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    Amar o Trabalho Profissional

    August 26th, 2009

    I. O TRABALHO É um dom de Deus, um grande bem para o homem, ainda que seja “o sinal de um bem árduo, conforme a terminologia de São Tomás [...]. E é não somente um bem útil ou para ser usufruído, mas um bem digno, isto é, um bem que corresponde à dignidade do homem, que expressa essa dignidade e a aumenta”1. Uma vida sem trabalho corrompe?se, e, no trabalho, o homem “torna?se mais homem”2, mais digno e mais nobre, se o realiza como Deus quer.

    O trabalho é conseqüência do preceito de dominar a terra3 dado por Deus à humanidade, que se tornou penoso pelo pecado original4, mas que constitui o “eixo da nossa santidade e o meio sobrenatural e humano apto para levarmos Cristo conosco e fazermos o bem a todos”5. É como que a coluna vertebral do homem, que dá base de sustentação a toda a sua vida, e o meio através do qual devemos alcançar a nossa santidade e a dos outros. Um modo errôneo de equacionar o trabalho profissional pode repercutir em toda a vida do homem, mesmo nas suas relações com Deus.

    Por isso, compreendemos bem os males que a preguiça, o trabalho mal feito, as tarefas realizadas pela metade podem ocasionar… “O ferro que jaz ocioso, consumido pela ferrugem, torna?se mole e inútil; mas, se é empregado no trabalho, é muito mais útil e belo, e não fica muito atrás da prata pelo seu brilho. A terra baldia não produz nada de útil, mas mato, cardos, espinhos e árvores infrutíferas; mas a que é cultivada coroa?se de suaves frutos. E, para dizê?lo numa só palavra, todo o ser se corrompe pela ociosidade e se aperfeiçoa pela operação que lhe é própria”6; o homem, pelo seu trabalho.

    São Paulo, como lemos na primeira Leitura da Missa7, fala aos primeiros cristãos de Tessalônica do modo como se comportou com eles enquanto lhes pregava a Boa Nova de Jesus: Estais lembrados – diz?lhes – dos nossos trabalhos e fadigas; trabalhando noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós…8 E mais tarde, na segunda Epístola: Vós mesmos sabeis como deveis imitar?nos; pois não vivi entre vós sem trabalhar, nem comi de graça o pão de ninguém, mas trabalhei e cansei?me de noite e de dia para não ser pesado a ninguém9. O Espírito Santo, com este exemplo, inculcava?nos um princípio prático bem claro a seguir: Se alguém não quiser trabalhar, que não coma.

    Hoje, na nossa oração serena e sossegada, temos que ter presente que o Senhor também espera de nós esse mesmo espírito de laboriosidade, de trabalho intenso, que se viveu entre os primeiros cristãos. Um dos escritos cristãos mais antigos – a Didaquê – deixou?nos este admirável testemunho: “Todo aquele que chegar a vós em nome do Senhor, seja recebido; depois, examinando?o, vireis a conhecê?lo [...]. Se quem chega é um viajante, não permanecerá entre vós mais do que dois dias ou, se for necessário, três. Mas, se quiser estabelecer?se entre vós, tendo um ofício, que trabalhe e assim se alimente. E se não tiver ofício, provede conforme a vossa prudência, de modo que não viva entre vós nenhum cristão ocioso. Se não quiser fazer assim, é um traficante de Cristo; estai alerta contra esses”10.

    II. NOS SEUS ANOS de Nazaré, o Senhor deu?nos um exemplo admirável da importância do trabalho e da perfeição humana e sobrenatural com que devemos realizar a nossa tarefa profissional. “Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela?nos que a existência humana, a vida comum e de cada dia, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos considerado estas verdades, devemos encher?nos sempre de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da vida de Jesus entre os seus irmãos, os homens. Anos de sombra, mas, para nós, claros como a luz do sol”11.

    A sua própria maneira de falar, as parábolas e imagens que emprega na sua pregação revelam um homem que conheceu muito de perto o trabalho; fala sempre “para quem se afana, para uma vida ordinária sempre regida pela lei da normalidade, pela aparição previsível dos mesmos problemas para as mesmas pessoas. Este é o ambiente da pregação de Cristo; os seus ensinamentos ficaram graficamente inseridos neste contexto. Não era o “filósofo”, nem o “visionário”, mas o artesão. Alguém que trabalhava, como todos”12.

    Durante a sua vida pública, o Mestre chamou para junto de si pessoas que estavam habituadas ao trabalho: São Pedro, pescador de ofício, voltará às suas tarefas de pesca logo que tiver a primeira oportunidade13; São Mateus é convidado a seguir o Senhor num momento em que estava ocupado no seu ofício de cobrador de impostos, e o mesmo aconteceu com os outros Apóstolos.

    Quando São Paulo partiu de Atenas e chegou a Corinto, encontrou um judeu chamado Áquila, originário do Ponto, e sua esposa Priscila. Juntou?se a eles. E como era do mesmo ofício, hospedou?se em casa deles e trabalhava em companhia de Áquila; ambos eram fabricantes de lonas14. Foi durante essa estadia de ano e meio em Corinto que São Paulo escreveu as exigentes exortações que dirigiu aos cristãos de Tessalônica, convencido de que muitos dos males que vinham afligindo aquela comunidade cristã se deviam à circunstância de que alguns eram mais dados a falar e a andar de casa em casa do que a ocupar?se no seu trabalho.

    Devemos examinar com freqüência a qualidade humana do nosso trabalho: se o começamos e terminamos no horário previsto, ainda que alguns dos nossos colegas, ou mesmo todos, não o façam; se o realizamos com ordem, sem deixar para o fim os assuntos mais difíceis ou menos gratos; se trabalhamos intensamente, procurando evitar conversas, chamadas telefônicas inúteis ou menos necessárias; se procuramos melhorar constantemente a qualidade desse trabalho com o estudo oportuno, procurando estar atualizados nas novas questões que surgem em todas as profissões; se nos excedemos em cumpri?lo, como acontece com tudo o que se ama, mas com prudência e retidão, sem prejudicar o tempo que devemos à família, ao apostolado, à nossa formação espiritual e religiosa… Numa palavra, contemplemos Jesus na sua oficina de Nazaré, peçamos licença ao Senhor para entrar ali com os olhos da fé, e então veremos se o nosso trabalho tem a qualidade e a profundidade que Ele pede aos que o seguem.

    III. TEMOS QUE AMAR e cuidar do nosso trabalho porque é um preceito do nosso Pai?Deus. Mediante o trabalho de todos os dias, a personalidade desenvolve?se, ganha?se o preciso para as necessidades da família e para as pessoais, bem como para prestar ajuda às boas obras de formação, de apostolado, etc. Temos que amar o trabalho e convertê?lo ao mesmo tempo em tema e campo de oração, porque, acima de tudo, é caminho de santidade.

    Podemos oferecer todos os dias ao Senhor imensas coisas que procuramos que estejam bem feitas: o estudante poderá oferecer?lhe horas de estudo intensas e seguidas; a mãe de família, a solicitude eficaz pelos filhos, pelo marido, o cuidado dos mil detalhes que fazem da sua casa um verdadeiro lar; o médico, a par da competência profissional, o trato amável e acolhedor com os pacientes; as enfermeiras, essas horas cheias de serviço contínuo, como se cada um dos doentes fosse o próprio Cristo…

    É no meio e na execução do próprio trabalho que devem surgir com freqüência os pedidos de ajuda ao Senhor, as ações de graças, os desejos de dar glória a Deus com aquilo que temos entre mãos… Nós, os cristãos correntes, os simples leigos, não nos santificamos apesar do trabalho, mas através do trabalho; encontramos o Senhor nos mais variados incidentes que o compõem, uns agradáveis, outros menos, mas todos eles o campo por excelência em que se exercitam as virtudes humanas e as sobrenaturai
    s.

    O amor ao nosso trabalho profissional levar?nos?á freqüentemente a permanecer, talvez por muitos anos ou por toda a vida, na mesma tarefa. Isto não significa que não devamos aspirar a conseguir uma situação ou um lugar de trabalho de mais destaque. Mas esse desejo legítimo, que faz parte da boa mentalidade profissional, não deve causar intranqüilidade nem desassossego, como se o êxito profissional e financeiro fosse o único motivo que nos leva a trabalhar. Os cristãos não devem medir os seus trabalhos unicamente pelo dinheiro, como se fosse o que em última análise lhes importa. Enquanto não nos chegam essas oportunidades de subir na escala profissional, se fizemos jus a isso, devemos santificar precisamente essas tarefas que nos ocupam, sem uma mentalidade provisória que comprometeria a sua eficácia santificadora.

    E por fim, lembremo?nos de que São Paulo, no meio da preocupação por sustentar?se e não ser gravoso a ninguém, continuava a ser o Apóstolo das gentes, o eleito de Deus, e servia?se da sua profissão para aproximar os outros de Cristo. Assim devemos nós fazer, qualquer que seja o nosso ofício e o nosso lugar na sociedade.

    (1) João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 14?IX?1981, I, 9; (2) ib.; (3) cfr. Gen 1, 28; (4) cfr. Gen 3, 17; (5) Josemaría Escrivá, Carta, 14?II?1950; (6) São João Crisóstomo, Homilia sobre Priscila e Áquila; (7) 1 Tess 2, 9?13; Primeira leitura da Missa da quarta?feira da vigésima primeira semana do TC, ano I; (8) 1 Tess 2, 9; (9) 2 Tess 3, 7?8; (10) Didaquê ou Doutrina dos Doze Apóstolos; (11) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 14; (12) R. Gómez Pérez, La fe y los dias, pág. 20; (13) cfr. Jo 21, 3; (14) cfr. At 18, 1?3.

    Fonte: Falar com Deus.


    Sobre como fazer oração

    August 19th, 2009

    Por François-Marie-Paul Libermann

    Alguns conselhos dados por uma alma experiente que podem ajudar o cristão na prática da oração mental. Um breve itinerário que começa na adoração a Deus e termina na elaboração de propósitos de melhora.

    Louvo a Deus pelos bons desejos que Ele lhe dá, e só posso animá-lo a aplicar-se à oração mental. Aqui está, em linhas gerais, o método que você poderá seguir para se habituar à oração.

    Em primeiro lugar, leia na véspera um bom livro sobre algum tema piedoso, o que mais lhe agradar e vier ao encontro das suas necessidades, como, por exemplo, sobre a maneira de praticar as virtudes, ou principalmente sobre a vida e os exemplos de Nosso Senhor Jesus Cristo ou da Santíssima Virgem. À noite, adormeça nesses bons pensamentos e, de manhã, ao levantar-se, recorde algumas reflexões piedosas que devem ser o tema da sua oração. Após uma oração vocal preparatória, coloque-se na presença de Deus: pense que esse Deus tão grande está em toda a parte, que está no lugar em que você se encontra, que está de uma maneira toda particular no fundo do seu coração, e adore-o. Depois, lembre-se de como você é indigno, pelos seus pecados, de aparecer diante de Sua Majestade infinitamente santa, peça-lhe humildemente perdão das suas faltas, faça um ato de contrição e recite o Confiteor. Em seguida, reconheça que, por si mesmo, é incapaz de rezar adequadamente a Deus; invoque o Espírito Santo; suplique-lhe que venha em sua ajuda e o ensine a orar, que lhe permita fazer uma boa oração, e recite o “Vinde, Espírito Santo”. É nesse momento que começará a sua oração propriamente dita. Contém três pontos, que são: a adoração, a consideração e os propósitos.

    1º. ADORAÇÃO

    Comece por prestar homenagem a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo ou à Santíssima Virgem, conforme o tema da meditação. Assim, por exemplo, se você medita sobre uma perfeição de Deus ou sobre uma virtude, preste homenagem a Deus, que possui essa perfeição em grau infinitamente elevado, ou a Nosso Senhor, que praticou essa virtude tão perfeitamente: por exemplo, se a sua oração for sobre a humildade, pense como Nosso Senhor foi humilde, Ele que era Deus desde toda a eternidade e que se humilhou até o extremo de se fazer criança, nascer numa manjedoura, obedecer a Maria e a José durante tantos anos, até o extremo de lavar os pés dos seus apóstolos e de sofrer toda a espécie de opróbrios e ignomínias por parte dos homens. Então, manifeste-lhe a sua admiração, o seu amor, o seu agradecimento, e incite o seu coração a amá-lo e a desejar imitá-lo. Pode também considerar essa virtude na Santíssima Virgem ou em algum outro santo: ver como a praticaram e manifestar a Nosso Senhor o desejo de imitá-los.

    Se estiver meditando sobre um mistério de Nosso Senhor, por exemplo sobre o mistério do Natal, pode evocar com o auxílio da imaginação o lugar onde se passou esse mistério, as pessoas que lá se encontravam; poderá imaginar, por exemplo, a gruta onde o Salvador nasceu, representar o divino Menino Jesus nos braços de Maria, com São José ao lado, os pastores e os magos que lhe vêm prestar as suas homenagens; e unir-se a eles, para adorá-lo, louvá-lo e orar-lhe.

    Pode também servir-se de representações parecidas quando meditar sobre as grandes verdades, como o inferno, o juízo e a morte; imaginar, por exemplo, que você está na hora da morte, pensar nas pessoas que estarão à sua volta: um sacerdote, os seus pais; nos sentimentos que experimentará nesse momento; e dirigir para Deus os afetos, os sentimentos de temor, de confiança ou outros que terá nessa hora. Depois de se deter nesses afetos e sentimentos pelo tempo em que lhe derem gosto e matéria para se ocupar utilmente, passe para o segundo ponto, que é a consideração.

    2ª. CONSIDERAÇÃO

    Agora, repasse lentamente no seu espírito os principais motivos que devem convencê-lo da verdade sobre a qual medita. Por exemplo, considere a necessidade de trabalhar na sua salvação, se estiver meditando sobre ela; ou os motivos que devem fazê-lo amar e praticar esta ou aquela virtude; se o tema for a humildade, poderá considerar as muitas razões que o levam a ser humilde: em primeiro lugar, porque esse foi o exemplo de Nosso Senhor, o da Santíssima Virgem e o de todos os santos; depois, porque o orgulho é a fonte e a causa de todos os pecados, ao passo que a humildade é o alicerce de todas as virtudes; enfim, porque você não tem nada de que possa orgulhar-se. O que tem você que não tenha recebido de Deus? A vida, a conservação nela, a saúde do espírito, os bons pensamentos, tudo vem de Deus; portanto, você não tem nada de que se possa vangloriar; ao contrário, tem muito de que se humilhar, pensando nas inúmeras vezes em que ofendeu o seu Deus, o seu Salvador, o seu Benfeitor.

    Para fazer estas considerações, não procure repassar na memória todos os motivos que tenha para convencê-lo desta ou daquela verdade ou para praticar esta ou aquela virtude. Detenha-se apenas em alguns motivos que o toquem particularmente e que serão os mais apropriados para levá-lo a praticar essa virtude. Faça essas considerações serenamente, sem cansar o espírito. Quando uma consideração já não o impressionar, passe para uma outra. Entremeie tudo isso com piedosos afetos para com Nosso Senhor, com desejos de ser-lhe agradável; dirija-lhe, de vez em quando, algumas breves súplicas e aspirações, para testemunhar-lhe os bons desejos do seu coração.

    Depois de ter considerado os motivos, penetre no fundo da sua consciência e examine cuidadosamente como se comportou até esse momento em relação a essa verdade ou a essa virtude sobre a qual meditou; quais as faltas que cometeu, por exemplo, contra a humildade, se tiver meditado sobre a humildade; em que circunstâncias cometeu essas faltas; que meios poderá adotar para não tornar a cair nelas. Então, passará ao terceiro ponto, que são os propósitos.

    3º. PROPÓSITOS

    Aqui está um dos maiores frutos que você deve colher da sua oração: o de fazer bons propósitos. Lembre-se de que não basta dizer: “Não voltarei a ser orgulhoso, não me gabarei, não ficarei de mau humor, praticarei a caridade com todos, etc.”

    Sem dúvida, são todos desejos excelentes, pois demonstram uma boa disposição da alma. Mas é preciso ir mais longe: pergunte-se em que circunstâncias do dia você correrá o risco de cair nessa falta que se propôs evitar, em que circunstâncias poderá fazer um ato desta ou daquela virtude. Por exemplo, imaginemos que você meditou sobre a humildade; muito bem! Ao examinar-se, terá notado que, quando é interrogado em aula, sente dentro de si um grande amor-próprio, um vivo desejo de ser apreciado; nesse caso, faça o propósito de recolher-se um instante antes de responder, para dizer ao Senhor, num ato interior de humildade, que renuncia de todo o coração a qualquer sentimento de amor-próprio que possa surgir na sua alma. Se notou que, em determinada circunstância, costuma dissipar-se, faça o propósito de fugir dessa ocasião, se puder, ou de recolher-se um pouco no momento em que perceber que pode dissipar-se. Se notou que tem uma certa antipatia por esta ou aquela pessoa, tome a resolução de ir ter com ela e manifestar-lhe amizade. E assim por diante.

    Mas lembre-se de que, por muito belos e bons que sejam os seus propósitos, tudo será inútil se Deus não vier em seu socorro. Cuide de pedir-lhe insistentemente a sua graça. Faça-o depois de ter tomado as suas resoluções – e ao tomá-las –, para que Ele o ajude a cumprir fielmente esses propósitos; mas faça-o também de vez em quando nos outros
    momentos da sua oração.

    Em geral, a sua oração não tem por que ser árida e apenas um trabalho da sua mente; é necessário que o seu coração se abra e se dilate diante do seu bom Mestre, tal como o coração de uma criança se abre diante de um pai que a ama com ternura. Para tornar os seus pedidos mais fervorosos e eficazes, coloque-se amorosamente diante de Deus e diga-lhe que é para a sua glória que lhe pede a graça de praticar essa virtude sobre a qual meditou; que lha pede para poder cumprir a sua santa vontade como fazem os anjos no céu; que a pede em nome do seu amado Filho, Jesus Cristo, que morreu na cruz para merecer-lhe todas essas graças; diga-lhe que Ele prometeu atender a todos os pedidos que lhe fizessem, sempre que o fizessem em nome do seu Filho, etc.

    Recomende-se também à Santíssima Virgem. Suplique a essa boa Mãe que interceda por você: Ela é todo-poderosa e cheia de bondade; não sabe recusar nada, e Deus concede-lhe tudo o que pede por nós. Recomende-se igualmente ao seu santo Padroeiro e ao seu Anjo da Guarda: as suas orações não poderão deixar de alcançar a graça, a virtude e a fidelidade às resoluções de que você tanto precisa.

    Ao longo do dia, lembre-se algumas vezes dos seus bons propósitos, para que consiga pô-los em prática, ou para ver se os observou bem, e renove-os para o resto do dia. De quando em quando, eleve o coração ao Senhor para se fortalecer nas boas disposições que Ele tiver depositado no seu coração durante a oração da manhã. Se o fizer, esteja certo de que tirará grande proveito deste santo exercício, de que fará grandes progressos na virtude e no amor a Deus.

    Quanto às distrações nas suas orações, não se inquiete; assim que as notar, rejeite-as e continue serenamente a sua oração ou as suas preces vocais. É impossível não ter distrações; a única coisa que Deus nos pede é que voltemos fielmente à sua presença logo que percebamos que nos distraímos. Pouco a pouco, essas distrações irão diminuindo e a oração se tornará mais doce e mais fácil.

    Estes são, querido sobrinho, os conselhos que lhe podem servir para facilitar a prática tão necessária da oração. É o grande meio que todas as almas santas empregaram para santificar-se. Espero que, como a elas, com a graça, esse meio lhe traga proveito e que a sua boa vontade seja recompensada pelas graças do bom Mestre.

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    François-Marie-Paul Libermann
    O Venerável Padre Libermann (1802-1852) nasceu no seio de uma família judia muito observante (o seu pai era rabino) e era o quarto de sete irmãos, tendo recebido na circuncisão o nome de Jacob. Era um judeu muito piedoso e o pai tinha esperanças de que Jacob viesse a suceder-lhe. O jovem teve o seu primeiro contato com o cristianismo aos vinte anos de idade, precisamente quando foi enviado a Metz para aprimorar os seus conhecimentos sobre o judaísmo. Aos vinte e três anos, recebeu o Batismo em Paris, seguindo o exemplo de dois dos seus irmãos. Sentiu-se chamado ao sacerdócio imediatamente depois da sua conversão e ingressou no seminário em 1827, embora, devido à sua frágil saúde, só tenha sido ordenado em 1839. Consumido de zelo apostólico, uniu-se aos padres Le Vavasseur e Tisserand, ambos seminaristas negros oriundos de colônias francesas, para fundar uma congregação dedicada à evangelização dos pobres e dos negros da América e da África: a Congregação do Imaculado Coração de Maria, posteriormente unida à Congregação do Espírito Santo. Embora nunca podido visitar pessoalmente nenhum dos dois continentes, trabalhou incessantemente na formação dos noviços (conservam-se milhares de cartas suas) até a sua morte em Paris.

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    Fonte: “Lettres du Vénerable Père Libermann”, Paris, DDB, 1964

    Tradução: Emérico da Gama
    Link: www.quadrante.com.br


    Fé: Um Encontro com Cristo.

    August 17th, 2009

     

    Por Pe. Francisco Faus.

    No comentário de? ?Michel? ?Quoist sobre a fé,? ?citado na meditação? ?“Fé ou amor?”? (que se encontra nesta mesma seção dom site?)?,? ?víamos que esse autor,? ?depois de dizer que a fé é uma graça,? ?acrescenta que ela nos ajuda a? ?reencontrar uma pessoa viva,? ?Jesus Cristo,? ?e nos permite adquirir a? ?certeza de que Ele fala a Verdade.? ?Vamos refletir? ?agora? ?um pouco sobre isto.

    Uma das cenas mais bonitas do Evangelho é a narração da cura de? ?um cego junto? ?em Jerusalém.? ?Andava certa vez Jesus pelas dependências externas do Templo de Jerusalém,? ?quando encontrou? ?incidentalmente um cego de nascença,? ?um rapaz que nunca tinha visto a luz,? ?que jamais se extasiara com as cores da natureza nem se comovera fitando um rosto amado.? ?Ao chegar perto dele,? ?Cristo exclamou:? ?Enquanto estou no mundo,? ?eu sou a luz do mundo.? ?E,? ?imediatamente,? ?realizou o milagre de lhe abrir os olhos.?

    Foi-se o antigo cego,? ?deslumbrado pela beleza do mundo,? ?a rir e a contar a todos a sua felicidade.? ?Horas depois,? ?Cristo reencontrou-o e,? ?olhando-o com carinho,? ?sorriu,? ?enquanto lhe perguntava:? – ?Crês no Filho do homem??? O cego entendeu logo a pergunta? (?bem sabia que a expressão? “?Filho do homem?” ?era um título? ?usado pelo? ?profeta Daniel? ?para? ?designar o futuro Messias?) ?e respondeu:? – ?Quem é ele,? ?Senhor,? ?para que eu creia?? ?Disse-lhe Jesus:? – ?Tu o vês,? ?é o mesmo que fala contigo.? – ?Creio,? ?Senhor?! – ?disse ele.? ?E prostrando-se diante dele,? ?o adorou? ?(Jo? ?9,? ?1? ?e segs.?)?.?

    Quem é ele,? ?Senhor?? ?Essa é a grande pergunta que todos nós deveríamos fazer.? ?Quem é Cristo?? ?Quem és Tu,? ?Senhor?? ?Porque são muitos os que falam de Cristo,? ?dizem que acreditam nEle e que o admiram,? ?mas muito poucos o conhecem de verdade.? ?Em vez de possuírem a verdadeira imagem de Cristo,? ?têm dEle uma idéia distorcida pela ignorância,? ?pela confusão de opiniões e pela fantasia.?

    Com a ajuda da graça de Deus,? ?o primeiro passo da fé cristã deve ser? ?conhecer Cristo.

    É muito importante perceber que o Cristianismo? – ?a fé cristã? – ?começou assim:? ?com um encontro alegre,? ?com o feliz deslumbramento produzido pelo encontro com Cristo.

    Os primeiros discípulos de Jesus? – ?Pedro,? ?André,? ?João,? ?Tiago,? ?Filipe…? –?,? ?depois de estarem com Ele pela primeira vez,? ?num entardecer inesquecível à beira do rio Jordão,? ?foram,? ?irradiando felicidade? – ?com os olhos? ?brilhantes e a palavra ofegante pela emoção? – ?comunicar,? ?um ao irmão,? ?outro ao amigo,? ?a grande notícia:? – ?Encontramos o Messias? (?que quer dizer o Cristo?)! ?É Jesus de Nazaré?!? (Jo? ?1,? ?41.45?)?.

    ?“?Conhecer?” ?Cristo deixa uma marca indelével.? ?Descobrir? ?mesmo Cristo produz um deslumbramento inefável:? ?mete no coração uma luz que não se esgota,? ?uma vitalidade nova,? ?uma alegria que jamais envelhece.

    São João,? ?um daqueles primeiros discípulos que víamos junto de Jesus,? ?muito tempo depois,? ?quando já estava com a idade de quase cem anos,? ?escreveu as lembranças do seu convívio com Nosso Senhor,? ?e nelas testemunhava com viço juvenil:? ?O que era desde o princípio? ?[Cristo,? ?o Verbo,? ?Deus e homem verdadeiro?]?,? ?o que ouvimos,? ?o que vimos com os nossos olhos,? ?o que contemplamos e as nossas mãos apalparam no tocante ao Verbo da vida? ?[...?]?,? ?nós vo-lo anunciamos,? ?para que também vós tenhais comunhão conosco? [?...?]?.? ?Escrevemo-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa? (?cf.? ?1? ?Jo? ?1,? ?1-4?)?.? ?João tinha tanta alegria dentro do peito que queria compartilhar com todos a sua fé transbordante de felicidade.

    A nossa imagem de? ?Cristo

    E nós?? ?É bem provável que,? ?a muitos de nós se possam aplicar as palavras do livro? ?Caminho:? “?Esse Cristo que tu vês não é Jesus.? – ?Será,? ?quando muito,? ?a triste imagem que podem formar teus olhos turvos…? – ?Purifica-te.? ?Clarifica o teu olhar com a humildade e a penitência.? ?Depois…? ?não te hão de faltar as luzes límpidas do Amor.? ?E terás uma visão perfeita.? ?A tua imagem será realmente a sua:? ?Ele?!”? (Caminho,? ?8? ?a.? ?edição,? ?Quadrante,? ?São Paulo,? ?1995,? ?n.? ?212?)?.

    Nós não? “?vemos?” ?Jesus,? ?a maior parte das vezes,? ?devido à nossa ignorância,? ?porque pouco sabemos dEle.? ?Por isso,? ?far-nos-á bem reconhecer com? ?humildade:? “?Não sei quase nada.? ?Nunca me preocupei de conhecê-lo a sério?”?.? ?E,? ?penitenciando-nos por esse desinteresse,? ?que é uma falta de amor,? ?também nos fará bem acrescentar:? “?Sinto muito este descaso,? ?dói-me esta superficialidade,? ?este desleixo?”?.? ?Então,? ?surgirá sozinha dentro da nossa alma uma conclusão:? “?Preciso conhecê-lo,? ?e conhecê-lo a fundo?”?.? ?Mas,? ?como conseguirei??

    Como?? ?Um bom roteiro é o que traçava? ?São Josemaria Escrivá:? “?Que procures Cristo.? ?Que encontres Cristo.? ?Que ames a Cristo.? – ?São três etapas claríssimas.? ?Tentaste,? ?pelo menos,? ?viver a primeira??? (Caminho,? ?n.? ?382.?)? Eis,? ?a seguir,? ?algumas sugestões que nos podem ajudar a percorrer essas etapas:?

    * Ler todos os dias algum trecho? (?ainda que seja só uma página,? ?meia página,? ?durante cinco minutos?) ?do Evangelho,? ?do Novo Testamento.? ?Melhor se for numa hora fixa? – ?de manhã,? ?antes do trabalho,? ?ou antes do jantar,? ?por exemplo? –?,? ?lutando por adquirir esse bom hábito.

    ?* ?Procurar um bom livro? – ?do tipo? “?biografia?” – ?sobre a vida de Cristo,? ?e ir lendo-o devagar,? ?com o texto do Evangelho ao lado para conferir,? ?até fazermos uma idéia completa da vida de Jesus? (?Uma biografia excelente,? ?entre outras,? ?é:? ?J.? ?Pérez de Urbel,? ?A vida de Cristo,? ?2a.? ?ed.,? ?Quadrante,? ?São Paulo,? ?1998?)?;

    * Depois de conhecer um pouco melhor a vida de Cristo,? ?de nos termos familiarizado mais com ela,? ?meditar as palavras e os atos de Nosso Senhor que os Evangelhos conservam.? ?Talvez a melhor maneira de fazê-lo seja a que também aconselhava? ?São Josemaria:? ?ler as passagens do Evangelho? “?metendo-nos nelas,? ?como um personagem mais?”; ?e então olhar para Cristo e pensar no seu exemplo e nas suas palavras como uma interpelação pessoal,? ?como se Ele se dirigisse a nós e esperasse a nossa resposta?; ?podemos estar certos de que? – ?dado que Cristo vive? – ?esse modo de proceder estará mais perto da realidade do que da imaginação? (?Ver a homilia? ?Vida de oração,? ?no livro? ?Amigos de Deus,? ?Quadrante,? ?São Paulo,? ?1979,? ?
    págs.? ?203? ?e segs?)?.

    ?* ?Estudar a doutrina cristã sobre Nosso Senhor Jesus Cristo,? ?ou seja,? ?conhecer os aprofundamentos sobre o mistério de Jesus Cristo alcançados pelos grandes santos,? ?pelos místicos cristãos e pelos bons pastores e teólogos da Igreja?; ?por outras palavras,? ?a doutrina guardada,? ?aprofundada e transmitida pelo Magistério da Igreja ao longo de vinte séculos,? ?que é exposta de maneira clara e acessível nos Catecismos e em muitos bons livros de formação cristã? (?Ver o amplo? ?Catecismo da Igreja Católica,? ?Ed.? ?Vozes-Loyola,? ?São Paulo? ?1993,? ?ou,? ?pelo menos,? ?e o? ?Compêndio do Catecismo da Igreja Católica,? ?Ed.? ?Loyola,? ?São Paulo? ?2005?)?.

    ?* ?E,? ?ainda,? ?esforçar-nos por chegar à amizade com Cristo,? ?conversando com Ele freqüentemente? – ?em casa,? ?no quarto,? ?na rua,? ?no trânsito,? ?no trabalho,? ?em todo o lugar? –?,? ?de modo que a nossa amizade com Cristo se torne cada vez mais íntima.? ?Então,? ?o coração descobrirá coisas que a cabeça sozinha nunca seria capaz de perceber.?

    Que devo fazer??

    Outro que conheceu,? ?literalmente,? ?o? “?deslumbramento?” ?do encontro com Cristo foi São Paulo.? ?Ele mesmo nos conta a sua experiência.? ?Estava chegando à cidade de Damasco,? ?na Síria,? ?para onde me dirigi? – ?diz ele? –?,? ?com o fim de prender os? [?cristãos?] ?que lá se achassem e trazê-los a Jerusalém,? ?para que fossem castigados.

    Ora,? ?estando eu em caminho,? ?e aproximando-me de Damasco,? ?pelo meio-dia,? ?de repente me cercou uma forte luz do céu.? ?Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia:? ?Saulo,? ?Saulo,? ?por que me persegues?? ?Eu repliquei:? ?Quem és tu,? ?Senhor?? ?A voz disse-me:? ?Eu sou Jesus de Nazaré,? ?a quem tu persegues.? ?Os meus companheiros viram a luz,? ?mas não ouviram a voz que me falava.? ?Então eu disse:? ?Senhor,? ?que devo fazer?? ?(At? ?22,? ?5-10?)?.

    Derrubado pela voz de Cristo,? ?literalmente deslumbrado pela graça da fé que lhe era concedida naquele momento,? ?São Paulo fez a pergunta da? “?autenticidade?”?:? ?Que devo fazer???

    Também nós,? ?quando abraçamos sinceramente a fé em Cristo,? ?devemos dirigir-lhe esta pergunta:? ?Que devo fazer?? ?Senhor,? ?que queres que eu faça??

    Víamos antes? – ?com palavras de Quoist? – ?que a fé em Jesus Cristo,? ?que nos permite adquirir a? ?certeza de que Ele fala a Verdade,? ?consiste,? ?na prática,? ?em? ?esposarmos o seu olhar e em? ?comprometer-nos em função desse olhar.? ?Duas coisas ressaltam destas? ?duas idéias sobre a fé.?

    Primeira,? ?que,? ?para um cristão que? ?acredita mesmo,? ?a palavra e a vida de Cristo são a Verdade,? ?a Luz definitiva,? ?que esclarece,? ?ilumina e orienta todos os seus pensamentos,? ?palavras e ações:? ?Eu sou a luz do mundo?; ?aquele que me segue não andará nas trevas,? ?mas terá a luz da vida? (?Jo? ?8,? ?12?)?.

    Segunda,? ?que essa luz não é teórica,? ?mas prática,? ?é? ?luz da vida?; ?de maneira que a fé só pode ser autêntica se for um? ?compromisso? ?de viver praticamente? ?em função do olhar de Cristo,? ?ou seja,? ?de acordo com a visão? ?que Ele tem,? ?e que Ele nos transmite,? ?sobre todas as coisas?; ?por outras palavras,? ?de acordo com as perspectivas concretas que a Verdade cristã nos dá.

    Assim o expressa o Papa João Paulo II:? “?A fé? – ?escreve na Encíclica? ?Veritatis Splendor? (?ns.? ?88-89?) – ?é uma? ?decisão que compromete toda a existência.? ?É encontro,? ?diálogo,? ?comunhão de amor e de vida daquele que crê com Jesus Cristo,? ?Caminho,? ?Verdade e Vida.? ?Comporta um ato de intimidade e de abandono a Cristo,? ?fazendo-nos viver como Ele viveu,? ?ou seja,? ?no amor pleno a Deus e aos irmãos.? ?A fé inclui também um? ?compromisso coerente de vida,? ?comporta e aperfeiçoa o acolhimento e a observância dos mandamentos divinos?”?.

    Uma luz e um compromisso

    A alternativa,? ?para nós,? ?é clara:? ?ou levamos uma vida iluminada e guiada pela Verdade?; ?ou então caminhamos envoltos na penumbra,? ?no nevoeiro das nossas opiniões e palpites superficiais sobre o que é certo e o que é errado,? ?sobre os valores verdadeiros da existência,? ?sobre o papel da religião,? ?sobre o sentido do sexo,? ?da família,? ?da vida humana,? ?da ética no trabalho,? ?da responsabilidade em face da pobreza,? ?da ignorância,? ?do sofrimento,? ?da injustiça e de todas as chagas que afligem os nossos irmãos,? ?os homens.

    Aquele que,? ?pela fé,? ?achou a Verdade de Cristo não pode fechar impunemente os olhos à sua luz.? ?Se o fizer por medo ou comodidade,? ?uma voz no íntimo da consciência lhe dirá que está fugindo,? ?mais ainda,? ?que está traindo.? ?Ter visto a Verdade compromete a agir.

    Não caiamos,? ?pois,? ?na covardia de esquivar a pergunta de São Paulo:? ?Que devo fazer??? Nem as outras perguntas inseparáveis dessa:? ?Que devo pensar sobre os problemas da vida??? Que valores devo amar e defender??? Por que ideais devo pautar o meu comportamento,? ?todas as minhas opções e decisões??

    Tais perguntas vão apresentar-se constantemente na nossa vida,? ?sob formas muito concretas,? ?levantando-nos delicadas questões de consciência.? ?Devemos compreender,? ?além disso,? ?que a nossa fé não é apenas uma questão pessoal,? ?com a qual se possa brincar,? ?dizendo:? “?É assunto meu?; ?se eu não acredito ou não pratico,? ?é coisa minha?; ?o que é que os outros têm a ver com isso??”

    Isso é falso,? ?falsíssimo?! ?A fé não é nunca só? “?coisa minha?”?.? ?Os outros têm muitíssimo a ver.? ?Porque a luz? – ?ou as trevas? – ?que eu tiver na minha mente e no meu coração vão influir decisivamente no meu comportamento e,? ?portanto,? ?no meu exemplo?; ?nas minhas opiniões sobre os problemas da atualidade e,? ?portanto,? ?na opinião de outros,? ?que a minha vai influenciar?; ?no meu ideal de família e,? ?portanto,? ?no tipo de família pelo qual eu vou lutar?; ?no meu conceito de moral e de justiça no trabalho,? ?e,? ?portanto,? ?no meu modo de trabalhar,? ?servindo a sociedade ou atropelando tudo e todos com a minha ânsia de vantagens pessoais?; ?no modo como assumo a ajuda ao próximo? – ?ao meu irmão necessitado,? ?aos problemas sociais? – ?ou lhe viro as costas?; ?nas posições que eu adote sobre o valor da vida humana desde o seu nascimento até ao seu término natural? (?aborto,? ?eutanásia?)?,? ?etc.,? ?etc.

    O? “?tipo?” ?de fé que nós tivermos e praticarmos terá muitíssima influência? – ?muito mais do que agora imaginamos? – ?no presente e no futuro da nossa vida pessoal,? ?familiar,? ?profissional e social.? ?Por isso,? ?a responsabilidade pelo nosso? “?compromisso?” ?cristão é grande.? ?Só uma pessoa
    inconsciente ou infantilizada pode ficar contornando essas questões.? ?Daí que? ?a formação cristã não seja um luxo,? ?mas uma necessidade:? ?é preciso ter luz,? ?para poder caminhar na luz? (?cf.? ?1? ?Jo? ?1,? ?7?)?.?

    Caminhando à luz da fé

    É necessária a? ?formação cristã,? ?porque precisamos de idéias claras e respostas claras para cada situação e cada problema.? ?Não só precisamos da formação intelectual? – ?ou seja,? ?do conhecimento da doutrina de que falávamos antes? –?,? ?mas da formação prática,? ?da aplicação da doutrina à vida.? ?Não podemos ser? – ?para usar uma imagem de? ?São Josemaria Escrivá? – ?como os que? “?passam pela vida como por um túnel,? ?e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé?”? (Caminho,? ?n.? ?575?)?.? ?Têm fé teórica,? ?têm algumas idéias religiosas,? ?mas essas permanecem tão fora da vida como os raios do sol estão fora do túnel.

    Em cada dia há muitas ocasiões de ver e de seguir a luz de Cristo? – ?aquele que me segue não andará nas trevas? – ?ou de perder-nos dentro de um túnel.

    Basta que imaginemos uma jornada qualquer da nossa vida,? ?com muitas situações rotineiras e alguns fatos inesperados.? ?Cristo está ao nosso lado,? ?desde que acordamos?; ?e começam a aparecer as circunstâncias em que nos pede que vivamos a coerência cristã:

    ?* ?Perante a ira provocada pela indelicadeza de um irmão,? ?lá em casa,? ?quando pegávamos a mochila para ir à escola,? ?Cristo lança um raio de luz clara:? “?Perdoe-o,? ?não se canse de perdoar,? ?assim como eu não me canso de perdoar você?” (?cf.? ?Mt? ?18,? ?21-22?)?.

    ?* ?Chegamos à escola,? ?e damos de cara com o colega ou a colega de quem menos gostamos?; ?não simpatizamos com ele ou com ela nem um pouquinho,? ?e julgamos ter motivos para isso.? ?A luz da fé aquece o nosso coração,? ?e é como se a voz de Cristo sussurrasse:? “?Você sabe que deve esforçar-se por? ?amar o seu próximo como a si mesmo,? ?ainda que não seja seu amigo,? ?mesmo que seja seu inimigo,? ?mesmo que se tenha comportado mal com você?” (?cf.? ?Lc? ?10,? ?27?; ?Mt? ?5,? ?44?)?.

    ?* ?Ao sair para ir à lanchonete,? ?num intervalo,? ?o rapaz é abordado por uma colega,? ?conhecida por ser uma menina? “?liberada?” (?outros dão-lhe um nome dife-rente?)?,? ?que lhe sugere verem depois,? ?voltando da escola,? ?pornografias novas na Internet,? ?e,? ?de passagem,? ?programarem para domingo uma? ?plano indecente.? ?Logo a luz brilhante da fé e o amor ao seu compromisso cristão lembram ao rapaz:? “?Você bem sabe? – ?e você vibra de alegria ao pensar nisso? – ?que o seu corpo é templo de Deus,? ?que o corpo não é para a impureza,? ?mas para o Senhor,? ?para os amores nobres e limpos que desabrocham no grande ideal cristão do Matrimônio e da família.? ?Não profane nem o seu corpo nem o seu amor?” (?cf.? ?Mt? ?5,? ?27-28?; ?1? ?Cor? ?6,? ?15-20?)?.

    ?* ?Chegamos a casa,? ?no fim das aulas,? ?e a preguiça formiga no corpo todo.? ?Que vontade de tirar uma soneca ou,? ?pelo menos,? ?de deitar-se na cama,? ?embalados? – ?ou eletrizados? – ?pelo som de um CD?! ?O estudo…,? ?bem,? ?o estudo…,? ?que espere…? ?Pois também aí a fé bem formada nos faz chegar um raio de luz,? ?e sentimos que o próprio Cristo nos recorda que amor e dever estão muito ligados,? ?ao mesmo tempo que nos anima a ser generosos,? ?a oferecer-lhe com carinho o trabalho feito com a maior perfeição possível e a carregar com garbo,? ?com um sorriso,? ?a nossa cruz de cada dia? (?cf.? ?Mt? ?16,? ?24-25?)?.

    ?* ?Pronto.? ?Já estudamos durante duas horas e meia? (?com distrações e vários? “?passeios da preguiça?” ?pelo apartamento,? ?certamente?; ?mas,? ?enfim,? ?estudamos?)?.? ?Agora,? ?sim,? ?é a hora de submergir na televisão e desligar de tudo o mais.? ?Mas o coração sabe que há uma ajuda a prestar ao pai,? ?à mãe,? ?a um irmão que anda fraco nos estudos.? ?O egoísmo range e reclama…? ?Mas o bom coração sente remorsos…? ?E então Cristo nos ajuda a lembrar-nos de que? ?servir e dar a vida pelos outros,? ?como Ele fez por nós,? ?é um maravilhoso ideal que a fé acendeu na nossa alma? (?cf.? ?Mt? ?20,? ?25-28?; ?Jo? ?13,? ?12-17?)?…

    Situações comuns,? ?no dia vulgar de um estudante.? ?Certamente,? ?a fé é uma luz clara para essas situações corriqueiras?; ?e,? ?do mesmo modo,? ?também virá a ser uma luz clara para as novas situações comuns? – ?um pouco mais complexas? –?,? ?que surgirem no futuro,? ?quando,? ?já adultos,? ?tivermos que assumir as grandes responsabilidades da vida.? ?E igualmente a fé será luz,? ?a grande luz que esclarece,? ?fortalece e consola,? ?quando vierem? – ?sempre vêm algumas? – ?as situações incomuns,? ?as circunstâncias difíceis em que batem à porta o sofrimento,? ?a incompreensão,? ?a injustiça,? ?a doença e a morte.? ?Só a fé bem vivida nos tornará capazes de lhes dar sentido e de manter-nos na paz.

    A experiência indica que,? ?conforme seja a força da fé com que encaramos as circunstâncias normais do dia-a-dia,? ?assim será a fé com que saberemos encarar? – ?quando for o caso? – ?as grandes lutas,? ?os grandes empreendimentos,? ?os grandes desafios.

    Fé autêntica e formação,? ?como vemos,? ?são inseparáveis.? ?Pois só a formação cristã séria,? ?progressiva,? ?constante,? ?pode dar-nos condições de viver coerentemente com a nossa fé.

    Dizíamos há pouco que a formação não é um luxo.? ?Vale a pena frisá-lo de novo,? ?e incentivar? – ?quando já estamos chegando ao final destas páginas? – ?a Mônica,? ?o Eduardo e tantos outros rapazes e moças,? ?a decidir-se,? ?neste momento privilegiado da vida que é a juventude,? ?a levar a sério a sua formação cristã:? ?estudando a fundo a doutrina católica,? ?lendo e meditando a Sagrada Escritura e bons livros de formação e espiritualidade,? ?consultando as suas dúvidas e incertezas com quem os possa ajudar,? ?procurando uma direção espiritual pessoal que os auxilie,? ?para verem onde precisam lutar,? ?como deveriam rezar,? ?o que deveriam corrigir,? ?onde lhes faz falta melhorar,? ?como poderiam dar-se mais aos outros,? ?que virtude está sendo mais necessária,? ?que qualidade é preciso desenvolver…?; ?e que,? ?ao mesmo tempo,? ?os oriente sobre os meios necessários? (?Sacramentos,? ?oração,? ?sacrifícios,? ?planos espirituais,? ?obras de caridade,? ?etc.?) ?para lutar e vencer de maneira eficaz,? ?secundando a ação do Espírito Santo na alma.

    Formação?! “?Durante a vida inteira? – ?dizia Gregorio Marañón? –?,? ?nós seremos o que formos capazes de ser desde jovens?”? (Ensayos liberales,? ?6a.? ?ed.,? ?Austral,? ?Madrid,? ?1966,? ?pág.? ?79?)?.

    Sim,? ?a vida inteira vai depender da autenticidade do ideal humano e c
    ristão que formos capazes de procurar,? ?assumir e seguir na juventude.? ?A vida inteira dependerá do que formos capazes de fazer com a nossa liberdade,? ?esse navio aberto a toda a rosa dos ventos,? ?que agora? – ?na juventude? – ?está à espera de uma bússola e de um Norte.? ?A vida inteira dependerá da coragem sincera com que formos capazes agora de procurar a luz da fé,? ?e de segui-la,? ?uma vez encontrada.? ?A nossa vida inteira dependerá disso tudo…,? ?e disso também dependerão muitas outras vidas,? ?que os dias,? ?os meses e os anos irão ligando à nossa.

    Vel a pena terminar esta nossa meditação recordando? ?umas palavras muito sugestivas de João Paulo II.? ?São declarações do Papa ao jornal francês? ?La Croix,? ?de? ?20.08.1997,? ?logo depois de ter participado,? ?em Paris,? ?das XII Jornadas Mundiais da Juventude:

    ?“?Os jovens trazem consigo um ideal de vida?; ?têm sede de felicidade.? ?Pela sua atuação e pelo seu entusiasmo,? ?os jovens lembram-nos que a vida não pode ser simplesmente uma procura de riqueza,? ?de bem-estar,? ?de honrarias.? ?Eles nos revelam uma aspiração mais profunda,? ?que todo homem carrega dentro de si,? ?um desejo de vida interior e de encontro com o Senhor,? ?que bate à porta do nosso coração para nos dar a sua vida e o seu amor.? ?Somente Deus pode preencher o desejo do homem.? ?Só nEle é que os valores fundamentais encontram a sua origem e o seu sentido último.? ?Nem todas as opções valem a mesma coisa,? ?ainda que,? ?segundo a mentalidade dominante,? «?tudo seja válido?»?,? ?independentemente do sentido moral dos atos.? ?Os jovens são arrastados às vezes nessa confusão,? ?mas sabem reagir?; ?não cessam de dizer-nos que esperam de nós,? ?os adultos,? ?uma vida reta e bela?”?.

    E que espera o Papa dos jovens?? – ?perguntava o jornal.? “?Espero deles que mobilizem a sua generosidade,? ?a sua inteligência e a sua energia para tornarem o mundo mais acolhedor para todos?; ?que se ponham a serviço da felicidade e da dignidade dos seus irmãos e irmãs?; ?que saibam que dar-se aos outros será para eles o modo de alcançarem o seu pleno desenvolvimento.? ?Espero dos jovens cristãos que descubram cada vez mais? «?a largura,? ?e a longitude,? ?a altura e a profundidade?» ?do mistério de Cristo? (?Ef? ?3,? ?18?) ?e a beleza da sua condição de filhos de Deus?; ?que desempenhem plenamente o seu papel ativo e responsável na Igreja e na sociedade?; ?que sejam testemunhas convincentes do Amor com que Deus nos ama,? ?fazendo eles próprios da sua vida um dom?”?.

    ?(?Adaptação de um trecho do livro de F.? ?Faus:? ?Autenticidade? & ?Cia?)

    Fonte: padrefaus.org


    “Oxalá sejas como um velho silhar oculto”

    August 12th, 2009

    Não queiras ser como aquele catavento dourado do grande edifício; por muito que brilhe e por mais alto que esteja, não conta para a solidez da obra. – Oxalá sejas como um velho silhar oculto nos alicerces, debaixo da terra, onde ninguém te veja; por ti não desabará a casa. (Caminho, 590)

    Deixa-me que te recorde, entre os outros, alguns sinais evidentes de falta de humildade:

    - pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou dito do que aquilo que os outros fazem ou dizem;
    - querer levar sempre a tua avante;
    - discutir sem razão ou – quando a tens – insistir com teimosia e de maus modos;
    - dar o teu parecer sem que te peçam, ou sem que a caridade o exija;
    - desprezar o ponto de vista dos outros;
    - não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;
    - não reconhecer que és indigno de qualquer honra e estima, que não mereces sequer a terra que pisas e as coisas que possuís;
    - citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;
    - falar mal de ti mesmo, para que façam bom juízo de ti ou te contradigam;
    - desculpar-te quando te repreendem;
    - ocultar ao Diretor algumas faltas humilhantes para que não perca o conceito que faz de ti;
    - doer-te de que outros sejam mais estimados do que tu;
    - negar-te a desempenhar ofícios inferiores;
    - procurar ou desejar singularizar-te;
    - insinuar na conversa palavras de louvor próprio ou que dêem a entender a tua honradez, o teu evangelho ou habilidade, o teu prestígio profissional…;
    - envergonhar-te por careceres de certos bens… (Sulco, 263)

    Fonte: Opus Dei


    Testemunho de menina católica ante o câncer gera conversões ao catolicismo nos EUA.

    August 11th, 2009

    Seattle, 10 Ago. 09 / 09:02 am (ACI).- A breve vida de uma menina devota católica em Seattle, Washington, permitiu o retorno à Igreja de muitos católicos e a conversão pelo menos dez americanos. O testemunho de fé que deu ao lutar contra um doloroso câncer deu numerosos frutos e inclusive permitiu a fundação de uma organização dedicada a apoiar a famílias com membros doentes.

    Glorifica Strauss nasceu em 1996, tinha seis irmãos e levou uma vida completamente normal até cumprir os 7 anos de idade. Era amável, alegre, carinhosa e muito piedosa. Gostava de muito da oração do Terço.

    Em uma entrevista à CatholicNewsAgency.com, seu pai Doug Strauss, recordou que no ano 2003 Glória recebeu um acidental golpe de bola no rosto e quando a lesão desapareceu ficou um vulto suspeito.

    Os médicos lhe diagnosticaram um câncer avançado conhecido como neuroblastoma e lhe deram entre três meses e três anos de vida. Glória foi submetida a uma cirurgia e recebeu tratamentos de quimioterapia.

    Um colunista do Seattle Times se interessou pela história da família e seu primeiro artigo atraiu a muitos leitores. O caso chegou aos meios de todo o país, unindo milhares de pessoas em uma grande cadeia de oração.

    Quando a saúde de Glória piorou no ano 2007, a família começou a receber a dezenas de pessoas em sua casa para rezar o Terço e entoar canções religiosas com a menina. Quando aumentou a afluência de pessoas, cinco membros da comunidade abriram seus lares para continuar com as orações.

    Glória foi submetida a novas sessões de quimioterapia e inclusive tentaram um transplante de células mãe extraídas de sua própria medula. Ante a dor de sua filha alguns questionaram o seu pai sobre a “qualidade de vida” que levava a menor.

    Doug Strauss estava confundido e decidiu perguntar a Glória se ela tinha “qualidade de vida”. A menina lhe respondeu: “Sim papai!” e emocionada acrescentou que muitas pessoas estavam começando a rezar por causa da sua enfermidade.

    “Ela ensinou a todos a maneira de levar uma cruz. Deu-nos como presente seu próprio compromisso em uma relação constante com Deus através da oração. Ela sempre disse, ‘sim’”, recorda Doug.

    O testemunho de Glória atraiu a pessoas de todas as religiões. “Todo mundo sabia que somos católicos –não tivemos que professar nossa fé– e queríamos orações de todos”, assinalou.

    O câncer seguiu avançando e a pequena Glória faleceu em 21 de setembro de 2007. Tinha onze anos.

    Mais de três mil pessoas assistiram a seu funeral, a família começou a receber histórias de como o testemunho de sua filha tinha mudado vidas e tem conhecimento de pelo menos dez pessoas que se converteram ao catolicismo por conhecer a história de Glória. Uma família de luteranos que compartilhou um acampamento com a família Strauss decidiu converter-se ao catolicismo antes da morte da menina. Glória soube desta conversão e manifestou sua alegria.

    Com a ajuda de um empresário local, a família Strauss iniciou uma organização em memória de sua filha. Chama-se Glória’s angels e se dedica a assistir a famílias que têm algum membro com uma enfermidade grave.