Sunday, 20 of May of 2012

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“Nossa tendência ao egoísmo não morre”

Não coloques o teu “eu” na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás… Que coisa tão aborrecida! Pareces ter esquecido que “tu” não tens nada, que tudo é dEle. Quando ao longo do dia te sentires – talvez sem razão – humilado; quando julgares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que em cada instante borbulha o teu “eu”, o teu, o teu, o teu…, convece-te de que estás matando o tempo, e de que estás precisando que “matem” o teu egoísmo. (Forja, 1050)

Precisamos deixar que o Senhor intervenha em nossas vidas e que intervenha confiadamente, sem encontrar obstáculos nem recantos obscuros. Nós, os homens, tendemos a defender-nos, a apegar-nos ao nosso egoísmo. Sempre tentamos ser reis, nem que seja do reino da nossa miséria. Devemos compreender, através desta consideração, o motivo pelo qual temos necessidade de recorrer a Jesus: é para que Ele nos torne verdadeiramente livres, e desta forma possamos servir a Deus e a todos os homens.

Estejamos precavidos, portanto, visto que a nossa tendência para o egoísmo não morre, e a tentação pode insinuar-se de muitas maneiras. Deus exige que, ao obedecer, ponhamos em movimento a fé, porque a sua vontade não se manifesta com aparato ruidoso. As vezes, o Senhor sugere o seu querer como que em voz baixa, lá no fundo da consciência; e é necessário escutarmos atentamente, para sabermos distinguir essa voz e ser-lhe fiéis. (É Cristo que passa, 17)


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Caminho: 70 anos

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Amar o Trabalho Profissional

I. O TRABALHO É um dom de Deus, um grande bem para o homem, ainda que seja “o sinal de um bem árduo, conforme a terminologia de São Tomás [...]. E é não somente um bem útil ou para ser usufruído, mas um bem digno, isto é, um bem que corresponde à dignidade do homem, que expressa essa dignidade e a aumenta”1. Uma vida sem trabalho corrompe?se, e, no trabalho, o homem “torna?se mais homem”2, mais digno e mais nobre, se o realiza como Deus quer.

O trabalho é conseqüência do preceito de dominar a terra3 dado por Deus à humanidade, que se tornou penoso pelo pecado original4, mas que constitui o “eixo da nossa santidade e o meio sobrenatural e humano apto para levarmos Cristo conosco e fazermos o bem a todos”5. É como que a coluna vertebral do homem, que dá base de sustentação a toda a sua vida, e o meio através do qual devemos alcançar a nossa santidade e a dos outros. Um modo errôneo de equacionar o trabalho profissional pode repercutir em toda a vida do homem, mesmo nas suas relações com Deus.

Por isso, compreendemos bem os males que a preguiça, o trabalho mal feito, as tarefas realizadas pela metade podem ocasionar… “O ferro que jaz ocioso, consumido pela ferrugem, torna?se mole e inútil; mas, se é empregado no trabalho, é muito mais útil e belo, e não fica muito atrás da prata pelo seu brilho. A terra baldia não produz nada de útil, mas mato, cardos, espinhos e árvores infrutíferas; mas a que é cultivada coroa?se de suaves frutos. E, para dizê?lo numa só palavra, todo o ser se corrompe pela ociosidade e se aperfeiçoa pela operação que lhe é própria”6; o homem, pelo seu trabalho.

São Paulo, como lemos na primeira Leitura da Missa7, fala aos primeiros cristãos de Tessalônica do modo como se comportou com eles enquanto lhes pregava a Boa Nova de Jesus: Estais lembrados – diz?lhes – dos nossos trabalhos e fadigas; trabalhando noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós…8 E mais tarde, na segunda Epístola: Vós mesmos sabeis como deveis imitar?nos; pois não vivi entre vós sem trabalhar, nem comi de graça o pão de ninguém, mas trabalhei e cansei?me de noite e de dia para não ser pesado a ninguém9. O Espírito Santo, com este exemplo, inculcava?nos um princípio prático bem claro a seguir: Se alguém não quiser trabalhar, que não coma.

Hoje, na nossa oração serena e sossegada, temos que ter presente que o Senhor também espera de nós esse mesmo espírito de laboriosidade, de trabalho intenso, que se viveu entre os primeiros cristãos. Um dos escritos cristãos mais antigos – a Didaquê – deixou?nos este admirável testemunho: “Todo aquele que chegar a vós em nome do Senhor, seja recebido; depois, examinando?o, vireis a conhecê?lo [...]. Se quem chega é um viajante, não permanecerá entre vós mais do que dois dias ou, se for necessário, três. Mas, se quiser estabelecer?se entre vós, tendo um ofício, que trabalhe e assim se alimente. E se não tiver ofício, provede conforme a vossa prudência, de modo que não viva entre vós nenhum cristão ocioso. Se não quiser fazer assim, é um traficante de Cristo; estai alerta contra esses”10.

II. NOS SEUS ANOS de Nazaré, o Senhor deu?nos um exemplo admirável da importância do trabalho e da perfeição humana e sobrenatural com que devemos realizar a nossa tarefa profissional. “Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela?nos que a existência humana, a vida comum e de cada dia, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos considerado estas verdades, devemos encher?nos sempre de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da vida de Jesus entre os seus irmãos, os homens. Anos de sombra, mas, para nós, claros como a luz do sol”11.

A sua própria maneira de falar, as parábolas e imagens que emprega na sua pregação revelam um homem que conheceu muito de perto o trabalho; fala sempre “para quem se afana, para uma vida ordinária sempre regida pela lei da normalidade, pela aparição previsível dos mesmos problemas para as mesmas pessoas. Este é o ambiente da pregação de Cristo; os seus ensinamentos ficaram graficamente inseridos neste contexto. Não era o “filósofo”, nem o “visionário”, mas o artesão. Alguém que trabalhava, como todos”12.

Durante a sua vida pública, o Mestre chamou para junto de si pessoas que estavam habituadas ao trabalho: São Pedro, pescador de ofício, voltará às suas tarefas de pesca logo que tiver a primeira oportunidade13; São Mateus é convidado a seguir o Senhor num momento em que estava ocupado no seu ofício de cobrador de impostos, e o mesmo aconteceu com os outros Apóstolos.

Quando São Paulo partiu de Atenas e chegou a Corinto, encontrou um judeu chamado Áquila, originário do Ponto, e sua esposa Priscila. Juntou?se a eles. E como era do mesmo ofício, hospedou?se em casa deles e trabalhava em companhia de Áquila; ambos eram fabricantes de lonas14. Foi durante essa estadia de ano e meio em Corinto que São Paulo escreveu as exigentes exortações que dirigiu aos cristãos de Tessalônica, convencido de que muitos dos males que vinham afligindo aquela comunidade cristã se deviam à circunstância de que alguns eram mais dados a falar e a andar de casa em casa do que a ocupar?se no seu trabalho.

Devemos examinar com freqüência a qualidade humana do nosso trabalho: se o começamos e terminamos no horário previsto, ainda que alguns dos nossos colegas, ou mesmo todos, não o façam; se o realizamos com ordem, sem deixar para o fim os assuntos mais difíceis ou menos gratos; se trabalhamos intensamente, procurando evitar conversas, chamadas telefônicas inúteis ou menos necessárias; se procuramos melhorar constantemente a qualidade desse trabalho com o estudo oportuno, procurando estar atualizados nas novas questões que surgem em todas as profissões; se nos excedemos em cumpri?lo, como acontece com tudo o que se ama, mas com prudência e retidão, sem prejudicar o tempo que devemos à família, ao apostolado, à nossa formação espiritual e religiosa… Numa palavra, contemplemos Jesus na sua oficina de Nazaré, peçamos licença ao Senhor para entrar ali com os olhos da fé, e então veremos se o nosso trabalho tem a qualidade e a profundidade que Ele pede aos que o seguem.

III. TEMOS QUE AMAR e cuidar do nosso trabalho porque é um preceito do nosso Pai?Deus. Mediante o trabalho de todos os dias, a personalidade desenvolve?se, ganha?se o preciso para as necessidades da família e para as pessoais, bem como para prestar ajuda às boas obras de formação, de apostolado, etc. Temos que amar o trabalho e convertê?lo ao mesmo tempo em tema e campo de oração, porque, acima de tudo, é caminho de santidade.

Podemos oferecer todos os dias ao Senhor imensas coisas que procuramos que estejam bem feitas: o estudante poderá oferecer?lhe horas de estudo intensas e seguidas; a mãe de família, a solicitude eficaz pelos filhos, pelo marido, o cuidado dos mil detalhes que fazem da sua casa um verdadeiro lar; o médico, a par da competência profissional, o trato amável e acolhedor com os pacientes; as enfermeiras, essas horas cheias de serviço contínuo, como se cada um dos doentes fosse o próprio Cristo…

É no meio e na execução do próprio trabalho que devem surgir com freqüência os pedidos de ajuda ao Senhor, as ações de graças, os desejos de dar glória a Deus com aquilo que temos entre mãos… Nós, os cristãos correntes, os simples leigos, não nos santificamos apesar do trabalho, mas através do trabalho; encontramos o Senhor nos mais variados incidentes que o compõem, uns agradáveis, outros menos, mas todos eles o campo por excelência em que se exercitam as virtudes humanas e as sobrenaturai
s.

O amor ao nosso trabalho profissional levar?nos?á freqüentemente a permanecer, talvez por muitos anos ou por toda a vida, na mesma tarefa. Isto não significa que não devamos aspirar a conseguir uma situação ou um lugar de trabalho de mais destaque. Mas esse desejo legítimo, que faz parte da boa mentalidade profissional, não deve causar intranqüilidade nem desassossego, como se o êxito profissional e financeiro fosse o único motivo que nos leva a trabalhar. Os cristãos não devem medir os seus trabalhos unicamente pelo dinheiro, como se fosse o que em última análise lhes importa. Enquanto não nos chegam essas oportunidades de subir na escala profissional, se fizemos jus a isso, devemos santificar precisamente essas tarefas que nos ocupam, sem uma mentalidade provisória que comprometeria a sua eficácia santificadora.

E por fim, lembremo?nos de que São Paulo, no meio da preocupação por sustentar?se e não ser gravoso a ninguém, continuava a ser o Apóstolo das gentes, o eleito de Deus, e servia?se da sua profissão para aproximar os outros de Cristo. Assim devemos nós fazer, qualquer que seja o nosso ofício e o nosso lugar na sociedade.

(1) João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 14?IX?1981, I, 9; (2) ib.; (3) cfr. Gen 1, 28; (4) cfr. Gen 3, 17; (5) Josemaría Escrivá, Carta, 14?II?1950; (6) São João Crisóstomo, Homilia sobre Priscila e Áquila; (7) 1 Tess 2, 9?13; Primeira leitura da Missa da quarta?feira da vigésima primeira semana do TC, ano I; (8) 1 Tess 2, 9; (9) 2 Tess 3, 7?8; (10) Didaquê ou Doutrina dos Doze Apóstolos; (11) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 14; (12) R. Gómez Pérez, La fe y los dias, pág. 20; (13) cfr. Jo 21, 3; (14) cfr. At 18, 1?3.

Fonte: Falar com Deus.


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“Oxalá sejas como um velho silhar oculto”

Não queiras ser como aquele catavento dourado do grande edifício; por muito que brilhe e por mais alto que esteja, não conta para a solidez da obra. – Oxalá sejas como um velho silhar oculto nos alicerces, debaixo da terra, onde ninguém te veja; por ti não desabará a casa. (Caminho, 590)

Deixa-me que te recorde, entre os outros, alguns sinais evidentes de falta de humildade:

- pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou dito do que aquilo que os outros fazem ou dizem;
- querer levar sempre a tua avante;
- discutir sem razão ou – quando a tens – insistir com teimosia e de maus modos;
- dar o teu parecer sem que te peçam, ou sem que a caridade o exija;
- desprezar o ponto de vista dos outros;
- não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;
- não reconhecer que és indigno de qualquer honra e estima, que não mereces sequer a terra que pisas e as coisas que possuís;
- citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;
- falar mal de ti mesmo, para que façam bom juízo de ti ou te contradigam;
- desculpar-te quando te repreendem;
- ocultar ao Diretor algumas faltas humilhantes para que não perca o conceito que faz de ti;
- doer-te de que outros sejam mais estimados do que tu;
- negar-te a desempenhar ofícios inferiores;
- procurar ou desejar singularizar-te;
- insinuar na conversa palavras de louvor próprio ou que dêem a entender a tua honradez, o teu evangelho ou habilidade, o teu prestígio profissional…;
- envergonhar-te por careceres de certos bens… (Sulco, 263)

Fonte: Opus Dei


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Não descures a prática da correção fraterna

 

Não descures a prática da correção fraterna, manifestação clara da virtude sobrenatural da caridade. Custa; é mais cômodo eximir-se; mais cômodo!, mas não é sobrenatural. – E dessas omissões terás de prestar contas a Deus. (Forja, 146)

Portanto, quando na nossa vida pessoal ou na dos outros percebermos alguma coisa que não está certa, alguma coisa que precisa do auxílio espiritual e humano que nós, os filhos de Deus, podemos e devemos prestar, uma das manifestações claras de prudência consistirá em aplicar o remédio conveniente, a fundo, com caridade e com fortaleza, com sinceridade. Não têm cabimento as inibições. É errado pensar que os problemas se resolvem com omissões ou com adiamentos.

A prudência exige que, sempre que a situação o requeira, se apliquem os remédios, totalmente e sem paliativos, depois de se deixar a chaga a descoberto. Ao notardes os menores sintomas do mal, sede simples, verazes, quer tenhais de curar alguém, quer se trate de receberdes vós mesmos essa assistência. Nesses casos, deve-se permitir, a quem se encontra em condições de curar em nome de Deus, que aperte de longe e depois mais de perto, e mais ainda, até que saia todo o pus e o foco de infecção fique bem limpo. Temos de proceder assim, antes de mais nada, conosco próprios e com os que temos obrigação de ajudar por justiça ou por caridade. Rezo especialmente pelos pais e pelos que se dedicam a tarefas de formação e ensino. (Amigos de Deus, 157)

Fonte: Opus Dei.


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