Sunday, 20 of May of 2012

Category » Espiritualidade

O Castelo Interior

 

Não é pequena lástima e confusão que, por nossa culpa, não nos entendamos a nós mesmos, nem saibamos quem somos. Não seria grande ignorância, minhas filhas, que perguntassem a alguém quem era e não se conhecesse, nem soubesse quem foi seu pai, nem sua mãe, nem sua terra? Pois, se isto seria grande estupidez, sem comparação é maior a que há em nós quando não procuramos saber que coisa somos e só nos detemos nestes corpos; e assim, só a vulto sabemos que temos alma, porque o ouvimos e porque no-lo diz a fé. Mas, que bens pode haver nesta alma ou quem está dentro dela, ou o seu grande valor, poucas vezes o consideramos; e assim se tem em tão pouco procurar com todo o cuidado conservar sua formosura. Tudo se nos vai na grosseria do engaste ou cerca deste castelo; que são estes corpos.

[…]

Porque, tanto quanto eu posso entender, a porta para entrar neste castelo é a oração e reflexão, não digo mais mental que vocal; logo que seja oração, há-de ser com consideração; porque naquela em que não se adverte com Quem se fala e o que se pede e quem é que pede e a Quem, não lhe chamo eu oração, embora muito meneie os lábios. E, se algumas vezes o for, mesmo sem este cuidado, será porque se teve em outras; mas, quem tivesse por costume falar com a Majestade de Deus como falaria a um seu escravo, que nem repara se diz mal, mas o que lhe vem à boca e decorou, porque já o fez outras vezes, não o tenho por oração e preza a Deus nenhum cristão a tenha desta sorte. Que entre vós, irmãs, espero em Sua Majestade não haverá tal oração, pelo costume que há de tratardes de coisas interiores, e que é muito bom para não cairdes em semelhante bruteza.

Não falemos, pois, com estas almas tolhidas, que, se não vem o mesmo Senhor mandar-lhes que se levantem – como aquele que havia 30 anos que estava junto à piscina-, têm muito má ventura e correm grande perigo; mas sim com outras almas que, por fim, entram no castelo; porque, ainda que estejam muito metidas no mundo, têm bons desejos e algumas vezes, ainda que de longe em longe, encomendam-se a Nosso Senhor e consideram quem são, ainda que sem muita demora. Alguma vez ou outra, num mês, rezam cheias de mil negócios, o pensamento quase de ordinário nisso, porque, como estão tão apegadas a eles, o coração se lhes vai para onde está o seu tesouro. Propõem algumas vezes, para consigo mesmos, desocuparem-se, e já é grande coisa o próprio conhecimento e o ver que não vão bem encaminhadas para atinar com a porta. Enfim, entram nas primeiras dependências do rés-do-chão; mas entram com elas tantas sevandijas, que não lhes deixam ver a formosura do castelo nem sossegar: muito fazem já em ter entrado.

[…]

(Santa Teresa D´Avila – O Castelo Interior).

Este livro ajuda a muitos a iniciarem na Vida interior… para baixá-lo na internet basta ir ao link: Alexandria Católica – Santa Teresa D´Avila .


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O Que Rezar?

 

Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “O Que Rezar”.

Muitas pessoas me perguntam quais orações são interessantes fazer ao longo do dia. Gostaria de mencionar algumas que são vivamente recomendadas pelos santos.

Eis aí as orações:

1. Oferecimento de obras
É a oração recomendada para fazer logo ao acordar. Os santos nos ensinam que, se queremos amar a Deus sobre todas as coisas, o primeiro pensamento do dia deve ser para Deus. Com essa oração, nós agradecemos a Deus mais um dia de vida e oferecemos a Ele tudo aquilo que faremos ao longo do dia.

2. Leitura do Santo Evangelho
É a leitura dos livros da Bíblia que narram a vida de Jesus: Mateus, Marcos, Lucas e João. Essa leitura é fundamental, pois é através dela que vamos conhecer e amar Jesus Cristo, vamos entender a fonte de toda a sabedoria humana e espiritual, vamos aprender, olhando para Jesus, o modo de nos comportarmos em cada situação da vida. Tempo recomendado: 5 minutos por dia.

3. Leitura espiritual
É a leitura de algum livro espiritual: sobre a vida de santos, textos que aprofundam algum aspecto da fé, que explicam alguma virtude cristã etc. Essa leitura é fundamental, pois nos ajudará a sempre progredir na vida espiritual, a entender cada vez mais a Deus e também os seus mistérios. Tempo recomendado: 10 minutos por dia.

4. Angelus (Anjo do Senhor)
É a oração antiquíssima que se reza a Nossa Senhora ao meio-dia. Tem o objetivo de pôr Nossa Senhora no centro do nosso dia e da nossa vida.

5. Oração mental
É a oração em que paramos um momento do dia para conversar com Deus. É diferente da conversa que estabelecemos com Ele ao longo do dia. Na oração mental, nós paramos tudo para estar a sós com Ele. Sem ela, não temos ocasião para aprender tudo o que Deus tem a nos ensinar nem para intensificar nossa sintonia e nosso amor por Ele. É o momento de desabafar, encontrar consolo e luz. Tempo recomendado: 15 minutos por dia.

6. Visita ao Santíssimo
É a breve visita que fazemos a Jesus, que se encontra no sacrário das igrejas.

7. Terço
É a oração tão conhecida e amada por Nossa Senhora.

8. 3 Ave-Marias antes de deitar
É uma oração antiquíssima da igreja em que pedimos pela pureza do nosso coração e de todas as pessoas.

9. Exame de consciência
É o momento no fim do dia em que repassamos as nossas ações e vemos o que fizemos de bom, de ruim e o que podemos fazer no dia seguinte para melhorar.

Garanto a todos que, se conseguirem incorporar pouco a pouco essas orações, o progresso espiritual será inimaginável!

Uma santa semana a todos!
Pe Paulo M. Ramalho

http://perseveranza.blogspot.com.br/


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Disposições para Encontrar Jesus

 

– Fé e correspondência à graça. Purificar a alma para ver Jesus.

– A cura de Naamã. Docilidade e humildade.

– Docilidade na direção espiritual.

I. A MINHA ALMA desfalecida consome-se suspirando pelos átrios do Senhor. O meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo, lemos no Intróito da Missa1. E para penetrar na morada de Deus, é necessário ter uma alma limpa e humilde; para ver Jesus, são necessárias boas disposições. O Evangelho da Missa no-lo mostra uma vez mais.

O Senhor, depois de um tempo dedicado à pregação pelas aldeias e cidades da Galiléia, volta a Nazaré, onde se tinha criado. Ali todos o conhecem: é filho de José e Maria. No sábado, foi à sinagoga, conforme era seu costume2,levantou-se para a leitura do texto sagrado e escolheu um trecho messiânico do profeta Isaías. São Lucas capta a densa expectativa que havia no ambiente: Enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Tinham ouvido maravilhas sobre o filho de Maria e esperavam ver coisas ainda mais extraordinárias em Nazaré.

Não obstante, ainda que a princípio todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça que procediam da sua boca3, não têm fé. Jesus explica-lhes que os planos de Deus não se baseiam na pátria ou no parentesco: não basta ter convivido com Ele, é necessária uma fé grande. E serve-se de alguns exemplos do Antigo Testamento: Havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado a não ser Naamã, o sírio. As graças do Céu são concedidas sem qualquer limitação por parte de Deus, sem levar em conta a raça – Naamã não pertencia ao povo judeu –, a idade ou a posição social. Mas Jesus não encontrou boas disposições nos ouvintes, na terra onde se havia criado, e por isso não fez ali nenhum milagre. Aquelas pessoas só viram nEle o filho de José, aquele que fabricava mesas e consertava portas. Não é este o filho de José?, perguntavam4. Não souberam ir além disso. Não descobriram o Messias que os visitava.

Nós, para podermos contemplar o Senhor, também devemos purificar a nossa alma. “Esse Cristo que tu vês não é Jesus. – Será, quando muito, a triste imagem que podem formar teus olhos turvos… – Purifica-te. Clarifica o teu olhar com a humildade e a penitência. Depois… não te hão de faltar as luzes límpidas do Amor. E terás uma visão perfeita. A tua imagem será realmente a sua: Ele!”5

A Quaresma é uma boa ocasião para intensificarmos o nosso amor com obras de penitência que preparem a alma para receber as luzes de Deus.

II. NA PRIMEIRA LEITURA da Missa, narra-se a cura de Naamã, general do exército sírio6, a quem o Senhor se refere no Evangelho. Este leproso ouvira dizer, a uma escrava hebréia, que vivia em Israel um profeta com poder para curá-lo. Depois de uma longa viagem, Naamã veio com o seu carro e os seus cavalos e parou à porta de Eliseu. Este mandou-lhe dizer por um mensageiro: Vai, lava-te sete vezes no Jordão e a tua carne ficará limpa.

Mas Naamã não entendeu esse caminho de Deus, tão diferente do que havia imaginado. Eu pensava que ele viria em pessoa e, diante de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, poria a mão no lugar infetado e me curaria da lepra. Porventura os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não são melhores que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo?

O general sírio queria curar-se, e tinha feito um longo trajeto para isso; mas levava consigo a sua própria solução sobre o modo de ser curado. E quando já regressava, dando por inútil a viagem, os seus servidores disseram-lhe: Mesmo que o profeta te tivesse mandado uma coisa difícil, não a deverias tu fazer? Quanto mais agora que ele te disse: Lava-te e ficarás curado.

Naamã refletiu sobre as palavras dos seus acompanhantes e, retornando, prontificou-se com humildade a cumprir o que o profeta Eliseu lhe havia dito. Desceu ao Jordão e banhou-se ali sete vezes, como lhe ordenara o homem de Deus, e a sua carne tornou-se tenra como a de uma criança. Acabou por aceitar com docilidade um conselho que podia parecer inútil. E ficou curado. As suas novas disposições interiores tornaram eficaz a oração de Eliseu.

Não poucas vezes nós também andamos doentes da alma, cheios de erros e defeitos que não acabamos de arrancar. O Senhor espera que sejamos humildes e dóceis às indicações e conselhos das pessoas por Ele estabelecidas para nos ajudarem a procurar a santidade. Não tenhamos soluções próprias quando o Senhor nos indica outras, talvez contrárias aos nossos gostos e desejos.

No que diz respeito à alma, ninguém é bom conselheiro nem bom médico de si próprio. Ordinariamente, o Senhor serve-se de outras pessoas. “Cristo chamou e falou diretamente com São Paulo. Mas, embora pudesse revelar-lhe naquele momento o caminho da santidade, preferiu encaminhá-lo a Ananias e ordenou-lhe que aprendesse a verdade dos lábios deste: Levanta-te, entra na cidade e lá te será dito o que deves fazer”7. São Paulo deixar-se-á guiar. A sua forte personalidade, manifestada de tantos modos e em tantas ocasiões, serve-lhe agora para ser dócil. Primeiro os seus companheiros de viagem o levam a Damasco; depois Ananias devolve-lhe a vista, e só a partir desse momento é que será já um homem útil para as batalhas do Senhor.

Mediante a direção espiritual, a alma prepara-se para encontrar o Senhor e para reconhecê-lo nas situações correntes do seu dia.

III. A FÉ NOS MEIOS que o Senhor nos oferece opera milagres. Certa vez, Jesus pediu a um homem que fizesse uma coisa que esse homem sabia por experiência que não podia fazer: estender a sua mão seca, sem movimento. E a docilidade, sinal de uma fé operativa, tornou possível o milagre: Estendeu-a e ela tornou-se tão sã como a outra8. Haverá ocasiões em que nos pedirão coisas que nos sentiremos incapazes de fazer, mas que serão possíveis se deixarmos que a graça atue em nós. E essa graça chegar-nos-á freqüentemente como conseqüência da docilidade que manifestemos na direção espiritual.

Houve dez homens, segundo narra o Evangelho, que ficaram curados por terem sido dóceis. Jesus Cristo dissera-lhes somente: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E enquanto eles iam andando, ficaram curados9. Em outra ocasião, o Senhor compadeceu-se de um mendigo que era cego de nascença, e diz-nos São João queJesus cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: Vai, lava-te na piscina de Siloé. O mendigo não duvidou um instante. O cego foi, lavou-se e voltou com vista10.

“Que exemplo de firmeza na fé nos dá este cego! Uma fé viva, operativa [...]. Que poder continha a água, para que os olhos ficassem curados ao serem umedecidos? Teria sido mais adequado um colírio misterioso, um medicamento precioso preparado no laboratório de um sábio alquimista. Mas aquele homem crê; põe em prática o que Deus lhe ordena, e volta com os olhos cheios de claridade”11.

A cegueira, os defeitos, as fraquezas são males que têm remédio. Nós não podemos nada, mas Jesus Cristo é onipotente. A água daquela piscina continuou a ser água; e o barro, barro. Mas o cego recuperou a vista, e depois, além disso, alcançou uma fé mais viva no Senhor. É assim que a fé dos que encontram Jesus se mostra tantas vezes ao longo do Evangelho.

Sem docilidade, a direção espiritual é estéril. E não poderá ser dócil quem se empenhe em ser teimoso, obstinado, incapaz de assimilar uma idéia diferente da que já tem ou da que lhe dita uma experiência que foi negativa por não ter contado com a ajuda da graça. O soberbo é incapaz de ser dócil, porque, para aprender, é necessário estarmos convencidos de que há coisas que ainda não conhecemos e de que precisamos de alguém que nos ensine. E para melhorarmos espiritualmente, devemos estar convencidos de que não somos ainda tão bons quanto Deus espera que sejamos.

Nos assuntos da nossa vida interior, devemos estar prevenidos e manter uma prudente desconfiança em relação aos nossos próprios juízos, para podermos aceitar outro critério diferente ou oposto ao nosso. E devemos deixar que Deus nos faça e refaça através dos acontecimentos e das inspirações e luzes que venhamos a receber na direção espiritual: com a docilidade do barro nas mãos do oleiro, sem oferecer resistência, com espírito de fé, vendo e ouvindo o próprio Cristo na pessoa que orienta a nossa alma. Assim nos diz a Sagrada Escritura: Desci então à casa do oleiro e encontrei-o ocupado a trabalhar no torno. Quando o vaso que estava a modelar não lhe saiu bem, como costuma acontecer nos trabalhos de cerâmica, pôs-se a trabalhar em outro do modo que lhe aprouve [...]. Sabei que o que é a argila nas mãos do oleiro, isso sois vós nas minhas12.

Disponibilidade, docilidade, deixar-se modelar e remodelar por Deus quantas vezes for necessário. Este pode ser o propósito da nossa oração de hoje, que poremos em prática com a ajuda da Virgem.

(1) Sl 83, 3; Intróito da Missa da segunda-feira da terceira semana da Quaresma; (2) Lc 2, 16; (3) Lc 4, 22; (4) ib.; (5) Josemaría Escrivá, Caminho, n. 212; (6) cfr. 2 Rs 5, 1-15; (7) Cassiano, Colações, 2; (8) cfr. Mt 12, 9 e segs.; (9) Lc 17, 11-19; (10) Jo 9, 1 e segs.; (11) Josemaría Escrivá, Amigo de Deus, n. 193; (12) Jer 18, 1-7.

Fonte: Falar com Deus


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Reflexão quaresmal: Desprendimento

 

Os bens materiais são bons, porque são de Deus. São meios que Deus pôs à disposição do homem desde a criação, para que se desenvolvesse em sociedade com os outros. Somos administradores desses bens por um breve espaço de tempo. Tudo nos deve servir para amar a Deus – Criador e Pai – e aos outros. Se nos apegamos às coisas que temos e não praticamos atos de desprendimento efetivo, se os bens não nos servem para fazer o bem, se nos separam do Senhor, então não são bens, convertem-se em males.

Exclui-se do Reino dos céus todo aquele que põe as riquezas como centro da sua vida; idolatria, é como chama São Paulo à avareza. Um ídolo ocupa o lugar que só Deus deve ocupar. Exclui-se de uma verdadeira vida interior, de um relacionamento de amor com o Senhor, todo aquele que não quebra as amarras, ainda que finas, que o atam de um modo desordenado às coisas, às pessoas e a si próprio. “Porque tanto faz – diz São João da Cruz – que uma ave esteja presa por um fio muito fino ou por uma corda, porque, mesmo que seja um fio, tão presa estará a ele como à corda, enquanto não o quebrar para poder voar. É verdade que o fio é mais fácil de quebrar; mas, por mais fácil que seja, se não o quebrar, não voará”. […]

Este tempo da Quaresma é muito oportuno para examinarmos a nossa atitude em face das coisas e em face de nós mesmos: Tenho coisas desnecessárias ou supérfluas? Evito tudo o que para mim significa luxo e mero capricho, ainda que não o seja para outros? Estou apegado às coisas ou instrumentos que devo utilizar no meu trabalho? Queixo-me quando não disponho do necessário? Levo uma vida sóbria, própria de uma pessoa que quer ser santa? Faço gastos inúteis por precipitação ou por falta de previsão? Pratico habitualmente a esmola, generosamente, sem avareza? Contribuo para a manutenção de alguma obra apostólica e para o culto da Igreja com uma ajuda proporcionada aos meus ganhos e despesas?

O desprendimento necessário para seguir de perto o Senhor inclui, além dos bens materiais, o desprendimento de nós mesmos: da saúde, do que os outros pensam de nós, das ambições nobres, dos triunfos e êxitos profissionais. “Refiro-me também [...] a esses anseios límpidos com que procuramos exclusivamente dar toda a glória a Deus e louvá-lo, ajustando a nossa vontade a esta norma clara e precisa: Senhor, só quero isto ou aquilo se for do teu agrado, porque, senão, para que me interessa? Assestamos assim um golpe mortal no egoísmo e na vaidade, que serpenteiam por todas as consciências; ao mesmo tempo, alcançamos a verdadeira paz na nossa alma, com um desprendimento que acaba na posse de Deus, cada vez mais íntima e mais intensa”. É assim que estamos desprendidos dos frutos do nosso trabalho?

Os cristãos devem possuir as coisas como se nada possuíssem. Diz São Gregório Magno que “possui como se nada possuísse aquele que ajunta todas as coisas necessárias para o seu uso, mas prevê cautamente que logo as há de deixar. Usa deste mundo como se não usasse aquele que dispõe do necessário para viver, mas não permite que nada disso domine o seu coração, para assim estar a serviço do bom andamento da alma, que tende para coisas mais altas”.

Desprendimento da saúde corporal. “Punha-me a considerar quanto importa não nos amedrontarmos com a nossa fraca disposição quando se trata claramente de servir o Senhor [...]. Para quê a vida e a saúde, senão para as perder por tão grande Rei e Senhor? Crede-me, irmãs, nunca vos fará mal seguir por este caminho”.

Os nossos corações são para Deus, porque foram feitos para Ele e somente nEle saciarão as suas ânsias de felicidade e de infinito. “Jesus não se satisfaz «compartilhando»; quer tudo”. Todos os outros amores nobres e limpos que compõem a nossa vida aqui na terra, cada um segundo a específica vocação recebida de Deus, ordenam-se para esse grande Amor: Jesus Cristo Nosso Senhor, e dele se alimentam.

Senhor, Vós que amais a inocência e a devolvei aos que a perderam, atraí para Vós os nossos corações e queimai-os no fogo do vosso Espírito.

Santa Maria, nossa Mãe, ajudar-nos-á a limpar e ordenar os afetos do nosso coração para que só o seu Filho reine nele. Agora e por toda a eternidade. Coração dulcíssimo de Maria, guardai o nosso coração e preparai-lhe um caminho seguro.

Fonte: Falar com Deus


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Contrição e Conversão

 

Quando se justifica ou se ignora o pecado, tornam-se impossíveis o arrependimento e a conversão, que têm a sua origem no interior, no que há de mais profundo no ser humano. É necessário, pois, que nos coloquemos diante das nossas ações com valentia e sinceridade, sem tentar falsas justificações: “Aprendei a chamar branco ao branco e negro ao negro; mal ao mal e bem ao bem. Aprendei a chamar pecado ao pecado”*, pede-nos o Papa João Paulo II.

*João Paulo II, Hom. para universitários em Roma, 26-III-1981.

Fonte: Falar com Deus


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