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    A Meditação: Como Fazê-la.

    September 20th, 2009

    Já falamos da “oração mental”, e agora falaremos um pouco da “meditação”, que é uma forma de oração semelhante e, ao mesmo tempo, diferente da oração mental, ainda que as duas estejam bastante interligadas e se “encontrem” em muitos momentos, como veremos.

    O “Catecismo da Igreja Católica” diz – citando Santa Teresa de Ávila – que a “oração mental” é «um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos… a sós com Deus», e a chama também «comunhão de amor» (nn. 2709-2719). Ou seja, é sobretudo -como dizíamos ao falar nela – diálogo íntimo e espontâneo.

    Por sua vez, o mesmo Catecismo, quando fala da “meditação” diz que «é sobretudo uma procura; o espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, a fim de aderir e responder ao que o Senhor pede» (n. 2705). E acrescenta: «Geralmente utiliza-se um livro» e, assim, «meditando no que lê, o leitor se apropria do conteúdo lido, confrontando-o consigo mesmo» (n. 2706). Quer dizer que faz da leitura um espelho em cujo fundo Deus se reflete e, em confronto com Deus, a pessoa pode ver-se melhor a si mesma, aos seus ideais e seus deveres.

    É importante entender o como é que isso pode ser vivido. Vejamos algumas sugestões:

    1º) Primeiro, um conselho prático: reservar diariamente uns minutos para a meditação em lugar e com duração fixos (podem ser aqueles mesmos dez ou mais minutos de que falávamos ao tratar da oração mental: alguns dias faremos, nesse tempo, só oração mental, totalmente espontânea; outros, só meditação; e com frequência – muitas vezes – começaremos com a meditação e partiremos para o diálogo íntimo da oração mental).

    2º) A meditação tem como ponto de partida, normalmente, um “livro”. O Catecismo fala de três tipos de livro: a) livros impressos (um trecho da Bíblia ou de um livro espiritual, escolhido por nós, ou que nos foi aconselhado); b) o livro da natureza (quando meditamos diante do mar, dos campos e montanhas, de um jardim, sobre a grandeza e beleza de Deus Criador); c) o livro da nossa vida (como eu sou, o que é que acontece comigo, por que me sinto vazio, por que não consigo isso ou aquilo, como cumpro os meus deveres, que virtudes eu tenho ou me fazem falta, etc.).

    3º) É preciso fazer o esforço de refletir. Não há mais remédio que vencer a preguiça. Mas não devemos meditar como quem “estuda”, “racha”, para uma prova escolar, para um concurso ou para preparar uma palestra. A oração sempre deve ser simples e sincera. Por isso, não é prático demorar-nos num texto difícil, vendo se conseguimos “descascar o abacaxi” (tal dificuldade a estudaremos ou consultaremos outra hora). Detenhamo-nos sempre num texto claro, que nos facilite ver melhor algo que Deus pede, ou algo que acontece conosco e deveria mudar, e deixemos de lado (para outra ocasião) os textos pouco claros para nós. Às vezes, basta ler, reler devagar e meditar uma única frase, “como quem chupa bala”, até que o “sabor” entre na alma.

    4º) Ajuda muito tomar algumas notas em um caderno ou agenda (de papel ou eletrônica): anotar algumas frases que nos “tocaram”, ou “luzes” concretas sobre modos de melhorarmos, ou resoluções que nos propomos levar à prática. E, sempre, no meio da reflexão, é bom ir entremeando, como pequenas faíscas que aquecem o coração, orações breves, como: “Jesus, faz com que eu veja!”, “Senhor, se queres podes limpar-me!”…

    5º) Como diz o Catecismo, temos que «passar dos pensamentos à realidade» (n. 2706), à vida real e prática, a conclusões que mudem e melhorem algo. Nunca ache que a meditação é inútil. Se a cabeça, algum dia, está cansada ou obtusa, fique só lendo e relendo (”chupando bala”). O livro “Caminho” diz, com toda a razão: «Persevera na oração. – Persevera ainda que o teu esforço pareça estéril. – A oração é sempre fecunda» (n. 101).

    6º) Quer ver os frutos bons da oração, mesmo daquela que parece inútil?

    a) em primeiro lugar, são frutos as resoluções práticas, que nos incentivam a lutar para pensar melhor, trabalhar melhor, tratar melhor a Deus e aos outros, etc. (resoluções concretas que é bom anotar também na agenda, como “programa”);

    b) às vezes, bastará – já será um bom fruto -que tenhamos captado uma “luz”, e fiquemos felizes com isso: “Agora entendo o que é ser humilde! Agora vejo como é verdade que ser teimoso nas discussões, achar que sempre estou com a razão e desprezar o ponto de vista dos outros é orgulho, é falta de humildade; tenho que mudar (ver “Sulco”, n. 263).

    c) outras vezes, um grande fruto – mesmo que não nos ocorram resoluções concretas – será sairmos da oração melhor dispostos (talvez num dia em que estávamos estressados ou de mau humor), com paz na alma, com mais sede de Deus e de servir os outros.

    Todos esses são frutos ótimos, que Deus faça possam brotar muitas vezes da nossa meditação!

    Pe. Francisco Faus.


    Oração Mental: O que é ?

    September 13th, 2009

    Todos os cristãos desejamos falar com Deus: fazer oração. Umas vezes utilizamos belas orações já existentes, como as do Terço e as orações e cânticos da Missa: essa é a chamada “oração vocal”.

    Outras vezes, falamos com Deus em silêncio, só com os nossos pensamentos e os sentimentos do nosso coração: é a “oração mental”. Hoje, vamos começar a refletir um pouco sobre ela.

    Penso que todos nós gostaríamos de ter com frequência um diálogo espontâneo com Deus, em que falássemos com Ele sobre a nossa vida, os nossos trabalhos, os nossos anseios, problemas, dúvidas, indecisões… Mas nem sempre conseguimos. Pode até ser que tenhamos desistido de tentar porque achamos que “para mim, não dá”.

    Hoje gostaria de lhe dizer que vale a pena fazer um esforço. Porque a oração mental, quando aprendemos a fazê-la (demora um pouco), é uma fonte maravilhosa de paz, de luz, de horizontes, de alegrias. Tente! Para ajudá-lo, vou começar sugerindo-lhe algumas idéias básicas:

    1º) Primeiro, precisamos de uma hora e lugar certos. Jesus diz: «entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo» (Mt 6,6). Pode ser o seu quarto, uma igreja ou uma capela sossegada, ou um jardim… ; o importante é que possa estar só e tranquilo para se concentrar (não a faça deitado na cama, porque vai dormir). E a duração, para começar, pode ser de dez minutos diários (depois poderá aumentá-la).

    2º) Antes de falar nada, comece pensando no seu interlocutor, em Deus. Faça um ato de fé na presença dEle. Por exemplo: “Creio firmemente que estás aqui, que me vês, que me ouves”, “Senhor, que eu te veja com a fé!”

    3º) Inicie o diálogo com a maior simplicidade. Diga-lhe mentalmente, por exemplo: “Senhor, me ajude a falar consigo”, ou “Jesus, não sei o que dizer”, ou “Meu Deus, me desculpe, mas hoje vou começar pedindo uma coisa interesseira”. Se não lhe ocorre nada, faça então como aquele rapaz, distribuidor de leite em domicílio, que abria a porta da igreja e só dizia: “Jesus, aqui está João o leiteiro”.

    4º) Procure puxar mentalmente um assunto: por exemplo, “Por que me irrito sempre com X?” Peça luz a Deus, e tente ser sincero consigo: “Será que eu não sou orgulhoso demais, e não sei compreender e desculpar essa pessoa?”.

    5º) Leve sempre um livro espiritual (veja o item “Meditação”, neste site). Quando se sentir “seco”, sem saber o que dizer, abra-o e leia um trechinho (melhor, se escolhe antes um capítulo que o atraia). Essa leitura simples poderá ser a “pista de decolagem” da oração mental. Uns vão precisar de mais pista – de ler um trecho mais longo –, outros de menos. O importante é que, quando a leitura nos “atinja”, paremos, fiquemos refletindo sobre aquilo, vejamos se nos sugere coisas práticas; e, então, peçamos a Deus forças para melhorar, ao mesmo tempo que lhe agradecemos as inspirações que Ele nos deu.

    Por exemplo, vamos abrir o livro “Caminho” e ler o pensamento n. 814: «Um pequeno ato, feito por Amor, quanto não vale!». Pense, então: “Quantos atos pequenos – como um sorriso, um detalhe de ordem material, uma pequena ajuda – eu fiz hoje com amor? Não poderia começar pensando em um, por exemplo, em dizer “bom dia” lá em casa ou na escola, ou no escritório, de modo mais cordial?”. Só com isso já fez uma ótima oração mental.

    Pe. Francisco Faus.


    Vida Espiritual + Filha Pródiga

    September 13th, 2009

    Os meus posts aqui no Vida Espiritual (usuária Maite) estão sendo importados para o meu blog pessoal, o Filha Pródiga, para que eu possa dar conta melhor do agendamento e seleção dos textos. As demais blogueiras permanecem. Fiquem com Deus !


    Oração: Como Ouvir a Deus ?

    September 6th, 2009

    Fazer oração é falar com Deus. A Bíblia diz que Deus e Moisés conversavam como um homem fala com seu amigo (Ex 33,11). Jesus, que é Deus feito homem, conversava com os apóstolos, com Marta e Maria…, e os chamou de amigos (Jo 15,15).

    Você sabe que os verdadeiros amigos (que não são muitos) falam com confiança, de alma aberta. Sabem escutar um ao outro, contam-se o que trazem no coração, abrem-se com plena sinceridade. Assim deveria ser a nossa oração, ou seja, a nossa conversa com Deus.

    Mas você talvez me diga: «Eu falo com Deus, melhor ou pior, mas falo. Falo –em voz alta ou mentalmente –sempre que rezo: Pai nosso! Jesus, eu te amo!, etc. Não digo que seja fácil rezar de verdade, mas o que não sei mesmo é como posso ouvir a Deus. Em que consiste ouvir a Deus?».

    Boa pergunta e, além disso, muito importante. Porque a oração deve ser diálogo e não monólogo: não dá eu achar que falo com Deus, se só falo e escuto a mim mesmo.

    Sobre o modo de ouvir a Deus, as condições do coração para ouvir a Deus, a certeza de que o escutamos a Ele e não a nós mesmos, etc, há muitas coisas interessantes a dizer, coisas que – se Deus quiser –, procuraremos meditar em outras páginas desta «Iniciação à vida espiritual». Mas, para começar, vale a pena adiantar umas poucas dicas práticas:

    1) Primeiro, pense que só escuta quem quer escutar, ou seja que a primeira condição é desejar que Deus fale ao nosso coração; não há pior surdo que o que não quer ouvir.

    2) Em segundo lugar, veja claramente que não se trata de pedir milagres: não vamos pretender que Deus apareça e nos fale ao ouvido com palavras sonoras. Deus, como diz o profeta Oséias fala ao coração (Os 2,14).

    3) Mas, mesmo sem o som das palavras, Deus, que sempre nos vê, nos ouve e nos ama, tem muitos modos de nos falar ao coração. Lembraremos agora só alguns, tendo em conta que “esses” modos serviram a muitos santos para ouvir coisas decisivas, maravilhosas, que Deus lhes comunicava:

    a) Como diz a Carta aos Hebreus, Deus que, ao longo da história, falou muitas vezes e de muitos modos, pelos profetas, nestes dias (que duram até que o mundo acabe) nos falou por meio do Filho, por meio de Jesus (Hebr 1,1-2). Onde é que ouviremos o que Jesus nos diz, a você, a mim? Nas páginas dos quatro Evangelhos. Leia-os devagar, um trechinho todos os dias (outro dia falaremos mais sobre o modo de fazer isso). Leia devagar, com atenção, e pense: é uma carta íntima, confidencial, que Deus escreveu para mim; sempre me dirá alguma coisa;

    b) Deus diz-nos muitas coisas por meio dos bons livros espirituais cristãos. Sugiro começar a ler, devagar, o livro Caminho, de São Josemaria Escrivá (também veremos, em outra ocasião, como fazer bem essas leituras);

    c) Fala-nos ainda Deus, e de modo muito especial, por meio das inspirações do Espírito Santo: bons pensamentos que nos sugere, bons sentimentos, luzes espirituais que de repente mostram solução para problemas, alertas interiores sobre os nossos caminhos errados. São inspirações que captamos claramente e que, para serem autênticas, devem ter as três seguintes características: –que não vão contra a santa lei de Deus, –que sempre nos impulsionem a amar mais a Deus e aos outros, – e que deixem a alma cheia de paz.

    d) Finalmente, Deus se utiliza, para nos falar, dos conselhos de pessoas boas, de bons cristãos bem formados, que têm doutrina e trato íntimo com Deus. Nós notamos, no fundo da alma, quando esses conselhos estão «na linha de Deus» e não na linha egoísta do que «nós queríamos ouvir».

    Por hoje, fiquemos com estas reflexões. Há muitas outras que iremos fazendo, se Deus quiser, em novas páginas desta «Iniciação à vida espiritual».

    Pe. Francisco Faus