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    Um encontro pessoal com Deus

    January 26th, 2010

     

    Quando O receberes, diz-Lhe: – Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)

    Não revelo nada de novo se digo que alguns cristãos têm uma visão muito pobre da Santa Missa, que muitos a encaram como um mero rito exterior, quando não como um convencionalismo social. É que os nossos corações, tão mesquinhos, são capazes de acompanhar rotineiramente a maior doação de Deus aos homens. Na Missa, nesta Missa que agora celebramos, intervém de um modo especial, repito, a Trindade Santíssima. Para correspondermos a tanto amor, é preciso que haja da nossa parte uma entrega total do corpo e da alma, pois ouvimos o próprio Deus, falamos com Ele; nós o vemos e saboreamos. E quando as palavras se tornam insuficientes, cantamos, animando a nossa língua – Pange, lingua! – a proclamar as grandezas do Senhor na presença de toda a humanidade.

    Viver a Santa Missa é permanecer em oração contínua, convencer-se de que é para cada um de nós um encontro pessoal com Deus, em que adoramos, louvamos, pedimos, damos graças, reparamos por nossos pecados, nos purificamos e nos sentimos uma só coisa em Cristo com todos os cristãos. (É Cristo que passa, 87-88)

    Fonte: Opus Dei


    Amabilidade

    January 23rd, 2010

    DA VIRTUDE DA AMABILIDADE […] fazem parte uma série de virtudes que talvez não sejam muito chamativas, mas que constituem o entrançado da caridade: a benignidade, que leva a tratar e julgar os outros e as suas atuações com delicadeza; a indulgência em face dos defeitos e erros alheios; a educação e a urbanidade nas palavras e nas maneiras; a simpatia, que por vezes será necessário cultivar com especial esmero; a cordialidade e a gratidão; o elogio oportuno às coisas boas que vemos nos outros…

    O cristão sabe converter os múltiplos pormenores destas virtudes humanas em outros tantos atos da virtude da caridade, praticando-os também por amor a Deus. Aliás, a caridade transforma essas virtudes em hábitos mais firmes, mais ricos de conteúdo, e dá-lhes um horizonte mais elevado: com a ajuda da graça, o cristão encara e trata os seus irmãos como filhos de Deus que são.

    Para estarmos abertos a todos, para convivermos com pessoas tão diferentes de nós (pela idade, religião, formação cultural, temperamento…), São Francisco de Sales ensina-nos que a primeira condição é sermos humildes, pois “a humildade não é somente caritativa, mas também doce. A caridade é a humildade que se projeta externamente e a humildade é a caridade escondida”1; ambas as virtudes estão estreitamente unidas. Se lutarmos por ser humildes, saberemos “venerar a imagem de Deus que há em cada homem”2, saberemos tratá-los com profundo respeito.

    Respeitar é olhar para os outros descobrindo o que valem. A palavra vem do latim respectus, que significa olhar com consideração3. Saber conviver exige que se respeitem as pessoas, como aliás as coisas, que são bens de Deus e estão a serviço do homem; já se disse com verdade que as coisas só mostram o seu segredo aos que as respeitam e amam; o respeito à natureza atinge o seu sentido mais profundo quando a encaramos como parte da criação e nos propomos dar glória a Deus através dela. O respeito é, enfim, condição que permite contribuir para a melhoria dos outros. Quando subjugamos os outros, inutilizamos os conselhos que lhes podemos dar e as advertências que lhes devemos fazer.

    Ficamos gozosamente surpreendidos quando verificamos com que freqüência o Evangelho se refere aos olhares de Jesus, como se tivessem algo de muito especial. Podemos ler no texto sagrado que Jesus olhou com carinho para aquele rapaz que se aproximou dEle com desejos de ser melhor; que olhou com ternura para a pobre viúva que se mostrou tão generosa com as coisas de Deus, lançando no cofre do Templo o pouco que tinha para o seu sustento; e que olhou com simpatia para Zaqueu, que estava empoleirado no alto de uma árvore tentando vê-lo… Jesus olhava para todos com imenso respeito, fossem sãos ou doentes, crianças ou adultos, mendigos, pecadores… É esse o exemplo que devemos imitar na nossa convivência diária.

    É preciso ver as pessoas – todas – com simpatia, com apreço e cordialidade. Se as olhássemos como o Senhor as olha, não nos atreveríamos a julgá-las negativamente. “Naqueles que não nos são naturalmente simpáticos, veríamos almas resgatadas pelo Sangue de Cristo, que fazem parte do seu Corpo Místico, e que talvez estejam mais perto do que nós do seu divino Coração. Não poucas vezes nos acontece passarmos longos anos ao lado de almas belíssimas, e não notarmos a sua formosura”4. Olhemos ao nosso redor e respeitemos aqueles com quem nos damos diariamente na nossa própria casa, no escritório, com quem nos cruzamos no meio do trânsito, que esperam no consultório do dentista ou fazem fila nos correios. Examinemos junto de Jesus se os vemos com olhos amáveis e misericordiosos, como Ele os vê.

    (1) idem, Conversações espirituais, 11, 2; (2) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 230; (3) cfr. J. Corominas, Diccionário crítico etimológico, Gredos, Madrid, 1987, verbete Respecto; (4) R. Garrigou-Lagrange, Las tres edades de la vida interior, Palabra, Madrid, 1982, vol. II, pág. 734

    Fonte: Falar com Deus


    Exercícios de Paciência

    January 19th, 2010

     

    Não, não há “truques” ou “técnicas” que sirvam para viver a paciência, se o egoísmo ainda tem o ninho no nosso coração. Com esse hóspede indesejável, é inútil qualquer tentativa. Mas se há amor, então vão-nos ocorrendo mil maneiras de exercitar a paciência, bem práticas, simples, bonitas… e eficazes.

    Quem tem experiência da luta por viver com Deus, sabe que o amor cristão se mexe movido por duas asas: a da oração e a da mortificação. Por isso, todo o exercício da virtude cristã da paciência comportará necessariamente o movimento de uma dessas asas ou, o que será mais freqüente, de ambas ao mesmo tempo.

    Em primeiro lugar, a oração. O cristão paciente procura falar antes com Deus do que com os homens. Quando se sente à beira de uma crise de impaciência – pois ia retrucar, censurar, queixar-se… –, faz o esforço de se calar. Alguns recomendam contar até vinte, antes de abrir a boca. Melhor será fazer o sacrifício de guardar silêncio, de sair, se for preciso, de perto do foco do atrito (ir para outro cômodo, etc.), e de rezar bem devagar alguma oração, como por exemplo o Pai-Nosso (sublinhando mentalmente as palavras-chave que acordarão a fé e o amor e, portanto, trarão calma e lucidez à alma:Pai, …seja feita a vossa vontade…, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…).

    Após essa oração, que pode ser também uma seqüência de jaculatórias, de invocações breves, pedindo paciência a Deus, e já com a alma mais tranqüila, poderemos discernir o que nos convém fazer: se é deixarmos passar, sem mais, aquele dissabor, aquela contrariedade; ou é praticar o que lemos no n. 10 de Caminho: “Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranqüilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender”[NOTA DE RODAPÉ: Josemaría Escrivá, Caminho, 7ª ed., Quadrante, São Paulo, 1989.]; ou, então, se é tomar a iniciativa de ter um gesto simpático – um afago para a esposa ou a filha; uma palavra amável, que quebre o gelo com aquele que nos causou mal-estar. Não duvidemos de que o esforço de guardar silêncio, unido ao esforço de fazer oração, sempre conduzirá para a paciência, para a paciência real e prática, os que lutam com boa vontade.

    Ao lado da oração, mas sem largá-la da mão, o cristão exercita a paciência por meio da prática voluntária, consciente, amorosa, de um sem-fim de pequenos sacrifícios, que são uma gota de paz, de afabilidade, de bondade, sobre as incipientes ebulições da impaciência. Talvez não seja demais lembrar, a título de sugestão para o leitor, algumas dessas mortificações cristãs, que diariamente podemos oferecer a Deus:

    * fazer o esforço de escutar pacientemente a todos (ao menos durante um tempo prudencial), sem deixar que se apague o sorriso dos lábios, nem permitir que os olhos adquiram a inexpressiva fixidez, prelúdio de bocejo, de um peixe;

    * não andar comentando a toda a hora e com todos, sem razão plausível nem necessidade, as nossas gripes, as nossas dores de cabeça ou de fígado nem, em geral, qualquer outro tipo de mal-estar pessoal: propor-nos firmemente não nos queixarmos da saúde, do calor ou do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada…

    * renunciar decididamente a utilizar os verbetes típicos do Dicionário da Impaciência: “Você sempre faz isso!”, “De novo, mulher, já é a terceira vez que você passa um cheque sem fundos!”, “Outra vez!”, “Já estou cansado”, etc., etc.;

    * evitar cobranças insistentes e antipáticas, e prontificar-nos a ajudar os outros, usando mais vezes do expediente afável de lembrar-lhes as coisas que omitiram ou atrasaram, e de estimulá-los a fazê-las;

    * não implicar – não vale a pena! – com pequenos maus hábitos ou cacoetes dos outros, mas deixá-los passar como quem nem repara neles: mania de bater na cadeira ou de tamborilar com os dedos na mesa, tendência para ler por cima do ombro o jornal que nós estamos lendo, de fazer ruído com a boca, de cantarolar horrivelmente enquanto se lê ou se trabalha… Lembro-me bem da “guerra fria” que se travou entre uma filha cinqüentona e um pai quase oitentão, e na qual fui chamado a intervir como mediador. Ela sustentava que o pai vivia gemendo, ele retrucava dizendo que “não, senhora, estou écantarolando”… E, se não tivesse havido a intervenção de uma “potência neutra”, o atrito poderia ter terminado muito mal;

    * saber repetir calmamente as nossas explicações a quem não as entende e se mostra porfiadamente obtuso; ter a calma de partir do bê-á-bá para esclarecer assuntos técnicos a pessoas que os desconhecem e não têm vocação para lidar com cálculos e máquinas;

    * não buzinar quando alguém reduz a marcha do veículo e estaciona inopinadamente; por sinal, se o leitor deseja um bom conselho para o trânsito, ofereço-lhe o seguinte, que já deu muito bons resultados: nunca olhe para a cara do “agressor”, do motorista “barbeiro”. Continue serenamente o seu percurso sem ficar sabendo se era homem ou mulher, jovem ou velho: vai ver que é difícil ficar com raiva de uma sombra indefinida; se, além disso, passada a primeira reação, reza ao Anjo da Guarda por ele/ela, para que se torne mais prudente, mais hábil ou menos prepotente, melhor ainda;

    * por último, permito-me repisar a importância da oração para adquirir a paciência, evocando a simpática surpresa de uma mãe impaciente que se tornou “rezadora”. Aquela mulher de nervos frágeis tinha-se proposto rezar a Nossa Senhora a jaculatória: “Mãe de misericórdia, rogai por nós (por mim e por esse moleque danado)” a cada grito das crianças. Quando começava a ferver uma crise conjugal, tinha igualmente “preparada” uma oração própria que dizia: “Meu Deus, que eu veja aí a cruz e saiba oferecer-Vos essa contrariedade! Rainha da paz, rogai por nós!” E quando ia ficando enervada e ríspida, rezava: “Maria.., vida, doçura e esperança nossa, rogai por mim!” Depois comentava com certo espanto: – “Sabe que dá certo? Fico mais calma!” E ficava mesmo.

    Como vemos, nem essa boa mãe, nem as outras pessoas acima evocadas como exemplo, conseguiam viver a paciência à base de truques de “pensamento positivo”, mas de esforços de fé e de amor cristão. De maneira que, sem terem a mínima noção disso, todas elas estavam dando a razão a São Tomás de Aquino que, com o seu habitual laconismo, sintetizou assim a questão:

    Manifestum est quod patientia a caritate causatur – “é evidente que a paciência é causada pelo amor”, ou, por outras palavras que traduzem com igual precisão as do santo: “Só o amor é causa da paciência”[NOTA DE RODAPÉ: Suma Teológica, II-II, q. 136, a. 3, c.].

    In: Paciência. Padre Francisco Faus, 2ed. Quadrante, São Paulo, 1998. Disponível em: http://www.clerus.org/clerus/dati/2008-11/03-13/Apacincia.html


    O que é Conversão ?

    January 18th, 2010

     

    O Evangelho nos convida à conversão. «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho» (Mc 1,15). Converter-se, a que?; Melhor seria dizer, a quem? A Cristo! Assim o expressou: «Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim» (Mt 10,37).

    Converter-se significa acolher agradecidos o dom da fé e fazê-lo operativo pela caridade. Converter-se quer dizer reconhecer a Cristo como único senhor e rei de nossos corações, dos que pode dispor. Converter-se implica descobrir Cristo em todos os acontecimentos da história humana, também da nossa pessoal, consciente de que Ele é a origem, o centro e o fim de toda história, e que por Ele tudo foi redimido e Nele alcança sua plenitude. Converter-se supõe viver de esperança, porque Ele venceu o pecado, o maligno e a morte, e a Eucaristia é a garantia.

    Converter-se comporta amar a Nosso Senhor por acima de tudo aqui na terra, com todo nosso coração, com toda nossa alma e com todas nossas forças. Converter-se pressupõe entregar-lhe nosso entendimento e nossa vontade, de tal maneira que nosso comportamento faça realidade o lema episcopal do Santo Papa, João Paulo II, Totus tuus, quer dizer, Todo teu, Deus meu; e todo é: tempo, qualidades, bens, ilusões, projetos, saúde, família, trabalho, descanso, tudo. Converter-se requer, então, amar a vontade de Deus em Cristo acima de tudo e gozar, agradecidos, de tudo o que acontece de parte de Deus, inclusive contradições, humilhações, doenças, e descobri-las como tesouros que nos permitem manifestar mais plenamente nosso amor a Deus: si Você o quer assim, eu também o quero!

    Converter-se pede, assim, como os apóstolos Simão, André, Jaime e João, deixar «imediatamente as redes» e ir-se com Ele (cf. Mc 1,18), uma vez ouvida a sua voz. Converter-se é que Cristo seja tudo em nós.

    Fonte: Evangeli.net


    A Dor de Corrigir

    January 17th, 2010

    Esconde-se um grande comodismo – e, por vezes, uma grande falta de responsabilidade – naqueles que, constituídos em autoridade, fogem da dor de corrigir, com a desculpa de evitar o sofrimento aos outros. Talvez poupem desgostos nesta vida…, mas põem em risco a felicidade eterna – a sua e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados. (Forja, 577)

    O santo, para a vida de muitos, é “incômodo”. Mas isso não significa que tenha de ser insuportável.

    - O seu zelo nunca deve ser amargo; a sua correção nunca deve ferir; o seu exemplo nunca deve ser uma bofetada moral, arrogante, na cara do próximo. (Forja, 578)

    Portanto, quando na nossa vida pessoal ou na dos outros percebermos alguma coisa que não está certa, alguma coisa que precisa do auxílio espiritual e humano que nós, os filhos de Deus, podemos e devemos prestar, uma das manifestações claras de prudência consistirá em aplicar o remédio conveniente, a fundo, com caridade e com fortaleza, com sinceridade. Não têm cabimento as inibições. É errado pensar que os problemas se resolvem com omissões ou com adiamentos.

    A prudência exige que, sempre que a situação o requeira, se apliquem os remédios, totalmente e sem paliativos, depois de se deixar a chaga a descoberto. Ao notardes os menores sintomas do mal, sede simples, verazes, quer tenhais de curar alguém, quer se trate de receberdes vós mesmos essa assistência. Nesses casos, deve-se permitir, a quem se encontra em condições de curar em nome de Deus, que aperte de longe e depois mais de perto, e mais ainda, até que saia todo o pus e o foco de infecção fique bem limpo. Temos de proceder assim, antes de mais nada, conosco próprios e com os que temos obrigação de ajudar por justiça ou por caridade. Rezo especialmente pelos pais e pelos que se dedicam a tarefas de formação e ensino. (Amigos de Deus, 157)

    Fonte: Opus Dei