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    A Meditação, Passo a Passo

    March 30th, 2010

    Pelo Pe. John Bartunek, L.C.

    CONCENTRAR-SE
    Cada manhã eu saio de casa com tempo suficiente para deter-me na paróquia, onde tem uma pequena capela de adoração aberta às 24 horas do dia. Deixo o celular no carro e entro na capela. Ajoelho-me e faço o sinal da cruz. A minha mente está cheia de muitos pensamentos e ainda estou cansado, pois não tive tempo de tomar uma xícara de café antes de sair.

    Olho para o crucifixo e logo depois ao Santíssimo exposto… – Senhor, eu sei que vós estais aqui e nunca me deixais. Vós sois fiel. Obrigado Senhor por estar aqui. Obrigado por todos os dons que me tens dado: a vida, minha fé católica, minha vocação. Oh senhor, vós sois rei eterno e me tendes feito cidadão do vosso Reino. Só assim serei feliz. E isso é o que desejo, ser feliz. Para isso me criastes e é o que me impulsiona a Vós. Sei que nunca deixais de me chamar para estar mais perto de Vós. Guiai os meus pensamentos nesta manhã, enchei o meu coração de amor por Vós, fortalecei minha fé.

    Ofereço-vos esta pequena oração para glorificar-lhe e para que o vosso Reino se estenda. Peço-Vos que me ajudai a aumentar a virtude da paciência no meu coração, enquanto passo este tempo meditando em sua palavra. Ensinai-me a ser manso e humilde de coração como Vós sois.

    CONSIDERAR
    Começo a procurar o livro de meditações que tenho usado e me dou conta de que o esqueci em casa mais uma vez. Felizmente há um missal no banco da frente. Pego-o e leio a passagem do evangelho do domingo anterior. Fala sobre não pôr vinho novo em odres velhos, e não pôr um remendo novo em um pano velho. Leio-o mais uma vez e nada me chama a atenção. Leio-o mais uma vez lentamente, mas só escuto a respiração da pessoa que está sentada atrás de mim. Senhor, ensinai-me o que quereis me dizer hoje! – Olho mais uma vez a custódia onde estais silenciosamente presente, mas nenhuma idéia aparece. Trago à minha mente o meu salmo favorito e o recito em silêncio dentro do meu coração.

    - “Não está inflado, Javé, o meu coração, nem os meus olhos elevados. Não tomei um caminho de grandezas nem de prodígios que me vem de mão beijada. Não, mantenho a minha alma em paz e silêncio como criança desmamada no colo da sua mãe. Como criança desmamada está a minha alma em mim! Espera, Israel, em Javé desde já e para sempre!”

    Como sempre, encontro muito material para considerar estas simples palavras. Ter confiança em Deus e entregar-lhe o controle da minha vida. Eu sempre estou me preocupando por ter o controle de tudo, especialmente do meu futuro; mas é Deus quem realmente tem o controle. Ele me criou, tem um plano para mim e quer que confie Nele. Veio ao mundo para ganhar a minha confiança. Ele está aqui agora presente na Eucaristia para reafirmar o seu amor e a sua onipotência. Devo confiar Nele. Preciso deixar que a quietude e o silêncio penetrem o meu coração.

    CONVERSAR
    - Meu Senhor, meu Deus e, meu Criador. Quem sou eu? Só uma pequena criatura. Um dos milhões de seres humanos que vagam pela terra. Não sou nada e, não obstante, sempre estou pensando em mim mesmo como se fosse o centro do universo. Vou fazer um silêncio interior para escutar por um momento.

    Meu amado Senhor, Vós sois o centro do universo e tendes o controle de todas as coisas. Sei que tendes um plano para minha vida e que, qualquer que este seja, será o melhor para mim, para minha família, para a Igreja. Vós me criastes para algo e quereis que eu o faça. Quero conhecer o vosso plano sobre mim e segui-lo. Oh Senhor, sou tão fraco. Preocupo-me tanto quando não posso ter tudo sob controle. Por que não me dizeis qual é o vosso plano em vez de que eu trate de advinha-lo, me preocupe e lute para descobrir o que quereis de mim? (pausa para escutar).

    Os vossos caminhos são misteriosos, mas Vós sois Deus, eu não. A minha parte consiste só em fazer o melhor possível e em confiar em Vós para tudo o resto. Hoje, pelo menos, sei o que desejais que eu faça. Tenho as minhas obrigações, e apesar de que Vós saibais que eu preferiria esquivá-los e ir descansar, não o farei. Tratarei de fazê-los o melhor que possa porque isso é o que Vós queirais, Senhor, e Vós sempre queirais o que é o melhor para mim. (silêncio para poder escutar).

    - Jesus, Vós sois o meu Mestre, o meu Salvador, a minha Luz, o meu Amigo. Envia o seu Santo Espírito à minha mente e ao meu coração para que possa ser um servo digno hoje.
    - Maria, vós sabeis o que é caminhar na escuridão pelos caminhos de Deus. Não me deixeis escolher outro caminho. – Agora deixo um tempo mais longo para escutar.
    Um par de minutos passa com uma variedade de pensamentos, alguns deles podem ser inspirações do Espírito Santo e outros, distrações do mundo, os quais eu procuro afastá-los assim que os identifique.
    - Ah! Tenho que ligar para João às 14 h…, é uma distração, mas se não o escrevo sei que esquecerei. – Tiro a agenda, o anoto e com calma continuo contemplando o Santíssimo e desfrutando da presença do Senhor.

    COMPROMETER-SE
    Olho mais uma vez a Hóstia na custódia. – O que posso fazer hoje para mostrai-vos o meu amor, Senhor? Não me vem nada à mente. No meu programa de vida estou trabalhando na virtude da paciência. Sempre a perco quando falo com Jaime sobre a Igreja. Não conseguimos nos pôr de acordo. Hoje almoçaremos juntos. Não o vou contrariar e procurarei desviar a conversa para longe de estes temas que discutimos. Senhor, eu vos prometo que não discutirei com Jaime hoje. Quero que minha sinceridade e gentileza reflitam as tuas. Ajuda-me a ser mais como Vós. – Pai Nosso… Ave Maria… Glória…

    Se eu fizer a meditação na manhã, é uma boa idéia fazer algo mais pela noite. Deter-me em uma igreja de volta a casa, rezar um mistério do Rosário, ou os cinco, antes de jantar ou em família. Ou passear por um parque depois das aulas ou do trabalho para fazer uma leitura espiritual por 15 minutos. Assistir a Missa todos os dia é o melhor modo de consolidar a vida espiritual; a comunhão freqüente e a participação atenta no Santo Sacrifício se combinam para fortalecer a fé, a esperança e a caridade mais que qualquer outro ato de piedade.

    Fonte: Regnum Christi


    Por que ser devoto de Nossa Senhora?

    March 25th, 2010

     

    Porque Maria, longe de ser um obstáculo,
    lança as almas em Deus e une-as a Ele.

    Que ninguém pense, com alguns falsos iluminados, que Maria, como criatura, seja um empecilho à união com o Criador; não é mais Maria que vive, é somente Jesus Cristo, é somente Deus que vive nela. Sua transformação em Deus ultrapassa mais ainda a de São Paulo e dos outros Santos, mais do que o Céu ultrapassa a terra em elevação. Maria não é feita senão para Deus, e basta que Ela prenda uma alma a si própria, que, ao contrário logo a lança em Deus e a une a Ele com tanto maior perfeição quanto mais a alma se una a Ela: Maria é o eco de Deus, que não responde senão Deus, quando se lhe grita: Maria; que não glorifica senão a Deus, quando com Santa Isabel, a chamamos bem-aventurada.

    Fonte: O Segredo de Maria, S. LUIS MARIA GRIGNON DE MONTFORT


    UM CLAMOR DE JUSTIÇA

    March 20th, 2010

    –           Desejo de justiça e de maior paz no mundo. Respeitar as exigências da justiça na nossa vida pessoal e no âmbito em que ela se desenvolve.
    –           Cumprimento dos deveres profissionais e sociais.
    –           Santificar a sociedade a partir de dentro. Virtudes que ampliam e aperfeiçoam o campo da justiça.

    I.FAZEI-ME JUSTIÇA, ó Deus, e defendei a minha causa… Pois Vós, ó meu Deus, sois a minha fortaleza1, rezamos na antífona de entrada da Missa.

    Grande parte da humanidade clama aos brados por uma maior justiça, por “uma paz melhor assegurada num ambiente de respeito mútuo entre os homens e entre os povos”2. Este desejo de construir um mundo mais justo, em que se respeite mais o homem criado por Deus à sua imagem e semelhança, é parte fundamental da fome e sede de justiça3 que deve palpitar no coração cristão.

    Toda a pregação de Jesus Cristo é um apelo à justiça (na sua plenitude, sem reducionismos) e à misericórdia. O próprio Senhor condena os fariseus que devoram as casas das viú­vas, enquanto fingem longas orações4. E é o Apóstolo Tiago quem dirige esta severa censura aos que se enriquecem mediante a fraude e a injustiça: As vossas riquezas estão podres [...]. Eis que brada aos céus o salário que de­frau­dastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, e os gritos dos ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos5.

    Fiel ao ensinamento da Sagrada Escritura, a Igreja pede-nos que nos unamos urgentemente a este clamor do mundo e o convertamos numa oração que chegue até o nosso Pai-Deus. Ao mesmo tempo, anima-nos e concita-nos a observar as exigências da justiça na vida pessoal, profissional e social, e a sair em defesa daqueles que – por serem mais fracos – não podem fazer valer os seus direitos. Não são próprias do cristão as lamentações estéreis. O Senhor, ao invés de queixas inúteis, quer que o desagravemos pelas injustiças que todos os dias se cometem no mundo, e que procuremos remediar todas as que possamos, começando pelas que estão ao nosso alcance, no âmbito em que se desenvolve a nossa vida: a mãe de família no seu lar e com as pessoas com quem se relaciona, o empresário na empresa, o professor na Universidade…

    A solução definitiva para instaurar e promover a justiça em todos os níveis está no coração de cada homem, pois é nele que se forjam todas as injustiças existentes e que está a possibilidade de tornar retas todas as relações humanas. “O homem, negando e tentando negar a Deus, seu Princípio e Fim, altera profundamente a sua ordem e equilíbrio interior, o da sociedade e também o da criação visível. É em conexão com o pecado que a Escritura considera o conjunto das calamidades que oprimem o homem no seu ser individual e social”6.

    Por isso, nós, cristãos, não podemos esquecer que quando, mediante o apostolado pessoal, aproximamos os homens de Deus, estamos construindo um mundo mais humano e mais justo. Além disso, a nossa fé intima-nos urgentemente a nunca eludir o compromisso pessoal de sair em defesa da justiça, particularmente no âmbito dos direitos fundamentais da pessoa: o direito à vida, ao trabalho, à educação, à boa fama… “Cumpre-nos defender o direito, que todos os homens têm, de viver, de possuir o necessário para desenvolver uma existência digna, de trabalhar e descansar, de escolher o seu estado, de formar um lar, de trazer filhos ao mundo dentro do matrimônio e de poder educá-los, de passar serenamente o tempo da doença ou da velhice, de ter acesso à cultura, de associar-se com os demais cidadãos para atingir fins lícitos, e, em primeiro lugar, de conhecer e amar a Deus com plena liberdade”7.

    Na nossa esfera pessoal, devemos perguntar-nos se executamos com perfeição e intensidade o trabalho pelo qual nos pagam, se remuneramos devidamente as pessoas que nos prestam serviços, se exercemos responsavelmente os direitos e deveres que podem influir na configuração das instituições de que fazemos parte, se defendemos o bom nome dos outros, se saímos em defesa dos fracos, se fazemos silenciar as críticas difamatórias que podem surgir à nossa volta… É assim que amaremos a justiça.

    II.OS DEVERES PROFISSIONAISsão um campo excelente pa­ra vivermos a virtude da justiça. Dar a cada um o que é seu – característica própria dessa virtude – significa neste caso cumprir aquilo a que nos comprometemos. O patrão, a dona de casa, o chefe, obrigam-se a remunerar as pessoas que trabalham às suas ordens de acordo com as leis civis justas e com os ditames de uma consciência reta, que muitas vezes irá mais longe que a própria lei.
    Por seu turno, os operários e empregados têm o grave dever de trabalhar responsavelmente, com espírito profissional, aproveitando o tempo. A laboriosidade apresenta-se assim como uma manifestação prática da justiça. “Não acredito na justiça dos folgazões, porque com o seu dolce far niente – como dizem na minha querida Itália – faltam, e às vezes de modo grave, ao mais fundamental dos princípios da eqüidade: o do trabalho”8.

    O mesmo princípio se pode aplicar aos estudantes. Têm o grave dever de estudar – é o seu trabalho – e contraíram uma obrigação de justiça para com a família e a sociedade, que os sustentam economicamente para que se preparem e possam vir a prestar serviços eficazes.

    Os deveres profissionais são, por outro lado, o caminho mais à mão com que contamos ordinariamente para colaborar na resolução dos problemas sociais e para intervir na construção de um mundo mais justo. No seu desejo de construir esse mundo, o cristão deve ser exemplar no cumprimento das legítimas leis civis, porque, se essas leis são justas, são queridas por Deus e constituem a base da própria convivência humana. Como cidadãos correntes que são, os cristãos devem ser exemplares no pagamento dos impostos justos, necessários para que a sociedade organizada possa chegar aonde o indivíduo pessoalmente seria ineficaz. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem imposto, imposto; a quem tributo, tributo; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra9. É necessário, pois, submeter-se, não só por temor do castigo, mas por dever de consciência10. Assim viveram os cristãos desde o começo as suas obrigações so­ciais, mesmo no meio das perseguições e do paganismo dos poderes públicos. “Tal como aprendemos dEle (de Cristo) – escrevia São Justino, nos meados do século II –, nós procuramos pagar os tributos e contribuições, integralmente e com prontidão, aos vossos encarregados”11.

    Entre os deveres sociais do cristão, o Concílio Vaticano II recorda “o direito e ao mesmo tempo o dever [...] de votar para promover o bem comum”12. Desinteressar-se de manifestar a própria opinião nos diferentes níveis em que devemos exercer os nossos direitos sociais e cívicos seria uma falta contra a justiça, às vezes grave, se essa abstenção favorecesse candidaturas (tanto na composição dos parlamentos como na das associações de pais e mestres de um colégio, na direção de uma escola profissional, etc.) cujo programa se opusesse aos princípios da doutrina cristã. Com maior razão, seria uma irresponsabilidade, e talvez uma grave falta contra a justiça, apoiar organizações ou pessoas que não respeitassem na sua atuação os fundamentos da lei natural e da dignidade humana (aborto, divórcio, liberdade de ensino, respeito à família…)

    III. “O CRISTÃO que queira viver a sua fé numa ação política concebi
    da como serviço, não pode aderir – sem contradizer-se – a sistemas ideológicos que se oponham, radicalmente ou em pontos substanciais, à sua fé e à sua concepção do homem. Não é lícito, portanto, favorecer a ideologia marxista, o seu materialismo ateu, a sua dialética de violência e a maneira como entende a liberdade individual dentro da sociedade, negando ao mesmo tempo qualquer trans­cen­dên­cia ao homem e à sua história pessoal e coletiva. O cristão também não apoia a ideologia liberal, que julga exaltar a liberdade individual subtraindo-a a qualquer limitação, estimulando-a mediante a procura exclusiva do interesse e do po­der, e considerando as solidariedades sociais como conseqüências mais ou menos automáticas das iniciativas individuais, e não como fim e motivo primário do valor da organização so­cial”13.

    Unimo-nos hoje a esse desejo de uma maior justiça, que é uma das características do nosso tempo14. Pedimos ao Senhor uma maior justiça e uma maior paz, rezamos pelos governantes, como sempre se fez na Igreja15, para que sejam promotores da justiça, da paz e de um maior respeito pela dignidade da pessoa. E, dentro daquilo que está nas nossas mãos, fazemos o propósito de introduzir as exigências do Evangelho na nossa vida pessoal, na família, no mundo em que cada dia nos movemos e do qual participamos.
    Além do que cabe em sentido estrito à virtude da justiça, viveremos também aquelas outras manifestações de virtudes naturais e sobrenaturais que a completam e enriquecem: a leal­da­de, a afabilidade, a alegria… E sobretudo a fé, que nos dá a conhecer o verdadeiro valor da pessoa, bem como a caridade, que nos leva a comportar-nos com os outros muito além do que nos pediria a estrita justiça, porque vemos nos outros filhos de Deus, o próprio Cristo que nos diz: Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes16.

    (1) Sl 42, 1; (2) Paulo VI, Carta Apost. Octogesima adveniens, 14-V-1971; (3) cfr. Mt 5, 6; (4) Mc 12, 40; (5) Ti 5, 2-4; (6) S. C. para a doutrina da fé, Instr. sobre a liberdade cristã e a libertação, 22-III-1986, n. 38; (7) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 171; (8) ib., n. 169; (9) Rom 13, 7; (10) cfr. Rom 13, 7; (11) São Justino, Apologética I, 7; (12) Conc. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 75; (13) Paulo VI, Carta Apost. Oc­to­ge­si­ma adveniens, 14-V-1971; (14) cfr. S. C. para a doutrina da fé, op. cit., 1; (15) cfr. 1 Tim 2, 1-2; (16) cfr. Mt 25, 40.

    Fonte: Falar com Deus


    São José

    March 19th, 2010

    – As promessas do Antigo Testamento realizam-se em Jesus por meio de José.
    – Fidelidade do Santo Patriarca à missão recebida de Deus.
    – A nossa fidelidade.

    A quaresma interrompe-se, de certo modo, para celebrar a solenidade de São José, esposo de Maria. Esta festa, que já existia em numerosos lugares, fixou-se nesta data durante o século XV, e em 1621 estendeu-se a toda a Igreja universal como dia de preceito. Em 1847, o Papa Pio IX nomeou São José Padroeiro da Igreja universal. A paternidade de São José não diz respeito somente a Jesus – junto de quem fez as vezes de pai –, mas à própria Igreja, que continua na terra a missão salvadora de Cristo. Assim o reconheceu o Papa João XXIII ao incluir o seu nome no Cânon Romano, para que todos os cristãos, no momento em que Cristo se faz presente no altar, venerem a memória daquele que gozou da presença física do Senhor na terra.

    I. EIS O SERVO FIEL E PRUDENTE a quem o Senhor confiou a sua casa1.

    Esta casa mencionada na Antífona de entrada da Missa é a Sagrada Família de Nazaré – o tesouro de Deus na terra –, que foi confiada a São José, o servo fiel e prudente, para que a levasse para diante ao longo de uma vida que foi de entrega alegre e sem medida. A “casa” do Senhor é também, por ampliação, a Igreja, que reconhece em São José o seu protetor e padroeiro.

    A primeira Leitura evoca as antigas promessas em que se anunciava, de geração em geração, a chegada de um Rei forte e justo, de um bom Pastor que conduziria o rebanho para verdes pastos2, de um Redentor que nos salvaria3. Nesta leitura de hoje comunica-se a Davi, por meio do profeta Natã, que da sua descendência virá o Messias, cujo reinado não terá fim. Por José, Jesus é filho de Davi. Nele se cumpriram as promessas feitas a Abraão4.

    “Com a Encarnação, as «promessas» e as «figuras» do Antigo Testamento tornam-se «realidade»: lugares, pessoas, acontecimentos e ritos entrelaçam-se de acordo com ordens divinas bem precisas, transmitidas mediante o ministério dos anjos e recebidas por criaturas particularmente sensíveis à voz de Deus. Maria é a humilde serva do Senhor, preparada desde toda a eternidade para a missão de ser Mãe de Deus; e José é aquele [...] que tem por missão prover à inserção «ordenada» do Filho de Deus no mundo, pelo respeito às disposições divinas e às leis humanas. Toda a chamada vida «privada» ou «oculta» de Jesus foi confiada à guarda de José”5.

    O Evangelho da Missa tem um especial interesse em sublinhar que José pertencia à casa de Davi, depositária das promessas feitas aos patriarcas: Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo6. É o Patriarca do Novo Testamento.

    José foi um homem simples que Deus cobriu de graças e dons para que cumprisse uma missão singular e entranhável de acordo com os planos salvíficos. Viveu entre alegrias inefáveis, pois tinha junto dele Jesus e Maria, mas também entre incertezas e sofrimentos: perplexidade ante o mistério realizado em Maria, que ele ainda não conhecia; pobreza extrema em Belém; a profecia de Simeão sobre os sofrimentos do Salvador; a angustiosa fuga para o Egito; a vida quase sem recursos num país estranho; o regresso do Egito e os temores em face da subida ao trono de Arquelau… Sempre foi fidelíssimo à vontade de Deus, deixando de lado os planos e raciocínios meramente humanos.

    O centro da sua vida foram Jesus e Maria, foi o cumprimento da missão que Deus lhe confiara. “A entrega de São José aparece-nos urdida por um entrelaçado de amor fiel, de fé amorosa, de esperança confiante. A sua festa é, por isso, uma boa oportunidade para que todos renovemos a nossa entrega à vocação de cristãos que o Senhor concedeu a cada um”.

    “Quando se deseja sinceramente viver de fé, de amor e de esperança, a renovação da entrega não significa retomar uma coisa que estava em desuso. Quando há fé, amor e esperança, renovar-se significa conservar-se nas mãos de Deus, apesar dos erros pessoais, das quedas, das fraquezas. Renovar a entrega [...] é renovar a fidelidade àquilo que o Senhor quer de nós: é amar com obras”7.

    Pedimos especialmente hoje ao Santo Patriarca que nos alcance o desejo eficaz de cumprir a vontade de Deus em tudo, numa entrega alegre, sem condições, que além disso sirva de luz para que muitos encontrem o caminho que conduz ao Céu.

    II. SERVO BOM E FIEL, entra no gozo do teu Senhor8. Estas palavras da Antífona da Comunhão da Missa seriam ouvidas um dia por São José depois de ter cumprido amorosa e alegremente a sua missão na terra. São palavras cheias de alegria que o Senhor também nos dirá se formos fiéis à nossa vocação, ainda que nos tenha sido necessário recomeçar muitas vezes, com humildade e simplicidade de coração. Em outro momento da Missa do dia, repete-se a palavra fidelidade aplicada a São José: Deus todo-poderoso, que confiastes os primeiros mistérios da salvação dos homens à fiel custódia de São José…9, rezamos na Oração coleta. É como se o Senhor quisesse recordar-nos hoje a fidelidade aos nossos compromissos para com Ele e para com os outros, a fidelidade à vocação recebida de Deus, à chamada que cada cristão recebeu, aos seus afazeres no mundo conforme o querer de Deus.

    A nossa vida não tem outro sentido senão sermos fiéis ao Senhor, em qualquer idade ou circunstância em que nos encontremos. Disso dependem, sabemo-lo bem, a nossa felicidade nesta vida e, em boa parte, a felicidade dos que estão ao nosso lado. São José passou por situações bastante díspares e nem todas foram humanamente gratas, mas o Santo Patriarca foi firme como a rocha e sempre contou com a ajuda de Deus.

    Nada desviou José do caminho que lhe tinha sido traçado: foi o homem que Deus, num gesto de absoluta confiança, colocou à frente da sua família aqui na terra. “Que outra coisa foi a sua vida senão uma total dedicação ao serviço para que tinha sido chamado? Esposo da Virgem Maria, pai de Jesus segundo a lei [...], consumiu a sua vida com a atenção posta neles, entregando-se por inteiro ao cumprimento da sua missão. E como um homem que se entregou é um homem que já não se pertence, José deixou de se preocupar consigo próprio a partir do momento em que, ilustrado pelo anjo naquele primeiro sonho, aceitou plenamente o desígnio de Deus sobre ele [...]. O Senhor confiou-lhe a sua família e José não o decepcionou; Deus apoiou-se nele, e ele manteve-se firme em toda a espécie de circunstâncias”10. Deus, para muitas coisas grandes, apóia-se em nós… Iremos decepcioná-lo?

    Dizemos hoje ao Senhor que queremos ser fiéis, devotados aos nossos afazeres divinos e humanos na terra, como o foi São José, sabendo que disso depende o sentido de toda a nossa vida. Examinemos devagar em que coisas poderíamos ser mais fiéis à nossa missão na terra: compromissos com Deus, com os que estão sob os nossos cuidados, na ação apostólica, na tarefa profissional…

    III. CONCEDEI-NOS, SENHOR, que possamos servir-vos… com um coração puro como São José, que se entregou para servir o vosso Filho…11

    Ao longo dos sete domingos em que preparávamos a solenidade de hoje, meditávamos no princípio enunciado por São Tomás que se aplica à vocação de São José e à de todos os que são chamados por Deus: “Àqueles que Deus escolhe para um fim, prepara-os e dispõe-nos de tal modo que sejam idôneos para esse fim”12. A fidelidade de Deus mostra-se nas ajudas que nos concede continuamente em qualquer situação de idade, trabalho, saúde, etc., em que nos encontremos, para que cu
    mpramos fielmente a nossa missão na terra. São José correspondeu delicada e prontamente às inumeráveis graças que recebeu da parte de Deus.
    Devemos considerar com freqüência que o Senhor jamais nos haverá de falhar; em contrapartida, espera sempre que saibamos corresponder com toda a firmeza: na juventude, na maturidade, na velhice; quando parece que tudo nos ajuda a ser leais e quando ficamos com a impressão de que tudo nos convida a romper com os compromissos contraídos.

    O fato de não sentirmos a assistência de Deus – numa ou noutra ocasião ou por longos períodos –, de não nos sentirmos inclinados a dedicar a Deus o melhor tempo do nosso dia, pode dever-se, talvez, a que a alma está voltada para si mesma e para tudo o que acontece à sua volta. Nesses momentos, a fidelidade a Deus é fidelidade ao recolhimento interior, ao esforço por sair desse estado, à vida de oração, a essa oração em que a alma fica só, despida diante de Deus, e pede-lhe ou simplesmente o fita…

    Deus espera de todos nós uma atitude desperta, amorosa, cheia de iniciativas. O coração do Santo Patriarca esteve sempre inundado de alegria, mesmo nos momentos mais difíceis! Temos de conseguir que o nosso quefazer divino na terra, o nosso caminhar para Deus seja sempre novo, como novo e original é sempre o amor, porque, como diz o poeta: Ninguém foi ontem / nem vai hoje / nem irá amanhã / para Deus / por este mesmo caminho / pelo qual eu vou /. Para cada homem o sol guarda / um novo raio de luz / e Deus um caminho virgem. Sempre eternamente novo.
    Pedimos hoje a São José essa juventude interior que nunca falta quando há uma entrega verdadeira aos firmes compromissos que um dia se assumiram, e uma renovação ardente desses compromissos contra vento e maré, numa fidelidade que é felicidade. Pedimos também ao Santo Patriarca por todos aqueles que esperam de nós essa permanente alegria interior, conseqüência necessária da entrega a Deus, e que os há de arrastar até Jesus, a quem sempre encontrarão muito perto de Maria.

    (1) Lc 12, 42; Antífona de entrada da Missa do dia 19 de março; (2) Ez 34, 23; (3) Gen 3, 15; (4) Rom 4, 18; Segunda leitura, ib.; (5) João Paulo II, Exort. Apost. Redemptoris custos, 15-VIII-1989, 8; (6) Mt 1, 16; (7) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 43; (8) Mt 25, 21; Antífona da comunhão, ib.; (9) Oração coleta, ib.; (10) F. Suárez, José, esposo de Maria, págs. 276-277; (11) Oração sobre as oferendas, ib.; (12) São Tomás, S.Th., III, q. 27, a. 4 c.

    Fonte: Falar com Deus


    Procuremos a intimidade com José e encontraremos Jesus

    March 19th, 2010

    Tens de amar muito São José, amá-lo com toda a tua alma, porque é a pessoa que, com Jesus, mais amou Santa Maria e quem mais privou com Deus: quem mais O amou, depois da nossa Mãe. – Ele merece o teu carinho, e a ti convém-te buscar o seu convívio, porque é Mestre de vida interior e pode muito diante do Senhor e diante da Mãe de Deus. (Forja, 554)

    Nas coisas humanas, José foi mestre de Jesus; conviveu diariamente com Ele, com carinho delicado, e cuidou dEle com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos esse varão justo, esse Santo Patriarca, em quem culmina a fé da Antiga Aliança, como mestre de vida interior? A vida interior não é outra coisa senão uma relação de amizade assídua e íntima com Cristo, para nos identificarmos com Ele. E José saberá dizer-nos muitas coisas sobre Jesus. por isso, não abandonemos nunca a devoção que lhe dedicamos: Ite ad Ioseph, ide a José, como diz a tradição cristã, servindo-se de uma frase tirada do Antigo Testamento.

    Mestre de vida interior, trabalhador empenhado no seu ofício, servidor fiel de Deus, em relação contínua com Jesus: este é José. Ite ad Ioseph. Com São José, o cristão aprende o que significa pertencer a Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo. Procuremos a intimidade com José, e encontraremos Maria, que encheu sempre de paz a amável oficina de Nazaré. (É Cristo que passa, n. 56)

    A Igreja inteira reconhece em São José o seu protetor e padroeiro. Ao longo dos séculos, tem-se falado dele sublinhando diversos aspectos da sua vida, continuamente fiel à missão que Deus lhe confiou. Por isso, desde há muitos anos, agrada-me invocá-lo com este título muito íntimo: Nosso Pai e Senhor.

    São José é realmente Pai e Senhor: protege e acompanha no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se tornava homem. (É Cristo que passa, n. 36)

    Fonte: Opus Dei