Sunday, 20 of May of 2012

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O Valor da Amizade

– Jesus, “o amigo que nunca atraiçoa”. NEle aprendemos o verdadeiro valor da amizade.

– A amizade é um grande bem humano que podemos sobrenaturalizar. Qualidade da verdadeira amizade.

– Apostolado com os amigos.

I. NINGUÉM TEM MAIOR AMOR do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos [...]. Já não vos chamo servos [...], mas chamei-vos amigos1, diz-nos o Senhor no Evangelho da Missa.

Jesus é o nosso Amigo. NEle os Apóstolos encontraram a sua melhor amizade. Era alguém que os amava, a quem podiam comunicar as suas penas e alegrias, a quem podiam fazer perguntas com toda a confiança. Sabiam bem o que Ele desejava exprimir quando lhes dizia: Amai-vos uns aos outros… como eu vos amei2. As irmãs de Lázaro não encontraram melhor título que o da amizade para solicitarem a sua presença: o teu amigo está doente3, mandam dizer-lhe, cheias de confiança.

Jesus procurou a amizade de todos os que encontrou pelos caminhos da Palestina. Aproveitava sempre o diálogo para chegar ao fundo das almas e cumulá-las de amor. E, além do seu infinito amor por todos os homens, ofereceu a sua amizade a pessoas bem determinadas: aos Apóstolos, a José de Arimatéia, a Nicodemos, a Lázaro e à sua família… Não negou ao próprio Judas o honroso título de amigo, precisamente no momento em que este o entregava às mãos dos seus inimigos. Estimava muito a amizade dos seus amigos; depois da tríplice negação, perguntará a Pedro: Amas-me?4, és meu amigo?, posso confiar em ti? E entrega-lhe a Igreja: Apascenta os meus cordeiros…, apascenta as minha ovelhas.

“Cristo, Cristo ressuscitado, é o companheiro, o Amigo. Um companheiro que se deixa ver apenas entre sombras, mas cuja realidade inunda toda a nossa vida e nos faz desejar a sua companhia definitiva”5. Ele, que compartilhou a nossa natureza, quer compartilhar também os nossos fardos: Eu vos aliviarei6, diz a todos. É o mesmo que deseja ardentemente que partilhemos da sua glória por toda a eternidade.

Jesus Cristo é o Amigo que nunca atraiçoa7; quando vamos vê-lo, falar-lhe, está sempre disponível, dá-nos as boas-vindas sempre com o mesmo calor, ainda que nos veja frios ou distraídos. Ele ajuda sempre, anima sempre, consola em qualquer ocasião.

II. A AMIZADE COM O SENHOR, que nasce e cresce pela oração e pela digna recepção dos sacramentos, faz-nos entender melhor o significado da amizade humana, que a Sagrada Escritura qualifica como um tesouro: Um amigo fiel é uma proteção poderosa; quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; seu preço é incalculável8.

Compreende-se bem que o trato diário e a amizade com Jesus Cristo nos aumentem a capacidade de ter amigos, pois fomentam em nós uma atitude aberta: a oração afina a alma e torna-a especialmente apta para compreender os outros, aumenta a generosidade, o otimismo, a cordialidade na convivência, a gratidão…, e essas virtudes facilitam ao cristão o caminho da amizade.

A verdadeira amizade é sempre desinteressada, pois consiste mais em dar do que em receber; não procura o proveito próprio, mas o do amigo: “O amigo verdadeiro não pode ter duas caras para o seu amigo; a amizade, se deve ser leal e sincera, exige renúncia, retidão, troca de favores, de serviços nobres e lícitos. O amigo é forte e sincero na medida em que, de acordo com a prudência sobrenatural, pensa generosamente nos outros, com sacrifício pessoal. Do amigo espera-se correspondência ao clima de confiança que se estabelece na verdadeira amizade; espera-se o reconhecimento do que somos e, quando necessário, a defesa clara e sem paliativos”9.

Para que haja uma amizade verdadeira, é necessário que o afeto e a benevolência sejam mútuos10. E então tenderá sempre a tornar-se mais forte: não se deixará corromper pela inveja, não arrefecerá pelas suspeitas, crescerá na dificuldade11, “até fazer sentir o amigo como outro eu. Por isso diz Santo Agostinho: Retratou bem o seu amigo aquele que o chamou metade da sua alma”12. Então compartilham-se com naturalidade as alegrias e as penas.

A amizade é um bem humano e, ao mesmo tempo, ocasião de desenvolver muitas virtudes humanas, porque cria “uma harmonia de sentimentos e gostos que prescinde do amor dos sentidos, desenvolvendo, por outro lado, até graus muito elevados, e mesmo até o heroísmo, a dedicação do amigo ao amigo. Pensamos – ensinava Paulo VI – que os encontros [...] são uma oportunidade para que as almas nobres e virtuosas gozem desta relação humana e cristã que se chama amizade. Ela pressupõe e desenvolve a generosidade, o desinteresse, a simpatia, a solidariedade e, especialmente, a possibilidade de sacrifícios mútuos”13.

O bom amigo não desaparece nas dificuldades, não atraiçoa; nunca fala mal do amigo nem permite que, quando ausente, seja criticado, porque toma a sua defesa. Amizade é sinceridade, confiança, compartilhar penas e alegrias, animar, consolar, ajudar com o exemplo.

III. AO LONGO DOS SÉCULOS, a amizade foi um caminho pelo qual muitos homens e mulheres se aproximaram de Deus e alcançaram o Céu. É um caminho natural e simples, que elimina muitos obstáculos e dificuldades. O Senhor conta com freqüência com esse meio para se dar a conhecer. Os primeiros que o conheceram foram comunicar a boa notícia àqueles que amavam. André trouxe Pedro, seu irmão; Filipe trouxe o seu amigo Natanael; e foi João com certeza quem levou ao Senhor o seu irmão Tiago…

Assim se difundiu a fé em Cristo na primitiva cristandade: através dos irmãos, de pais para filhos, de filhos para pais, do servo para o seu amo e vice-versa, de amigo para amigo. A amizade é uma base excepcional para dar a conhecer Cristo, porque é o meio natural de comunicar sentimentos, de partilhar confidências com os que estão junto de nós por razões de família, trabalho, inclinações…

É próprio da amizade dar ao amigo o melhor que se possui. O nosso valor mais alto, sem comparação possível, é termos encontrado o Senhor. Não teríamos verdadeira amizade pelos nossos amigos se não lhes comunicássemos o imenso dom que é a nossa fé cristã. Em cada um de nós, cristãos que queremos seguir o Senhor de perto, os nossos amigos devem encontrar apoio, fortaleza e um sentido sobrenatural para as suas vidas. A certeza de encontrarem em nós compreensão, interesse, atenção, animá-los-á a abrir o coração confiadamente, cientes de que são estimados, de que estamos dispostos a ajudá-los. E isto enquanto realizamos as nossas tarefas diárias, procurando ser exemplares na profissão ou no estudo, permanecendo abertos ao convívio com todos, movidos pela caridade.

A amizade leva-nos a iniciar os nossos amigos numa verdadeira vida cristã, se estão longe da Igreja, ou a fazê-los reempreender o caminho que um dia abandonaram, se deixaram de praticar a fé que receberam. Com paciência e constância, sem pressas, sem pausas, irão aproximando-se do Senhor, que os espera. Haverá ocasiões em que poderemos fazer juntamente com eles uns minutos de oração, praticar juntos uma obra de misericórdia visitando um doente ou uma pessoa necessitada; pedir-lhes que nos acompanhem numa breve visita a Jesus sacramentado… Quando for oportuno, falar-lhes-emos do sacramento da misericórdia divina, a Confissão, e os ajudaremos a preparar-se para recebê-lo.

Quantas confidências ao abrigo da amizade são caminhos abertos pelo Espírito Santo para um apostolado fecundo! “Essas palavras que tão a tempo deixas cair ao ouvido do amigo que vacila; a conversa orientadora que soubeste provocar oportunamente; e o conselho profissional que melhora o seu trabalho universitário; e a discreta indiscrição que te faz sugerir-lhe imprevistos horizontes de zelo… Tudo isso é «apostolado da confidência»”14.

O Senhor deseja que tenhamos muitos amigos porque o seu amor pelos homens é infinito e a nossa amizade é um instrumento para chegar a eles. Quantas pessoas com quem estamos em contacto todos os dias esperam, mesmo sem o perceberem, que lhes chegue a luz de Cristo! Que alegria de cada vez que um amigo nosso se torna amigo do Amigo!

Jesus, que passou fazendo o bem15 e conquistou o coração de tantas pessoas, é o nosso Modelo. Assim devemos nós passar pela família, pelo trabalho, pelos vizinhos, pelos amigos. Hoje é um dia oportuno para que nos perguntemos se as pessoas das nossas relações se sentem animadas pelo nosso exemplo e pela nossa palavra a aproximar-se do Senhor; se nos preocupamos pelas suas almas, se se pode dizer de verdade que, como Jesus, estamos passando pelas suas vidas fazendo o bem.

(1) Jo 15, 13-15; (2) Jo 13, 14; (3) Jo 11, 3; (4) Jo 21, 16; (5) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 116; (6) Mt 11, 28; (7) cfr. Josemaría Escrivá, Caminho, n. 88; (8) Eclo 6, 14; (9) Josemaría Escrivá, Carta, 11-III-1940, citado por J. Cardona, em Gran Enciclopedia, Rialp, voz Amistad II; (10) cfr. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 23, a. 1; (11) cfr. Beato Elredo, Trat. sobre la amistad espiritual, 3; (12) São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 28, a. 1; (13) Paulo VI, Alocução, 26-VII-1978; (14) Josemaría Escrivá, Caminho, n. 973; (15) At 10, 38.

Fonte: Falar com Deus


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Transmitindo o Amor de Cristo.

Para transmitir o amor de Cristo não basta a participação nas obras de apostolado. Requer-se, primeiro de tudo, o testemunho de uma vida coerente, o exemplo de uma caridade universal e a sinceridade em todas as nossas ações. O modo mais eficaz de comunicar Cristo se consegue pela autenticidade de nossa fé.

(trecho de meditação do Regnum Christi)


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Exame sobre o Bom Exemplo – 2 (III)

Por Pe. Francisco Faus

A IMAGEM DO PASTOR

Fazer o mal por omissão

Mas, ao lado do escândalo, que transforma pais e educadores em lobos depredadores, há uma outra atitude que também causa muito dano: é a dos pais e educadores que, sem dar maus exemplos com a sua conduta nem maus conselhos, simplesmente se omitem e fogem, como o mercenário, amedrontados e sem ação, perante as dificuldades que o ambiente opõe à educação dos adolescentes e jovens nos nossos dias: quando vê chegar o lobo, abandona as ovelhas e foge.

Essas omissões e fugas, na linguagem clássica cristã, se denominam “respeitos humanos”. “Respeitos humanos” que consistem no receio, na vergonha de sermos considerados diferentes da maioria; no pavor de “chocarmos com o ambiente” e de que nos julguem atrasados, ridículos, carolas ou defasados em relação à evolução dos tempos, e insensíveis aos progressos dos costumes e da modernidade.

Comentando essa covardia, que se inibe e cede perante o erro, dizia São Josemaria Escrivá: “Assusta o mal que podemos causar, se nos deixarmos arrastar pelo medo ou pela vergonha de nos mostrarmos como cristãos na vida diária”. E acrescentava: “É verdade que nós, os filhos de Deus, não devemos servir ao Senhor para que nos vejam…, mas não nos há de importar que nos vejam, e muito menos podemos deixar de cumprir porque nos estão vendo!” iv

Não “podemos deixar de cumprir” o dever de ensinar o que é certo (indo na frente com o nosso exemplo), de alertar nitidamente – dando também nós o exemplo – sobre o que está errado (mesmo que quase todo o mundo o julgue normal), de não autorizar – com carinho, mas com firmeza – diversões, viagens em grupo, espetáculos, baladas, modos de namorar…, que são ofensas de Deus (mesmo que passemos por intransigentes obsoletos); de ensinar e exigir com carinho a disciplina de horários e tarefas, necessária para que os filhos e os alunos não caiam numa vida desregrada…

A luta não é fácil. Precisa ser travada com coragem e confiança em Deus. E com a pureza de quem age sob o olhar de Deus e não buscando a aprovação dos homens. Não nos esqueçamos de que hoje não há mais remédio que enfrentar a pressão consumista e hedonista que domina a sociedade, e que ceder a caprichos e abusos, por medo de que “os outros” critiquem ou zombem, só faz mal aos filhos, e pode destruir-lhes o caráter e a alma. O pastor não pode fugir.

Vale a pena pensar em todas estas coisas que são matéria para um bom exame de consciência, do qual teriam que sair, como fruto positivo, retificações, resoluções concretas e mudanças. Façamos esse esforço de avaliação, sim, mas não nos esqueçamos, ao mesmo tempo, de levantar o coração a Deus, de pedir com fé a sua ajuda, e de animar-nos com estas palavras de um grande e santo educador: “Com a tua conduta…, mostra às pessoas a diferença que há entre viver triste e viver alegre; entre sentir-se tímido e sentir-se audaz; entre agir com cautela, com duplicidade – com hipocrisia! – , e agir como homem simples e de uma só peça. – Numa palavra, entre ser mundano e ser filho de Deus.

Fonte: http://padrefaus.googlepages.com/


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Exame sobre o Bom Exemplo – 1 (IV)

Por Pe. Francisco Faus

A imagem do fermento

O Reino dos céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa (Mat 13, 33).

Esta imagem é importante, sobretudo nos tempos atuais. Lembra-nos que o mundo é uma “massa” carente, quase inteiramente, da qualidade do bom pão das virtudes cristãs, da consistência e do sabor da verdade e do alimento da lei de Deus. Por isso, o exemplo dos cristãos responsáveis, neste ambiente atual, é decisivo. Para transformar a massa em pão de Deus, o fermento precisa ter uma força e uma eficácia capazes de levantá-la. Uma força que só Cristo pode dar.

Seria cegueira não nos darmos conta de que vivemos, de fato, numa sociedade cada vez mais massificada, em que o ambiente materializado e incrédulo que nos cerca despersonaliza as pessoas. Massifica-lhes a cabeça, os costumes, os gostos e os vícios, até quase anular a personalidade. Cria, em série, adolescentes e jovens consumistas e hedonistas. Basta abrir os olhos para perceber que a “cultura global de massa” robotiza a juventude. Se não houver educadores-fermento, cheios da vitalidade do ideal cristão, a inércia mecânica dos adolescentes que não pensam (talvez porque nunca viram nem aprenderam nada melhor por parte dos que deviam educá-los) os colocará na boca do lobo da “cultura-ambiente” materialista e pagã.

Sob a influência crescente da mídia, do markenting internacional, dos impérios jornalísticos, da propaganda dominada pela ditadura do lucro – interesses de empresas, de laboratórios, de companhias globais; império econômico do lazer; da indústria da droga e da pornografia… -, tudo se globaliza. E vai sendo também cada vez mais forte sobre a juventude e, em geral, sobre a massa, a influência, não menos ditatorial, das ideologias predominantes (sobretudo do laicismo anti-religioso, dos resíduos imuno-resistentes do marxismo, do hedonismo consumista e das diversas formas de esoterismo e de “mística” tipo New Age).

Nada mais fácil, nesse clima envolvente, que tornar-se massa. Nada mais fácil que aceitar, sem anti-corpos de idéias, de cultura e de espírito crítico, os valores (os contravalores) da maioria que segue a corrente. Nada mais fácil – é só deixar-se puxar pelo cabresto – que adotar os hábitos sociais comuns e mergulhar bem cedo, já na infância e na adolescência, nos vícios generalizados (álcool, drogas, obsessões “eletrônicas”, aberrações sexuais), enquanto leituras, programas de tv, “mestres”, etc, vão injetando na “veia” todos os preconceitos contra as atitudes cristãs fundamentais, os valores éticos básicos, as evidências da lei natural sobre a vida, a morte, o amor e a família, valores, infelizmente, nunca conhecidos com seriedade, nunca aprendidos e nunca aprofundados.

“A pós-modernidade – afirma o conhecido pedagogo Víctor García Hoz – é um grande vácuo. A profusão de idéias contraditórias, o relativismo predominante em muitas ideologias e o pragmatismo superficial da sociedade atual, dão razão ao ditado de que o mundo de hoje, especialmente a juventude, sabe o que não quer, mas não sabe o que quer [...]. Os valores que apoiavam a vida humana foram rejeitados e não foram substituídos por outros. O pensamento da pós-modernidade vacila entre a melancolia e o vazio”. v

Não feche os olhos! É em meio a essa massa desnorteada que se encontram os seus filhos, os seus alunos, os membros do seu rebanho de pastor. Muita boa gente, ao constatar isso, sofre, sofre muito. Mas, o que faz? O que fazemos? Lutamos, porventura, cada um de nós por ser o fermento de que essa massa manipulada precisa para ganhar qualidade humana e cristã? Os nossos critérios e comportamentos têm a potência do fermento, capaz de levedar a massa e transformá-la em bom pão?

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Pense que é Deus quem lhe dirige, silenciosamente, estas interrogações. O que lhe vai responder? Eis o nosso tema, agora, de meditação e exame de consciência.

Fonte: http://padrefaus.googlepages.com/


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Exame sobre o Bom Exemplo – 1 (III)

Por Pe. Francisco Faus

A imagem do sal

Vós sois o sal da terra. Se o sal perder o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens (Mat 5, 13).

Os ouvintes de Cristo podiam entender bastante bem estas palavras, como também nós podemos, pois sabemos qual é a utilidade do sal. Resume-a com simplicidade este pensamento de São Josemaria Escrivá: “Sal da terra. – Nosso Senhor disse que os seus discípulos – tu e eu também – são sal da terra: para imunizar, para evitar a corrupção, para temperar o mundo. – Mas também acrescentou «quod si sal evanuerit…» – que se o sal perde o seu sabor, será lançado fora e pisado pelos homens…”.

Há pessoas que, tendo uma vida comum, igual à de muitos outros, dão a tudo o que dizem e fazem o toque de um “sabor” diferente. Os que com eles convivem e se relacionam captam, talvez de modo inconsciente, que tudo neles é atraente, porque está condimentado pela bondade, pelo amor, pela caridade, pela lealdade, pela serenidade, pela fé. Admiram-nas. Gostariam de ser como elas.

Era isso o que acontecia com os primeiros cristãos, como relata um antiqüíssimo escrito do século II, a Carta a Diogneto: “Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver [...]. Vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida singular e admirável [...]. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põem a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo as paixões da carne; moram na terra, mas têm a sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas com sua conduta ultrapassam as leis; amam a todos, ainda que sejam perseguidos por todos [...]. Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim estão os cristãos no mundo” (nn. 5 e 6).

Fica patente nessa apologia que os primeiros cristãos eram, como Cristo desejava, o sal da terra. O seu “modo de vida singular e admirável”, o seu exemplo – fruto palpável de sua fé e do seu amor – atraía os corações mais nobres dentre os pagãos.

Mas não nos esqueçamos de que Cristo falou também do sal que perde o sabor, que se estraga. Não só deixa os alimentos insípidos, como pode vir a produzir náuseas. Talvez nos lembremos de umas palavras bastante fortes do Apocalipse, que Jesus dirige a uma comunidade em que começava a haver cristãos mornos, tíbios, dizendo-lhes – é duro! – que lhe produziam ânsia de vômito. Trata-se de um trecho da carta dirigida à igreja de Laodicéia, muitas vezes citada nas obras de espiritualidade: Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, estou para te vomitar da minha boca. (Apoc 3, 15-16).

Nem frio nem quente. Na vida de um cristão morno tudo é insípido, tudo tem o mau sabor de sal corrompido. Assim acontece, infelizmente, com o amor decadente, desleixado e rotineiro dos esposos, dos pais, esse amor que, por não se renovar com detalhes de delicadeza, criatividade e abnegação, foi ficando encardido, esgarçado, e acabou tendo cheiro de mofo, por não dizer odor de cadáver.

São Josemaria Escrivá dizia: “Fujamos da rotina como do próprio demônio”, e qualificava a rotina de “abismo, sepulcro”, armazém de coisas mortas iv. A rotina não é só o túmulo do amor dos esposos. Também o trabalho feito sem amor, sem perfeição e capricho nos detalhes, sem espírito de serviço (pense no trabalho no lar), fica sendo como uma comida insossa e azedada… O “exemplo” de pais assim, espiritualmente mais “mortos” do que “vivos”, é natural que não atraia nem faça bem algum. Como seria triste, ou melhor, trágico, que houvesse filhos que pensassem. – “Eu não quero ser como os meus pais! Eles me fizeram desacreditar do casamento, do amor, da família, da vida”. Como seria amargo ter tido pais, mestres, pastores de almas, que foram incapazes de nos fazer sentir o gosto de Deus.

Fonte: http://padrefaus.googlepages.com/


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