Sunday, 20 of May of 2012

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Conviver com Todos

 

– Um cristão não pode estar fechado em si mesmo. Jesus Cristo, modelo de convivência.

– A virtude humana da afabilidade.

– Outras virtudes necessárias para o convívio diário: gratidão, cordialidade, amizade, alegria, otimismo, respeito mútuo…

I. DEPOIS DE ACEITAR a chamada do Senhor, Mateus deu um banquete a que assistiram Jesus, os seus discípulos e muitos outros. Entre estes, haviamuitos publicanos e pecadores, todos amigos de Mateus. Os fariseus surpreenderam-se ao verem Jesus sentar-se para comer com esse tipo de pessoas, e por isso disseram aos seus discípulos:Por que come ele com publicanos e gente de má vida?1

Mas Jesus encontra-se à vontade entre pessoas tão diferentes dEle. Sente-se bem com todos porque veio salvar a todos. Não têm necessidade de médico os sãos, mas os enfermos. Jesus dá-se bem com os tipos humanos e caracteres mais variados: com um ladrão convicto, com as crianças cheias de inocência e simplicidade, com homens cultos e sérios como Nicodemos e José de Arimatéia, com mendigos, com leprosos… Esse interesse revela-nos as suas ânsias salvadoras, que se estendem a todas as criaturas de qualquer classe e condição.

O Senhor teve amigos como os de Betânia, onde é convidado ou se faz convidar em diversas ocasiões; Lázaro é o nosso amigo2. Tem amigos em Jerusalém, os quais lhe emprestam uma sala para celebrar a Páscoa com os seus discípulos; e conhece tão bem aquele que lhe emprestará um burrinho para a sua entrada solene em Jerusalém, que os discípulos poderão desatá-lo e trazê-lo sem pedir licença a ninguém3.

Jesus revelou também um grande apreço pela família, que é o lugar por antonomásia onde se devem praticar as virtudes da convivência e onde se dá o primeiro e o principal relacionamento social. É o que nos mostram os seus anos de vida oculta em Nazaré, o que o Evangelista ressalta sublinhando – ao invés de muitos outros pequenos fatos que poderia ter-nos deixado – que Jesus menino estava sujeito aos seus pais4. A fim de ilustrar o amor de Deus Pai para com os homens, o Senhor serve-se da imagem de um pai que não dá uma pedra ao filho se este lhe pede um pão, ou uma serpente se lhe pede um peixe5. Ressuscita o filho da viúva de Naim porque se compadece da sua solidão e da sua pena, pois era o único filho daquela mulher6. E Ele próprio, no meio dos sofrimentos da cruz, cuida da sua Mãe confiando-a a João7.

Jesus é um exemplo vivo para nós porque devemos aprender a conviver com todos, independentemente dos seus defeitos, idéias e modos de ser. Devemos aprender dEle a ser pessoas abertas, com capacidade de cultivar muitas amizades, dispostos a compreender e a desculpar. Um cristão, se segue de verdade os passos de Cristo, não pode estar fechado em si mesmo, despreocupado e indiferente ao que acontece à sua volta.

II. BOA PARTE da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos… E ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isto normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade. São pessoas muito diferentes, mas todas esperam alguma coisa do cristão: aquilo que Cristo teria feito se estivesse no nosso lugar.

Também nos relacionamos com pessoas dos mais diversos modos de ser e de comportar-se na própria família, no trabalho, entre os vizinhos…; são pessoas com temperamentos e caracteres muito diferentes dos nossos. É preciso que saibamos conviver harmonicamente com todos. São Tomás indica a importância de uma virtude particular que regula “as relações dos homens com os seus semelhantes, tanto nas obras como nas palavras”, e que reúne em si muitas outras: é a afabilidade8, que nos inclina a tornar a vida mais grata àqueles que vemos todos os dias.

É uma virtude que deve formar como que a trama da convivência. Talvez não seja uma virtude chamativa, mas, quando não está presente, nota-se muito a sua falta, pois torna tensas e ásperas as relações entre os homens, e leva freqüentemente a faltar à caridade. Opõe-se pela sua própria natureza ao egoísmo, ao gesto ofensivo, ao mau humor, à falta de educação, ao desinteresse pelos gostos e preocupações dos outros. “Destas virtudes – escrevia São Francisco de Sales – deve-se ter uma grande provisão e bem à mão, porque devem ser usadas quase continuamente”9.

O cristão saberá converter os inúmeros detalhes da virtude humana da afabilidade em outros tantos atos da virtude da caridade, vivendo-os também por amor a Deus. A caridade torna a afabilidade mais forte, mais rica em conteúdo e de horizontes muito mais elevados. Uma e outra devem ser praticadas também quando se faz necessário tomar uma atitude firme: “Tens que aprender a dissentir dos outros – quando for preciso – com caridade, sem te tornares antipático”10.

Mediante a fé e a caridade, o cristão sabe ver nos seus irmãos, os homens, filhos de Deus, que sempre merecem o maior respeito e as melhores provas de consideração e de delicadeza11. Como não há de estar atento às mil oportunidades que qualquer dos seus dias lhe oferece?

III. SÃO MUITAS AS VIRTUDES que facilitam e tornam possível a convivência.

A benignidade e a indulgência levam-nos a julgar as pessoas e as suas atuações de forma favorável, sem nos determos excessivamente nos seus defeitos e erros.

A gratidão é essa evocação afetuosa de um benefício recebido, com o desejo de retribuí-lo de alguma forma, quanto mais não seja com um obrigadoou coisa parecida. Custa muito pouco sermos agradecidos, e o bem que fazemos é enorme. Se estivermos atentos aos que estão à nossa volta, notaremos como é grande o número de pessoas que nos prestam constantes favores.

A cordialidade e a amizade facilitam muito a convivência diária. Como seria formidável que pudéssemos chamar amigos àqueles com quem trabalhamos ou estudamos, àqueles com quem convivemos ou com quem nos relacionamos! Amigos, e não apenas colegas ou companheiros. Isso seria sinal de que vamos desenvolvendo muitas virtudes humanas que fomentam e tornam possível a abertura aos outros: o ânimo desinteressado, a compreensão, o espírito de colaboração, o otimismo, a lealdade. Amizade particularmente profunda é a que deve existir no seio da própria família: entre irmãos, com os filhos, com os pais.

No convívio diário, a alegria, manifestada num sorriso oportuno ou num pequeno gesto amável, abre as portas de muitas almas que estavam a ponto de fechar-se ao diálogo ou à compreensão. A alegria anima e ajuda a superar as inúmeras contrariedades que a vida nos traz. Uma pessoa que se deixe dominar habitualmente pela tristeza e pelo pessimismo, que não lute por sair desse estado rapidamente, será sempre um lastro, um pequeno câncer para os que convivem com ela.

É virtude da convivência o respeito mútuo, que nos leva a olhar os outros como imagens irrepetíveis de Deus. No relacionamento pessoal com o Senhor, o cristão apre
nde a “venerar [...] a imagem de Deus que há em cada homem”12, mesmo naqueles que por alguma razão nos parecem pouco amáveis, antipáticos ou insossos. O respeito é condição para contribuir para a melhora dos outros, porque, quando se esmagam os outros, o conselho, a correção ou a advertência tornam-se ineficazes.

O exemplo de Cristo inclina-nos a viver amavelmente abertos aos outros; a compreendê-los, a olhá-los com uma simpatia prévia e sempre crescente, que nos leva a aceitar com otimismo o entrançado de virtudes e defeitos que existe na vida de qualquer homem. É um olhar que chega às profundezas do coração e sabe encontrar a parte de bondade que há em todos.

Muito próxima da compreensão está a capacidade de desculpar prontamente. Viveríamos mal a nossa vida cristã se ao menor choque se esfriasse a nossa caridade e nos sentíssemos distantes das pessoas da família ou daqueles com quem trabalhamos.

Hoje, sábado, podemos concluir a nossa oração formulando o propósito de viver com esmero, em honra de Santa Maria, os detalhes de caridade fina com o próximo.

(1) Mc 2, 13-17; (2) Jo 11, 11; (3) cfr. Mc 11, 3; (4) cfr. Lc 2, 51; (5) cfr. Mt 9, 7; (6) cfr. Lc 7, 11; (7) cfr. Jo 19, 26-27; (8) São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 114, a. 1; (9) São Francisco de Sales, Introdução à vida devota, III, 1; (10) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 429; (11) cfr. F. Fernández Carvajal,Antología de textos, 9ª ed., Palabra, Madrid, 1987, verbete “Afabilidade”; (12) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 230.

Fonte: Falar com Deus


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O Porquê do Sofrimento

 

Revista: PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, osb.

Nº 297 – Ano 1987 – Pág. 61.

O PORQUÊ DO SOFRIMENTO

Em síntese: O sofrimento parece a alguns ser um argumento contra o poder ou a bondade de Deus. A mensagem cristã responde que Deus não é – nem pode ser – o autor de algum mal; mas Ele permite que as criaturas, limitadas como são, cometam males físicos e morais; Ele não quer “policiar” o mundo artificialmente, mas se encarrega de tirar dos males produzidos pelas criaturas bens ainda maiores. Isto em vários casos é evidente, pois se verifica que, para muitas pessoas, o sofrimento é uma escola que converte e transfigura. Em outros casos, os frutos positivos do sofrimento não são tão perceptíveis; não obstante, o cristão tem certeza de que a Providência Divina não falha e um dia ele compreenderá plenamente o plano de Deus, do qual atualmente ele só percebe segmentos e facetas.

Mais: a figura do Filho de Deus, que, feito homem, assumiu a dor e a morte a fim de fazê-las passagem para a ressurreição e a glória, é o testemunho mais eloqüente de que o sofrimento não é mera sentença da justiça ou castigo, mas está intimamente associado ao amor que Deus tem para conosco. Aceito em união com Cristo, o sofrimento vem a ser fonte de salvação para o paciente e de expiação dos pecados do mundo.

Um dos temas que mais vêm à tona nos círculos filosóficos e religiosos de nossos dias, é o do sofrimento. Quanto mais se alastra e intensifica a dor dos homens provocada pela fome, o terrorismo, as guerras…, tanto mais indagam a respeito do sentido do sofrimento. Freqüentemente nasce daí a objeção; se Deus existe, como pode permitir tanta desgraça, especialmente quando afeta pessoas inocentes? Se tanto mal acontece, ou Deus não pode ou não quer evitá-lo. No primeiro caso, Ele não é todo-poderoso (então não é Deus); no segundo caso, Ele não ama seus filhos, pois nenhum pai assiste indiferente ao sofrimento dos seus filhos. Em conseqüência de tais raciocínios, parece lógico a muitos negar a existência do próprio Deus.

Eis por que as páginas subseqüentes serão dedicadas ao estudo de tal problema. Pode-se-lhe apresentar solução?… ou ao menos alguma luz que o esclareça? – Aliás, também o último Sínodo Mundial dos Bispos, encerrado em dezembro de 1985, chamou a atenção para a recrudescência do mal em nossos dias (tão marcados pela fome e pela ameaça de catástrofes nucleares) e solicitou especial atenção para a Teologia da Cruz:

“Percebemos que os sinais dos tempos são, em parte, diferentes daqueles dos tempos do Concílio, com problemas e angústias ainda mais graves. Com efeito; assistimos em toda parte ao aumento da fome, da opressão, da injustiça; a guerra domina em vários lugares, com os sofrimentos que ela acarreta, enquanto o terrorismo e a violência, sob mil formas, se manifestam um pouco por toda parte. Isto nos obriga a nova e mais profunda reflexão teológica para interpretar esses sinais à luz do Evangelho…

Parece que nas atuais dificuldades Deus nos quer ensinar mais profundamente o valor, a importância e a centralidade da Cruz de Jesus Cristo” (D, nº. 1 e 2).

Examinemos agora as objeções que, em vista do sofrimento da humanidade, são atualmente levantadas contra a existência ou os atributos de Deus.

1. Se o mal existe, Deus existe?

Eis quatro objeções que a opinião pública não raro formula:

1.1. Deus sem poder ou sem amor

“Diante do sofrimento no mundo, Deus não pode ou não quer intervir. No primeiro caso, Ele é fraco ou destituído de poder; no segundo caso, Ele carece de amor para com seus filhos”.

- Esta objeção já foi longamente desenvolvida por Voltaire após o terremoto de Lisboa em 1755 e pelo filósofo Arthur Schopenhauer (+1860). Houve quem lhe respondesse, admitindo que Deus é muito sábio e muito poderoso, mas não todo-poderoso (assim Voltaire, Stuart Mill, M. Schiller). – Todavia quem assim pensa, está praticamente negando a existência de Deus, pois, por definição, ou Deus é a Suma Perfeição, sem limites, ou simplesmente não existe.

A resposta católica a tal objeção já foi formulada por S. Agostinho (+ 430), ao qual S. Tomás de Aquino (+ 1274) fez eco: “A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem. – Nulo modo sineret aliquid mali esse in operibus suis, nisi esset adeo omnipotens et bonus ut bene faceret etiam de malo” (Enchiridion, c. 11; ver SumaTeológica l qu, 22, art. 2, ad 2). Estas palavras, aliás, sintetizam toda a doutrina católica relativa à origem do mal:

1) O mal não é uma entidade positiva; mas uma carência do ser (ou do bem) devido. Assim a cegueira é a falta de olhos (é um mal nas criaturas às quais a natureza concede olhos); o pecado é a falta de concordância do ato humano com o Fim Supremo da moralidade, que é Deus.

2) Ora o não ser ou a carência como tal não tem causa. Só pode ser indiretamente causado por um agente falível ou uma criatura que, ao agir, seja capaz de produzir um efeito incompleto, carente de sua perfeição.

3) Por conseguinte, Deus, sendo por definição o Ser Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, Esta há de ser a criatura, que pode falhar ao agir no plano físico (um desastre de automóvel, uma enchente, uma seca…) ou no plano moral (o pecado).

4) Deus permite que as criaturas exerçam a sua atividade conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Ele não fez um mundo artificialmente policiado ou de marionetes. Todavia em sua sabedoria e bondade. Ele se compromete a aproveitar o próprio mal cometido pelas criaturas para daí tirar bens maiores.

5) Não raro é-nos dado perceber os bens que se seguem aos males decorrentes da ação das criaturas. Com efeito, sabemos que muitas e muitas pessoas se transformaram e nobilitaram em conseqüência de uma moléstia grave, de um baque ou insucesso na vida. Em outros casos não nos é possível indicar os frutos positivos procedentes de algum mal; mas o cristão tem a certeza de que, no final dos tempos, lhe será concedido contemplar o plano de Deus e as ligações existentes entre os fatos que ele abrange.

A resposta teológica aqui esboçada será mais amplamente explanada sob o título 2 deste artigo. Importa aqui mostrar apenas que a existência do mal no mundo não significa falta de poder ou de bondade em Deus. Os caminhos de Deus não são os dos homens, diz o Profeta (Is 55,8); a visão que Deus tem das criaturas e da história, é muito mais extensa do que a que nós temos. Por causa de nossas perspectivas limitadas, corremos o risco de apontar sem mais um mal ou um desastre onde há apenas o preâmbulo de um grande benefício arquitetado sobre a própria falibilidade das criaturas.

1.2. Insistindo…

“Não aceito a explicação, pois freqüentemente me parece que a desgraça é tão-somente desgraça, longe de qualquer plano providencial de Deus”. m>

A propósito formularemos três observações:

1) É preciso que a criatura não faça de si mesma o padrão ou o critério para avaliar felicidade ou desventura. Não diga: “Se eu não vejo o lado positivo de uma desgraça, tal lado positivo não existe”. Somente Aquele cujo olhar abarca toda a história da humanidade pode definir o sentindo real que cada acontecimento tem nesse conjunto.

2) Se determinado mal não tem realmente uma contra-parte positiva ou valiosa, isto se deve muitas vezes ao endurecimento ou à indisposição do ser humano. Deus não constrange ninguém a acolher a sua graça. Com outras palavras: a pessoa que sofre, pode fechar-se numa atitude de revolta, que a torna impermeável à ação do Espírito de Deus.

3) Se alguém insiste em negar a existência de Deus por causa das desgraças existentes no mundo, elimina do seu horizonte um fator de esperança e coragem, e não resolve o problema do sofrimento. Ao contrário, cria para si um novo problema. Com efeito, verifica-se que muitas e muitas pessoas, quando sofrem, apelam espontaneamente para Deus; assim nos cárceres, nos hospitais, nas trincheiras de guerra… é mais freqüente o clamor que pede ajuda, do que a blasfêmia. Quem sofre, experimenta muitas vezes a necessidade de um auxílio mais do que humano para tirá-lo da sua dor e salvar da desgraça os seus semelhantes.

Mais: se alguém nega a existência de Deus, vê-se diante de um mundo marcado pela injustiça e retido pelas leis do mais forte que esmaga o mais fraco… sem que possa haver esperança de restauração da ordem ou do reconhecimento dos verdadeiros valores. Já Platão (+ 347 a.C.), diante da injusta morte de Sócrates, afirmava a necessidade de haver uma justiça superior ou divina para que a morte de Sócrates não fosse um mero absurdo ou o triunfo do mal sobre o bem (ver os diálogos República e Fedon).

1.3. Só para os maus…

“Somente os criminosos deveriam sofrer, ao passo que os justos haveriam de gozar de paz e felicidade. Ora às vezes parece que se dá contrário”.

A respeito ponderamos:

1) Todos os seres humanos são portadores de pecado. Não os dividamos em criminosos, de um lado, e inocentes, de outro lado. Os que não cometem graves faltas morais, trazem dentro de si a potencialidade ou a capacidade de as cometer.

2) O sofrimento não deve ser considerado apenas como punição ou sanção devida a um réu. Ao contrário, o sofrimento tem significado muito mais largo e nobre. Com efeito.

a) o sofrimento físico é decorrente da própria natureza do homem. A dor é sinal de alarme que torna o homem consciente de uma moléstia ou um distúrbio do seu organismo; se não fosse a dor, o mal progrediria sem que o paciente pudesse perceber adequadamente. O natural desgaste dos órgãos (coração, pulmões, fígado…) provoca dores que vêm a ser salutar advertência ou ensinamento para o homem.

b) O sofrimento está também muito ligado ao amor e à nobreza de caráter. Longe de ser castigo, o sofrimento decorre muitas vezes do fato de que alguém ama outra pessoa e compartilha as dores desta. Pode-se mesmo dizer: quanto mais alguém é digno e magnânimo, tanto mais sofre; quanto mais mesquinho ou desnaturado, tanto menos sofre. Qual a mãe que não sofre por causa da dor de seu filho?

c) De modo geral, o sofrimento é escola para o ser humano. Contribui para vencer o egoísmo e tornar a pessoa mais voltada para o próximo; torna atuantes muitas energias e potencialidades que nunca desabrochariam se não fosse o sofrimento. Esta verdade é tão óbvia que já os antigos gregos a formularam no trocadilho: pathos mathos (sofrimento é ensinamento ou aprendizagem). Quem não passa pelo cadinho do sofrimento, muitas vezes é egocêntrico, e insensível para com os outros; desfigura-se no plano da personalidade.

1.4. Ao menos, não seja excessivo!

Dirá alguém: “Se o sofrimento tem suas vantagens, é para desejar que não se torne excessivo. Deus deveria saber moderá-lo”.

- Respondemos que as expressões “excessivo” e “pouco demais” são relativas. Quem gosta de trabalhar, se dá por feliz quando desempenha uma tarefa grande e importante, que a pessoa vadia rejeitaria como “excessiva”. Caminhar um quilômetro, para uns, é excessivo, enquanto para outros é insuficiente. – Por conseguinte, é difícil levar em consideração a reivindicação do sofrimento não excessivo, já que este termo é vago ou genérico demais. Como dito, não devo fazer de minhas categorias de pensamento e afeto os critérios de aferição do que acontece aos outros principalmente se não conheço esses outros.

Passemos agora à explanação da resposta cristã ao problema do sofrimento.

2. A resposta cristã

2.1. Observação prévia

A fé ajuda o cristão a esclarecer o problema do sofrimento, mas não dissipa todo enigma a tal propósito. Especialmente quando se consideram casos particulares, como a morte desta mãe ou deste pai, que deixam crianças pequenas, não é possível oferecer explicação cabal e precisa para o ocorrido; nem nos é possível dizer por que tal desgaste de automóvel se deu precisamente em tal dia de festa. O livro de Jó nos recorda a insondabilidade do sofrimento, quando, referindo-se às tentativas de explicar o sofrimento, põe nos lábios de Jó as seguintes palavras:

“Eis que falei levianamente; poderei responder-te? Porei minha mão sobre a boca; Falei uma vez, não replicarei… Falei de coisas que não entendia, de maravilhas que me ultrapassam. Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te os meus olhos; por isto retrato-me e faço penitência no pó e na cinza” (Jó 40, 4s; 42, 3-6).

Todavia a fé cristã projeta o mistério do sofrimento a perspectiva do amor de Deus; como é difícil dar explicação cabal para o mistério do amor, também é árduo explicar o mistério do sofrimento. A fé católica enquadra o mistério do sofrimento dentro do mistério maior do amor. Com efeito, o amor de Deus, que criou o homem num misterioso ato de benevolência, jamais o abandona; certamente exerce seus planos através dos percalços da caminhada que a criatura percorre na terra. Todas as respectivas ocorrências estão sob o signo desse amor primeiro gratuito e irreversível (cf. 1Jo 4, 10, 19).

Examinemos agora, de mais perto, a explicação teológica.

2.2. A origem do mal no mundo

A S. Escritura refere que o mal no mundo teve origem por violação (por parte dos primeiros pais) da ordem instaurada pelo Criador.

Com efeito. Deus quis dotar os primeiros homens de grande riqueza interior: 1) a graça santificante, que lhes comunicava a filiação divina e 2) os dons preternaturais (a isenção da morte, do sofrimento, da desordem de tendências interiores…). Tal era o estado de justiça original.

Estes dons estavam condicionados à fidelidade do homem ao plano de Deus. Sim; deviam ser livremente aceitos pela criatura. Por isto o Criador propôs a esta um modelo de vida (figurado pela proibição da fruta da árvore da ciência do bem e do mal, Gn 2,16s). Aceitando-o, o homem
significaria sua entrega ao desígnio de Deus; recusando-o, exprimiria o seu Não e sua auto-suficiência. Ora na verdade os primeiros pais rejeitaram o modelo de vida apresentado pelo Senhor Deus; pecaram por soberba, que os levou à desobediência. Em conseqüência, perderam a chamada “justiça original” e caíram num estado em que existem a morte, o sofrimento, as tendências desregradas… Verdade é que tanto a morte como o sofrimento e os apetites instintivos são algo de natural; todavia após o pecado dos primeiros pais trazem a marca da desordem e da desobediência. O mundo que, por dom de Deus, estava harmoniosamente sujeito ao homem, já não é tal; enquanto o homem se mantinha submisso e fiel a Deus, o mundo inferior estava subordinado ao homem; todavia, rompida a sujeição do homem ao Criador, rompe-se a serventia das criaturas irracionais ao homem; estas o maltratam e esmagam, negam-lhe os frutos da terra e, não raro, as condições de sobrevivência.

Por conseguinte, conforme o texto sagrado e a doutrina da fé, a origem do mal no mundo está no pecado ou no plano moral. Este suscitou o mal físico (doenças, mortes, catástrofes, calamidades…).

A doutrina do pecado original assim concebida tem sido questionada ou posta em dúvida por parte de alguns teólogos e exegetas. Estes afirmam que o pecado começou sua história no mundo sem o quadro ou a moldura que o texto sagrado lhe assinala; não importaria o modo de suas origens. Tal teoria destrói a cosmovisão cristã. Por isto o S. Padre João Paulo II, em suas audiências de Quarta-feira, tem insistido no assunto, incutindo a doutrina de fé na Igreja; tenha-se em vista L’Osservatore Romano, edições semanais de setembro-outubro 1986.

Eis, porém, que, na história das relações do homem com Deus, a última palavra não foi a do pecado nem a da desordem. O Senhor Deus não se quis deixar vencer pelo mal, mas venceu o mal com o bem (cf. Rm 12,21). É o que veremos a seguir.

2.3. O resgate da dor

Diz São Paulo: “Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo” (Ef 2,4s). Ou ainda: “Onde abundou o pecado, aí superabundou a graça” (Rm 5,20). Com outras palavras: Deus não ficou indiferente à desgraça na qual o homem se atirou pelo pecado; não assistiu “friamente” à tragédia; mas houve por bem assumi-la em toda a sua realidade concreta.

O testemunho do amor de Deus foi precisamente a obra de Cristo. Enviando seu Filho ao mundo, o Pai constituiu um segundo Adão ou um novo Cabeça da humanidade. Este assumiu a dor e a morte do homem até as últimas conseqüências, numa atitude de entrega e de amor ao Pai. Desta maneira mudou o significado do sofrimento humano; este já não é mera conseqüência do pecado ou sanção da justiça divina; ele foi redimido vindo a ser a vida de volta do homem a Deus. O homem sofre e, sofrendo, se encaminha para o Pai com Cristo.

Os teólogos costumam deter-se na explanação do valor do sacrifício de Cristo, valendo-se do texto de São Paulo: “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por nós a fim de que nos tornássemos justiça de Deus por Ele” (2Cor 5,21). Estes dizeres significam que Cristo foi constituído sacrifício pelo pecado; Ele fez partir da própria natureza humana o amor e a dedicação ao Pai que o primeiro Adão recusou.

O cristão, sofrendo com Cristo, pode até mesmo tornar-se corredentor com Jesus, expiando em sua carne os pecados da humanidade, como lembra o S. Padre Pio XII na encíclica Mystici Corporis Christi. Desta maneira, o sofrimento, além de ser escola benéfica (como foi dito à p. 65 deste artigo), é também ocasião de derramamento de graças sobre o mundo. O sofrimento dos inocentes há de ser visto à luz desta verdade: como Cristo inocente padeceu transfigurando a dor, assim o cristão santamente configurado a Cristo, padece oferecendo ao Pai o repúdio ao pecado e o amor que os pecadores deveriam tributar a Deus. O Pai celeste dispôs salvar os homens mediante Cristo e aqueles que se unem a Cristo pela santidade de sua vida. Assim a própria dor das pessoas retas e justas toma sentido. São Paulo dizia: “Completo em minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). Quando o cristão sofre, não é simplesmente um ser biológico que sofre, mas é o próprio Redentor que estende a sua Paixão aos membros do seu Corpo Místico, associando-os à sua obra redentora: na verdade, o sacrifício de Cristo na Cruz foi infinitamente meritório, mas cada cristão pode dar-lhe o suporte ou a moldura da sua vida pessoal…, suporte que a Paixão de Cristo não teria se não fosse a vida de cada discípulo de Cristo.

O valor do sacrifício do cristão unido ao de Cristo foi realçado pelo Cardeal Frantisek Tomasek, de Praga, numa entrevista concedida ao periódico italiano II Sabato. O prelado falou então dos graves problemas que o regime comunista suscita para a Igreja na Tchecoslováquia (cerceamento de atividades pastorais, dificuldades para a nomeação de Bispos, encarceramento de sacerdotes e leigos…). O repórter então lhe perguntou:

“Eminência, não está cansado de combater uma batalha sem êxito?”

Respondeu o Cardeal: “A situação é difícil; não se vê como e quando possa melhorar. Mas tenho sempre esperança. Digo sempre uma coisa: quem trabalha pelo Reino de Deus, faz muito, quem reza, faz mais; quem sofre, faz tudo. Este tudo é exatamente o pouco que fazemos entre nós, na Tchecoslováquia”.

Quem sofre, faz tudo, desde que unido a Cristo, pois toma parte íntima na Paixão Redentora do Senhor, fonte de salvação para o mundo inteiro.

3. Conclusão

Eis a maneira como a mensagem cristã responde ao problema do sofrimento humano. Aos olhos da fé, é plenamente satisfatória; tem suscitado grandes heróis e heroínas através dos séculos. O que esta explicação possui de mais típico, é o fato de conjugar entre si justiça e amor. Sim; o sofrimento, de um lado, é a justa conseqüência do Não dito pelo homem a Deus no início da sua história; por outro lado, é o testemunho do amor de Deus que, assumindo o sofrimento e a morte, demonstra ao homem que lhe quer bem e não desiste de o chamar à Vida; Cristo transfigurou o sofrimento e o fez caminho de conversão ou de retorno ao Pai.

A propósito citamos:

John M. McDermott S.J., ll sensi dela sofferenza, em La Civiltà Catolicanº 3272, 18/10/1986, pp. 112-126.


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Oração Mental e Oração Vocal

 

Oração mental e oração vocal

Quando você pensa em Deus e lhe diz coisas íntimas, só com o pensamento e os sentimentos do coração, está fazendo “oração mental” (já refletimos sobre ela).

Quando você, na Missa, reza com todos os participantes as orações litúrgicas (”Confesso a Deus todo-poderoso…”, “Glória a Deus nas alturas…”, “Cordeiro de Deus…”); quando reza o Terço; quando reza o Pai-nosso e a Ave Maria em vários momentos do dia, está fazendo “oração vocal”.

Jesus amava e praticava esses dois tipos de oração, e nos ensinou a amá-los e a praticá-los. Basta lembrar o seguinte:

1) — como já comentamos atrás, Jesus, com muita frequência passava horas – às vezes a noite inteira – conversando a sós com Deus Pai (Lc 6,12), fazendo “oração mental”;

– e fazia também “oração vocal”: rezava os salmos e as orações tradicionais judaicas, ao participar no culto da sinagoga (Mc 6,2) ou nas festas no Templo (Jo 7,1 ss.); e seguia todo o cerimonial litúrgico e as preces e cânticos prescritos, na celebração da Páscoa judaica (Mt 26, 30).

2) — a nós, pede-nos que, como Ele, façamos “oração mental”: «Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo» (Mt 6,6);

– mas, ao mesmo tempo, pede-nos que estimemos muito a “oração vocal”. Ele próprio nos ensinou a mais bela “oração vocal” que existe, o Pai-nosso (Mt 6,9-13), que milhões de cristãos vêm repetindo ao longo dos milênios. E os primeiros cristãos aprenderam dele a amar a recitação dos Salmos (At 2,46 e 4,25-26).

Oração espontânea ou “fórmulas”?

Nunca ouviu alguém dizer: “Eu não gosto de recitar fórmulas, eu gosto é de rezar com os pensamentos e sentimentos que saem espontaneamente do coração”?.

Há muitos que já disseram isso. Mas, infelizmente, se esquecem de uma coisa. Do nosso coração sai o que há realmente dentro dele (não o que não há), e nele não estão presentes todas as riquezas da fé, da esperança e do amor. Pode até ser um coração muito “pobre”, vazio e cheio de egoísmo gelado. E então, o que é que vai “sair” daí?

Ora, as orações vocais enriquecem, porque “oferecem”, “colocam” dentro do coração tesouros de pensamentos, de verdades, de sentimentos e desejos, que o coração sozinho não possui nem poderia criar. Bem rezadas, enriquecem muito a alma.

Santo Agostinho, por exemplo, recebeu o último “empurrão” para a sua conversão no dia em que se emocionou até derramar lágrimas, ao participar na basílica de Milão – onde era bispo Santo Ambrósio -, do canto dos Salmos e de hinos litúrgicos compostos por esse santo bispo, que o povo todo sabia de cor. As “orações vocais” tornaram sua alma – alma de um homem extraordinariamente culto e inteligente – mais cheia de luzes espirituais, despertaram nela, com o auxílio de Deus, sentimentos, perspectivas, alegrias e esperanças que ele, sozinho, não teria sido capaz de conseguir.

Santa Teresa de Ávila conta de uma freira muito santa, que a vida inteira alimentou a sua conversa de amor com Deus quase que exclusivamente com o Pai-nosso; e ela própria, Santa Teresa, escreveu um belo livro ( “Caminho de perfeição”) em que dedica muitas páginas a comentar as maravilhas dessa oração vocal “que o Senhor nos ensinou”.

Dois perigos

Como rezar bem as orações vocais? É bom ter em conta que há dois perigos que sempre nos ameaçam e que podem “acabar” com as nossas orações vocais:

1º) O primeiro é o “perfeccionismo”, ou seja, a idéia de que, se não rezamos colocando muita consciência, atenção e sentimento em cada palavra, mais vale não rezar, seria como fazer “oração de papagaio”.

Os que pensam assim também se esquecem de uma coisa importante: Jesus afirmou que, se não nos fizermos simples como crianças, não entraremos no Reino de Deus (ver Mt 18,3). Ora, ninguém pede a uma criança uma atenção total nem uma perfeição de “doutor em conversa”. O que se lhe pede é carinho, amor, e esse existe mesmo que a criança se distraia – não o faz por mal -, e se esqueça de coisas que acaba de ouvir.

Como é bonito o que dizia São Josemaria Escrivá: «Sei que te distrais na oração. – Procura evitar as distrações, mas não te preocupes se, apesar de tudo, continuas distraído. – Não vês como, na vida natural, até as crianças mais sossegadas se entretêm e divertem com o que as rodeia, sem atender muitas vezes às palavras de seu pai? – Isso não implica falta de amor nem de respeito; é a miséria e a pequenez própria do filho. – Pois olha: tu és uma criança diante de Deus» (”Caminho”, n. 890).

2º) O segundo perigo é o contrário: é a frieza, é o “calo” da alma, o mau costume de rezar por mera rotina. É isso o que fazem os que rezam mecanicamente, por puro hábito frio, sem empenho, sem consciência do que dizem, sem amor a Deus nem desejo de melhorar. Esses, como dizia Santa Teresa de Ávila, não fazem oração, por muito que mexam os lábios. «Esse falar às pressas, sem lugar para a reflexão – como diz São Josemaria – é ruído, chacoalhar de latas» (”Caminho”, n. 85).

O valor da boa vontade

O bom caminho da oração vocal evita tanto o perfeccionismo como a rotina mecânica. Então, o que é que Deus nos pede? Pede-nos as coisas de sempre:

1) Primeiro, amor: que saibamos esquecer-nos do nosso egoísmo (”gosto, não gosto de rezar agora; tenho vontade, não tenho vontade; isso de rezar quando estou cansado é um fardo, não é comigo…”). Santa Teresinha, mesmo em períodos de grave cansaço e dores de cabeça, não se dispensava do esforço por colocar amor na oração vocal: «Algumas vezes – dizia – , quando o meu espírito se encontra numa secura tão grande que me é impossível formar um só pensamento para unir-me a Deus, rezo muito devagar o Pai-nosso e depois a Ave-Maria. Assim rezadas, estas orações encantam-me e alimentam a minha alma…»;

2) Segundo, boa vontade (rezar do melhor modo possível, naquele momento previsto, ainda que esse “melhor modo” seja bastante imperfeito). Pense que Deus não precisa das nossas obras “perfeitas” – pois Ele pode dar-se a Si mesmo infinitas obras perfeitas-, mas do nosso amor, desse amor (o “teu” e o “meu”), que só nós lhe podemos dar.

Façamos, portanto, o propósito de valorizar, de praticar e de “cuidar” mais as orações vocais: as orações litúrgicas (Missa; para alguns, a Liturgia das Horas), as orações da manhã e da noite; as orações às refeições; o Terço; o Anjo do Senhor; e outras devoções sérias aprovadas pela Igreja (à Santíssima Trindade, ao Coração de Jesus, ao Espírito Santo…; e à Virgem e aos santos, que são intercessores nossos diante do Senhor). Com a ajuda de Deus, em outras meditações subsequentes refletiremos sobre o Rosário e algumas outras devoções.

Fonte: Padre Francisco Faus


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Comunhão Sacramental

 

– Jesus Cristo espera-nos todos os dias.

– Presença real de Cristo no Sacrário.

– O Senhor nos sara e purifica na Sagrada Comunhão.

I. UM LEPROSO aproximou-se do lugar em que Jesus se encontrava1, pôs-se de joelhos e disse-lhe: Se quiseres, podes limpar-me. E o Senhor, que sempre deseja o nosso bem, compadeceu-se dele, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo. E imediatamente desapareceu dele a lepra e ficou limpo.

“Aquele homem ajoelha-se prostrando-se por terra – o que é sinal de humildade –, para que cada um de nós se envergonhe das manchas da sua vida. Mas a vergonha não deve impedir a confissão: o leproso mostrou a chaga e pediu o remédio. A sua oração está, além disso, repleta de piedade, isto é, reconheceu que o poder de ser curado estava nas mãos do Senhor”2. E nas mãos divinas continua a estar o remédio de que necessitamos.

Cristo espera-nos cada dia na Sagrada Eucaristia. Está ali verdadeira, real e substancialmente presente, com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Encontra-se ali com todo o resplendor da sua glória, pois Cristo ressuscitado já não morre3. O Corpo e a Alma permanecem inseparáveis e unidos para sempre à Pessoa do Verbo. Todo o mistério da Encarnação do Filho de Deus está contido na Hóstia Santa, em toda a riqueza profunda da sua Santíssima Humanidade e na infinita grandeza da sua Divindade, ambas veladas e ocultas. Na Sagrada Eucaristia encontramos o mesmo Jesus Cristo que disse ao leproso: Quero, fica limpo, o mesmo que é contemplado e louvado pelos anjos e santos por toda a eternidade.

Quando nos aproximamos de um Sacrário, encontramo-lo ali. Talvez tenhamos repetido muitas vezes na sua presença o hino com que São Tomás expressou a fé e a piedade da Igreja e que tantos cristãos converteram numa oração pessoal:

Adoro-vos com devoção, Deus escondido, que sob estas aparências estais presente. A Vós se submete o meu coração por inteiro, e ao contemplar-vos se rende totalmente.

A vista, o tato, o gosto enganam-se sobre Vós, mas basta o ouvido para crer com firmeza. Creio em tudo o que disse o Filho de Deus; nada de mais verdadeiro que esta palavra de verdade.

Na Cruz estava oculta a divindade, mas aqui se esconde também a humanidade; creio, porém, e confesso uma e outra, e peço o que pediu o ladrão arrependido.

Não vejo as chagas, como as viu Tomé, mas confesso que sois o meu Deus. Fazei que eu creia mais e mais em Vós, que em Vós espere, que Vos ame4.

Esta maravilhosa presença de Jesus entre nós deveria renovar a nossa vida cada dia. Quando o recebemos, quando o visitamos, podemos dizer em sentido estrito: Hoje estive com Deus. Tornamo-nos semelhantes aos Apóstolos e aos discípulos, às santas mulheres que acompanhavam o Senhor pelos caminhos da Judéia e da Galiléia. “Non alius sed aliter”, não é outro, mas está de outro modo, costumam dizer os teólogos5. Encontra-se aqui conosco; em cada cidade, em cada vilarejo. Com que fé o visitamos? Com que amor o recebemos? Como preparamos a nossa alma e o nosso corpo quando vamos comungar?

II. SÃO TOMÁS DE AQUINO6 ensina que o Corpo de Cristo está presente na Sagrada Eucaristia tal como é em si mesmo, e a Alma de Cristo está presente com a sua inteligência e vontade; excluem-se apenas aquelas relações que dizem respeito à quantidade, pois Cristo não está presente na Hóstia Santa do modo como uma quantidade está localizada no espaço7. Está presente com o seu Corpo glorioso de um modo misterioso e inexplicável.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade está, pois, nesse Sacrário que podemos visitar todos os dias, talvez muito perto da nossa casa ou do escritório, na capela da Universidade, do hospital em que trabalhamos ou do aeroporto; e está presente com o soberano poder da sua Divindade. Ele, o Filho Unigênito de Deus, em cuja presença tremem os Tronos e as Dominações, por quem tudo foi feito, que tem o mesmo poder, sabedoria e misericórdia que as outras Pessoas da Santíssima Trindade, permanece perpetuamente conosco, como um de nós, sem nunca deixar de ser Deus. Efetivamente, no meio de vós está quem vós não conheceis8. Será que, apesar de estarmos absortos nos nossos negócios, no trabalho, com as suas preocupações diárias, pensamos com freqüência em que, muito perto da nossa residência ou do local de trabalho, mora realmente o Deus misericordioso e onipotente?

O nosso grande fracasso, o maior erro da nossa vida, seria que em algum momento pudessem aplicar-se a nós aquelas palavras que o Espírito Santo pôs na pena de São João:Veio aos que eram seus e os seus não o receberam9, porque estavam ocupados nas suas coisas e nos seus trabalhos – podemos acrescentar –, em assuntos que sem Ele não têm a menor importância. Mas fazemos hoje o propósito firme de permanecer com um amor vigilante: alegrando-nos muito quando vemos a torre de uma igreja, fazendo durante o dia muitas comunhões espirituais, atos de fé e de amor, manifestando o nosso desejo de desagravar o Senhor por aqueles que passam ao seu lado sem lhe dirigirem um pensamento sequer.

III. SENHOR JESUS, bom pelicano, limpai-me a mim, imundo, com o vosso Sangue, com esse Sangue do qual uma só gota pode salvar do pecado o mundo inteiro10.

O Senhor dá a cada homem em particular, na Sagrada Eucaristia, a mesma vida da graça que trouxe ao mundo pela sua Encarnação11. Se tivéssemos mais fé, realizar-se-iam em nós verdadeiros milagres, como os que se operaram nas pessoas que Jesus curou: ficaríamos limpos das nossas fraquezas e imperfeições, até o mais fundo da alma. Fazei que eu creia mais e mais em Vós, é o que nos convida a clamar e a suplicar interiormente o hino eucarístico. Se tivermos fé, ouviremos as mesmas palavras que foram dirigidas ao leproso: Quero, fica limpo. Ou veremos como o Senhor se levanta perante as ondas, tal como no lago de Tiberíades, para acalmar a tempestade; e far-se-á também na nossa alma uma grande bonança.

Senhor Jesus, bom pelicano… Na Comunhão, o Senhor não só nos oferece um alimento espiritual, como Ele próprio se dá a nós como Alimento. Antigamente, pensava-se que, quando morria o filhote de um pelicano, este feria o seu próprio peito e com o seu sangue alimentava o filhote morto, que assim retornava à vida… Cristo dá-nos a vida eterna. A Comunhão, recebida com as devidas disposições, traz-nos o Mestre que vem até nós com o seu amor pessoal, eficaz, criador e redentor, como o Salvador que é das nossas vidas.

A nossa alma purifica-se ao contacto com Cristo. Obtemos então o vigor necessário para praticar a caridade, para viver exemplarmente os deveres próprios, para proteger a nossa pureza, para realizar o apostolado que Ele mesmo nos indicou…

A Sagrada Eucaristia é remédio para as fraquezas diárias, para esses pequenos desleixos e faltas de correspondência que não matam a alma, mas a debilitam e conduzem à tibieza. Faz-nos vencer as nossas covardias.

Na Sagrada Eucaristia, Jesus espera-nos para restaurar as nossas forças: Vinde a mim todos os que estais fatigados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei12. Jesus não exclui ninguém: Vinde a mim todos. Se alguém quiser aproximar-se de mim, eu não o lançarei fora13. Enquanto durar o tempo da Igreja militante, Jesus permanecerá conosco como a fonte de todas as graças que nos são necessárias. Sem Ele, não poderíamos viver. Com palavras de São Tomá
s em outra oração, podemos dizer a Jesus presente na Sagrada Eucaristia: “Aproximo-me de Vós como um doente do médico da vida, como um imundo da fonte de misericórdia, como um cego da luz da claridade eterna, como um pobre e necessitado do Senhor do céu e da terra. Imploro a abundância da vossa infinita generosidade para que vos digneis curar a minha enfermidade, lavar a minha impureza, iluminar a minha cegueira, remediar a minha pobreza e vestir a minha nudez, a fim de que me aproxime a receber o Pão dos Anjos, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, com tanta reverência e humildade, com tanta contrição e piedade, com tanta pureza e fé, e com tal propósito e intenção como convém à saúde da minha alma”14.

A Virgem Maria, nossa Mãe, anima-nos sempre a relacionar-nos cada vez mais intimamente com Jesus sacramentado: “Aproxima-te mais do Senhor…, mais! – Até que se converta em teu Amigo, teu Confidente, teu Guia”15.

(1) Mc 1, 40-45; (2) São Beda, Comentário ao Evangelho de São Marcos; (3) Rom 6, 9; (4) Hino Adoro te devote; (5) cfr. M. M. Philipon, A nossa transformação em Cristo, pág. 116; (6) cfr. São Tomás, Suma Teológica, III, q. 76, a. 5, ad. 3; (7) cfr. ib., III, q. 81, a. 4; (8) Jo 1, 26; (9) Jo 1, 11; (10) Hino Adoro te devote; (11) cfr. São Tomás, op. cit., I, q. 3, a. 79; (12) Mt 11, 28; (13) cfr. Jo 6, 37; (14) Missal Romano, Praeparatio ad Missam; (15) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 680.

Fonte: Falar com Deus


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Jesus nos chama no Trabalho

– O Senhor chama os discípulos no meio do seu trabalho, como também nos chama a nós nos nossos afazeres.

– A santificação do trabalho. O exemplo de Cristo.

– Trabalho e oração.

I. DEPOIS DO BATISMO, com o qual inaugura o seu ministério público, Jesus procura aqueles que fará participar da sua missão salvífica. E encontra-os no seu trabalho profissional. São homens habituados ao esforço, rijos, de costumes simples. Caminhando ao longo do mar da Galiléia, lê-se no Evangelho da Missa de hoje1,Jesus viu Simão e André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: “Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens”. E muda a vida desses homens.

Os Apóstolos foram generosos perante a chamada de Deus. Esses quatro discípulos – Pedro, André, João e Tiago – já conheciam o Senhor2, mas é neste momento exato que, respondendo à chamada divina, decidem segui-lo completamente, sem condições, sem cálculos, sem reservas. A partir de agora, Cristo será o centro das suas vidas e exercerá sobre eles uma atração indescritível.

O Senhor procura-os no meio da sua tarefa quotidiana, tal como fez com os Magos ao chamá-los por meio daquilo que lhes podia ser mais familiar: o brilho de uma estrela; tal como o Anjo chamou os pastores de Belém, enquanto cumpriam o seu dever de guardar o rebanho, para que fossem adorar o Menino-Deus e acompanhassem Maria e José naquela noite…

No meio do nosso trabalho, dos nossos afazeres, Jesus convida-nos a segui-lo, para que o coloquemos no centro da nossa existência, para que o sirvamos na tarefa de evangelizar o mundo. “Deus tira-nos das trevas da nossa ignorância, do nosso caminhar incerto por entre as vicissitudes da história, e, seja qual for o posto que ocupemos no mundo, chama-nos com voz forte, como o fez um dia com Pedro e com André: Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum (Mt 4, 19), segui-me, e eu vos tornarei pescadores de homens”3. Escolhe-nos e, na maioria dos casos, deixa-nos no lugar em que estamos: na família, no trabalho que realizamos, na associação cultural ou esportiva a que pertencemos…, para que nesse lugar e nesse ambiente o amemos e o demos a conhecer.

Desde o momento em que nos decidimos a ter Cristo por centro da nossa vida, tudo o que fazemos é afetado por essa decisão. Devemos perguntar-nos se somos conscientes do que significa termos sido chamados para crescer na amizade com Jesus Cristo precisamente no lugar em que estamos.

II. O SENHOR PROCURA-NOS e envia-nos ao nosso ambiente e à nossa profissão. Mas quer que agora esse trabalho quotidiano seja diferente. “Escreves-me na cozinha, junto ao fogão. Está começando a tarde. Faz frio. A teu lado, a tua irmãzinha – a última que descobriu a loucura divina de viver a fundo a sua vocação cristã – descasca batatas. Aparentemente – pensas – o seu trabalho é igual ao de antes. Contudo, há tanta diferença! – É verdade: antes “só” descascava batatas; agora, santifica-se descascando batatas”4.

Para nos santificarmos através dos afazeres do lar, das gazes e das pinças do hospital (com esse sorriso habitual para os doentes!), no escritório, na cátedra, dirigindo um trator, limpando a casa ou descascando batatas…, o nosso trabalho deve assemelhar-se ao de Cristo – a quem pudemos contemplar na oficina de José há poucos dias – e ao trabalho dos Apóstolos que hoje, no Evangelho da Missa, vemos ocupados em pescar. Devemos fixar a nossa atenção no Filho de Deus feito Homem enquanto trabalha e perguntar-nos: que faria Jesus no meu lugar? Como realizaria as tarefas que me absorvem?

O Evangelho diz-nos que o Senhor fez tudo bem feito5, com perfeição humana, sem coisas mal acabadas. Entregaria as encomendas no prazo combinado; arremataria o seu trabalho de artesão com amor, pensando na alegria dos seus clientes ao receberem peças simples, mas perfeitas; chegaria cansado ao fim do dia… Além disso, Jesus executou ainda as suas tarefas com plena eficácia sobrenatural, pois ao mesmo tempo, com esse trabalho, realizava a redenção da humanidade, unido a seu Pai por amor e com amor, e unido aos homens por amor deles também6.

Ainda que se ocupe num trabalho aparentemente pouco importante, nenhum cristão pode pensar que basta realizá-lo de qualquer maneira, de uma forma desleixada, descuidada e sem perfeição. Esse trabalho é visto por Deus e tem uma importância que nem podemos imaginar. “Perguntaste o que é que podias oferecer ao Senhor. – Não preciso pensar a minha resposta: as coisas de sempre, mas melhor acabadas, com um arremate de amor que te leve a pensar mais nEle e menos em ti”7.

III. PARA UM CRISTÃO que vive de olhos postos em Deus, o trabalho deve ser oração, pois seria uma pena que descascasse batatas, em vez de santificar-se enquanto as descasca bem; deve ser uma forma de estar com o Senhor ao longo do dia.

Orar é conversar com Deus, elevar a alma e o coração até Ele para louvá-lo, agradecer-lhe, desagravá-lo, pedir-lhe novas ajudas. Pode-se fazê-lo por meio de pensamentos, de palavras, de afetos: é a chamada oração mental, que deve estar presente nas próprias orações vocais. Mas pode-se fazê-lo ainda através de ações capazes de mostrar a Deus quanto o amamos e quanto necessitamos dEle. Neste sentido, também é oração todo o trabalho bem acabado e realizado com senso sobrenatural8, isto é, com a consciência de se estar colaborando com Deus na perfeição das coisas criadas e de se estar impregnando todas elas com o amor de Cristo, completando assim a sua obra de redenção realizada não só no Calvário, mas também na oficina de Nazaré.

O cristão que estiver unido a Cristo pela graça converte as suas obras retas em oração. Mas o valor dessa oração que é o trabalho dependerá do amor que puser ao realizá-lo, isto é, da intenção com que o executar. Quanto mais atualizar a intenção de convertê-lo em instrumento de redenção, não só o realizará com outra perfeição humana, como será maior a ajuda que prestará a toda a Igreja.

Pela natureza de alguns trabalhos, que exigem uma grande concentração, não nos é fácil ter a mente habitualmente em Deus enquanto trabalhamos; mas, se nos acostumarmos a elevar o coração ao Senhor no começo de uma tarefa ou de um período de trabalho, e depois brevemente ao longo das horas, Ele estará presente como uma “música de fundo” em tudo o que fazemos.

Se desempenharmos assim as nossas tarefas, o trabalho e a vida interior não sofrerão interrupções, “como o bater do coração não interrompe a atenção às nossas atividades, seja de que tipo forem”9. Pelo contrário, acabarão por complementar-se, tal como se enlaçam harmonicamente as vozes e os instrumentos. O trabalho não só não dificultará a vida de oração, como se converterá no seu veículo. E há de tornar-se realidade então o que pedimos ao Senhor numa belíssima prece10:Actiones nostras, quaesumus, Domine, aspirando praeveni et adiuvando prosequere: ut cuncta nostra oratio et operatio a te semper incipiat et per te coepta finiatur – que todo o nosso dia, a nossa oração e o nosso trabalho, ganhem a sua força e comecem sempre em Vós, Senhor, e que tudo o que começamos por Vós chegue ao seu termo11.

Se Jesus Cristo, a quem constituímos como centro da nossa existência, estiver na raiz de tudo o que fazemos, ser-nos-á cada vez mais natural aproveitar todas as pausas que surgem em qualquer trabalho para que essa “música de fundo” se transforme numa autêntica canção. Ao mudarmos de atividade, ao pararmos com o carro diante do
sinal vermelho de um semáforo, ao finalizarmos o estudo de uma matéria, enquanto não conseguimos uma ligação telefônica, ao devolvermos as ferramentas ao seu lugar…, aflorará essa jaculatória, esse olhar a uma imagem de Nossa Senhora ou ao Crucifixo, um pedido sem palavras ao Anjo da Guarda, que nos hão de reconfortar por dentro e nos hão de ajudar a prosseguir os nossos afazeres.

Como o amor é engenhoso, saberemos descobrir alguns “expedientes humanos”, alguns lembretes, que nos ajudem a não esquecer que temos de ir para Deus através das coisas humanas. “Coloca na tua mesa de trabalho, no teu quarto, na tua carteira…, uma imagem de Nossa Senhora, e dirige-lhe o olhar ao começares a tua tarefa, enquanto a realizas e ao terminá-la. Ela te alcançará – garanto! – a força necessária para fazeres, da tua ocupação, um diálogo amoroso com Deus”12.

(1) Mc 1, 14-20; (2) Jo 1, 35-42; (3) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, Quadrante, São Paulo, 1975, n. 45; (4) Josemaría Escrivá, Sulco, Quadrante, São Paulo, 1987, n. 498; (5) Mc 7, 37; (6) cfr. J. L. Illanes, A santificação do trabalho, 2ª ed., Quadrante, São Paulo, 1982, págs. 70 e segs.; (7) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 495; (8) cfr. R. Gómez Pérez, La fe y los días, 3ª ed., Palabra, Madrid, 1973, págs. 107-110; (9) Josemaría Escrivá, Carta, 15-X-1948; (10) Enchiridion indulgentiarum, Tip. Poliglota Vaticana, Roma, 1968, n. 1; (11) cfr. S. Canals, Reflexões espirituais, 2ª ed., Quadrante, São Paulo, 1988, pág. 98; (12) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 531.

Fonte: Falar com Deus


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