Sunday, 20 of May of 2012

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Fé: Um Encontro com Cristo.

 

Por Pe. Francisco Faus.

No comentário de? ?Michel? ?Quoist sobre a fé,? ?citado na meditação? ?“Fé ou amor?”? (que se encontra nesta mesma seção dom site?)?,? ?víamos que esse autor,? ?depois de dizer que a fé é uma graça,? ?acrescenta que ela nos ajuda a? ?reencontrar uma pessoa viva,? ?Jesus Cristo,? ?e nos permite adquirir a? ?certeza de que Ele fala a Verdade.? ?Vamos refletir? ?agora? ?um pouco sobre isto.

Uma das cenas mais bonitas do Evangelho é a narração da cura de? ?um cego junto? ?em Jerusalém.? ?Andava certa vez Jesus pelas dependências externas do Templo de Jerusalém,? ?quando encontrou? ?incidentalmente um cego de nascença,? ?um rapaz que nunca tinha visto a luz,? ?que jamais se extasiara com as cores da natureza nem se comovera fitando um rosto amado.? ?Ao chegar perto dele,? ?Cristo exclamou:? ?Enquanto estou no mundo,? ?eu sou a luz do mundo.? ?E,? ?imediatamente,? ?realizou o milagre de lhe abrir os olhos.?

Foi-se o antigo cego,? ?deslumbrado pela beleza do mundo,? ?a rir e a contar a todos a sua felicidade.? ?Horas depois,? ?Cristo reencontrou-o e,? ?olhando-o com carinho,? ?sorriu,? ?enquanto lhe perguntava:? – ?Crês no Filho do homem??? O cego entendeu logo a pergunta? (?bem sabia que a expressão? “?Filho do homem?” ?era um título? ?usado pelo? ?profeta Daniel? ?para? ?designar o futuro Messias?) ?e respondeu:? – ?Quem é ele,? ?Senhor,? ?para que eu creia?? ?Disse-lhe Jesus:? – ?Tu o vês,? ?é o mesmo que fala contigo.? – ?Creio,? ?Senhor?! – ?disse ele.? ?E prostrando-se diante dele,? ?o adorou? ?(Jo? ?9,? ?1? ?e segs.?)?.?

Quem é ele,? ?Senhor?? ?Essa é a grande pergunta que todos nós deveríamos fazer.? ?Quem é Cristo?? ?Quem és Tu,? ?Senhor?? ?Porque são muitos os que falam de Cristo,? ?dizem que acreditam nEle e que o admiram,? ?mas muito poucos o conhecem de verdade.? ?Em vez de possuírem a verdadeira imagem de Cristo,? ?têm dEle uma idéia distorcida pela ignorância,? ?pela confusão de opiniões e pela fantasia.?

Com a ajuda da graça de Deus,? ?o primeiro passo da fé cristã deve ser? ?conhecer Cristo.

É muito importante perceber que o Cristianismo? – ?a fé cristã? – ?começou assim:? ?com um encontro alegre,? ?com o feliz deslumbramento produzido pelo encontro com Cristo.

Os primeiros discípulos de Jesus? – ?Pedro,? ?André,? ?João,? ?Tiago,? ?Filipe…? –?,? ?depois de estarem com Ele pela primeira vez,? ?num entardecer inesquecível à beira do rio Jordão,? ?foram,? ?irradiando felicidade? – ?com os olhos? ?brilhantes e a palavra ofegante pela emoção? – ?comunicar,? ?um ao irmão,? ?outro ao amigo,? ?a grande notícia:? – ?Encontramos o Messias? (?que quer dizer o Cristo?)! ?É Jesus de Nazaré?!? (Jo? ?1,? ?41.45?)?.

?“?Conhecer?” ?Cristo deixa uma marca indelével.? ?Descobrir? ?mesmo Cristo produz um deslumbramento inefável:? ?mete no coração uma luz que não se esgota,? ?uma vitalidade nova,? ?uma alegria que jamais envelhece.

São João,? ?um daqueles primeiros discípulos que víamos junto de Jesus,? ?muito tempo depois,? ?quando já estava com a idade de quase cem anos,? ?escreveu as lembranças do seu convívio com Nosso Senhor,? ?e nelas testemunhava com viço juvenil:? ?O que era desde o princípio? ?[Cristo,? ?o Verbo,? ?Deus e homem verdadeiro?]?,? ?o que ouvimos,? ?o que vimos com os nossos olhos,? ?o que contemplamos e as nossas mãos apalparam no tocante ao Verbo da vida? ?[...?]?,? ?nós vo-lo anunciamos,? ?para que também vós tenhais comunhão conosco? [?...?]?.? ?Escrevemo-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa? (?cf.? ?1? ?Jo? ?1,? ?1-4?)?.? ?João tinha tanta alegria dentro do peito que queria compartilhar com todos a sua fé transbordante de felicidade.

A nossa imagem de? ?Cristo

E nós?? ?É bem provável que,? ?a muitos de nós se possam aplicar as palavras do livro? ?Caminho:? “?Esse Cristo que tu vês não é Jesus.? – ?Será,? ?quando muito,? ?a triste imagem que podem formar teus olhos turvos…? – ?Purifica-te.? ?Clarifica o teu olhar com a humildade e a penitência.? ?Depois…? ?não te hão de faltar as luzes límpidas do Amor.? ?E terás uma visão perfeita.? ?A tua imagem será realmente a sua:? ?Ele?!”? (Caminho,? ?8? ?a.? ?edição,? ?Quadrante,? ?São Paulo,? ?1995,? ?n.? ?212?)?.

Nós não? “?vemos?” ?Jesus,? ?a maior parte das vezes,? ?devido à nossa ignorância,? ?porque pouco sabemos dEle.? ?Por isso,? ?far-nos-á bem reconhecer com? ?humildade:? “?Não sei quase nada.? ?Nunca me preocupei de conhecê-lo a sério?”?.? ?E,? ?penitenciando-nos por esse desinteresse,? ?que é uma falta de amor,? ?também nos fará bem acrescentar:? “?Sinto muito este descaso,? ?dói-me esta superficialidade,? ?este desleixo?”?.? ?Então,? ?surgirá sozinha dentro da nossa alma uma conclusão:? “?Preciso conhecê-lo,? ?e conhecê-lo a fundo?”?.? ?Mas,? ?como conseguirei??

Como?? ?Um bom roteiro é o que traçava? ?São Josemaria Escrivá:? “?Que procures Cristo.? ?Que encontres Cristo.? ?Que ames a Cristo.? – ?São três etapas claríssimas.? ?Tentaste,? ?pelo menos,? ?viver a primeira??? (Caminho,? ?n.? ?382.?)? Eis,? ?a seguir,? ?algumas sugestões que nos podem ajudar a percorrer essas etapas:?

* Ler todos os dias algum trecho? (?ainda que seja só uma página,? ?meia página,? ?durante cinco minutos?) ?do Evangelho,? ?do Novo Testamento.? ?Melhor se for numa hora fixa? – ?de manhã,? ?antes do trabalho,? ?ou antes do jantar,? ?por exemplo? –?,? ?lutando por adquirir esse bom hábito.

?* ?Procurar um bom livro? – ?do tipo? “?biografia?” – ?sobre a vida de Cristo,? ?e ir lendo-o devagar,? ?com o texto do Evangelho ao lado para conferir,? ?até fazermos uma idéia completa da vida de Jesus? (?Uma biografia excelente,? ?entre outras,? ?é:? ?J.? ?Pérez de Urbel,? ?A vida de Cristo,? ?2a.? ?ed.,? ?Quadrante,? ?São Paulo,? ?1998?)?;

* Depois de conhecer um pouco melhor a vida de Cristo,? ?de nos termos familiarizado mais com ela,? ?meditar as palavras e os atos de Nosso Senhor que os Evangelhos conservam.? ?Talvez a melhor maneira de fazê-lo seja a que também aconselhava? ?São Josemaria:? ?ler as passagens do Evangelho? “?metendo-nos nelas,? ?como um personagem mais?”; ?e então olhar para Cristo e pensar no seu exemplo e nas suas palavras como uma interpelação pessoal,? ?como se Ele se dirigisse a nós e esperasse a nossa resposta?; ?podemos estar certos de que? – ?dado que Cristo vive? – ?esse modo de proceder estará mais perto da realidade do que da imaginação? (?Ver a homilia? ?Vida de oração,? ?no livro? ?Amigos de Deus,? ?Quadrante,? ?São Paulo,? ?1979,? ?
págs.? ?203? ?e segs?)?.

?* ?Estudar a doutrina cristã sobre Nosso Senhor Jesus Cristo,? ?ou seja,? ?conhecer os aprofundamentos sobre o mistério de Jesus Cristo alcançados pelos grandes santos,? ?pelos místicos cristãos e pelos bons pastores e teólogos da Igreja?; ?por outras palavras,? ?a doutrina guardada,? ?aprofundada e transmitida pelo Magistério da Igreja ao longo de vinte séculos,? ?que é exposta de maneira clara e acessível nos Catecismos e em muitos bons livros de formação cristã? (?Ver o amplo? ?Catecismo da Igreja Católica,? ?Ed.? ?Vozes-Loyola,? ?São Paulo? ?1993,? ?ou,? ?pelo menos,? ?e o? ?Compêndio do Catecismo da Igreja Católica,? ?Ed.? ?Loyola,? ?São Paulo? ?2005?)?.

?* ?E,? ?ainda,? ?esforçar-nos por chegar à amizade com Cristo,? ?conversando com Ele freqüentemente? – ?em casa,? ?no quarto,? ?na rua,? ?no trânsito,? ?no trabalho,? ?em todo o lugar? –?,? ?de modo que a nossa amizade com Cristo se torne cada vez mais íntima.? ?Então,? ?o coração descobrirá coisas que a cabeça sozinha nunca seria capaz de perceber.?

Que devo fazer??

Outro que conheceu,? ?literalmente,? ?o? “?deslumbramento?” ?do encontro com Cristo foi São Paulo.? ?Ele mesmo nos conta a sua experiência.? ?Estava chegando à cidade de Damasco,? ?na Síria,? ?para onde me dirigi? – ?diz ele? –?,? ?com o fim de prender os? [?cristãos?] ?que lá se achassem e trazê-los a Jerusalém,? ?para que fossem castigados.

Ora,? ?estando eu em caminho,? ?e aproximando-me de Damasco,? ?pelo meio-dia,? ?de repente me cercou uma forte luz do céu.? ?Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia:? ?Saulo,? ?Saulo,? ?por que me persegues?? ?Eu repliquei:? ?Quem és tu,? ?Senhor?? ?A voz disse-me:? ?Eu sou Jesus de Nazaré,? ?a quem tu persegues.? ?Os meus companheiros viram a luz,? ?mas não ouviram a voz que me falava.? ?Então eu disse:? ?Senhor,? ?que devo fazer?? ?(At? ?22,? ?5-10?)?.

Derrubado pela voz de Cristo,? ?literalmente deslumbrado pela graça da fé que lhe era concedida naquele momento,? ?São Paulo fez a pergunta da? “?autenticidade?”?:? ?Que devo fazer???

Também nós,? ?quando abraçamos sinceramente a fé em Cristo,? ?devemos dirigir-lhe esta pergunta:? ?Que devo fazer?? ?Senhor,? ?que queres que eu faça??

Víamos antes? – ?com palavras de Quoist? – ?que a fé em Jesus Cristo,? ?que nos permite adquirir a? ?certeza de que Ele fala a Verdade,? ?consiste,? ?na prática,? ?em? ?esposarmos o seu olhar e em? ?comprometer-nos em função desse olhar.? ?Duas coisas ressaltam destas? ?duas idéias sobre a fé.?

Primeira,? ?que,? ?para um cristão que? ?acredita mesmo,? ?a palavra e a vida de Cristo são a Verdade,? ?a Luz definitiva,? ?que esclarece,? ?ilumina e orienta todos os seus pensamentos,? ?palavras e ações:? ?Eu sou a luz do mundo?; ?aquele que me segue não andará nas trevas,? ?mas terá a luz da vida? (?Jo? ?8,? ?12?)?.

Segunda,? ?que essa luz não é teórica,? ?mas prática,? ?é? ?luz da vida?; ?de maneira que a fé só pode ser autêntica se for um? ?compromisso? ?de viver praticamente? ?em função do olhar de Cristo,? ?ou seja,? ?de acordo com a visão? ?que Ele tem,? ?e que Ele nos transmite,? ?sobre todas as coisas?; ?por outras palavras,? ?de acordo com as perspectivas concretas que a Verdade cristã nos dá.

Assim o expressa o Papa João Paulo II:? “?A fé? – ?escreve na Encíclica? ?Veritatis Splendor? (?ns.? ?88-89?) – ?é uma? ?decisão que compromete toda a existência.? ?É encontro,? ?diálogo,? ?comunhão de amor e de vida daquele que crê com Jesus Cristo,? ?Caminho,? ?Verdade e Vida.? ?Comporta um ato de intimidade e de abandono a Cristo,? ?fazendo-nos viver como Ele viveu,? ?ou seja,? ?no amor pleno a Deus e aos irmãos.? ?A fé inclui também um? ?compromisso coerente de vida,? ?comporta e aperfeiçoa o acolhimento e a observância dos mandamentos divinos?”?.

Uma luz e um compromisso

A alternativa,? ?para nós,? ?é clara:? ?ou levamos uma vida iluminada e guiada pela Verdade?; ?ou então caminhamos envoltos na penumbra,? ?no nevoeiro das nossas opiniões e palpites superficiais sobre o que é certo e o que é errado,? ?sobre os valores verdadeiros da existência,? ?sobre o papel da religião,? ?sobre o sentido do sexo,? ?da família,? ?da vida humana,? ?da ética no trabalho,? ?da responsabilidade em face da pobreza,? ?da ignorância,? ?do sofrimento,? ?da injustiça e de todas as chagas que afligem os nossos irmãos,? ?os homens.

Aquele que,? ?pela fé,? ?achou a Verdade de Cristo não pode fechar impunemente os olhos à sua luz.? ?Se o fizer por medo ou comodidade,? ?uma voz no íntimo da consciência lhe dirá que está fugindo,? ?mais ainda,? ?que está traindo.? ?Ter visto a Verdade compromete a agir.

Não caiamos,? ?pois,? ?na covardia de esquivar a pergunta de São Paulo:? ?Que devo fazer??? Nem as outras perguntas inseparáveis dessa:? ?Que devo pensar sobre os problemas da vida??? Que valores devo amar e defender??? Por que ideais devo pautar o meu comportamento,? ?todas as minhas opções e decisões??

Tais perguntas vão apresentar-se constantemente na nossa vida,? ?sob formas muito concretas,? ?levantando-nos delicadas questões de consciência.? ?Devemos compreender,? ?além disso,? ?que a nossa fé não é apenas uma questão pessoal,? ?com a qual se possa brincar,? ?dizendo:? “?É assunto meu?; ?se eu não acredito ou não pratico,? ?é coisa minha?; ?o que é que os outros têm a ver com isso??”

Isso é falso,? ?falsíssimo?! ?A fé não é nunca só? “?coisa minha?”?.? ?Os outros têm muitíssimo a ver.? ?Porque a luz? – ?ou as trevas? – ?que eu tiver na minha mente e no meu coração vão influir decisivamente no meu comportamento e,? ?portanto,? ?no meu exemplo?; ?nas minhas opiniões sobre os problemas da atualidade e,? ?portanto,? ?na opinião de outros,? ?que a minha vai influenciar?; ?no meu ideal de família e,? ?portanto,? ?no tipo de família pelo qual eu vou lutar?; ?no meu conceito de moral e de justiça no trabalho,? ?e,? ?portanto,? ?no meu modo de trabalhar,? ?servindo a sociedade ou atropelando tudo e todos com a minha ânsia de vantagens pessoais?; ?no modo como assumo a ajuda ao próximo? – ?ao meu irmão necessitado,? ?aos problemas sociais? – ?ou lhe viro as costas?; ?nas posições que eu adote sobre o valor da vida humana desde o seu nascimento até ao seu término natural? (?aborto,? ?eutanásia?)?,? ?etc.,? ?etc.

O? “?tipo?” ?de fé que nós tivermos e praticarmos terá muitíssima influência? – ?muito mais do que agora imaginamos? – ?no presente e no futuro da nossa vida pessoal,? ?familiar,? ?profissional e social.? ?Por isso,? ?a responsabilidade pelo nosso? “?compromisso?” ?cristão é grande.? ?Só uma pessoa
inconsciente ou infantilizada pode ficar contornando essas questões.? ?Daí que? ?a formação cristã não seja um luxo,? ?mas uma necessidade:? ?é preciso ter luz,? ?para poder caminhar na luz? (?cf.? ?1? ?Jo? ?1,? ?7?)?.?

Caminhando à luz da fé

É necessária a? ?formação cristã,? ?porque precisamos de idéias claras e respostas claras para cada situação e cada problema.? ?Não só precisamos da formação intelectual? – ?ou seja,? ?do conhecimento da doutrina de que falávamos antes? –?,? ?mas da formação prática,? ?da aplicação da doutrina à vida.? ?Não podemos ser? – ?para usar uma imagem de? ?São Josemaria Escrivá? – ?como os que? “?passam pela vida como por um túnel,? ?e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé?”? (Caminho,? ?n.? ?575?)?.? ?Têm fé teórica,? ?têm algumas idéias religiosas,? ?mas essas permanecem tão fora da vida como os raios do sol estão fora do túnel.

Em cada dia há muitas ocasiões de ver e de seguir a luz de Cristo? – ?aquele que me segue não andará nas trevas? – ?ou de perder-nos dentro de um túnel.

Basta que imaginemos uma jornada qualquer da nossa vida,? ?com muitas situações rotineiras e alguns fatos inesperados.? ?Cristo está ao nosso lado,? ?desde que acordamos?; ?e começam a aparecer as circunstâncias em que nos pede que vivamos a coerência cristã:

?* ?Perante a ira provocada pela indelicadeza de um irmão,? ?lá em casa,? ?quando pegávamos a mochila para ir à escola,? ?Cristo lança um raio de luz clara:? “?Perdoe-o,? ?não se canse de perdoar,? ?assim como eu não me canso de perdoar você?” (?cf.? ?Mt? ?18,? ?21-22?)?.

?* ?Chegamos à escola,? ?e damos de cara com o colega ou a colega de quem menos gostamos?; ?não simpatizamos com ele ou com ela nem um pouquinho,? ?e julgamos ter motivos para isso.? ?A luz da fé aquece o nosso coração,? ?e é como se a voz de Cristo sussurrasse:? “?Você sabe que deve esforçar-se por? ?amar o seu próximo como a si mesmo,? ?ainda que não seja seu amigo,? ?mesmo que seja seu inimigo,? ?mesmo que se tenha comportado mal com você?” (?cf.? ?Lc? ?10,? ?27?; ?Mt? ?5,? ?44?)?.

?* ?Ao sair para ir à lanchonete,? ?num intervalo,? ?o rapaz é abordado por uma colega,? ?conhecida por ser uma menina? “?liberada?” (?outros dão-lhe um nome dife-rente?)?,? ?que lhe sugere verem depois,? ?voltando da escola,? ?pornografias novas na Internet,? ?e,? ?de passagem,? ?programarem para domingo uma? ?plano indecente.? ?Logo a luz brilhante da fé e o amor ao seu compromisso cristão lembram ao rapaz:? “?Você bem sabe? – ?e você vibra de alegria ao pensar nisso? – ?que o seu corpo é templo de Deus,? ?que o corpo não é para a impureza,? ?mas para o Senhor,? ?para os amores nobres e limpos que desabrocham no grande ideal cristão do Matrimônio e da família.? ?Não profane nem o seu corpo nem o seu amor?” (?cf.? ?Mt? ?5,? ?27-28?; ?1? ?Cor? ?6,? ?15-20?)?.

?* ?Chegamos a casa,? ?no fim das aulas,? ?e a preguiça formiga no corpo todo.? ?Que vontade de tirar uma soneca ou,? ?pelo menos,? ?de deitar-se na cama,? ?embalados? – ?ou eletrizados? – ?pelo som de um CD?! ?O estudo…,? ?bem,? ?o estudo…,? ?que espere…? ?Pois também aí a fé bem formada nos faz chegar um raio de luz,? ?e sentimos que o próprio Cristo nos recorda que amor e dever estão muito ligados,? ?ao mesmo tempo que nos anima a ser generosos,? ?a oferecer-lhe com carinho o trabalho feito com a maior perfeição possível e a carregar com garbo,? ?com um sorriso,? ?a nossa cruz de cada dia? (?cf.? ?Mt? ?16,? ?24-25?)?.

?* ?Pronto.? ?Já estudamos durante duas horas e meia? (?com distrações e vários? “?passeios da preguiça?” ?pelo apartamento,? ?certamente?; ?mas,? ?enfim,? ?estudamos?)?.? ?Agora,? ?sim,? ?é a hora de submergir na televisão e desligar de tudo o mais.? ?Mas o coração sabe que há uma ajuda a prestar ao pai,? ?à mãe,? ?a um irmão que anda fraco nos estudos.? ?O egoísmo range e reclama…? ?Mas o bom coração sente remorsos…? ?E então Cristo nos ajuda a lembrar-nos de que? ?servir e dar a vida pelos outros,? ?como Ele fez por nós,? ?é um maravilhoso ideal que a fé acendeu na nossa alma? (?cf.? ?Mt? ?20,? ?25-28?; ?Jo? ?13,? ?12-17?)?…

Situações comuns,? ?no dia vulgar de um estudante.? ?Certamente,? ?a fé é uma luz clara para essas situações corriqueiras?; ?e,? ?do mesmo modo,? ?também virá a ser uma luz clara para as novas situações comuns? – ?um pouco mais complexas? –?,? ?que surgirem no futuro,? ?quando,? ?já adultos,? ?tivermos que assumir as grandes responsabilidades da vida.? ?E igualmente a fé será luz,? ?a grande luz que esclarece,? ?fortalece e consola,? ?quando vierem? – ?sempre vêm algumas? – ?as situações incomuns,? ?as circunstâncias difíceis em que batem à porta o sofrimento,? ?a incompreensão,? ?a injustiça,? ?a doença e a morte.? ?Só a fé bem vivida nos tornará capazes de lhes dar sentido e de manter-nos na paz.

A experiência indica que,? ?conforme seja a força da fé com que encaramos as circunstâncias normais do dia-a-dia,? ?assim será a fé com que saberemos encarar? – ?quando for o caso? – ?as grandes lutas,? ?os grandes empreendimentos,? ?os grandes desafios.

Fé autêntica e formação,? ?como vemos,? ?são inseparáveis.? ?Pois só a formação cristã séria,? ?progressiva,? ?constante,? ?pode dar-nos condições de viver coerentemente com a nossa fé.

Dizíamos há pouco que a formação não é um luxo.? ?Vale a pena frisá-lo de novo,? ?e incentivar? – ?quando já estamos chegando ao final destas páginas? – ?a Mônica,? ?o Eduardo e tantos outros rapazes e moças,? ?a decidir-se,? ?neste momento privilegiado da vida que é a juventude,? ?a levar a sério a sua formação cristã:? ?estudando a fundo a doutrina católica,? ?lendo e meditando a Sagrada Escritura e bons livros de formação e espiritualidade,? ?consultando as suas dúvidas e incertezas com quem os possa ajudar,? ?procurando uma direção espiritual pessoal que os auxilie,? ?para verem onde precisam lutar,? ?como deveriam rezar,? ?o que deveriam corrigir,? ?onde lhes faz falta melhorar,? ?como poderiam dar-se mais aos outros,? ?que virtude está sendo mais necessária,? ?que qualidade é preciso desenvolver…?; ?e que,? ?ao mesmo tempo,? ?os oriente sobre os meios necessários? (?Sacramentos,? ?oração,? ?sacrifícios,? ?planos espirituais,? ?obras de caridade,? ?etc.?) ?para lutar e vencer de maneira eficaz,? ?secundando a ação do Espírito Santo na alma.

Formação?! “?Durante a vida inteira? – ?dizia Gregorio Marañón? –?,? ?nós seremos o que formos capazes de ser desde jovens?”? (Ensayos liberales,? ?6a.? ?ed.,? ?Austral,? ?Madrid,? ?1966,? ?pág.? ?79?)?.

Sim,? ?a vida inteira vai depender da autenticidade do ideal humano e c
ristão que formos capazes de procurar,? ?assumir e seguir na juventude.? ?A vida inteira dependerá do que formos capazes de fazer com a nossa liberdade,? ?esse navio aberto a toda a rosa dos ventos,? ?que agora? – ?na juventude? – ?está à espera de uma bússola e de um Norte.? ?A vida inteira dependerá da coragem sincera com que formos capazes agora de procurar a luz da fé,? ?e de segui-la,? ?uma vez encontrada.? ?A nossa vida inteira dependerá disso tudo…,? ?e disso também dependerão muitas outras vidas,? ?que os dias,? ?os meses e os anos irão ligando à nossa.

Vel a pena terminar esta nossa meditação recordando? ?umas palavras muito sugestivas de João Paulo II.? ?São declarações do Papa ao jornal francês? ?La Croix,? ?de? ?20.08.1997,? ?logo depois de ter participado,? ?em Paris,? ?das XII Jornadas Mundiais da Juventude:

?“?Os jovens trazem consigo um ideal de vida?; ?têm sede de felicidade.? ?Pela sua atuação e pelo seu entusiasmo,? ?os jovens lembram-nos que a vida não pode ser simplesmente uma procura de riqueza,? ?de bem-estar,? ?de honrarias.? ?Eles nos revelam uma aspiração mais profunda,? ?que todo homem carrega dentro de si,? ?um desejo de vida interior e de encontro com o Senhor,? ?que bate à porta do nosso coração para nos dar a sua vida e o seu amor.? ?Somente Deus pode preencher o desejo do homem.? ?Só nEle é que os valores fundamentais encontram a sua origem e o seu sentido último.? ?Nem todas as opções valem a mesma coisa,? ?ainda que,? ?segundo a mentalidade dominante,? «?tudo seja válido?»?,? ?independentemente do sentido moral dos atos.? ?Os jovens são arrastados às vezes nessa confusão,? ?mas sabem reagir?; ?não cessam de dizer-nos que esperam de nós,? ?os adultos,? ?uma vida reta e bela?”?.

E que espera o Papa dos jovens?? – ?perguntava o jornal.? “?Espero deles que mobilizem a sua generosidade,? ?a sua inteligência e a sua energia para tornarem o mundo mais acolhedor para todos?; ?que se ponham a serviço da felicidade e da dignidade dos seus irmãos e irmãs?; ?que saibam que dar-se aos outros será para eles o modo de alcançarem o seu pleno desenvolvimento.? ?Espero dos jovens cristãos que descubram cada vez mais? «?a largura,? ?e a longitude,? ?a altura e a profundidade?» ?do mistério de Cristo? (?Ef? ?3,? ?18?) ?e a beleza da sua condição de filhos de Deus?; ?que desempenhem plenamente o seu papel ativo e responsável na Igreja e na sociedade?; ?que sejam testemunhas convincentes do Amor com que Deus nos ama,? ?fazendo eles próprios da sua vida um dom?”?.

?(?Adaptação de um trecho do livro de F.? ?Faus:? ?Autenticidade? & ?Cia?)

Fonte: padrefaus.org


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Transmitindo o Amor de Cristo.

Para transmitir o amor de Cristo não basta a participação nas obras de apostolado. Requer-se, primeiro de tudo, o testemunho de uma vida coerente, o exemplo de uma caridade universal e a sinceridade em todas as nossas ações. O modo mais eficaz de comunicar Cristo se consegue pela autenticidade de nossa fé.

(trecho de meditação do Regnum Christi)


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Encontrar Cristo na Igreja.

– Não é possível amar, seguir ou escutar Cristo, sem amar, seguir ou escutar a Igreja.

– Nela, participamos da Vida de Cristo.

– Fé, esperança e amor à Igreja.

I. TODOS PROCURAM JESUS. Todos necessitam dEle, e Ele está sempre disposto a compadecer?se dos que o procuram com fé. A sua Santíssima Humanidade era como que o canal pelo qual passavam todas as graças, enquanto permaneceu entre os homens. Por isso, toda a multidão procurava tocá?lo, porque saía dEle uma força que curava a todos.

A mulher de que nos fala o Evangelho da Missa1 também se sentiu movida a aproximar?se de Cristo. Aos seus sofrimentos físicos – de há doze anos –, somava?se a vergonha de sentir?se impura segundo a lei. No povo judeu, considerava?se impura não só a mulher afetada por uma doença desse tipo, como também quem a tocasse. Por isso, para não se fazer notar, aproximou?se de Jesus por trás e limitou?se a tocar a orla do seu manto. “Tocou delicadamente a borda do manto, aproximou?se com fé, acreditou e soube que tinha sido curada…”2

Essas curas, os milagres, as expulsões de demônios que Cristo realizou enquanto vivia na terra, eram uma prova de que a Redenção já era uma realidade, não uma mera esperança. Essas pessoas que se aproximaram do Mestre anteciparam de algum modo a devoção dos cristãos pela Santíssima Humanidade de Cristo.

Depois, quando estava prestes a partir para o Céu, para junto do Pai, sabendo que sempre precisaríamos dEle, o Senhor preparou os meios para que em qualquer época e lugar pudéssemos receber as infinitas riquezas da Redenção: fundou a Igreja, bem visível e localizável. Procuramos nela o mesmo que as pessoas procuravam no Filho de Maria. Estar com a Igreja é estar com Jesus, unir?se a esse redil é unir?se a Jesus, pertencer a essa sociedade é ser membro do seu Corpo. Somente nela encontraremos Cristo, o próprio Cristo, Aquele que o Povo eleito esperava.

Os que pretendem ir a Cristo prescindindo da Igreja, ou até maltratando?a, poderiam um dia ter a mesma surpresa que colheu São Paulo no caminho de Damasco: Eu sou Jesus a quem tu persegues3. “Ele não diz – ressalta São Beda –: Por que persegues os meus membros?, mas: Por que me persegues? Porque Ele ainda padece afrontas no seu Corpo, que é a Igreja”4. Paulo não sabia até esse momento que perseguir a Igreja era perseguir o próprio Jesus. Mais tarde, quando falar sobre ela, fá?lo?á descrevendo?a como o Corpo de Cristo5, ou simplesmente como Cristo6; e designando os fiéis como seus membros7.

Não é possível amar, seguir ou escutar Cristo, sem amar, seguir ou escutar a Igreja, porque Ela é a presença simultaneamente sacramental e misteriosa de Nosso Senhor, que assim prolonga a sua missão salvífica no mundo até o fim dos tempos.

II. NINGUÉM PODE DIZER que ama a Deus se não escolhe o caminho – Jesus – estabelecido pelo próprio Deus: Este é o meu Filho amado [...], escutai?o8. E é ilógica a pretensão de sermos amigos de Cristo desprezando as suas palavras e os seus desejos.

Aquelas multidões que afluíam de toda a parte encontram em Jesus alguém que, com autoridade, lhes fala de Deus – Ele próprio é a Palavra divina feita carne –: encontram Jesus Mestre. E agora encontramo?lo e vinculamo?nos a Ele quando aceitamos a doutrina da Igreja: Quem vos ouve, a mim me ouve, e quem vos rejeita, a mim me rejeita9.

Jesus é, além disso, nosso Redentor. Ele é Sacerdote, o possuidor do único sacerdócio, que se ofereceu a si próprio como propiciação pelos pecados. Cristo não se apropriou da glória de ser Sumo Sacerdote, mas ela foi?lhe concedida por Aquele que lhe disse: Tu és meu filho…10 Unimo?nos a Jesus?Sacerdote e Vítima, que honra a Deus Pai e nos santifica, na medida em que participamos da vida da Igreja, particularmente dos seus sacramentos, que são como canais divinos pelos quais a graça flui até chegar às almas; sempre que os recebemos, pomo?nos em contacto com o próprio Cristo, fonte de toda a graça.

Por meio dos sacramentos, os méritos infinitos que Cristo nos conquistou chegam aos homens de todas as épocas e são, para todos, firme esperança de vida eterna. Na Sagrada Eucaristia, que Cristo mandou a Igreja celebrar, renovamos a sua oblação e imolação: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim11; e só a Sagrada Eucaristia nos garante essa Vida que Ele conquistou para nós: Se alguém comer deste pão, viverá eternamente, e o pão que eu lhe darei é a minha carne para a vida do mundo…12

A condição para participarmos do sacrifício e banquete eucarístico reside em outro dos sacramentos que Cristo conferiu à sua Igreja, o Batismo: Ide, pois, e ensinai a todos os povos, batizando?os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo13. O que crer e for batizado será salvo…14 E se os nossos pecados nos afastaram de Deus, a Igreja também é o meio para recuperarmos a nossa condição de membros vivos do Senhor: Àqueles a quem perdoardes os pecados – diz Ele aos seus Apóstolos –, ser?lhes?ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser?lhes?ão retidos15. O Senhor estabeleceu que esta vinculação profundíssima com Ele se realizasse através desses sinais visíveis da vida sacramental da sua Igreja. Nos sacramentos também encontramos Cristo.

E ainda que alguma vez possa haver dissensões dentro da Igreja, não será difícil encontrarmos Cristo. As maiorias ou minorias pouco significam quando se trata de encontrar Jesus: no Calvário, só estava presente a sua Mãe, rodeada de umas poucas mulheres e um adolescente, mas ali, a poucos metros, estava Jesus! Na Igreja, também sabemos onde é que o Senhor está: Eu te darei – declarou Ele a Pedro – as chaves do reino dos céus; e tudo quanto ligares na terra será ligado nos céus, e tudo quanto desligares na terra será desligado nos céus16. E nem sequer as negações de Simão Pedro foram suficientes para revogar esses poderes. O Senhor, depois de ressuscitado, confirmou?os de modo solene: Apascenta os meus cordeiros [...]. Apascenta as minhas ovelhas17. A Igreja está onde estão Pedro e os seus sucessores, os bispos em comunhão com ele.

III. NA IGREJA vemos Jesus, o mesmo Jesus a quem as multidões queriam tocar porque saía dele uma força que os curava a todos. Pertence à Igreja quem, por meio da sua doutrina, dos seus sacramentos e do seu regime, se vincula a Cristo Mestre, Sacerdote e Rei. Com a Igreja, mantemos de certo modo as mesmas relações que temos com o Senhor: fé, esperança e caridade.

Em primeiro lugar fé, que significa crer naquilo que, em tantas ocasiões, não é evidente. Os contemporâneos de Jesus viam nEle um homem que trabalhava, que se cansava, que precisava de alimento, que sentia dor, frio, medo…, mas aquele Homem era Deus. Na Igreja, conhecemos pessoas santas, que muitas vezes permanecem na obscuridade de uma vida normal, mas também vemos homens fracos como nós, mesquinhos, preguiçosos, interesseiros… Mas se foram batizados e permanecem em graça, apesar de todos os defeitos estão em Cristo, participam da sua própria vida. E se são pecadores, a Igreja também os acolhe no seu seio, como membros mais necessitados.

A nossa atitude perante a Igreja também deve ser de esperança. O próprio Cristo afirmou: Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela18. A Igreja será sempre a rocha firme onde poderemos procurar segurança diante dos tombos que o mundo vai dando. Ela não falha, porque nela encontramos Cristo.

E se devemos a Deus caridade, amor, esse deve ser o nosso mesmo sentir em relação à nossa mãe a Igreja, pois “não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe”19. Ela é a mãe que nos comunica a vida: essa vida de Cristo pela qual somos filhos do Pai. E uma mãe deve ser amada. Só os maus filhos é que se mostram indiferentes, e às vezes hostis, em relação a quem lhes deu o ser.

Nós temos uma boa mãe: por isso doem?nos tanto as feridas que lhe causam os que estão fora e os que estão dentro, e as doenças que podem atingir outros membros. Por isso, como bons filhos, procuramos não ventilar as misérias humanas – passadas ou presentes – destes ou daqueles cristãos, constituídos ou não em autoridade: não misérias da Igreja, que é Santa, e tão misericordiosa que nem aos pecadores nega a sua solicitude maternal. Como se pode falar friamente da Igreja, com palavras duras ou indiferentes? Como se pode permanecer “imparcial” quando se trata da própria mãe? Não o somos nem queremos sê?lo. O que é dela é nosso, e não nos podem pedir uma atitude de neutralidade, própria de um juiz diante de um réu, mas não de um filho em relação à sua mãe.

Somos de Cristo quando somos da Igreja: nela nos tornamos membros do seu Corpo, que Nossa Senhora concebeu e deu à luz. Por isso, a Santíssima Virgem é “Mãe da Igreja, quer dizer, mãe de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores”20. A última jóia que a piedade filial engastou nas ladainhas de Nossa Senhora, o mais recente elogio à Mãe de Cristo, é apenas um sinônimo: Mãe da Igreja.

(1) Mt 9, 20?22; (2) Santo Ambrósio, Comentário ao Evangelho de São Lucas, VI, 56; (3) At 9, 5; (4) São Beda, Comentário aos Atos dos Apóstolos; (5) 1 Cor 12, 27; (6) 1 Cor 1, 13; (7) Rom 12, 5; (8) Mt 17, 5; (9) Lc 10, 16; (10) Hebr 5, 5; (11) Lc 22, 19; (12) Lc 6, 51; (13) Mt 28, 19; (14) Mc 16, 16; (15) Jo 20, 23; (16) Mt 16, 19; (17) Jo 21, 15?17; (18) Mt 16, 18; (19) São Cipriano, Sobre a unidade, 6, 8; (20) Paulo VI, Alocução, 21?XI?1964.

Fonte: Falar com Deus.


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Com a Palavra, Pedro: Guiando Outros a Cristo.

“Quem descobriu Cristo deve conduzir os outros a Ele. Uma grande alegria não se pode ter para si. É preciso transmiti-la. Em vastas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo caminha igualmente sem Ele. Mas existe, ao mesmo tempo, também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. É espontâneo exclamar: não é possível que esta seja a vida! Deveras, não. E assim, juntamente com o esquecimento de Deus existe um “boom” do religioso. Não quero desacreditar tudo o que existe neste contexto. Pode existir nisto também a alegria sincera da descoberta. Mas para dizer a verdade, não raramente a religião se torna quase um produto de consumo. Escolhe-se aquilo de que se gosta, e alguns sabem até tirar dela um proveito. Mas a religião procurada a seu “bel-prazer” no fim não nos ajuda. É cômoda, mas no momento da crise abandona-nos a nós próprios. Ajudai, queridos amigos, os homens a descobrir a verdadeira estrela que nos indica o caminho: Jesus Cristo! Procuremos nós próprios conhecê-lo sempre melhor para poder de maneira convincente guiar também os outros para Ele. Por isso, é tão importante o amor pela Sagrada Escritura e, por conseguinte, é importante conhecer a fé da Igreja que nos apresenta o sentido da Escritura. É o Espírito Santo que guia a Igreja na sua fé crescente e que a fez e faz penetrar cada vez mais nas profundezas da verdade”

(Bento XVI, Homilia, 21/8/2005).


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Exame sobre o Bom Exemplo – 2 (III)

Por Pe. Francisco Faus

A IMAGEM DO PASTOR

Fazer o mal por omissão

Mas, ao lado do escândalo, que transforma pais e educadores em lobos depredadores, há uma outra atitude que também causa muito dano: é a dos pais e educadores que, sem dar maus exemplos com a sua conduta nem maus conselhos, simplesmente se omitem e fogem, como o mercenário, amedrontados e sem ação, perante as dificuldades que o ambiente opõe à educação dos adolescentes e jovens nos nossos dias: quando vê chegar o lobo, abandona as ovelhas e foge.

Essas omissões e fugas, na linguagem clássica cristã, se denominam “respeitos humanos”. “Respeitos humanos” que consistem no receio, na vergonha de sermos considerados diferentes da maioria; no pavor de “chocarmos com o ambiente” e de que nos julguem atrasados, ridículos, carolas ou defasados em relação à evolução dos tempos, e insensíveis aos progressos dos costumes e da modernidade.

Comentando essa covardia, que se inibe e cede perante o erro, dizia São Josemaria Escrivá: “Assusta o mal que podemos causar, se nos deixarmos arrastar pelo medo ou pela vergonha de nos mostrarmos como cristãos na vida diária”. E acrescentava: “É verdade que nós, os filhos de Deus, não devemos servir ao Senhor para que nos vejam…, mas não nos há de importar que nos vejam, e muito menos podemos deixar de cumprir porque nos estão vendo!” iv

Não “podemos deixar de cumprir” o dever de ensinar o que é certo (indo na frente com o nosso exemplo), de alertar nitidamente – dando também nós o exemplo – sobre o que está errado (mesmo que quase todo o mundo o julgue normal), de não autorizar – com carinho, mas com firmeza – diversões, viagens em grupo, espetáculos, baladas, modos de namorar…, que são ofensas de Deus (mesmo que passemos por intransigentes obsoletos); de ensinar e exigir com carinho a disciplina de horários e tarefas, necessária para que os filhos e os alunos não caiam numa vida desregrada…

A luta não é fácil. Precisa ser travada com coragem e confiança em Deus. E com a pureza de quem age sob o olhar de Deus e não buscando a aprovação dos homens. Não nos esqueçamos de que hoje não há mais remédio que enfrentar a pressão consumista e hedonista que domina a sociedade, e que ceder a caprichos e abusos, por medo de que “os outros” critiquem ou zombem, só faz mal aos filhos, e pode destruir-lhes o caráter e a alma. O pastor não pode fugir.

Vale a pena pensar em todas estas coisas que são matéria para um bom exame de consciência, do qual teriam que sair, como fruto positivo, retificações, resoluções concretas e mudanças. Façamos esse esforço de avaliação, sim, mas não nos esqueçamos, ao mesmo tempo, de levantar o coração a Deus, de pedir com fé a sua ajuda, e de animar-nos com estas palavras de um grande e santo educador: “Com a tua conduta…, mostra às pessoas a diferença que há entre viver triste e viver alegre; entre sentir-se tímido e sentir-se audaz; entre agir com cautela, com duplicidade – com hipocrisia! – , e agir como homem simples e de uma só peça. – Numa palavra, entre ser mundano e ser filho de Deus.

Fonte: http://padrefaus.googlepages.com/


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