• Home
  • A Blogueira por Ela Mesma…
  • Como rezar o Rosário
  • Evangelho do Dia Comentado
  •  

    RELATIVISMO: QUE É?

    April 30th, 2010

    Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

    D. Estevão Bettencourt, Osb.,

    Nº 531, Ano 2006, Página 394.

    RELATIVISMO: QUE É?

    Em síntese: O relativismo é uma corrente que nega toda verdade absoluta e perene assim como toda ética absoluta, ficando a critério de cada indivíduo definir a sua verdade e o seu bem. Opõe-se-lhe o fundamentalismo, que afirma peremptoriamente a existência de algumas verdades e algumas normas fundamentais… O indivíduo se torna o padrão ou a medida de todas as coisas. Tal atitude está baseada em fatores diversos, entre os quais o historicismo: com efeito a história mostra que tudo evolui e se tornam obsoletas coisas que em tempos passados eram plenamente válidas. A Igreja rejeita o relativismo, mas também não aceita o fundamentalismo: ao lado de verdades e normas perenes, existem outras, de caráter contingente e mutável. Ao cristão toca o dever de testemunhar ao mundo de hoje que a profissão d fé e a Moral católicas nada têm de obscurantista e de recusa dos autênticos valores da civilização contemporânea.

    No fim do século passado manifestou-se com certa pujança o fenômeno do relativismo. Segundo esta corrente, o intelecto humano não pode alcançar a verdade como tal, mas apenas aspectos enquadrados dentro do subjetivismo de quem os professa. Essa relativização da Verdade e da Ética tem conseqüências de vasto alcance na vida moderna, de modo que lhe dedicaremos as páginas subseqüentes. Trataremos de apresentar as notas típicas do relativismo, suas causas e a atitude que cabe ao cristão assumir diante do problema.

    1. Relativismo: em que consiste?

    O relativismo é a recusa de qualquer proposição filosófica ou ética de valor universal e absoluto. Tudo o que se diga ou faça é relativo ao lugar, à época e demais circunstâncias nas quais o homem se encontra. No setor da filosofia não se poderia falar da verdade ou erro-falsidade, como na área da Moral não se poderia apregoar o bem a realizar e o mal a evitar. O homem (indivíduo) seria a medida de todas as coisas, como já dizia o filósofo grego Protágoras. Em conseqüência o comportamento do homem ignora a lei natural, que é a lei de Deus incutida a todo ser humano desde que ele dispõe do uso da razão; da mesma forma a sociedade só conhece e respeita as leis que os seus governantes lhe propõem sem questionar a consonância dessas leis (ditas “positivas”) com a lei do Criador: por conseguinte, se as leis dos governantes legalizam o aborto, a clonagem, o anti-semitismo…, a população lhes obedece, não levando em conta que, antes da palavra do legislador humano, existe a do Legislador Divino, que é a mesma para todos os homens.

    Os comentadores dessa situação chegam a falar de uma “ditadura do relativismo”, contra a qual não há como apelar para uma instância ulterior, mas elevada ou mais profunda. A essa ditadura aludia o então Cardeal Joseph Ratzinger aos 18 de abril de 2005 na homilia da Missa preparatória do conclave:

    Baseando-se em Ef 4, 14 (“não vos deixeis sacudir por qualquer vento de doutrina”), advertia o pregador: “Quantos ventos de doutrina viemos a conhecer nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modalidades de pensar…! O pequeno barco do pensamento de não poucos cristãos foi freqüentemente agitado por essas ondas, lançado de um extremo para o outro: do marxismo ao liberalismo ou mesmo libertinismo, do coletivismo ao individualismo radical, do ateísmo a um vago misticismo religioso, do agnosticismo ao sincretismo… Todos os dias nascem novas seitas e se realiza o que diz São Paulo sobre a falsidade dos homens, sobre a astúcia que tende a atrair para o erro (Ef 4, 14). O ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é muitas vezes rotulado como fundamentalismo. Entrementes o relativismo ou o deixar-se levar para cá e para lá por qualquer vento de doutrina aparece como orientação única à altura dos tempos atuais. Constitui-se assim uma ditadura do relativismo, que nada reconhece de definitivo e deixa como último critério o próprio eu e suas veleidades”.

    Assim é posta de lado a metafísica, de acordo com a advertência de Ludwig Wittgenstein: “É preciso não falar daquilo que a mente do homem não atinge”.

    Examinemos sumariamente algumas modalidades do relativismo:

    1.1. Relativismo filosófico

    Não se pode pretender chegar a uma verdade objetiva, pois a mente humana não conhece a realidade como ela é, mas como o sujeito a consegue enquadrar dentro dos seus parâmetros de pensamento. A verdade portanto não é aquilo que a filosofia clássica ensina (conformação do intelecto com a realidade em si), mas, ao contrário, é a conformação da realidade com o intelecto. A verdade assim é algo de subjetivo, pessoal, em vez de ser objetiva e universal, para todos os homens. Já que não há um intelecto só para todos os homens, mas cada qual tem seu intelecto, diverso do intelecto do próximo ou mesmo oposto a este, em conseqüência há muitas verdades. Cada um tem a sua própria verdade.

    1.2. Relativismo ético

    Não existem normas morais válidas para todos os homens; os valores éticos variam de acordo com as fases da história e das culturas; há normas e opiniões subjetivas, que o indivíduo formula para si mesmo, fazendo uso da sua liberdade, que é refreada apenas pelos limites que os direitos alheios lhe opõem.

    O relativismo assim descrito conhece um único absoluto, a saber: o ser humano ou, mais precisamente, a liberdade de cada ser humano. Essa liberdade é indiscutível .

    Pergunta-se agora:

    2. Quais as causas do fenômeno relativista?

    Apontaremos cinco causas:

    2.1. Filosofia imanentista

    Imanência opõe-se a Transcendência. Significa a negação de todo valor que esteja além do alcance da experiência humana. Ora o relativismo contemporâneo é ateu; vê na religião e na Moral católicas um obstáculo e um adversário, pois Deus parece escravizar o homem e a Moral católica parece destinada a tornar o homem infeliz ou cerceado. Como pode o ser humano levar Deus em conta, já que todo tipo de conhecimento não é senão uma “representação” mental e subjetiva?

    2.2. O historicismo

    O historicismo ensina que “tudo é histórico” ou provisório e variável; o que ontem era importante, hoje deixa de ser tal. Ora a verdade é conhecida e vivida na história, sujeita a contínuas mudanças; ela é “filha do seu tempo”. Tudo o que é verdadeiro e bom é tal unicamente para o seu tempo, e não de modo universal, para todos os tempos e todos os homens. Nenhuma cultura tem o direito de se julgar melhor do que as outras; todos os modos de pensar e viver têm o mesmo direito.

    2.3. O contínuo e insaciável progresso

    Apesar de todas as dificuldades e hesitações por que passa a ciência, há quem julgue que ela trará ao homem as almejadas respostas; proporcionará um crescente bem-estar, porque desvinculadas de qualquer ligação religiosa ou moral. Tenha-se em vista a teoria da evolução, que deu início à nova concepção da humanidade,… a época das luzes, que sucedeu ao “obscurantismo” medieval… os regimes democráticos, que tomam o lugar do ancien regime ou da monarquia absoluta dos reis…

    2.4. O ceticismo

    O ceticismo ensina que não há verdades objetivas e normas morais sempre válidas e que, mesmo que as houvesse, o homem não seria capaz de as apreender. Na época moderna, o ceticismo desponta com René Descartes (+ 1650), que propõe a “dúvida metódica” e vai dominando o pensamento posterior sob formas diversas: agnosticismo, empirismo, positivismo de Augusto Comte, fideísmo, “o pensamento fraco” (como dizem).

    O relativismo é marcado também pelo ceticismo. A verdade é pragmática, prática: são verdadeiras e válidas as teorias que levam a resultados concretos satisfatórios; se determinada concepção resolve (ao menos aparentemente) um problema concreto, é tida como verídica e ponto de referência para o comportamento humano.

    2.5. O utilitarismo

    Associado ao ceticismo, o utilitarismo só aceita o que pode ajudar a viver em certo bem-estar aqui e agora. Tal bem-estar é geralmente hedonista, ou seja, avesso ao sacrifício, à renúncia, ao incômodo e tem por programa: “Maximizar o prazer e minimizar a dor”.

    Exposto sumariamente o que seja o relativismo, resta perguntar:

    3. Como diante dele se situa a Igreja?

    Responderemos em duas etapas

    3.1. A Igreja não é fundamentalista

    O fundamentalismo é uma atitude que teve origem no ambiente protestante dos Estado Unidos na segunda metade do século XIX: apega-se ferrenhamente a certas proposições da Bíblia e não permite que sejam estudadas à luz das pesquisas lingüísticas e arqueológicas modernas, pois a ciência poria em perigo a fé. Portanto professa a criação do mundo em seis dias de 24 horas; Moisés seria o autor do Pentateuco tal como chegou até nós; o livro de Daniel terá sido escrito por inteiro nos tempos de Nabucodonosor (século VI a.C.)… O mundo moderno é dominado por Satanás, que Jesus derrotará definitivamente quando vier (e talvez venha em breve) a julgar os homens.

    Fundamentalista é, por exemplo, a atitude do Islã, que propõe:

    1) o Corão é livro divinamente inspirado e deve ser entendido ao pé da letra;

    2) o Islã deve reger as leis do Estado, pois todos devem conformar-se aos preceitos de Alá.

    O fundamentalismo, aliás, também penetrou em outras correntes religiosas, como o Judaísmo e o próprio Cristianismo (em alguns de seus setores).

    Há também o fundamentalismo leigo, não religioso, principalmente no campo da política, quando se procura impor à sociedade o fanatismo de um chefe “carismático” e tirânico.

    Pois bem; a Igreja não é fundamentalista. Ela aceita e promove os estudos bíblicos voltados para a lingüística, à arqueologia, a paleontologia… Professa que a Bíblia é inspirada por Deus, que utilizou formas de pensamento antigo e oriental para se revelar. A Igreja reconhece que, fora dela, existem valores suscitados pelo próprio Deus ou, como diziam os Padres da Igreja, existem “sementes do Verbo” (logoi spermatikói); cf. Declaração Nostra Aetate nº 2 do Concílio do Vaticano II. Professa outrossim a liberdade religiosa ou o direito que todo ser humano tem de estudar livremente a questão religiosa e viver de acordo com suas conclusões sem ser coagido a abraçar algum Credo que violente a sua consciência, nem adotar o ateísmo; ver Declaração Dignitatis Humanae do Concílio:

    “2. Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Consiste tal liberdade em que todos os homens devem ser imunes de coação, tanto por parte de pessoas particulares, quanto de grupos sociais e de qualquer poder humano, de tal modo que, em matéria religiosa [in re religiosa], ninguém seja obrigado a agir contra a própria consciência, nem seja impedido de agir de acordo com ela, em particular e em público, nem só ou associado a outros, dentro dos devidos limites.

    Declara, além disso, que o direito à liberdade religiosa está realmente fundado na própria dignidade da pessoa humana, tal como é conhecida tanto pela palavra revelada de Deus como pela própria razão. Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa deve ser de tal forma reconhecido no ordenamento jurídico da sociedade que se transforme em direito civil”.

    Para evitar mal-entendidos, seja dito: o Concílio apregoa a liberdade para pesquisar o problema religioso. Essa pesquisa, porém, é obrigatória, pois se trata de dar sentido à vida; se Deus existe, o rumo é um; se não existe, o rumo é outro. Ninguém está autorizado a fugir dessa pergunta: Deus existe? …Mas pesquise sem sofrer coação.

    Há portanto um meio-termo entre o fanatismo cego fundamentalista e o relativismo. Quem não é relativista, não é necessariamente fanático.

    3.2. A Igreja professa a Verdade Absoluta

    A inteligência humana foi feita para a Verdade e não para a penumbra das semi-verdades ou do erro. O homem aspira naturalmente à Verdade; esta aspiração congênita não pode ser frustrada num mundo em que as demandas têm sua resposta; com efeito

    - para o olho, há a luz para a qual ele foi feito.

    - para o ouvido, há o som.

    - para os pulmões, há o ar.

    - para o estômago, há o alimento.

    Não haveria então resposta para as aspirações mais elevadas do ser humano à Verdade e ao Bem?

    A Igreja sabe que a Palavra de Deus revela com veracidade quem é Deus e qual o seu plano de salvação. Fora das verdades da fé, julga que o homem, pesquisando através de altos e baixos, pode chegar ao conhecimento da Verdade Absoluta.

    O fato, porém, de professar a Verdade Absoluta não deve tornar o fiel católico cego e fanático. Sim; muitos seres humanos podem estar professando o erro, julgando que o erro é a verdade; estão de boa fé numa fé (ou religião) errônea. Deus não lhes pedirá contas daquilo que Ele não lhes revelou, mas há de julgá-los de acordo com os ditames da sua consciência que, sincera e candidamente, os impelia ao erro.

    É o que ensina o Concílio do Vaticano II em Lumen Gentium nº 16.

    “O Salvador quer que todos os homens sejam salvos. Aqueles portanto que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas de coração sincero buscam a Deus e se esforçam, com o auxílio da graça, por cumprirem com obras a sua vontade conhecida pela voz da consciência, também esses podem alcançar a salvação eterna. A Divina Providência não recusa os meios necessários para a salvação àqueles que, sem culpa, ainda não chegaram ao conhecimento explícito de Deus, mas procuram com a graça divina viver retamente”.

    Há um só Deus para todos os homens; Ele distribui suas luzes sobre todo indivíduo como lhe apraz e não pede mais do que a justa resposta da criatura à Palavra que o Senhor lhe comunica.

    Ao proclamar a verdade absoluta, a Igreja não ignora a influência, às vezes prejudicial, das culturas na formulação dos juízos religiosos e éticos de cada indivíduo, mas os católicos crêem que esses possíveis obstáculos e desvios podem ser corrigidos pela insistência de quem procura sinceramente.


    Ainda que caminhe por um vale escuro…

    April 29th, 2010

     

    2003-12-07- Advento na Casa Pontifícia

    Um dia, Francisco de Assis exclamou: «Carlo imperador, Orlando e Olivero, todos os grandes guerreiros que foram valentes nos combates, perseguindo os infiéis com muito suor e fadiga até à morte, conseguiram sobre eles uma glória e memorável vitória, e por último estes santos mártires caíram em batalha pela fé de Cristo. Mas há muitos que, somente narrando suas gestas, querem receber honra e glória dos homens» (1).

    Em uma de suas Admonições, o santo explicou o que havia querido dizer com aquelas palavras: «É uma vergonha para nós, servos do Senhor, o fato de que os santos atuaram com os fatos e nós, relatando e pregando as coisas que eles fizeram, queremos receber honra e glória» (2). Estas palavras me vêm à memória como um austero sinal no momento em que me disponho a oferecer a segunda meditação sobre a santidade de Madre Teresa de Calcutá.

    1. Na escuridão da noite
    O que ocorreu depois que Madre Teresa disse seu «sim» à inspiração divina que a chamava a deixar tudo para colocar-se a serviço dos mais pobres entre os pobres? O mundo conheceu bem o que sucedeu em torno a ela -a chegada das primeiras companheiras, a aprovação eclesiástica, o vertiginoso desenvolvimento de suas atividades caritativas–, mas até sua more, ninguém soube o sucedido dentro dela.

    Revelam isso os diários pessoais e as cartas a seu diretor espiritual, divulgadas por ocasião de sua beatificação: «Com o início de sua nova vida a serviço dos pobres, uma opressiva escuridão veio sobre ela» (3). Bastam alguns breves fragmentos para dar uma idéia da densidade das trevas em que entrou.

    «Há tanta contradição em minha alma, um profundo anseio de Deus, tão profundo que faz dano, um sofrimento contínuo -e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, rejeitada, vazia, sem fé, sem amor, sem entusiasmo… O céu não significa nada para mim, me parece um lugar vazio» (4).

    Não foi difícil reconhecer imediatamente nesta experiência de Madre Teresa um caso clássico do que os estudiosos da mística, detrás de São João da Cruz, chamam a noite escura do espírito. Taulero faz uma descrição impressionante desta etapa da vida espiritual:

    «Então somos abandonados de tal forma que já não temos conhecimento de Deus e caímos em tal angústia que não sabemos se estivemos no caminho justo, nem sabemos já se Deus existe ou não, ou se nós mesmos estamos vivos ou mortos. De sorte que sobre nós cai uma dor tão estranha que nos parece que todo o mundo em sua extensão nos oprime. Já não temos nenhuma experiência nem conhecimento de Deus, e inclusive todo o demais nos parece repugnante, de forma que nos parece estar prisioneiros entre dois muros» (5).

    Tudo permite pensar que esta escuridão acompanhou Madre Teresa até a morte (6), com um breve parêntese em 1958, durante o qual pôde escrever alegre: «Hoje minha alma está cheia de amor, de alegria indizível e de uma ininterrupta união de amor» (7). Se a partir de certo momento já não fala quase disso, não é porque a noite terminou, mas porque ela se adaptou a viver nesta. Não só a aceitou, mas reconhece a graça extraordinária que estabelece para ela.

    «Comecei a amar minha escuridão, porque creio que esta é uma parte, uma pequenina parte, da escuridão e do sofrimento em que Jesus viveu na terra» (8).

    A flor mais perfumada da noite de Madre Teresa é seu silêncio sobre isso. Tinha medo, ao falar disso, de fazer-se notar. As pessoas mais próximas a ela não suspeitavam de nada, até o final, deste tormento interior da Madre. Por ordem sua, o diretor espiritual teve de destruir todas as suas cartas e se algumas foram salvas é porque ele, com permissão dela, fez uma cópia para o arcebispo e futuro cardeal T. Picachy, as quais foram encontradas após a morte dela. O arcebispo, felizmente, rejeitou a petição que lhe fez também Madre Teresa de destruí-las.

    O perigo mais insidioso para a alma na noite escura do espírito é o de… perceber que se trata, precisamente, da noite escura, daquilo que os grandes místicos viveram antes dela e, portanto, formar parte de um círculo de almas eleitas. Com a graça de Deus, Madre Teresa evitou este risco escondendo a todos seu tormento sob um eterno sorriso.

    «Todo o tempo sorrindo, dizem de mim as irmãs e as pessoas. Pensam que meu interior está cheio de fé, confiança e amor… Se só souberem como minha aparência alegre não é senão um manto com o qual cubro vazio e miséria!» (9).

    Os Padres do deserto dizem: «Por grandes que sejam tuas penas, tua vitória sobre elas está no silêncio» (10). Madre Teresa o pôs em prática de forma heróica.

    2. Madre Teresa de Calcutá e Padre Pio de Pietrelcina
    Por ocasião da canonização de Padre Pio de Pietrelcina, os observadores leigos expressaram o parecer de que a santidade do místico Padre Pio era uma santidade arcaica, diferentemente da de Madre Teresa, a santa da caridade, que seria uma santidade moderna. Agora descobrimos que também Madre Teresa era uma mística (que Padre Pio era também um santo da caridade basta para demonstrá-lo a obra que ele realizou no «alívio do sofrimento»).

    O erro é contrapor estas duas marcas da santidade cristã, que vemos, ao contrário, com freqüência unidas admiravelmente, isto é, altíssima contemplação e intensíssima ação. Santa Catarina de Gênova, considerada uma das maiores da mística, foi desde Pio XII proclamada patrona dos hospitais na Itália por sua obra e a de seus discípulos a favor dos enfermos e dos incuráveis, que recorda de perto a obra de Madre Teresa em nossos dias.

    Em um belo artigo, escrito com ocasião da beatificação, um autor indiano define Madre Teresa como «uma irmã para Gandhi» (11). Certamente muitas marcas reúnem as duas grandes almas, os dois Mahatma, da Índia moderna, mas é ainda mais justo, creio, ver em Madre Teresa «uma irmã para Padre Pio». Lhes une não só a mesma veneração da Igreja, mas também um mesmo ciclo de glória de parte da opinião pública mundial. Uma se distinguiu sobretudo nas obras de misericórdia corporais, o outro nas obras de misericórdia espirituais. Mas foi precisamente Madre Teresa a que recordou ao mundo de hoje que a pobreza pior não é a dos pobres de coisas, mas a dos pobres de Deus, de humanidade e de amor, a pobreza, em suma, do pecado.

    A marca que mais aproxima estes dois santos é, talvez, precisamente a longa noite escura na qual viveram toda a vida. Sempre recordarei a impressão que tive ao ler o relato com que Padre Pio descrevia a seu pai espiritual o fato dos estigmas. Ele terminava fazendo suas as palavras do salmo que diz: «Senhor, não me corrijas em teu enojo, em teu furor não me castigue» (Sal 38, 2). Estava convencido e esta convicção lhe acompanhou toda a vida, de que os estigmas não eram um sinal de predileção e de aceitação de parte de Deus, mas, ao contrário, de sua rejeição e do justo castigo divino por seus pecados. Foi aquilo o que me abriu os olhos sobre a estatura mística deste irmão meu do qual, até então, me havia interessado pouco.

    Para irradiar luz, estas duas almas tiveram que passar a vida na escuridão, convencidas, além disso, de «enganar as pessoas». São Gregório Magno diz que a característica dos homens superiores é que «na dor da própria tribulação, não descuidam da convivência dos demais; e enquanto suportam com paciência as adversidades que os golpeiam, pensam em ensinar aos demais o necessário, semelhantes nisso a certos grandes médicos que, afetados estes mesmos, esquecem suas feridas para atender os demais» (12). Este sinal resplandece em grau eminente na vida de Madre Teresa e de Padre Pio.

    3. Não só purificação
    Por que este estranho fenômeno de uma noite do espírito que dura praticamente toda a vida? Aqui há algo novo a respeito dos que viveram e explicaram os mestres do passado, incluindo São João da Cruz. Esta noite escura não se explica com a única idéia tradicional da purificação passiva, a chamada via purgativa, que prepara à via iluminada. Madre Teresa estava convencida de que se tratava precisamente disto em seu caso; pensava que seu «eu» era particularmente duro de vencer, se Deus se via obrigado a tê-la durante tão longo tempo nesse estado.

    Mas isto não era certo. A interminável noite de alguns santos modernos é o meio de proteção inventado por Deus para os santos de hoje que vivem e trabalham constantemente sob os focos da mídia. É o traje de amianto para quem deve ir entre as chamas; é o isolamento que impede a corrente elétrica de sair provocando curtos-circuitos…

    São Paulo dizia: «Para não me envaidecer com a sublimidade dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne» (2 Cor 12, 7). O espinho na carne, que era o silêncio de Deus, se revelou eficaz para Madre Teresa: a preservou de todo entusiasmo em medo a tudo o que o mundo dizia dela, também no momento de receber o prêmio Nobel da paz. «A dor interior que sente –dizia– é tão grande que não me afeta nada toda a publicidade e o falar das pessoas».

    Também isto une Madre Teresa e Padre Pio. Um dia, Padre Pio, olhando pela janela a multidão reunida na praça, perguntou maravilhado ao irmão que tinha ao lado: «Por que vieram todos estes?», e a resposta: «Por você, Padre», retirou-se rapidamente suspirando: «Se só soubessem…».

    Mas existe uma razão ainda mais profunda que explica estas noites que se prolongam durante toda uma vida: a imitação de Cristo, a participação na noite escura do espírito que envolveu Jesus no Getsemani e na qual morreu no Calvário, gritando: «Deus meu, Deus meu, por que me abandonou?». Na carta apostólica Novo millennio ineunte, a propósito do «rosto doente» de Cristo, o Papa escreve:

    «Ante este mistério, além de investigação teológica, podemos encontrar uma ajuda eficaz naquele patrimônio que é a «teologia vivida» dos Santos. Estes nos oferecem algumas indicações preciosas que permitem acolher mais facilmente a intuição da fé, e isto graças às luzes particulares que alguns deles receberam do Espírito Santo, ou inclusive através da experiência que eles mesmos tiveram dos terríveis estados de prova que a tradição mística descreve como «noite escura». Muitas vezes os Santos viveram algo semelhante à experiência de Jesus na cruz na paradoxal confluência de felicidade e dor» (13).

    A carta cita a experiência de Santa Catarina de Siena e de Teresa do Menino Jesus. Agora sabemos que poderia citar também o exemplo de Madre Teresa. Ela chegou a ver cada vez mais claramente sua prova como uma resposta a seu desejo de compartilhar o «Lugar» de Jesus na cruz.

    «Se a pena e o sofrimento, minha escuridão e separação te dá uma gota de consolação, Jesus meu, faz de mim o que quiseres… Imprime em minha alma e vida o sofrimento de teu coração. Quero saciar tua sede com cada gota de sangue que possa encontrar em mim. Não te preocupes de voltar logo; estou disposto a esperar-te toda a eternidade» (14).

    Seria um grande erro pensar que a vida destas pessoas seja toda sombrio sofrimento. A carta Novo Millennio ineunte, ouvimos, fala de uma «paradoxal confluência de felicidade e dor». No fundo da alma, estas pessoas gozam de uma paz e alegria desconhecidas para o resto dos homens derivados da certeza, mais forte que a dúvida, de estar na vontade de Deus. Santa Catarina de Gênova compara o sofrimento das almas neste estado ao do Purgatório, e diz que este «é tão grande que somente é comparável ao do inferno», mas que existe nelas uma «grandessíssima alegria» que somente se pode comparar a dos santos no Paraíso (15).

    A alegria e a serenidade que emanavam do rosto de Madre Teresa não eram uma máscara, mas o reflexo da união profunda com Deus, em que vivia sua alma. Era ela que se «enganava» sobre si mesma, não as pessoas.

    4. Ao lado dos ateus
    Em lugar de santos «arcaicos», os místicos são os mais modernos entre os santos. O mundo de hoje conhece uma nova categoria de pessoas: os ateus de boa fé, aqueles que vivem dolorosamente a situação do silêncio de Deus, que não crêem em Deus mas não se vangloriam disso; experimentam mais a angústia existencial e a falta de sentido de tudo; vivem também eles, a seu modo, em uma noite escura do espírito. Albert Camus lhes chamava «os santos sem Deus». Os místicos existem sobretudo para eles; são seus companheiros de viagem e de mesa. Como Jesus, eles «estão sentados à mesa dos pecadores e comeram com eles» (Cf. Lc 15, 2).

    Isto explica a paixão com a qual certos ateus, uma vez convertidos, lançaram-se sobre os escritos dos místicos: Claudel, Bernanos, os dois Maritain, L. Bloy, o escritor J. -K. Huysmans e muitos outros sobre os escritos de Angela de Foligno; T. S. Eliot sobre os de Giuliana de Norwich. Ali encontravam a mesma paisagem que haviam deixado mas desta vez iluminada pelo sol. Este ano se celebra o 50º aniversário da primeira representação de «Esperando Godot», o drama mais representativo do teatro do absurdo, mas poucos sabem que seu autor, Samuel Beckett, em seu tempo livre lia São João da Cruz.

    A palavra «ateu» pode ter um sentido ativo e um sentido passivo. Pode indicar aquele que rejeita Deus, mas também aquele que –pelo menos assim lhes parece– é rejeitado por Deus. No primeiro caso, trata-se de um ateísmo de culpa (quando não é de boa fé), no segundo de um ateísmo de pena, ou de expiação. Neste último sentido podemos dizer que os místicos, na noite do espírito, são os a-teus, os sem Deus. Madre Teresa tem palavras que ninguém havia suspeitado nela:

    «Dizem que a pena eterna que sofrem as almas no inferno é a perda de Deus… Em minha alma eu experimento precisamente esta terrível pena da perda, de Deus que não me quer, de Deus que não é Deus, de Deus que na realidade não existe. Jesus, te rogo, perdoa minha blasfêmia» (16).

    Mas se dá conta da natureza distinta, de solidariedade e de expiação, deste «ateísmo» seu:

    «Quero viver neste mundo tão longe de Deus e que deu as costas à luz de Jesus, para ajudar as pessoas, carregando com algo de seu sofrimento» (17).

    Os místicos chegaram a um passo do mundo onde vivem os sem Deus; experimentaram a vertigem de precipitar-se para baixo. Escreve Madre Teresa a seu pai espiritual:

    «Estive a ponto de dizer “não”… Sinto-me como se algo, um dia ou outro, tivesse de romper em mim». «Rogue por mim, para que eu não rejeite Deus nesta hora. Não quero fazê-lo, mas temo que possa fazê-lo» (18).

    Por isto os místicos são os evangelizadores ideais no mundo pós-moderno, onde se vive «etsi Deus non daretur», como se Deus não existisse. Recordam aos ateus honestos que não estão «longe do reino de Deus»; que lhes bastaria dar um salto para encontrar-se ao lado dos místicos, passando do nada ao tudo. Tinha razão Karl Rahner ao dizer: «O cristianismo do futuro, ou é místico ou não será». Padre Pio e Madre Teresa são a resposta a este sinal dos tempos. Não devemos «desperdiçar» os santos reduzindo-os a dispensadores de graças ou de bons exemplos.

    5. Nossa pequena noite
    Os místicos têm contudo algo a dizer aos crentes, e não só aos ateus. Não são uma exceção, ou uma categoria à parte de cristãos. Mostram mais, como de forma ampliada, o que deveria ser a plena expansão da vida de graça. Uma coisa aprendemos especialmente da noite escura dos místicos, e em particular da de Madre Teresa; como comportar-nos em tempo de aridez, quando a oração se converte em luta, fatiga, um golpe da cabeça contra um «muro de lamentação».

    Não é necessário insistir na oração de Madre Teresa em todos aqueles anos passados na escuridão; a imagem dela em oração é a que todos temos ainda ante os olhos. Uma série de belíssimas orações se encontra entre a herança mais preciosa que ela deixou a suas filhas e à Igreja. De Jesus, o evangelista Lucas diz que, «sumido em agonia, insistia mais em sua oração», factus in agonia prolixius orabat (Lc 22, 44). É o que se observa também na vida destas almas.

    A aridez na oração, quando não é fruto de dissipação ou de pactos com a carne, mas permissão de Deus, é a forma atenuada e comum que a noite escura advém na maioria das pessoas que tendem à santidade. Nesta situação é importante não se render e começar a omitir a oração para entregar-se ao trabalho, visto que se consegue bem pouco estando em oração. Quando Deus não está, é importante ao menos que seu lugar permaneça vazio e que não seja ocupado por algum ídolo, especialmente o que chamamos ativismo.

    Para impedir que isto ocorra é bom interromper cada momento o trabalho para elevar ao menos um pensamento a Deus, ou para sacrificar-lhe simplesmente um pouco de tempo. Em tempo de aridez há que descobrir um tipo de oração especial que a beata Angela de Foligno definia como a oração forçada e que diz ter praticado ela mesma:

    «É bom e muito agradável a Deus que tu ores com o fervor da graça divina, que veles e te fatigues ao realizar toda ação boa; mas é mais agradável e aceitável ao Senhor se, faltando a graça, não diminuas tuas orações, tuas vigílias, tuas boas obras. Atue sem a graça da mesma maneira como o fazias quando a possuías… tu fazes tua parte, filho meu, e Deus fará a sua. A oração forçada, violenta, é muito agradável a Deus» (19).

    Esta é uma oração que se pode fazer mais com o corpo que com a mente. Existe uma secreta aliança entre a vontade e o corpo e há de usá-la: a razão. Com freqüência, quando nossa vontade não pode ordenar à mente que tenha ou não certos pensamentos, pode ordenar ao corpo: os joelhos que se dobram, as mãos que se juntam, os lábios que se abrem e pronunciam algumas palavras, por exemplo, «Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo».

    Um místico oriental, Isaac o Sírio, dizia: «Quanto teu coração está morto e já não temos a mínima oração nem súplica alguma, quando Ele vier, que nos encontre prostrados com o rosto em terra perpetuamente». Madre Teresa conheceu também esta oração «forçada».

    «Não posso dizer-lhe o mal que senti outro dia; houve um momento no qual por pouco rejeitei aceitar. Então tomei decididamente o Rosário e o rezei lentamente e com calma, sem meditar nem pensar em nada» (20).

    Simplesmente permanecer com o corpo na igreja, ou no lugar eleito para a oração, simplesmente estar em oração, é então o único modo que fica para continuar sendo perseverantes na oração. Deus sabe que poderíamos ir e fazer centenas de coisas mais úteis e que nos agradariam mais, mas permanecemos ali, consumimos em branco o tempo a Ele destinado por nosso horário ou por nosso propósito.

    A um discípulo que se lamentava continuamente de não poder orar por causa das distrações, um ancião monje, ao que se havia dirigido, lhe respondeu; «que teu pensamento vá onde queira, mas que teu corpo não saia da cela!» (21). É um conselho que também nos serve, quando nos encontramos em situação de distrações crônicas que já não estão em nossas mãos poder controlar: que nosso pensamento vá aonde queira, mas que nosso corpo permaneça em oração!

    Em tempo de aridez, devemos recordar a dulcíssima palavra do Apóstolo: «O Espírito vem em ajuda de nossa fraqueza…» (Rm 8, 26 s). Ele, sem que o notemos, enche nossas palavras e nossos gemidos de desejo de Deus, de humildade, de amor. O Paráclito se converte, então, na força de nossa oração «Fraca», na luz de nossa oração apagada; em uma palavra, na alma de nossa oração. Verdadeiramente, como diz a Sequência, Ele «rega o que é árido», rigat quod est aridum.

    Tudo isto sucede por fé. Basta que eu diga: «Padre, tu me presenteaste o Espírito de Jesus; formando, por isso, “um só Espírito” com Ele, eu rezo este salmo, celebro esta Santa Missa, ou estou simplesmente em silêncio, aqui, em tua presença. Quero dar-te a glória e a alegria que te daria Jesus, se fosse Ele quem te orasse ainda desde a terra». Com esta certeza, concluímos nossa reflexão orando:

    «Espírito Santo, Tu que intercedes no coração dos crentes com gemidos inefáveis, chama o coração de tantos de nossos contemporâneos que vivem sem Deus e sem esperança neste mundo. Ilumina a mente daqueles que neste momento estão delineando a fisionomia de nosso continente; faz-lhes compreender que Cristo não é uma ameaça para ninguém, mas irmão de todos. Que aos pobres, aos pequenos, aos perseguidos e aos excluídos da Europa de amanhã não lhes seja tirado, com culpado silêncio, a garantia que até agora mais lhes defendeu do arbítrio dos grandes e da dureza da vida; o nome do primeiro deles, Jesus de Nazaré!».

    (1) Leyenda Perusina, 72 (Fontes Franciscanas, n. 1626)
    (2) Admonições, VI (FF, n. 155).
    (3) Pe. Joseph Neuner, S.J., On Mother Teresa’s Charism, “Review for Religious”, Set-Out 2001, vol. 60, vol. 60, n. 5 (Adiante abreviado: JN) (Os documentos citados nesta pregação colocou amavelmente à disposição a Postulação geral da Causa de Madre Teresa).
    (4) “There is so much contradiction in my soul, such deep longing for God, so deep that it is painful, a suffering continual – yet not wanted by God, repulsed, empty, no faith, no love, no zeal… Heaven means nothing to me, it looks an empty Place” (JN)
    (5) Juan Taulero, Homilia 40 (ed. G. Hofman, Johannes Tauler, Predigten, Friburgo em Br. 1961, p. 305).
    (6) Cf. Pe. A. Huart, S.J., Mother Teresa: Joy in the Night, “Review for Religious”, Set-Out 2001. Vol. 60, n. 5 (Adiante abreviado AH).
    (7) “Today my soul is filled with love, with joy untold, with an unbroken union of love” (JN)
    (8) “I have begun to love my darkness for I believe now that it is a part, a very small part, of Jesus’ darkness and pain on earth” (JN).
    (9) “The whole time smiling – Sisters and people pass such remarks – they think my faith, trust, and love are filling my very being… Could they but know – and how my cheerfulness is the cloak by which I cover the emptiness and misery” (AH).
    (10) Apophtegmata Patrum, Poemen 37 (PG 65, 332).
    (11) G. Varangalakudy, A sister for Gandhi, “The Tablett”, 11 outubro 2003, p. 12
    (12) S. Gregorio Magno, Maralia in Job I,3,40 (PL 75, 619).
    (13) NMI, 27
    (14) “If my pain and suffering, my darkness and separation give you a drop of consolation, my own Jesus, do with me as you wish…Imprint on my soul and life the suffering of your heart… I want to satiate your thirst every single drop of blood that you can find in me… Please do not take the trouble to return soon. I am ready do wait for you for all eternity” (JN).
    (15) Cf. S. Caterina da Genova, Trattato del Purgatorio, 4 (ed. Cassiano Carpaneto da Langasco, Sommersa nella fontana dell’amore. Santa Catarina Fieschi Adorno, vol. 2, Le opere, p. 96; cf. também vol. 1. La vita, pp. 49 s.
    (16)”They say people in hell suffer eternal pain because of the loss of God… In my soul I feel just this terrible pain of loss, of God not wanting me, of God not being God, of God not reallly existing. Jesus, please forgive the blasphemy” (JN).
    (17)”I wish to live in this world which is so far from God, which has turned so much from the light of Jesus, to help them – to take upon myself something of their suffering” (JN).
    (18)”I have been on the verge of saying – No… I feel as if something will break in me one day”. “Pray for me that I may not refuse God in this hour – I don’t want to do it, but I am afraid I may do it” (AH).).
    (19) Il libro della Beata Angela da Foligno, ed. Quaracchi, Grottaferrata, 1985, p. 576 s.
    (20)”The other day I can’t tell you how bad I felt – there was a moment when I nearly refused to accept – deliberately I took the Rosary and very slowly without even meditating – I said it slowly and calmly” (AH).
    (21) Apophtegmi dei padri, del manuscrito Coislin 126, n. 205 (ed. F. Nau, en “Revue de l’Orient Chrétien” 13, 1908, p. 279.
    (Tradução realizada por Zenit)

    Fonte: Padre Raniero Cantalamessa


    A Missa no dizer dos santos…

    April 24th, 2010
     

    Postado originalmente em Salvem a Liturgia!

    "Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece participar devotamente de uma só Missa, do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a Terra." (São Bernardo)

    "O martírio não é nada em comparação com a Santa Missa. Pelo martírio, o homem oferece à Deus a sua vida; na Santa Missa, porém, Deus dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício para os homens." (Santo Tomás de Aquino)

    "Uma só Missa a que houveres assistido em vida, será mais salutar que muitas a que os outros assistirão por ti depois da morte." (Santo Agostinho)

    "Nenhuma língua humana pode exprimir os frutos de graças, que atrai o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa." (São Lourenço de Bríndise)

    "A Santa Missa é uma embaixada à Santíssima Trindade; de inestimável valor; é o próprio Filho de Deus que a oferece." (São João Maria Vianney)

    "Cada Santa Missa a que assistires, alcançar-te-á, no Céu, maior grau de glória." (São Jerônimo)

    "A Santa Missa é a obra na qual Deus coloca sob os nossos olhos todo o amor que Ele nos tem; é de certo modo, a síntese de todos os benefícios que Ele nos faz." (São Boaventura)

    "A Missa é o sol da Igreja." (São Francisco de Sales)

    "Após a consagração, eu tenho visto esses milhares de Anjos formando a corte real de Jesus, em volta do tabernáculo, eu os tenho visto com meus próprios olhos." (São João Crisóstomo)

    "Rogo, também, no Senhor, a todos os meus irmãos sacerdotes, os que são e os que serão e os que desejam ser sacerdotes do Altíssimo, que queiram sempre celebrar a Missa puros e puramente façam reverência ao verdadeiro sacrifício do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, com intenção santa e limpa, e não por coisa terrena alguma nem por temor ou amor a homem algum, como para agradar homens." (São Francisco de Assis)

    "Como nós devemos ouvir a Santa Missa?. – Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz." (São Pio de Pietrelcina)

    "Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos." (São Leonardo de Porto Maurício)

    "Você diz que a Missa é longa, mas eu acrescento: porque seu amor é curto." (São Josemaría Escrivá)


    Oração vocal: Todos podemos rezar

    April 23rd, 2010

     

    Frei Patrício Sciadini, OCD

    Se maravilhosa é a criatividade do ser humano em descobrir as mais belas formas de comunicação: escrita, rádio, TV, imagens, sinais, ainda mais impressionante é a ação criadora de Deus em ter-nos dotado da capacidade de falar. Nada de mais bonito que contemplar duas pessoas que sabem traduzir o que sentem, o que está escondido no coração, através de palavras ou, como é o caso dos nossos irmãos surdos, de sinais.
    A fala é uma propriedade exclusiva do ser humano. Somente os homens e as mulheres escrevem e deixam atrás de si sinais do próprio pensamento.
    O próprio Jesus, no Evangelho, recorre a tantas imagens que traduzem em palavras o que se passava no seu coração em relação a nós e ao Pai. Sem palavras não teríamos o Pai-nosso, o Evangelho nem a Bíblia.

    A oração vocal
    Nunca é demais dizer que a oração é o nosso diálogo amoroso com Deus. É um estar diante dele manifestando-lhe os nossos sentimentos, que podemos expressar com o silêncio ou com as palavras. Quando revelamos a Deus ou aos santos o que se passa dentro de nós através de palavras, esta se chama oração vocal.
    O povo simples ou as crianças – e se “não nos tornarmos como crianças não entraremos no reino dos céus” – gostam muito de falar. Por isso a oração vocal faz parte do primeiro passo dos orantes. Falar é uma necessidade que está dentro de nós. É verdade que um dia Jesus nos convidou a ser de poucas palavras nas nossas orações, a ir diretamente ao essencial sem nos perder em tantas aparências, mas sobre isso falaremos em outro momento. Aqui, queremos nos deter na oração vocal, a oração com o uso da voz, que aprendemos nos primeiros momentos de nossa fé. Pronunciar as palavras que queremos dirigir a Deus nos ajuda a perceber mais viva a presença divina e a ter a certeza de que as palavras pronunciadas são escutadas por alguém.
    Deus fala ao ser humano de muitas maneiras: por inspirações silenciosas dentro do coração, por sonhos ou visões, mas normalmente Ele fala através da palavra que nos é dirigida pelos seus profetas. E, na plenitude dos tempos, nos fala pela sua palavra que se faz carne: Jesus.
    “É por palavras mentais e vocais que a nossa oração cresce” (Cat, 2700). Como seriam as palavras mentais? O que pronunciamos, antes de ser pronunciado é pensado por nós e conhecido por Deus. O salmista nos diz: “A palavra não chegou à minha garganta e vós, Senhor, a conheceis toda”. É sempre muito importante, antes de falar, pensar, e muito. Não podemos dizer tudo o que se passa dentro de nós. É erro crer que por amor à verdade se deve dizer tudo. A virtude da prudência nos faz saber silenciar o que pode ser ofensivo, mal entendido ou agressivo, mesmo que seja verdade. É bom, portanto, mesmo na nossa oração, escolher palavras que possam ser agradáveis ao Senhor. Teresa, mestra da oração, diz que devemos pensar sempre a quem nos dirigimos e o que dizemos. Essas palavras mentais ou orais formam a nossa oração.

    Rezar com atenção e amor
    As palavras pronunciadas “distraidamente, sem amor, sem atenção, jogadas de qualquer maneira”, dirigindo uma palavra a Deus e dez aos que estão perto de nós, olhando à direita e à esquerda, observando quem entra ou sai da igreja, ou a roupa que os outros vestem, diante de Deus não valem nada. Por isso Jesus nos recorda que não devemos ser “grupos de oração dos faladores”, pois “não são os que dizem Senhor, Senhor, que entrarão no reino do céu, mas os que fazem a vontade do meu Pai que está no céus”.
    Portanto, nas nossas orações “vocais”, que cada palavra seja verdadeiramente a força do amor que está em nosso coração, quer seja louvor, súplica, grito, intercessão…Tudo deve nascer no coração. “A nossa oração é ouvida não pela quantidade de palavras, mas pelo fervor da nossa alma”, dizia São João Crisóstomo. Não raramente rezamos muito, mas rezamos mal, exatamente porque não estamos “atentos ao que estamos fazendo e como o fazemos”.

    Jesus rezou vocalmente
    Os apóstolos, certamente, não tinham o dom do conhecimento dos pensamentos, portanto, não poderiam nos transmitir as orações de Jesus se Ele mesmo não as tivesse pronunciado em voz alta. Como é o caso do Pai-nosso ou da belíssima oração que sempre me enche de alegria e de medo; de alegria porque me diz que, na medida em que for pobre, simples, serei discípulo do Reino, e de medo porque o orgulho não tem cidadania no Evangelho: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).
    A oração vocal é indispensável na vida cristã. Não se pode ser somente “contemplativos mudos”, sem participar da oração das comunidades. Não somos espectadores, mas protagonistas das celebrações litúrgicas… Por isso é importantíssimo responder durante as celebrações, cantar, participar, viver os vários momentos da liturgia. Como é maravilhoso fazer parte viva da comunidade orante, ser voz que se une às outras vozes, cantar unido aos outros que cantam e, mesmo quando silenciamos, que o nosso silêncio seja “palavra viva de amor”!
    “Aos discípulos, atraídos pela oração silenciosa do Mestre, este ensina uma oração vocal: o “Pai-nosso”. Jesus não só rezou as orações litúrgicas da sinagoga; os Evangelhos o mostram elevando a voz para exprimir sua oração pessoal, da bênção exultante do Pai até a angústia do Getsêmani” (Cat, 2701).

    É bom usar livros de “orações dos outros”?
    Considero os livros de orações – tanto a Bíblia, quanto os livros escritos pelos santos ou pelos simples mortais, como cada um de nós – muito importantes. Aliás, é sempre bom colocar no papel o que se passa no coração e depois, de vez em quando, voltar a ler para reviver com saudade os momentos de oração ou sofrimento, em que Cristo caminhou conosco.
    As orações dos outros são como “pronto-socorro” a que recorremos nos momentos difíceis ou de “aridez” em que não saberíamos dizer nada porque as palavras não vêm.
    Todos nós, quando queremos fazer uma novena, ou uma celebração, recorremos a livros já preparados para esta finalidade.
    Eu mesmo escrevi muitos livros de oração e que têm ajudado a mim e a outras pessoas também. Santa Teresa “recheou” de orações os seus livros. São João da Cruz, mais austero, quase reservado e ciumento dos seus sentimentos, também se revela com a bonita “Oração da alma enamorada”: “Senhor Deus, Amado meu! Se ainda te recordas dos meus pecados, para não fazeres o que ando pedindo, faze neles, Deus meu, a tua vontade, pois é o que eu mais quero: exerce neles a tua bondade e misericórdia, e serás neles conhecido… Não me tirarás, Deus meu, o que uma vez me deste em teu único Filho Jesus Cristo, em quem me deste tudo quanto quero; por isso folgarei, pois não tardarás, se eu confiar. Por que tardas em esperar, ó minha alma, se desde já podes amar a Deus em teu coração? O céu é meu e minha a terra, meus são os homens, os justos são meus e meus os pecadores. Os anjos são meus, e a Mãe de Deus e todas as coisas são minhas. O próprio Deus é meu e para mim, porque Cristo é meu e todo para mim. Que pedes, pois, e buscas, ó minha alma? Tudo isto é teu e tudo para ti. Não te rebaixes nem atentes nas migalhas caídas da mesa de teu Pai.”

    “Sendo exterior e tão plenamente humana, a oração vocal é por excelência a oração das multidões. Mas também a oração mais interior não pode menosprezar a oração vocal. A oração se torna interior na medida em que tomamos consciência daquele “com quem falamos”. Então a oração vocal é uma primeira forma da oração contemplativa” (Cat, 2704).

    Alguns conselhos para rezar melhor:
    1. Preparar o coração para a oração, reavivar a nossa fé;
    2. Rezar devagar, pronunciando todas as palavras, entendendo o que dizemos e a quem nos dirigimos: a Deus;
    3. Assumir as orações, mesmo compostas por outros, como se fossem nossas.
    4. Examinar se o que pedimos ao Senhor ou pela intercessão do santos é verdadeiramente necessário;
    5. Fazer esforço para não nos distrair com coisas inúteis durante as orações;
    6. Depois de ter rezado passar alguns minutos em “silêncio”, agradecendo ao Senhor com as nossas palavras.

    Fonte: Comunidade Shalom


    A leitura meditada – Precisamos de livros para rezar

    April 21st, 2010

     

    Frei Patrício Sciadini, OCD

    O caminho mais fácil para entrar em comunhão com Deus é, sem dúvida, recorrer a um livro. Os livros são os melhores amigos que temos, silenciosos e sempre disponíveis, ao nosso alcance.

    É verdade que o único mestre é o Senhor, Ele sabe conduzir as almas pelos seus caminhos e, na sua liberdade, educa para a experiência do seu amor. Mas, se o nosso coração se encontra árido, indisposto e incapaz de formular algum pensamento de amor ou se nos encontramos envolvidos na espessa noite, os livros podem vir em nosso socorro.

    Quais livros devemos ler e meditar e em que consiste a leitura meditativa? Sem dúvida, o livro por excelência é a Palavra de Deus, que deve nos acompanhar em cada momento de nossa caminhada.

    Todos os santos tiveram um amor especial para com a Palavra de Deus. Santa Teresa de Ávila dá um conselho precioso às pessoas que não conseguem refletir com a inteligência nem, às vezes, reter as palavras que escutam: "Por mais curta que seja, a leitura tem utilidade para essas pessoas e é até necessária para que se recolham…Se o mestre que ensina insistir que a oração seja sem leitura (sendo a leitura uma grande ajuda para que essas pessoas se recolham), pessoas assim não conseguem perseverar muito tempo na oração. E, se lutarem, elas sentirão um enfraquecimento, porque o combate é muito penoso." (V 4,8). É pelo livro que podemos assimilar e fazer nossas as reflexões que o próprio autor desenvolve.

    É claro que a simples leitura não pode ser considerada "leitura meditativa"; é preciso um grande amor e atenção ao sentido de todas as palavras e saber delas "extrair", como abelhas que vão de flor em flor, o néctar gostoso da contemplação.

    A leitura meditativa é o primeiro passo que os iniciantes no caminho da oração devem dar. Santa Teresa recorda que passou mais de 14 anos na mais completa aridez e só sentia força e coragem através da ajuda de um livro. "Passei mais de 14 anos sem conseguir nem mesmo a meditação, a não ser recorrendo a alguma leitura." (C 17,3). E depois: "Agora acho que a Providência Divina quis que eu não encontrasse quem me ensinasse. Eu não teria conseguido perseverar na oração nos dezoito anos em que me acometeram tamanhos sofrimentos e aridez, visto não poder fazer oração discursiva, sem as leituras. Por todo esse tempo, eu não me atrevia a começar a orar sem livro, exceto quando acabava de comungar; minha alma temia tanto orar sem livro que era como se tivesse de enfrentar um exército… a aridez não costumava vir quando eu tinha um livro; os pensamentos se recolhiam carinhosamente, e o espírito se concentrava." (V 4,9).

    Conta a tradição que São João da Cruz sabia a Bíblia toda de cor; embora seja um piedoso exagero, não há dúvida que muitas passagens ele conhecia de memória, como o Cântico dos Cânticos e o capítulo 17 de São João, que eram suas passagens preferidas. Ao longo de seus escritos há quase duas mil citações bíblicas. Além dos livros sagrados, ele recorria aos autores espirituais para alimentar sua própria espiritualidade. "Procurai lendo, encontrareis meditando", este é um dos mais bonitos aforismos de São João da Cruz…

    Santa Teresinha tinha um amor apaixonado pela Palavra de Deus. Gostava de ler, mas ao final de sua caminhada percebeu que o único livro que nunca a cansava e onde ela encontrava a sua delícia era o Evangelho. "Quando abro um livro composto por um autor espiritual (até o mais bonito, o mais emocionante), sinto logo meu coração apertar-se e leio-o sem, por assim dizer, compreender ou, se compreendo, meu espírito pára sem poder meditar… Nesses momentos, a Sagrada Escritura e a Imitação de Cristo vêm socorrer-me; nelas encontro um alimento sólido e totalmente puro. Mas é sobretudo o Evangelho que me sustenta nas minha orações; nele encontro tudo o que é necessário para minha pobre alminha. Sempre descubro novas luzes, sentidos ocultos e misteriosos…" (MA 83v).

    Não podemos esquecer o exemplo da Beata Elisabeth da Trindade, tão familiarizada à Palavra de Deus, tinha especial intimidade com o apóstolo Paulo, a quem muitas vezes chamava de "meu Paulo".

    A Regra do Carmelo, que foi escrita por Santo Alberto no início do século 13, diz que "devemos meditar dia e noite na lei do Senhor", e a Regra não é outra coisa senão uma colcha maravilhosa de retalhos bíblicos, de amor à Palavra do Senhor.

    Como ler a Palavra de Deus?

    A Palavra de Deus, fonte de toda a nossa espiritualidade, deve antes de tudo ser assumida com fé, amor e perseverança. Jesus recorda que é preciso "escutar e praticar" a Palavra; não podemos, portanto, ter uma leitura corrida, desatenta e sem prestar o devido amor ao Senhor que nos fala ao nosso coração. Três são as atitudes fundamentais que devem estar dentro de nós quando nos aproximamos do santuário da Palavra de Deus; ela dever ser lida: lenta, atenta e amorosamente.

    - Lentamente: não somos acostumados a ler lentamente. Hoje temos quase uma "voracidade compulsiva" em ler muito. Há, poderíamos dizer, um "engordamento artificial" de idéias que não conseguimos digerir. É muito importante na oração evitar essa fome de palavra, ter mais cuidado na escolha do que lemos e ler mais lentamente, quase saboreando palavra por palavra, repartindo as palavras como se fossem uma fruta que queremos saborear e não apenas engolir.

    - Atentamente: prestar atenção ao que se diz ou se lê. Para Santa Teresa, este é o segredo da verdadeira meditação. É preciso, diz ela, saber o que diz e para quem diz, para que seja verdadeira oração. A mesma pedagogia devemos usar quando queremos compreender o que estamos lendo para poder penetrar no seu sentido. Três perguntas podem ser úteis aqui: "O que diz a Palavra? Para quem é dirigida? O que diz para mim hoje?". Essa releitura da Palavra é fundamental para, diante dela, não nos portar como espectadores ou visitantes de um museu, mas atualizá-la para a nossa vida.

    - Amorosamente: ler com amor, como se a Palavra ou texto fosse dirigido tão somente a nós. Essa personalização da Palavra é fundamental para que possamos ser "tocados" pelo espírito do autor que, quando escreveu, tinha uma finalidade: sermos gerados pela Palavra ouvida e meditada. Quando lemos algo com amor, isso produz mais fruto dentro de nós.

    A leitura meditativa é um caminho fácil que todos podemos percorrer, e podemos sentir que o Senhor nos alimenta em um banquete "festivo". "Todos vós que tendes fome e sede, vinde à nascente", recorda o profeta Isaías (55,2). O que importa é comer; que a comida seja preparada por nós ou por outro, pouco importa. Mas quando a comida é preparada pelo próprio Deus, aí não podemos recusá-la.

    Fonte: Comunidade Shalom