Sunday, 20 of May of 2012

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«Uma voz brada no deserto: Preparai os caminhos do Senhor»

Beato Guerric d’Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense
I Sermão para o Advento (Trad. Cf Bouchet, Leccionário, p. 36 e Brésard, 2000 anos B, p. 20)

«Uma voz brada no deserto: Preparai os caminhos do Senhor»

«Preparai os caminhos do Senhor.» Irmãos, os caminhos do Senhor que nos pedem que preparemos preparam-se percorrendo-os, e é preparando-os que os percorremos. Mesmo que já tenhais progredido muito no caminho, tendes ainda assim de o preparar, a fim de que, do ponto aonde chegastes, avanceis sempre mais. E assim, a cada passo que dais, o Senhor cujo caminho preparais vem ao vosso encontro, sempre novo, sempre maior. É, pois, com razão que o justo reza dizendo: «Instruí-me, Senhor, nos Vossos mandamentos, e os guardarei com fidelidade» (Sl 118, 33). Talvez se lhe tenha chamado «caminho eterno» porque, se é verdade que a Providência previu o caminho de cada um e lhe fixou um termo, também é certo que a bondade daquele para o Qual avançais não tem limites. É por isso que, ao chegar, o viajante sábio e decidido pensa que está apenas no princípio (Fil 3, 13); esquecendo o que tem atrás de si, dirá todos os dias: «Hoje começo». [...]

Mas nós que falamos de progresso neste caminho, praza ao céu que tenhamos, pelo menos, começado! Em minha opinião, quem se pôs a caminho já está no bom caminho; mas é necessário que tenhamos realmente começado, que tenhamos «encontrado o caminho da cidade habitável», como diz o salmo (106, 4). Porque «são poucos os que o encontram», diz a própria Verdade (Mt 7, 14). E numerosos os que vagueiam na solidão. [...]

E Tu, Senhor, preparaste-nos um caminho, basta que consintamos em o percorrer. Tu ensinaste-nos o caminho da Tua vontade quando nos disseste: «Este é o caminho, andai por ele» (Is 30, 21). Trata-se do caminho que o profeta tinha prometido: «O deserto será atravessado por um caminho que se chamará caminho sagrado; nenhum ser impuro passará por ele (Is 35, 8). «Fui jovem, agora sou velho» (Sl 36, 25) e, se bem me lembro, nunca vi seres impuros percorrerem o Teu caminho; embora tenha visto alguns puros que conseguiram percorrê-lo até ao fim.


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Advento – Catecismo da Igreja Católica

§ 522

A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.

§ 523

São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho. “Profeta do Altíssimo” (Lc; 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio.

§ 524

Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).


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Paciência nas Dificuldades

A PACIÊNCIA é uma virtude bem diferente da mera passividade perante o sofrimento; não é um não reagir nem um simples agüentar: é parte da virtude da fortaleza, e leva a aceitar serenamente a dor e as provas da vida, grandes ou pequenas, como vindas do amor de Deus. Identificamos então a nossa vontade com a do Senhor, e isso permite-nos manter a fidelidade em qualquer circunstância e é o fundamento da grandeza de ânimo e da alegria de quem está certo de vir a receber uns bens futuros maiores.

Os campos em que devemos praticar esta virtude são inúmeros. Em primeiro lugar, conosco próprios, já que é fácil desanimarmos com os nossos próprios defeitos, sempre repetidos, sem conseguir superá-los totalmente. É necessário sabermos esperar e lutar com perseverança, convencidos de que, enquanto mantivermos o combate, estaremos amando a Deus. Normalmente, a superação de um defeito ou a aquisição de uma virtude não se consegue à custa de esforços violentos, mas de humildade, de confiança em Deus, de petição de mais graças, de uma maior docilidade. São Francisco de Sales afirmava que é necessário termos paciência com todos, mas, em primeiro lugar, conosco próprios.

Paciência também com as pessoas com quem nos relacionamos freqüentemente, sobretudo se, por qualquer motivo, temos obrigação de ajudá-las na sua formação ou em determinadas circunstâncias… Devemos contar com os defeitos das pessoas com quem convivemos – sem esquecer que muitas vezes estão sinceramente empenhadas em superá-los –, talvez com o seu mau gênio, com as suas faltas de educação, com os seus melindres… que, sobretudo se se repetem com freqüência, poderiam fazer-nos faltar à caridade, envenenar a convivência ou tornar ineficaz o nosso interesse em socorrê-las. A caridade ajudar-nos-á a saber esperar, sem deixar de corrigir quando for o momento mais indicado e oportuno. Esperar um tempo, sorrir, dar uma resposta amável a uma impertinência, são pormenores que podem fazer com que as nossas palavras cheguem ao coração das pessoas, e, de qualquer modo, sempre chegam ao Coração do Senhor, que olhará para nós com especial afeto.

Paciência com os acontecimentos que nos contrariam: a doença, a pobreza, o excessivo calor ou frio…, os diversos contratempos que se apresentam num dia normal: o telefone que não funciona ou a ligação que não se completa, a morosidade no trânsito que nos faz chegar atrasados a um encontro importante, esquecer em casa o material de trabalho, uma visita que se apresenta no momento menos oportuno… São as adversidades, talvez não muito grandes, mas que possivelmente nos levariam a reagir com falta de paz. O Senhor espera-nos nessas ocasiões: devemos enfrentá-las de ânimo tranqüilo, sem “explodir”, sem um gesto sequer de contrariedade ou um trejeito de desagrado. E tudo isto é manifestação do ânimo forte de um cristão que aprendeu a santificar os pequenos incidentes de um dia qualquer.

(…)

Caritas omnia suffert, omnia credit, omnia sperat, omnia sustinet, a caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre, ensina São Paulo. Se tivermos paciência, seremos fiéis, salvaremos a nossa alma e também a de muitos outros que Nossa Senhora coloca constantemente ao nosso lado.

Fonte: Falar com Deus.


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Purgatório

Ó DEUS!, Tu és o meu Deus, eu te busco desde o amanhecer; a minha alma tem sede de ti, a minha carne enlanguesce junto de ti como terra árida e seca, sem água. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: Quando irei e contemplarei a face de Deus? Esta necessidade e esta ânsia reveladas pelo autor sagrado podem ser aplicadas em toda a sua força às almas do Purgatório.

Os pecados provocam uma dupla desordem. Em primeiro lugar, a ofensa a Deus, que acarreta para a alma o que os teólogos chamam reato de culpa, a inimizade, o afastamento de Deus que – em caso de pecado mortal – implica um desvio radical da alma em relação ao fim para que foi criada e a torna merecedora da eterna privação de Deus. Esta culpa, no caso dos pecados cometidos depois do Batismo, é perdoada na Confissão sacramental.

Além disso, e na medida em que o pecado significa uma conversão às criaturas, provoca uma desordem que atinge o próprio pecador e que trunca a sua realização pessoal: “O pecado diminui o próprio homem, impedindo-o de conseguir a plenitude”. E como pela Comunhão dos Santos todos os fiéis estão unidos entre si, esse pecado prejudica e ofende os outros: “A alma que se rebaixa pelo pecado arrasta consigo a Igreja, e, de certa maneira, o mundo inteiro”.

Estas conseqüências do pecado pessoal são o que se chama reato (ou resto) de pena, que subsiste ordinariamente mesmo depois da absolvição sacramental, e que deve ser reparado nesta vida pelo cumprimento da penitência imposta na Confissão, pela prática de obras boas ou mediante as indulgências concedidas pela Igreja.

A alma que parte deste mundo sem a suficiente reparação ou com pecados veniais e faltas de amor a Deus, deverá purificar-se no Purgatório, pois no Céu não pode entrar nada contaminado. No Purgatório, as almas satisfazem pelas suas culpas e manchas sem com isso terem merecimento algum – com a morte termina o tempo de merecer –, sem experimentarem nenhum crescimento no seu amor a Deus. Por outro lado, porém, junto com uma dor inimaginável, existe também no Purgatório uma grande alegria, porque as almas ali retidas sabem-se confirmadas em graça e, portanto, destinadas à felicidade eterna.

A Igreja, ao comemorar anualmente os fiéis defuntos, lembra-se ao longo deste mês de novembro desses seus filhos que ainda não podem participar plenamente da bem-aventurança eterna e anima-nos a oferecer o Santo Sacrifício por eles – nada mais valioso pode ser oferecido ao Pai neste mundo –, ao mesmo tempo que concede especiais indulgências aplicáveis a essas almas. O Senhor quis que qualquer obra boa realizada em estado de graça pudesse ser útil e alcançasse um prêmio diante dEle; e estes méritos podem ser aplicados pelos defuntos do Purgatório a título de sufrágio, de ajuda. Assim, podemos oferecer por essa intenção a recepção dos sacramentos, especialmente a Comunhão, o terço, as doenças, a dor, as contrariedades da jornada. Sem esquecermos esse outro cabedal de que dispomos todos os dias como um grande instrumento de ajuda aos nossos irmãos defuntos: o trabalho ou o estudo, feitos com perfeição humana e sentido sobrenatural.

III. AS INDULGÊNCIAS – plenárias ou parciais – que podem ser aplicadas como sufrágio têm uma particular importância na ajuda que podemos prestar às almas do Purgatório; algumas até foram previstas exclusivamente em favor dos defuntos.

A Igreja concede indulgência parcial por muitas obras de piedade. Estão neste caso a oração mental, a recitação do Angelus ou do Regina Coeli; o uso de um objeto piedoso – crucifixo, terço, escapulário, medalha – abençoado por um sacerdote (se tiver sido abençoado pelo Sumo Pontífice ou por um prelado, ganha-se indulgência plenária na festa de São Pedro e São Paulo, após um ato de fé); a leitura da Sagrada Escritura; a recitação do Lembrai-vos; a Comunhão espiritual, com qualquer fórmula; todas as ladainhas; a recitação do Adoro te devote; a Salve Rainha; as orações pelo Papa; um retiro espiritual… Algumas destas práticas são ainda mais enriquecidas pela concessão – nas condições habituais: Confissão, Comunhão, oração pelo Sumo Pontífice – do benefício da indulgência plenária, que apaga toda a pena temporal devida pelos pecados. É o que acontece, por exemplo, com a recitação do terço em família, a prática da Via-Sacra, a meia hora de oração diante do Santíssimo Sacramento, a piedosa visita a um cemitério nos primeiros oito dias do mês de novembro…

Conforme ensinam São Tomás de Aquino e muitos outros teólogos, as almas do Purgatório podem lembrar-se das pessoas queridas que deixaram na terra e pedir por elas, ainda que ignorem – a não ser que Deus disponha o contrário – as necessidades concretas dos que ainda vivem. Intercedem pelos seres queridos que aqui deixaram, como nós rezamos por elas mesmo sem sabermos com certeza se estão no Purgatório ou se já gozam de Deus no Céu. Não podem merecer, mas podem interceder, apresentando ao Senhor os méritos adquiridos aqui na terra. Ajudam-nos em muitas das necessidades diárias, e fazem-no “especialmente em relação aos que estiveram unidos a elas durante esta vida”, aos que mais as ajudaram a alcançar a salvação, aos que tinham a seu cargo nesta terra.

Não deixemos de recorrer a elas…, e sejamos generosos nos sufrágios que a liturgia nos propõe especialmente neste mês de novembro. Tendo-as muito presentes, relacionando-nos com elas nesse intercâmbio de orações, devemos chegar a poder dizer delas: “Minhas boas amigas, as almas do Purgatório…”

Fonte: Falar com Deus.


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Devoção Mariana

A DEVOÇÃO À VIRGEM não é de maneira nenhuma “um sentimento estéril e transitório, nem uma certa vã credulidade”, própria de pessoas de pouca idade ou formação. Pelo contrário – continua a afirmar o Concílio Vaticano II –, “procede da verdadeira fé, pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus e impelidos a um amor filial para com a nossa Mãe e à imitação das suas virtudes”.

O amor à Virgem anima-nos a imitá-la e, portanto, a cumprir fielmente os nossos deveres, a levar alegria a todos os lugares aonde vamos. Move-nos a repelir todo o pecado, até o mais leve, e incita-nos a lutar com empenho contra os nossos defeitos. Contemplar a docilidade de Maria à ação do Espírito Santo na sua alma é sentirmo-nos estimulados a cumprir a vontade de Deus a todo o momento, também quando nos custa. O amor que nasce no nosso coração ao invocá-la é o melhor remédio contra a tibieza e contra as tentações de orgulho e da sensualidade.

Quando fazemos uma romaria ou visitamos um santuário dedicado à nossa Mãe do Céu, fazemos uma boa provisão de esperança. Ela mesma – Spes nostra – é a nossa esperança! Sempre que rezamos com atenção o terço e nos detemos uns instantes a meditar cada um dos mistérios que nele se propõem, obtemos mais forças para lutar, mais alegria e desejos mais firmes de ser melhores. “Não se trata tanto de repetir fórmulas como de falar como pessoas vivas com uma pessoa viva, que, se não a vedes com os olhos do corpo, podeis no entanto vê-la com os olhos da fé. Com efeito, a Virgem e o seu Filho vivem no Céu uma vida muito mais “viva” do que a nossa – mortal – que vivemos aqui na terra.

“O Rosário é um colóquio confidencial com Maria, uma conversa cheia de confiança e de abandono. É confiar-lhe as nossas penas, manifestar-lhe as nossas esperanças, abrir-lhe o nosso coração. É declararmo-nos à sua disposição para tudo o que Ela, em nome do seu Filho, nos peça. É prometer-lhe fidelidade em todas as circunstâncias, mesmo as mais dolorosas e difíceis, certos da sua proteção, certos de que, se o pedimos, Ela sempre obterá do seu Filho todas as graças necessárias à nossa salvação”.

Façamos o propósito neste sábado mariano de oferecer-lhe com mais amor essa coroa de rosas que a palavra “rosário” significa na sua etimologia. Não rosas murchas pela falta de amor ou pelo descuido.

“Santo Rosário. Os gozos, as dores e as glórias da vida de Nossa Senhora tecem uma coroa de louvores que os Anjos e os Santos do Céu repetem ininterruptamente…, como também os que amam a nossa Mãe aqui na terra. – Pratica diariamente esta devoção santa e difunde-a”.

Através desta devoção, a nossa Mãe do Céu devolver-nos-á a esperança se alguma vez, ao considerarmos tantas fraquezas, sentirmos na alma a sombra do desalento. “«Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço mais do que aumentar todos os dias o número dos meus pecados…» Disseste-me o outro dia que falavas assim com a Nossa Mãe.

“E aconselhei-te, com plena segurança, que rezasses o terço: bendita monotonia de ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados!”

Fonte: Falar com Deus.


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