Sunday, 20 of May of 2012

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O Que Rezar?

 

Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “O Que Rezar”.

Muitas pessoas me perguntam quais orações são interessantes fazer ao longo do dia. Gostaria de mencionar algumas que são vivamente recomendadas pelos santos.

Eis aí as orações:

1. Oferecimento de obras
É a oração recomendada para fazer logo ao acordar. Os santos nos ensinam que, se queremos amar a Deus sobre todas as coisas, o primeiro pensamento do dia deve ser para Deus. Com essa oração, nós agradecemos a Deus mais um dia de vida e oferecemos a Ele tudo aquilo que faremos ao longo do dia.

2. Leitura do Santo Evangelho
É a leitura dos livros da Bíblia que narram a vida de Jesus: Mateus, Marcos, Lucas e João. Essa leitura é fundamental, pois é através dela que vamos conhecer e amar Jesus Cristo, vamos entender a fonte de toda a sabedoria humana e espiritual, vamos aprender, olhando para Jesus, o modo de nos comportarmos em cada situação da vida. Tempo recomendado: 5 minutos por dia.

3. Leitura espiritual
É a leitura de algum livro espiritual: sobre a vida de santos, textos que aprofundam algum aspecto da fé, que explicam alguma virtude cristã etc. Essa leitura é fundamental, pois nos ajudará a sempre progredir na vida espiritual, a entender cada vez mais a Deus e também os seus mistérios. Tempo recomendado: 10 minutos por dia.

4. Angelus (Anjo do Senhor)
É a oração antiquíssima que se reza a Nossa Senhora ao meio-dia. Tem o objetivo de pôr Nossa Senhora no centro do nosso dia e da nossa vida.

5. Oração mental
É a oração em que paramos um momento do dia para conversar com Deus. É diferente da conversa que estabelecemos com Ele ao longo do dia. Na oração mental, nós paramos tudo para estar a sós com Ele. Sem ela, não temos ocasião para aprender tudo o que Deus tem a nos ensinar nem para intensificar nossa sintonia e nosso amor por Ele. É o momento de desabafar, encontrar consolo e luz. Tempo recomendado: 15 minutos por dia.

6. Visita ao Santíssimo
É a breve visita que fazemos a Jesus, que se encontra no sacrário das igrejas.

7. Terço
É a oração tão conhecida e amada por Nossa Senhora.

8. 3 Ave-Marias antes de deitar
É uma oração antiquíssima da igreja em que pedimos pela pureza do nosso coração e de todas as pessoas.

9. Exame de consciência
É o momento no fim do dia em que repassamos as nossas ações e vemos o que fizemos de bom, de ruim e o que podemos fazer no dia seguinte para melhorar.

Garanto a todos que, se conseguirem incorporar pouco a pouco essas orações, o progresso espiritual será inimaginável!

Uma santa semana a todos!
Pe Paulo M. Ramalho

http://perseveranza.blogspot.com.br/


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Oração Mental e Oração Vocal

 

Oração mental e oração vocal

Quando você pensa em Deus e lhe diz coisas íntimas, só com o pensamento e os sentimentos do coração, está fazendo “oração mental” (já refletimos sobre ela).

Quando você, na Missa, reza com todos os participantes as orações litúrgicas (”Confesso a Deus todo-poderoso…”, “Glória a Deus nas alturas…”, “Cordeiro de Deus…”); quando reza o Terço; quando reza o Pai-nosso e a Ave Maria em vários momentos do dia, está fazendo “oração vocal”.

Jesus amava e praticava esses dois tipos de oração, e nos ensinou a amá-los e a praticá-los. Basta lembrar o seguinte:

1) — como já comentamos atrás, Jesus, com muita frequência passava horas – às vezes a noite inteira – conversando a sós com Deus Pai (Lc 6,12), fazendo “oração mental”;

– e fazia também “oração vocal”: rezava os salmos e as orações tradicionais judaicas, ao participar no culto da sinagoga (Mc 6,2) ou nas festas no Templo (Jo 7,1 ss.); e seguia todo o cerimonial litúrgico e as preces e cânticos prescritos, na celebração da Páscoa judaica (Mt 26, 30).

2) — a nós, pede-nos que, como Ele, façamos “oração mental”: «Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo» (Mt 6,6);

– mas, ao mesmo tempo, pede-nos que estimemos muito a “oração vocal”. Ele próprio nos ensinou a mais bela “oração vocal” que existe, o Pai-nosso (Mt 6,9-13), que milhões de cristãos vêm repetindo ao longo dos milênios. E os primeiros cristãos aprenderam dele a amar a recitação dos Salmos (At 2,46 e 4,25-26).

Oração espontânea ou “fórmulas”?

Nunca ouviu alguém dizer: “Eu não gosto de recitar fórmulas, eu gosto é de rezar com os pensamentos e sentimentos que saem espontaneamente do coração”?.

Há muitos que já disseram isso. Mas, infelizmente, se esquecem de uma coisa. Do nosso coração sai o que há realmente dentro dele (não o que não há), e nele não estão presentes todas as riquezas da fé, da esperança e do amor. Pode até ser um coração muito “pobre”, vazio e cheio de egoísmo gelado. E então, o que é que vai “sair” daí?

Ora, as orações vocais enriquecem, porque “oferecem”, “colocam” dentro do coração tesouros de pensamentos, de verdades, de sentimentos e desejos, que o coração sozinho não possui nem poderia criar. Bem rezadas, enriquecem muito a alma.

Santo Agostinho, por exemplo, recebeu o último “empurrão” para a sua conversão no dia em que se emocionou até derramar lágrimas, ao participar na basílica de Milão – onde era bispo Santo Ambrósio -, do canto dos Salmos e de hinos litúrgicos compostos por esse santo bispo, que o povo todo sabia de cor. As “orações vocais” tornaram sua alma – alma de um homem extraordinariamente culto e inteligente – mais cheia de luzes espirituais, despertaram nela, com o auxílio de Deus, sentimentos, perspectivas, alegrias e esperanças que ele, sozinho, não teria sido capaz de conseguir.

Santa Teresa de Ávila conta de uma freira muito santa, que a vida inteira alimentou a sua conversa de amor com Deus quase que exclusivamente com o Pai-nosso; e ela própria, Santa Teresa, escreveu um belo livro ( “Caminho de perfeição”) em que dedica muitas páginas a comentar as maravilhas dessa oração vocal “que o Senhor nos ensinou”.

Dois perigos

Como rezar bem as orações vocais? É bom ter em conta que há dois perigos que sempre nos ameaçam e que podem “acabar” com as nossas orações vocais:

1º) O primeiro é o “perfeccionismo”, ou seja, a idéia de que, se não rezamos colocando muita consciência, atenção e sentimento em cada palavra, mais vale não rezar, seria como fazer “oração de papagaio”.

Os que pensam assim também se esquecem de uma coisa importante: Jesus afirmou que, se não nos fizermos simples como crianças, não entraremos no Reino de Deus (ver Mt 18,3). Ora, ninguém pede a uma criança uma atenção total nem uma perfeição de “doutor em conversa”. O que se lhe pede é carinho, amor, e esse existe mesmo que a criança se distraia – não o faz por mal -, e se esqueça de coisas que acaba de ouvir.

Como é bonito o que dizia São Josemaria Escrivá: «Sei que te distrais na oração. – Procura evitar as distrações, mas não te preocupes se, apesar de tudo, continuas distraído. – Não vês como, na vida natural, até as crianças mais sossegadas se entretêm e divertem com o que as rodeia, sem atender muitas vezes às palavras de seu pai? – Isso não implica falta de amor nem de respeito; é a miséria e a pequenez própria do filho. – Pois olha: tu és uma criança diante de Deus» (”Caminho”, n. 890).

2º) O segundo perigo é o contrário: é a frieza, é o “calo” da alma, o mau costume de rezar por mera rotina. É isso o que fazem os que rezam mecanicamente, por puro hábito frio, sem empenho, sem consciência do que dizem, sem amor a Deus nem desejo de melhorar. Esses, como dizia Santa Teresa de Ávila, não fazem oração, por muito que mexam os lábios. «Esse falar às pressas, sem lugar para a reflexão – como diz São Josemaria – é ruído, chacoalhar de latas» (”Caminho”, n. 85).

O valor da boa vontade

O bom caminho da oração vocal evita tanto o perfeccionismo como a rotina mecânica. Então, o que é que Deus nos pede? Pede-nos as coisas de sempre:

1) Primeiro, amor: que saibamos esquecer-nos do nosso egoísmo (”gosto, não gosto de rezar agora; tenho vontade, não tenho vontade; isso de rezar quando estou cansado é um fardo, não é comigo…”). Santa Teresinha, mesmo em períodos de grave cansaço e dores de cabeça, não se dispensava do esforço por colocar amor na oração vocal: «Algumas vezes – dizia – , quando o meu espírito se encontra numa secura tão grande que me é impossível formar um só pensamento para unir-me a Deus, rezo muito devagar o Pai-nosso e depois a Ave-Maria. Assim rezadas, estas orações encantam-me e alimentam a minha alma…»;

2) Segundo, boa vontade (rezar do melhor modo possível, naquele momento previsto, ainda que esse “melhor modo” seja bastante imperfeito). Pense que Deus não precisa das nossas obras “perfeitas” – pois Ele pode dar-se a Si mesmo infinitas obras perfeitas-, mas do nosso amor, desse amor (o “teu” e o “meu”), que só nós lhe podemos dar.

Façamos, portanto, o propósito de valorizar, de praticar e de “cuidar” mais as orações vocais: as orações litúrgicas (Missa; para alguns, a Liturgia das Horas), as orações da manhã e da noite; as orações às refeições; o Terço; o Anjo do Senhor; e outras devoções sérias aprovadas pela Igreja (à Santíssima Trindade, ao Coração de Jesus, ao Espírito Santo…; e à Virgem e aos santos, que são intercessores nossos diante do Senhor). Com a ajuda de Deus, em outras meditações subsequentes refletiremos sobre o Rosário e algumas outras devoções.

Fonte: Padre Francisco Faus


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Oração Mental: O que é ?

Todos os cristãos desejamos falar com Deus: fazer oração. Umas vezes utilizamos belas orações já existentes, como as do Terço e as orações e cânticos da Missa: essa é a chamada “oração vocal”.

Outras vezes, falamos com Deus em silêncio, só com os nossos pensamentos e os sentimentos do nosso coração: é a “oração mental”. Hoje, vamos começar a refletir um pouco sobre ela.

Penso que todos nós gostaríamos de ter com frequência um diálogo espontâneo com Deus, em que falássemos com Ele sobre a nossa vida, os nossos trabalhos, os nossos anseios, problemas, dúvidas, indecisões… Mas nem sempre conseguimos. Pode até ser que tenhamos desistido de tentar porque achamos que “para mim, não dá”.

Hoje gostaria de lhe dizer que vale a pena fazer um esforço. Porque a oração mental, quando aprendemos a fazê-la (demora um pouco), é uma fonte maravilhosa de paz, de luz, de horizontes, de alegrias. Tente! Para ajudá-lo, vou começar sugerindo-lhe algumas idéias básicas:

1º) Primeiro, precisamos de uma hora e lugar certos. Jesus diz: «entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo» (Mt 6,6). Pode ser o seu quarto, uma igreja ou uma capela sossegada, ou um jardim… ; o importante é que possa estar só e tranquilo para se concentrar (não a faça deitado na cama, porque vai dormir). E a duração, para começar, pode ser de dez minutos diários (depois poderá aumentá-la).

2º) Antes de falar nada, comece pensando no seu interlocutor, em Deus. Faça um ato de fé na presença dEle. Por exemplo: “Creio firmemente que estás aqui, que me vês, que me ouves”, “Senhor, que eu te veja com a fé!”

3º) Inicie o diálogo com a maior simplicidade. Diga-lhe mentalmente, por exemplo: “Senhor, me ajude a falar consigo”, ou “Jesus, não sei o que dizer”, ou “Meu Deus, me desculpe, mas hoje vou começar pedindo uma coisa interesseira”. Se não lhe ocorre nada, faça então como aquele rapaz, distribuidor de leite em domicílio, que abria a porta da igreja e só dizia: “Jesus, aqui está João o leiteiro”.

4º) Procure puxar mentalmente um assunto: por exemplo, “Por que me irrito sempre com X?” Peça luz a Deus, e tente ser sincero consigo: “Será que eu não sou orgulhoso demais, e não sei compreender e desculpar essa pessoa?”.

5º) Leve sempre um livro espiritual (veja o item “Meditação”, neste site). Quando se sentir “seco”, sem saber o que dizer, abra-o e leia um trechinho (melhor, se escolhe antes um capítulo que o atraia). Essa leitura simples poderá ser a “pista de decolagem” da oração mental. Uns vão precisar de mais pista – de ler um trecho mais longo –, outros de menos. O importante é que, quando a leitura nos “atinja”, paremos, fiquemos refletindo sobre aquilo, vejamos se nos sugere coisas práticas; e, então, peçamos a Deus forças para melhorar, ao mesmo tempo que lhe agradecemos as inspirações que Ele nos deu.

Por exemplo, vamos abrir o livro “Caminho” e ler o pensamento n. 814: «Um pequeno ato, feito por Amor, quanto não vale!». Pense, então: “Quantos atos pequenos – como um sorriso, um detalhe de ordem material, uma pequena ajuda – eu fiz hoje com amor? Não poderia começar pensando em um, por exemplo, em dizer “bom dia” lá em casa ou na escola, ou no escritório, de modo mais cordial?”. Só com isso já fez uma ótima oração mental.

Pe. Francisco Faus.


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Sobre como fazer oração

Por François-Marie-Paul Libermann

Alguns conselhos dados por uma alma experiente que podem ajudar o cristão na prática da oração mental. Um breve itinerário que começa na adoração a Deus e termina na elaboração de propósitos de melhora.

Louvo a Deus pelos bons desejos que Ele lhe dá, e só posso animá-lo a aplicar-se à oração mental. Aqui está, em linhas gerais, o método que você poderá seguir para se habituar à oração.

Em primeiro lugar, leia na véspera um bom livro sobre algum tema piedoso, o que mais lhe agradar e vier ao encontro das suas necessidades, como, por exemplo, sobre a maneira de praticar as virtudes, ou principalmente sobre a vida e os exemplos de Nosso Senhor Jesus Cristo ou da Santíssima Virgem. À noite, adormeça nesses bons pensamentos e, de manhã, ao levantar-se, recorde algumas reflexões piedosas que devem ser o tema da sua oração. Após uma oração vocal preparatória, coloque-se na presença de Deus: pense que esse Deus tão grande está em toda a parte, que está no lugar em que você se encontra, que está de uma maneira toda particular no fundo do seu coração, e adore-o. Depois, lembre-se de como você é indigno, pelos seus pecados, de aparecer diante de Sua Majestade infinitamente santa, peça-lhe humildemente perdão das suas faltas, faça um ato de contrição e recite o Confiteor. Em seguida, reconheça que, por si mesmo, é incapaz de rezar adequadamente a Deus; invoque o Espírito Santo; suplique-lhe que venha em sua ajuda e o ensine a orar, que lhe permita fazer uma boa oração, e recite o “Vinde, Espírito Santo”. É nesse momento que começará a sua oração propriamente dita. Contém três pontos, que são: a adoração, a consideração e os propósitos.

1º. ADORAÇÃO

Comece por prestar homenagem a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo ou à Santíssima Virgem, conforme o tema da meditação. Assim, por exemplo, se você medita sobre uma perfeição de Deus ou sobre uma virtude, preste homenagem a Deus, que possui essa perfeição em grau infinitamente elevado, ou a Nosso Senhor, que praticou essa virtude tão perfeitamente: por exemplo, se a sua oração for sobre a humildade, pense como Nosso Senhor foi humilde, Ele que era Deus desde toda a eternidade e que se humilhou até o extremo de se fazer criança, nascer numa manjedoura, obedecer a Maria e a José durante tantos anos, até o extremo de lavar os pés dos seus apóstolos e de sofrer toda a espécie de opróbrios e ignomínias por parte dos homens. Então, manifeste-lhe a sua admiração, o seu amor, o seu agradecimento, e incite o seu coração a amá-lo e a desejar imitá-lo. Pode também considerar essa virtude na Santíssima Virgem ou em algum outro santo: ver como a praticaram e manifestar a Nosso Senhor o desejo de imitá-los.

Se estiver meditando sobre um mistério de Nosso Senhor, por exemplo sobre o mistério do Natal, pode evocar com o auxílio da imaginação o lugar onde se passou esse mistério, as pessoas que lá se encontravam; poderá imaginar, por exemplo, a gruta onde o Salvador nasceu, representar o divino Menino Jesus nos braços de Maria, com São José ao lado, os pastores e os magos que lhe vêm prestar as suas homenagens; e unir-se a eles, para adorá-lo, louvá-lo e orar-lhe.

Pode também servir-se de representações parecidas quando meditar sobre as grandes verdades, como o inferno, o juízo e a morte; imaginar, por exemplo, que você está na hora da morte, pensar nas pessoas que estarão à sua volta: um sacerdote, os seus pais; nos sentimentos que experimentará nesse momento; e dirigir para Deus os afetos, os sentimentos de temor, de confiança ou outros que terá nessa hora. Depois de se deter nesses afetos e sentimentos pelo tempo em que lhe derem gosto e matéria para se ocupar utilmente, passe para o segundo ponto, que é a consideração.

2ª. CONSIDERAÇÃO

Agora, repasse lentamente no seu espírito os principais motivos que devem convencê-lo da verdade sobre a qual medita. Por exemplo, considere a necessidade de trabalhar na sua salvação, se estiver meditando sobre ela; ou os motivos que devem fazê-lo amar e praticar esta ou aquela virtude; se o tema for a humildade, poderá considerar as muitas razões que o levam a ser humilde: em primeiro lugar, porque esse foi o exemplo de Nosso Senhor, o da Santíssima Virgem e o de todos os santos; depois, porque o orgulho é a fonte e a causa de todos os pecados, ao passo que a humildade é o alicerce de todas as virtudes; enfim, porque você não tem nada de que possa orgulhar-se. O que tem você que não tenha recebido de Deus? A vida, a conservação nela, a saúde do espírito, os bons pensamentos, tudo vem de Deus; portanto, você não tem nada de que se possa vangloriar; ao contrário, tem muito de que se humilhar, pensando nas inúmeras vezes em que ofendeu o seu Deus, o seu Salvador, o seu Benfeitor.

Para fazer estas considerações, não procure repassar na memória todos os motivos que tenha para convencê-lo desta ou daquela verdade ou para praticar esta ou aquela virtude. Detenha-se apenas em alguns motivos que o toquem particularmente e que serão os mais apropriados para levá-lo a praticar essa virtude. Faça essas considerações serenamente, sem cansar o espírito. Quando uma consideração já não o impressionar, passe para uma outra. Entremeie tudo isso com piedosos afetos para com Nosso Senhor, com desejos de ser-lhe agradável; dirija-lhe, de vez em quando, algumas breves súplicas e aspirações, para testemunhar-lhe os bons desejos do seu coração.

Depois de ter considerado os motivos, penetre no fundo da sua consciência e examine cuidadosamente como se comportou até esse momento em relação a essa verdade ou a essa virtude sobre a qual meditou; quais as faltas que cometeu, por exemplo, contra a humildade, se tiver meditado sobre a humildade; em que circunstâncias cometeu essas faltas; que meios poderá adotar para não tornar a cair nelas. Então, passará ao terceiro ponto, que são os propósitos.

3º. PROPÓSITOS

Aqui está um dos maiores frutos que você deve colher da sua oração: o de fazer bons propósitos. Lembre-se de que não basta dizer: “Não voltarei a ser orgulhoso, não me gabarei, não ficarei de mau humor, praticarei a caridade com todos, etc.”

Sem dúvida, são todos desejos excelentes, pois demonstram uma boa disposição da alma. Mas é preciso ir mais longe: pergunte-se em que circunstâncias do dia você correrá o risco de cair nessa falta que se propôs evitar, em que circunstâncias poderá fazer um ato desta ou daquela virtude. Por exemplo, imaginemos que você meditou sobre a humildade; muito bem! Ao examinar-se, terá notado que, quando é interrogado em aula, sente dentro de si um grande amor-próprio, um vivo desejo de ser apreciado; nesse caso, faça o propósito de recolher-se um instante antes de responder, para dizer ao Senhor, num ato interior de humildade, que renuncia de todo o coração a qualquer sentimento de amor-próprio que possa surgir na sua alma. Se notou que, em determinada circunstância, costuma dissipar-se, faça o propósito de fugir dessa ocasião, se puder, ou de recolher-se um pouco no momento em que perceber que pode dissipar-se. Se notou que tem uma certa antipatia por esta ou aquela pessoa, tome a resolução de ir ter com ela e manifestar-lhe amizade. E assim por diante.

Mas lembre-se de que, por muito belos e bons que sejam os seus propósitos, tudo será inútil se Deus não vier em seu socorro. Cuide de pedir-lhe insistentemente a sua graça. Faça-o depois de ter tomado as suas resoluções – e ao tomá-las –, para que Ele o ajude a cumprir fielmente esses propósitos; mas faça-o também de vez em quando nos outros
momentos da sua oração.

Em geral, a sua oração não tem por que ser árida e apenas um trabalho da sua mente; é necessário que o seu coração se abra e se dilate diante do seu bom Mestre, tal como o coração de uma criança se abre diante de um pai que a ama com ternura. Para tornar os seus pedidos mais fervorosos e eficazes, coloque-se amorosamente diante de Deus e diga-lhe que é para a sua glória que lhe pede a graça de praticar essa virtude sobre a qual meditou; que lha pede para poder cumprir a sua santa vontade como fazem os anjos no céu; que a pede em nome do seu amado Filho, Jesus Cristo, que morreu na cruz para merecer-lhe todas essas graças; diga-lhe que Ele prometeu atender a todos os pedidos que lhe fizessem, sempre que o fizessem em nome do seu Filho, etc.

Recomende-se também à Santíssima Virgem. Suplique a essa boa Mãe que interceda por você: Ela é todo-poderosa e cheia de bondade; não sabe recusar nada, e Deus concede-lhe tudo o que pede por nós. Recomende-se igualmente ao seu santo Padroeiro e ao seu Anjo da Guarda: as suas orações não poderão deixar de alcançar a graça, a virtude e a fidelidade às resoluções de que você tanto precisa.

Ao longo do dia, lembre-se algumas vezes dos seus bons propósitos, para que consiga pô-los em prática, ou para ver se os observou bem, e renove-os para o resto do dia. De quando em quando, eleve o coração ao Senhor para se fortalecer nas boas disposições que Ele tiver depositado no seu coração durante a oração da manhã. Se o fizer, esteja certo de que tirará grande proveito deste santo exercício, de que fará grandes progressos na virtude e no amor a Deus.

Quanto às distrações nas suas orações, não se inquiete; assim que as notar, rejeite-as e continue serenamente a sua oração ou as suas preces vocais. É impossível não ter distrações; a única coisa que Deus nos pede é que voltemos fielmente à sua presença logo que percebamos que nos distraímos. Pouco a pouco, essas distrações irão diminuindo e a oração se tornará mais doce e mais fácil.

Estes são, querido sobrinho, os conselhos que lhe podem servir para facilitar a prática tão necessária da oração. É o grande meio que todas as almas santas empregaram para santificar-se. Espero que, como a elas, com a graça, esse meio lhe traga proveito e que a sua boa vontade seja recompensada pelas graças do bom Mestre.

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François-Marie-Paul Libermann
O Venerável Padre Libermann (1802-1852) nasceu no seio de uma família judia muito observante (o seu pai era rabino) e era o quarto de sete irmãos, tendo recebido na circuncisão o nome de Jacob. Era um judeu muito piedoso e o pai tinha esperanças de que Jacob viesse a suceder-lhe. O jovem teve o seu primeiro contato com o cristianismo aos vinte anos de idade, precisamente quando foi enviado a Metz para aprimorar os seus conhecimentos sobre o judaísmo. Aos vinte e três anos, recebeu o Batismo em Paris, seguindo o exemplo de dois dos seus irmãos. Sentiu-se chamado ao sacerdócio imediatamente depois da sua conversão e ingressou no seminário em 1827, embora, devido à sua frágil saúde, só tenha sido ordenado em 1839. Consumido de zelo apostólico, uniu-se aos padres Le Vavasseur e Tisserand, ambos seminaristas negros oriundos de colônias francesas, para fundar uma congregação dedicada à evangelização dos pobres e dos negros da América e da África: a Congregação do Imaculado Coração de Maria, posteriormente unida à Congregação do Espírito Santo. Embora nunca podido visitar pessoalmente nenhum dos dois continentes, trabalhou incessantemente na formação dos noviços (conservam-se milhares de cartas suas) até a sua morte em Paris.

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Fonte: “Lettres du Vénerable Père Libermann”, Paris, DDB, 1964

Tradução: Emérico da Gama
Link: www.quadrante.com.br


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Obstáculos ao Progresso na Vida Interior

AS CAUSAS que levam a não progredir na vida interior e, portanto, a retroceder e a dar lugar ao desalento, podem ser muito diversas, mas por vezes podem reduzir-se a poucas: ao desleixo, à falta de vigilância nas pequenas coisas que dizem respeito ao serviço e à amizade com Deus, e ao recuo perante os sacrifícios que essa amizade nos pede.

Tudo o que possuímos para oferecer ao Senhor são pequenos atos de fé e de amor, ações de graças, uma breve visita ao Santíssimo Sacramento, as orações costumeiras ao longo do dia; e esforço no trabalho profissional, amabilidade nas respostas, delicadeza ao prestar ou ao pedir um favor… Muitas pequenas coisas feitas com amor e por amor constituem o nosso tesouro deste dia que levaremos para a eternidade.

Normalmente, a vida interior alimenta-se, pois, do corriqueiro realizado com atenção e com amor. Pretender outra coisa seria errar de caminho, não achar nada, ou muito pouco, para oferecer a Deus. “Vem a propósito – diz-nos Mons. Escrivá – recordar a história daquele personagem imaginado por um escritor francês, que pretendia caçar leões nos corredores da sua casa e, naturalmente, não os encontrava. A nossa vida é comum e corrente: pretender servir o Senhor com coisas grandes seria como tentar ir à caça de leões pelos corredores. Assim como o caçador do conto, acabaríamos de mãos vazias”, sem nada que oferecer.

As nossas pequenas obras são como as gotas de água que, somadas umas às outras, fecundam a terra sedenta: um olhar a uma imagem de Nossa Senhora, uma palavra de alento a um amigo, uma genuflexão reverente diante do Sacrário, um movimento imperceptível de domínio da vista pela rua, um pequeno ato de força de vontade para fugir de um dissimulado convite à preguiça… criam os bons hábitos, as virtudes, que conservam e fazem progredir a vida da alma. Se formos fiéis em realizar esses pequenos atos, quando tivermos de enfrentar alguma coisa mais importante – uma doença mais séria, um fracasso profissional… -, saberemos também tirar fruto dessa situação que o Senhor quis ou permitiu. Cumprir-se-ão então as palavras de Jesus: Aquele que é fiel no pouco também o é no muito.

Outra causa de retrocesso na vida da alma é “negarmo-nos a aceitar os sacrifícios que Deus nos pede”, esquivando-nos a essas ocasiões em que devemos dar combate ao nosso egoísmo para procurar Cristo durante o dia, ao invés de nos procurarmos a nós mesmos. O amor a Deus “adquire-se na fadiga espiritual”. Não existe amor, nem humano nem divino, sem este sacrifício voluntário. “O amor cresce e desenvolve-se em nós no meio das contradições, entre as resistências que o interior de cada um de nós lhe opõe, e ao mesmo tempo entre os obstáculos que provêm «de fora», isto é, das múltiplas forças que lhe são estranhas e até hostis”.

Como o Senhor nos prometeu que não nos faltaria com a ajuda da sua graça, o nosso progresso só depende da nossa correspondência, do nosso empenho em recomeçar constantemente, sem desanimar, apoiando-nos nos “muitos poucos” que compõem a nossa vida e que estão sempre ao nosso alcance, como um convite ao sacrifício por amor.

Fonte : Falar com Deus.


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