toda obra boa: 2Tim 3,15-17.
  • Não basta ler ou ouvir a palavra de Deus, é necessário pô-la em prática: Tg 1, 22-25; Mt 7, 24ss; é feliz quem põe em prática a Palavra de Deus: Tg 1, 24-25;Lc 11, 28; a própria Palavra de Deus é causa de felicidade e alegria: Jer 15,16;
  • Jesus usa“critérios divinos” para desmascarar e rechaçar as tentações: Mt 4, 4.7.10;
  • A Palavra divina é alimento para nós: Jer 15,16; Mt 4, 4; Maria guardava e “ruminava” a Palavra divina: Lc 2, 19. 51; o justo sussurra a Lei de Deus “dia e noite”: Sal 1, 1-2;

INTERIORIZANDO

O Catecismo ensina: «a fé cristã não é uma “religião do Livro”. O cristianismo é a religião da “Palavra” de Deus, “não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo”. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo Espírito Santo, “abra-nos o espírito à compreensão das Escrituras»[11].

1.   O que significa a fé cristã não ser uma “religião do Livro”?

2.   Posso interpretar a Escritura “livremente”, sem ter em conta a Tradição e o Magistério da Igreja?

3.   Quais são os princípios fundamentais para uma reta interpretação da Sagrada Escritura? Ver Catecismo da Igreja Católica, 112-114.

Dizia o profeta Jeremias: «quando se apresentavam palavras tuas, eu as devorava; tuas palavras eram para mim contentamento e alegria de meu coração» (Jer15,16).

1.   “Devoro” eu com a mesma avidez as Palavras divinas que se apresentam diante de mim? Como me aproximo da Sagrada Escritura, especialmente, dos ensinamentos do Senhor Jesus no Evangelho? Com interesse? Com fome? Como quem busca saciar sua sede em uma fonte de Água viva?

2.   Tenho a mesma atitude da Virgem, que “ruminava” os ensinamentos divinos para, a seguir, pô-los em prática?

3.   Leio a Escritura com reverência, em espírito de oração?

O beato Papa João Paulo II dizia que «a Igreja na América « deve dar clara prioridade à reflexão piedosa da Sagrada Escritura, por parte de todos os fiéis ». Esta leitura da Bíblia, acompanhada pela oração, é conhecida na tradição da Igreja com o nome de Lectio divina, prática que deve ser estimulada entre todos os cristãos»[12]. Em outro lugar dizia também que «é necessário… que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo a antiga e sempre válida tradição da lectio divina: esta permite ler o texto bíblico como palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência»[13].

1.   Faço habitualmente uma leitura bíblica, em espírito de oração?

2.   Como posso fazer para ser mais fiel e perseverante na leitura bíblica e na lectio?

3.   Procuro incorporar os “critérios divinos” — memorizando-os, por exemplo — para fazer deles um escudo contra as tentações, tal como Cristo me ensina (ver Mt 4,1ss)? Examino-me com freqüência à luz da Palavra divina?

4.   Faço da escuta e meditação da Palavra divina um “encontro vital” com ela, de tal modo que me transforme, e se converta para mim em critério de conduta? Permito que a Palavra divina me interpele, me oriente e modele minha existência?

O Papa João Paulo II ensinava: «Quando é autêntica, a familiaridade com o Senhor leva necessariamente a pensar, escolher e agir como Cristo pensou, escolheu e agiu, colocando-vos à sua disposição para continuar a obra salvífica»[14].

1.   Na oração, procuro acima de tudo “sentir algo”? Deixo de rezar, de meditar a Palavra, “porque não sinto nada”?

2.   Procuro fazer com que minha lectio me ajude a pensar, sentir e atuar cada vez mais como Jesus?

Notas


[1] Catecismo da Igreja Católica n. 108

[2] Catecismo da Igreja Católica n. 135

[3] Catecismo da Igreja Católica n. 133

[4] S.S. Bento XVI, Audiência geral, 17/08/2011.

[5] Ali mesmo

[6] Rom, 8,15

[7] Ver Jo 2,5.

[8] Ver Ef 4, 21-24.

[9] Guia de Pecadores, 1567, II,II,XX.

[10] Ver Mt 4,1ss.

[11] Catecismo da Igreja Católica n. 108

[12] S.S. João Paulo II, Ecclesia in America, 31.

[13] S.S. João Paulo II, Novo millenio ineunte, 39.

[14] Mensagem por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, 1998, n. 8.

 

Fonte: Movimento de Vida Cristã


Leave a comment

O Castelo Interior

 

Não é pequena lástima e confusão que, por nossa culpa, não nos entendamos a nós mesmos, nem saibamos quem somos. Não seria grande ignorância, minhas filhas, que perguntassem a alguém quem era e não se conhecesse, nem soubesse quem foi seu pai, nem sua mãe, nem sua terra? Pois, se isto seria grande estupidez, sem comparação é maior a que há em nós quando não procuramos saber que coisa somos e só nos detemos nestes corpos; e assim, só a vulto sabemos que temos alma, porque o ouvimos e porque no-lo diz a fé. Mas, que bens pode haver nesta alma ou quem está dentro dela, ou o seu grande valor, poucas vezes o consideramos; e assim se tem em tão pouco procurar com todo o cuidado conservar sua formosura. Tudo se nos vai na grosseria do engaste ou cerca deste castelo; que são estes corpos.

[…]

Porque, tanto quanto eu posso entender, a porta para entrar neste castelo é a oração e reflexão, não digo mais mental que vocal; logo que seja oração, há-de ser com consideração; porque naquela em que não se adverte com Quem se fala e o que se pede e quem é que pede e a Quem, não lhe chamo eu oração, embora muito meneie os lábios. E, se algumas vezes o for, mesmo sem este cuidado, será porque se teve em outras; mas, quem tivesse por costume falar com a Majestade de Deus como falaria a um seu escravo, que nem repara se diz mal, mas o que lhe vem à boca e decorou, porque já o fez outras vezes, não o tenho por oração e preza a Deus nenhum cristão a tenha desta sorte. Que entre vós, irmãs, espero em Sua Majestade não haverá tal oração, pelo costume que há de tratardes de coisas interiores, e que é muito bom para não cairdes em semelhante bruteza.

Não falemos, pois, com estas almas tolhidas, que, se não vem o mesmo Senhor mandar-lhes que se levantem – como aquele que havia 30 anos que estava junto à piscina-, têm muito má ventura e correm grande perigo; mas sim com outras almas que, por fim, entram no castelo; porque, ainda que estejam muito metidas no mundo, têm bons desejos e algumas vezes, ainda que de longe em longe, encomendam-se a Nosso Senhor e consideram quem são, ainda que sem muita demora. Alguma vez ou outra, num mês, rezam cheias de mil negócios, o pensamento quase de ordinário nisso, porque, como estão tão apegadas a eles, o coração se lhes vai para onde está o seu tesouro. Propõem algumas vezes, para consigo mesmos, desocuparem-se, e já é grande coisa o próprio conhecimento e o ver que não vão bem encaminhadas para atinar com a porta. Enfim, entram nas primeiras dependências do rés-do-chão; mas entram com elas tantas sevandijas, que não lhes deixam ver a formosura do castelo nem sossegar: muito fazem já em ter entrado.

[…]

(Santa Teresa D´Avila – O Castelo Interior).

Este livro ajuda a muitos a iniciarem na Vida interior… para baixá-lo na internet basta ir ao link: Alexandria Católica – Santa Teresa D´Avila .


Leave a comment

O Que Rezar?

 

Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “O Que Rezar”.

Muitas pessoas me perguntam quais orações são interessantes fazer ao longo do dia. Gostaria de mencionar algumas que são vivamente recomendadas pelos santos.

Eis aí as orações:

1. Oferecimento de obras
É a oração recomendada para fazer logo ao acordar. Os santos nos ensinam que, se queremos amar a Deus sobre todas as coisas, o primeiro pensamento do dia deve ser para Deus. Com essa oração, nós agradecemos a Deus mais um dia de vida e oferecemos a Ele tudo aquilo que faremos ao longo do dia.

2. Leitura do Santo Evangelho
É a leitura dos livros da Bíblia que narram a vida de Jesus: Mateus, Marcos, Lucas e João. Essa leitura é fundamental, pois é através dela que vamos conhecer e amar Jesus Cristo, vamos entender a fonte de toda a sabedoria humana e espiritual, vamos aprender, olhando para Jesus, o modo de nos comportarmos em cada situação da vida. Tempo recomendado: 5 minutos por dia.

3. Leitura espiritual
É a leitura de algum livro espiritual: sobre a vida de santos, textos que aprofundam algum aspecto da fé, que explicam alguma virtude cristã etc. Essa leitura é fundamental, pois nos ajudará a sempre progredir na vida espiritual, a entender cada vez mais a Deus e também os seus mistérios. Tempo recomendado: 10 minutos por dia.

4. Angelus (Anjo do Senhor)
É a oração antiquíssima que se reza a Nossa Senhora ao meio-dia. Tem o objetivo de pôr Nossa Senhora no centro do nosso dia e da nossa vida.

5. Oração mental
É a oração em que paramos um momento do dia para conversar com Deus. É diferente da conversa que estabelecemos com Ele ao longo do dia. Na oração mental, nós paramos tudo para estar a sós com Ele. Sem ela, não temos ocasião para aprender tudo o que Deus tem a nos ensinar nem para intensificar nossa sintonia e nosso amor por Ele. É o momento de desabafar, encontrar consolo e luz. Tempo recomendado: 15 minutos por dia.

6. Visita ao Santíssimo
É a breve visita que fazemos a Jesus, que se encontra no sacrário das igrejas.

7. Terço
É a oração tão conhecida e amada por Nossa Senhora.

8. 3 Ave-Marias antes de deitar
É uma oração antiquíssima da igreja em que pedimos pela pureza do nosso coração e de todas as pessoas.

9. Exame de consciência
É o momento no fim do dia em que repassamos as nossas ações e vemos o que fizemos de bom, de ruim e o que podemos fazer no dia seguinte para melhorar.

Garanto a todos que, se conseguirem incorporar pouco a pouco essas orações, o progresso espiritual será inimaginável!

Uma santa semana a todos!
Pe Paulo M. Ramalho

http://perseveranza.blogspot.com.br/


Leave a comment

Perseveraram, com Maria, em oração…

 

«Maria exerce sua maternidade com respeito à comunidade de crentes… também educando os discípulos do Senhor na comunhão constante com Deus. Assim, se converte em educadora do povo cristão na oração e no encontro com Deus…»1

A oração é «em sentido próprio, toda elevação do coração ao Senhor, o diálogo pessoal com Deus, no qual se dá uma entrega amorosa do coração, cheia de reconhecimento, gratidão e louvor… é um meio excelente posto por Deus para que os homens percorram o caminho da plenitude e da amizade com Ele. Para encontrar-se, para ser autêntico, para amar, a oração é o caminho»2. Nada substitui a oração, de modo que aquele que não reza, reza pouco ou mal, é como quem pretende viver sem respirar e sem alimentar-se adequadamente. E assim como para alimentar-me há horas específicas ao longo do dia, assim também para a oração deve-se ter momentos fortes de encontro com o Senhor na oração mental ou “lectio”, na meditação bíblica, ou no diálogo íntimo com o Senhor no Santíssimo. Dedicar tempos fortes para a oração, «em intensidade e em duração»3, são também necessários para poder orar «em todo tempo»4.

Orar sempre

O Senhor Jesus inculcou em seus discípulos «que era preciso orar sempre sem esmorecer»5. Ele mesmo se oferece como modelo, pois Ele «aprendeu a orar conforme o seu coração de homem. E o fez de sua Mãe que conservava todas as “maravilhas” do Todo poderoso e as meditava em seu coração6»7. Do Senhor «podemos dizer perfeitamente que “orava todo o tempo sem esmorecer”. A oração era a vida de sua alma, e toda a sua vida era oração»8.

Com sua palavra e exemplo Cristo nos ensina em primeiro lugar que é necessário rezar sempre, quer dizer, é necessário não só elevar o coração a Deus nos intervalos, em diversos momentos da jornada, mas aprender a rezar de tal modo que nossa oração não se interrompa em nenhum momento. Esse é o ideal ao qual os discípulos de Cristo temos que aspirar: a oração contínua.

Mas, acaso isto é possível? Podemos por acaso rezar sem interrupção? Santo Agostinho, ao meditar sobre a indicação do Apóstolo do Senhor orar sem cessar9, se perguntava: «Acaso nos ajoelhamos, nos prostramos e levantamos as mãos sem interrupção, e por isso se disse: Orai sem cessar? Se dissermos que só podemos orar assim, creio que é impossível orar sem cessar». Por isso, explicava o santo de Hipona, há que se entender que «existe outra oração interior e contínua», uma oração que não se interrompe, ainda que abandonemos o lugar de nossa oração: «Você se cala se deixa de amar… o fogo da caridade é o clamor do coração. Se a caridade permanece sempre, você clama sempre»10. E em outro momento dizia também: «Não cante os louvores a Deus só com sua voz, faça com que suas obras concordem com sua voz. Quando você canta com a voz, cala de tempo em tempo. Cante com sua vida de forma que nunca cale… Quando Deus é louvado por sua boa obra, com sua boa obra você louva a Deus»11. Assim, pois, quando nutridos pelos momentos fortes de oração atuamos conforme o Plano de Deus, procurando fazer o que o Filho de Maria nos disse, nos inserimos vitalmente em uma «dinâmica oracional»12 que permite converter cada um de nossos atos, apostolado e a própria vida em uma oração contínua, em um “gesto litúrgico”13, chegando a ser nós mesmos uma «hóstia viva, santa, agradável a Deus»14.

…e sem esmorecer

O Senhor Jesus também adverte sobre a necessidade de rezar sem esmorecer, quer dizer, é necessária também a perseverança na oração. Isto porque somos tão inconstantes na oração! Não poucas vezes desculpas como: “não sinto nada”, “não tenho tempo para rezar”, “tenho coisas mais urgentes/importantes para fazer”, “não tenho vontade”, “estou cansado”, “depois rezo” (e esse “depois” nunca chega), “me dá vergonha aproximar-me do Senhor porque pequei”, “o Senhor não me escuta”, etc., nos levam a abandonar facilmente a vida de oração! Quantas vezes deixamos de acudir ao Senhor nas diversas, e às vezes difíceis, provas pelas quais tivemos que passar por causa do nosso desejo de seguir o Senhor Jesus!

Perante todas as dificuldades, provas e tentações que nos convidam a abandonar a vida de oração, o Senhor nos alenta a não esmorecer. Em qualquer circunstância, favorável ou adversa, aprendamos com o Senhor a permanecer obstinadamente perseverantes na oração! E mais, é da própria oração que obtemos a força necessária para ultrapassar as provas!

Perseveravam em oração com Maria

Maria, como ensina o Papa, é «educadora do povo cristão na oração e no encontro com Deus»15, pois também Ela «orava todo o tempo sem esmorecer», também para Ela «a oração era a vida de sua alma, e toda a sua vida era oração»16. No Cenáculo, exercendo sua função maternal, vemo-la reunindo em torno de si os apóstolos e discípulos de seu Filho, perseverando com eles na oração unânime, ensinando-lhes a dispor seus corações —como Ela soube fazê-lo ao longo de toda a sua vida— para acolher o Dom prometido pelo Senhor: «virá sobre vós o Espírito Santo». Assim Maria, «Mestra de oração e Paradigma de proximidade com o Altíssimo, vai educando evangelicamente os discípulos na prece confiada»17: ora a Mãe implorando o Dom do Espírito que há de acender neles o ardor por anunciar o Evangelho do Senhor, ora em união com seus filhos, que aprendem a levar uma vida espiritual intensa de seu testemunho vivo de oração.

E o que os discípulos de Cristo aprendemos também hoje daquela que é escola e «Mãe da Oração»18? Aprendemos de sua atitude de silêncio e recolhimento interior, disposições essenciais para acolher e meditar no mais profundo do coração as grandezas de Deus, assim como para escutar, acolher e meditar continuamente a Palavra divina, aderindo-nos cordialmente a ela para pô-la em prática. Maria, mulher de oração e ação, nos ensina com seu exemplo a reservar para Deus momentos fortes de oração assim como a andar continuamente na Presença de Deus, a buscar que tudo o que façamos seja feito com a intenção de servir a Deus e seus desígnios19, desdobrando-nos assim em uma vida que dá glória a Deus com todo o nosso ser e atuar. Maria nos ensina a ter uma visão de eternidade que nos permite ver e valorizar tudo desde uma perspectiva divina. Contemplemos, pois, à Mãe, e unidos a Ela aprendamos a perseverar na oração, e em uma oração que busca ser contínua!

Citações para a oração

  • O Senhor Jesus, Ele mesmo homem de oração, é mestre e modelo de oração contínua e perseverante: Lc 3,21-22; Lc 5,16; Lc 6,12-13; Lc 9,18; Lc 9,28-29; Lc 11,1; Lc 21,37-38; Lc 22,39-46.
  • O Senhor nos ensina que é necessário perseverar na oração: Lc 1,18; para não cair em tentação: Lc 22,46; Mt 26,41; para ter força no momento da prova:Lc 21,36.
  • Também Paulo convida a ser perseverantes na oração: Rm 12,12; Cl 4,2; a orar em todas as ocasiões: Ef 6,17-18; Fl 4,6; a orar constantemente: 1Ts5,17.
  • Maria, mulher de oração, nos ensina a guardar e meditar constantemente as obras e palavras de Deus em nosso coração: Lc 2,19.51; A viver a dinâmica da oração contínua atuando em amorosa obediência aos desígnios divinos: Lc 1,38; Jo 2,5; Lc 11,27-28.
  • Os apóstolos e discípulos perseveravam na oração com Maria: At 1,14.

Notas

  • 1 S.S. João Paulo II, Catequesis do 6/9/95, n.5.
  • 2 Luis Fernando Figari, Huellas de um Peregrinar, Fondo Editorial, Lima, 1991, 2ª edição, p. 35. Esta é a mais recente.
  • 3 Catecismo da Igreja Católica, 2697.
  • 4 Lc 21,36.
  • 5 Lc 18,1.
  • 6 Ver Lc 1,49; 2,19.51.
  • 7 Catecismo da Igreja Católica, 2599.
  • 8 S.S. João Paulo II, La oração do Hijo ao Padre, 22/7/1987, 1. (Deve ter em português) ? pedir o dado na comunidade para conferirme em L’Osservatore
  • 9 1Ts 5, 17.
  • 10 Santo Agostinho, Narrações sobre os Salmos, 37. ? em portugués, acho que se traduz como “enarrações” e também como “comentários” sobre os salmos: melhor conferir
  • 11 Santo Agostinho, Narrações sobre os Salmos, 146,2. ? idem. Se precisar dos textos em portugués, acho que o Joathas os têm.
  • 12 Ver Luis Fernando Figari, Características de uma espiritualidade para nosso tempo desde a América Latina, Loyola, São Paulo 1990, p. 38.
  • 13 Ver Puebla, 213.
  • 14 Rm 12,1; ver Lumen gentium, 10.
  • 15 S.S. João Paulo II, Catequesis do 6/9/95, n.5.
  • 16 S.S. João Paulo II, A oração do Filho ao Pai, 22/7/1987, 1.
  • 17 Luis Fernando Figari, Maria paradigma de unidade.
  • 18 Luis Fernando Figari, Com María em Oração, p.28. Trata-se da oração de Santa María de Pentecostes.
  • 19 Ver Lc 1,38.

Fonte: MVC


Leave a comment