Sunday, 20 of May of 2012

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Sofrimento humano e mistério da cruz

 

Costumamos pensar no sofrimento como algo que deve ser evitado a todo o custo, E não há nada que irrite mais determinadas sociedades do que a ideia cristã de que se deveria suportar a dor  e o sofrimento, e mesmo entregar-se a eles, a fim de superá-los. Sofrer, dizia João Paulo II, é parte do mistério de ser homem. Por que é assim? 

Hoje, o que se pretende é eliminar o sofrimento da face da terra. Para o indivíduo, isso significa evitar a todo o custo a dor. No entanto, precisamos enxergar também que é precisamente dessa forma que o mundo se torna muito duro e muito frio. A dor é parte do ser humano.

Quem quisesse realmente livrar-se do sofrimento, antes de mais nada teria que livrar-se do amor; não há amor sem sofrimento, pois o amor sempre exige certa dose de sacrifício: diante das diferenças de temperamento e dos dramas humanos, sempre trará consigo renúncia e dor.

Quando sabemos que o caminho do amor – esse êxodo, esse sair de si mesmo – é o verdadeiro caminho pelo qual o homem se torna humano, compreendemos também que o sofrimento é o processo pelo qual amadurecemos. Quem aceita interiormente o sofrimento torna-se mais maduro e mais compreensivo com  as fraquezas dos outros: mais humano. Quem evita com pertinácia o sofrimento não é capaz de entender os outros: torna-se duro e egoísta. O próprio amor é uma paixão, isto é, algo que acontece conosco. No amor, a primeira experiência é uma alegria, um sentimento geral de alegria; mas, por outro lado, vejo-me arrancado à minha confortável tranquilidade e tenho que deixar-me reformular.

Se compreendermos que o sofrimento é o "lado de dentro" do  amor, entenderemos também como é importante aprender a sofrer – e veremos por que, em sentido inverso, a fuga de todo o sofrimento torna a pessoa incapaz de lidar com a vida: cairia num estado de vazio existencial, que só pode estar associado à amargura, à rejeição, e já não permite nenhuma aceitação interior nem nenhum progresso na direção da maturidade.

Fonte: Deus e o Mundo, Joseph Ratzinger em entrevista a Peter Seewald.


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Testemunho de menina católica ante o câncer gera conversões ao catolicismo nos EUA.

Seattle, 10 Ago. 09 / 09:02 am (ACI).- A breve vida de uma menina devota católica em Seattle, Washington, permitiu o retorno à Igreja de muitos católicos e a conversão pelo menos dez americanos. O testemunho de fé que deu ao lutar contra um doloroso câncer deu numerosos frutos e inclusive permitiu a fundação de uma organização dedicada a apoiar a famílias com membros doentes.

Glorifica Strauss nasceu em 1996, tinha seis irmãos e levou uma vida completamente normal até cumprir os 7 anos de idade. Era amável, alegre, carinhosa e muito piedosa. Gostava de muito da oração do Terço.

Em uma entrevista à CatholicNewsAgency.com, seu pai Doug Strauss, recordou que no ano 2003 Glória recebeu um acidental golpe de bola no rosto e quando a lesão desapareceu ficou um vulto suspeito.

Os médicos lhe diagnosticaram um câncer avançado conhecido como neuroblastoma e lhe deram entre três meses e três anos de vida. Glória foi submetida a uma cirurgia e recebeu tratamentos de quimioterapia.

Um colunista do Seattle Times se interessou pela história da família e seu primeiro artigo atraiu a muitos leitores. O caso chegou aos meios de todo o país, unindo milhares de pessoas em uma grande cadeia de oração.

Quando a saúde de Glória piorou no ano 2007, a família começou a receber a dezenas de pessoas em sua casa para rezar o Terço e entoar canções religiosas com a menina. Quando aumentou a afluência de pessoas, cinco membros da comunidade abriram seus lares para continuar com as orações.

Glória foi submetida a novas sessões de quimioterapia e inclusive tentaram um transplante de células mãe extraídas de sua própria medula. Ante a dor de sua filha alguns questionaram o seu pai sobre a “qualidade de vida” que levava a menor.

Doug Strauss estava confundido e decidiu perguntar a Glória se ela tinha “qualidade de vida”. A menina lhe respondeu: “Sim papai!” e emocionada acrescentou que muitas pessoas estavam começando a rezar por causa da sua enfermidade.

“Ela ensinou a todos a maneira de levar uma cruz. Deu-nos como presente seu próprio compromisso em uma relação constante com Deus através da oração. Ela sempre disse, ‘sim’”, recorda Doug.

O testemunho de Glória atraiu a pessoas de todas as religiões. “Todo mundo sabia que somos católicos –não tivemos que professar nossa fé– e queríamos orações de todos”, assinalou.

O câncer seguiu avançando e a pequena Glória faleceu em 21 de setembro de 2007. Tinha onze anos.

Mais de três mil pessoas assistiram a seu funeral, a família começou a receber histórias de como o testemunho de sua filha tinha mudado vidas e tem conhecimento de pelo menos dez pessoas que se converteram ao catolicismo por conhecer a história de Glória. Uma família de luteranos que compartilhou um acampamento com a família Strauss decidiu converter-se ao catolicismo antes da morte da menina. Glória soube desta conversão e manifestou sua alegria.

Com a ajuda de um empresário local, a família Strauss iniciou uma organização em memória de sua filha. Chama-se Glória’s angels e se dedica a assistir a famílias que têm algum membro com uma enfermidade grave.


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Estudo sobre o Sofrimento (IV)

Ninguém está livre dos sofrimentos e das incompatibilidades da vida. Surpresas incômodas e indesejadas sempre irão acontecer. Ninguém pede os tsunamis e os katrinas e as tribulações, mas, infelizmente, eles chegam sem a nossa vontade.

“Precisamos aprender a confrontar realidades desagradáveis e entender que o mundo é imperfeito”, diz o mega investidor George Soros.

As vitórias pedem esforço dobrado, suor e sangue, persistência, atitude aguerrida, motivação incessante e centralidade no alvo.

Valentia, coragem e inteligência são atributos dos heróis.

Nesta vida há necessidade de algo a mais para vencer os titãs do sofrimento.

Disse o pai da psicanálise Sigmund Freud: “Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”.

O ex-ateu, renomado escritor cristão, o irlandês Clive Staples Lewis, escreveu que: “o sofrimento oferece uma oportunidade para o heroísmo” e acrescenta que “essa oportunidade é aceita com surpreendente freqüência”.

Este autor do sucesso mundial ‘As Crônicas de Nárnia’, explica que “o problema de conciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus só é insolúvel enquanto associamos um significado trivial à palavra ‘amor’ e considerarmos as coisas como se o homem fosse o centro delas”.

Os que sofrem como verdadeiros cristãos têm consciência que o padecimento tem como objetivo purgar as imperfeições e aumentar a fé, o estado de graça e acender a chama ardente da comunhão com o bondoso Deus.

“Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós” (Romanos 8,18).

Autor:

Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda


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Estudo sobre o Sofrimento (III)

Diante do sofrimento e da dor, muita gente pergunta “por quê isso acontece comigo?” “Por quê eu tenho que sofrer?”. “Por quê Deus não me livrou dessa desgraça, da miséria e da tormenta?” “Por quê os bons sofrem tanto e os maus não?”.

É normal a nossa revolta e indignação no confronto com os problemas e as dificuldades. O bom Deus não leva em conta a nossa raiva diante das adversidades.

Como José do Egito, nós não entendemos o mal que está acontecendo em nosso redor – em parte sim, em parte não – mas, com o passar do tempo, as coisas vão se revelando e nós começamos entender o porquê do fato ter acontecido (Gênesis 50,18-21). É claro! Nem tudo podemos entender os mistérios desta vida. Aguardemos a eternidade.

O ilustre rabino Henry Sobel disse: “A fé não é a ausência da dúvida. Eu como rabino tenho muitos problemas com Deus, como Deus deve também ter problemas comigo. Mas nem por isso desisto. Faço da minha dúvida a vontade de conhecer melhor”. O rabino diz que, quando perdeu a mãe, questionou a justiça de Deus: “Por quê?”. Depois, entendeu que a pergunta não era “por quê?”, mas “para que?”

“Aprendi que a dor deve servir a uma finalidade maior. Existe uma missão na vida, e essa missão é enriquecida pela dor”. Afirma Sobel: “A fé é a coragem de continuar”.

Ás vezes quando uma pessoa pergunta “por que?”, ela não está somente em busca de respostas, mas também de consolo, pois talvez tenha sofrido uma grande perda. A Sagrada Escritura fornece esse consolo? Considere três importantes verdades bíblicas relacionadas a esse assunto.

Primeiro: não é errado perguntar por que Deus permite o sofrimento. Alguns têm receio de fazer uma pergunta dessas porque acham que isso significa falta de fé em Deus ou falta de respeito por ele. Isso não é verdade. Se você faz essa pergunta com sinceridade, não é o único. O santo profeta Habacuque perguntou a Deus: “Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte.” (Habacuque 1,3- Bíblia na Linguagem de Hoje). Deus não repreendeu Habacuque por ter dito essas palavras. Em vez disso, fez com que as perguntas desse homem fiel fossem registradas para que todos nós as lêssemos. (Romanos 15,4).

Segundo: é importante saber que Deus sente compaixão quando você passa por uma situação difícil. Ele não é indiferente e misterioso; ele “ama a justiça” e detesta a maldade e o sofrimento que essa causa. (Salmo 37,28; Provérbios 6,16-19). Nos dias de Noé, Deus sentiu-se “magoado no coração” porque a violência se espalhava pela Terra (Gênesis 6,5,6). Deus não mudou; seus sentimentos em relação ao que acontece atualmente são os mesmos. (Malaquias 3,6). Os homens mudam e não deveriam mudar para pior.

Terceiro: Deus não é a causa do sofrimento. A Sagrada Escritura deixa muito claro isso. Devido a desobediência do primeiro casal no Jardim do Édem, surgiu os desabores da vida (Gênesis 3,1-24). Aqueles que atribuem ao Senhor Deus a culpa por coisas catastróficas e a maldade no mundo estão difamando o Criador, ou seja, blasfemando Aquele que é o “Sumo Bem”. “Todas as obras de Deus procedem de sua bondade para felicidade dos bem-aventurados”, afirma Santo Tomás de Aquino.

Escreve Jó: “Escutai-me, homens sensatos. Longe de Deus o mal, e do Todo Poderoso, a iniqüidade!” Corrobora com este pensamento São Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: “É Deus que me está tentando”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Antes, cada qual é tentado péla própria concupiscência, que o arrasta e seduz. Meus amados irmãos, não vos enganeis: todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto e desce do Pai das Luzes, no qual não há nenhuma mudança nem sombra de variação” (Tiago 1.13-17).

Quando você estiver passando pelo sofrimento e terríveis provações, tenha certeza que o bom Deus não é a causa de tais tentações. Porém, tenhamos ciência que Deus permite tais provações para elevar a alma ao patamar da maturidade espiritual. “E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio” (Romanos 8,28).


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Estudo sobre o Sofrimento (II)

Muitos líderes religiosos fraudulentos e charlatões usam o sofrimento do povo para construir seus impérios financeiros. Outros pela ignorância teológica dão explicações erradas sobre o sofrimento.

Respostas sem exegese bíblica que vão desde um ‘Deus catastrófico’ ao pensamento deísta.

Os lideres religiosos, em vez de fornecer respostas satisfatórias sobre esse assunto, muitas vezes aumentam ainda mais a confusão. Vamos concentrar-nos agora em apenas três das suas respostas mais comuns.

Primeiro: muitos líderes religiosos ensinam que Deus provoca catástrofes para punir pessoas más.

Por exemplo, nos Estados Unidos, depois de a cidade de Nova Orleans, Louisiana, ter sido devastada pelo furacão Katrina, alguns ministros religiosos afirmaram que Deus havia castigado a cidade. Eles se referiram à prevalecente corrupção, jogatina e imoralidade como motivos para isso. Alguns até mesmo citaram a Bíblia como prova disso, lembrando ocasiões em que Deus destruiu os maus por meio de dilúvio ou fogo. Essas afirmações, porém não refletem o que a Bíblia ensina. (Gálatas 6,7-9).

Segundo: alguns clérigos afirmam que Deus tem suas razões para fazer com que calamidades sobrevenham à humanidade, mas que essas razões estão além da nossa compreensão. Muitas pessoas ficam insatisfeitas com essa explicação. Elas se perguntam: “Será que um Deus amoroso faria tais maldades, recusando-se depois a explicar seus motivos aos que anseiam receber consolo e clamam: ‘Por quê’?” Essa é uma boa pergunta, pois a Bíblia diz que “Deus é amor”. (1 João 4,8).

Terceiro: outros líderes religiosos talvez concluam que, afinal, Deus não é nem todo poderoso nem amoroso. Essa idéia também levanta perguntas sérias. Será que Aquele que ‘criou todas as coisas’ – incluindo o magnífico e insondável Universo – é incapaz de evitar o sofrimento neste planeta, a Terra?

(Apocalipse 4,11). Como é possível que Aquele que nos deu a capacidade de amar, e cuja Palavra, a Sagrada Escritura, o descreve como sendo a própria personificação do amor sem limite, seja indiferente ao sofrimento das pessoas? (Gênesis 1,27; 2,1-3; Isaías 49,15; João 3,16).


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