Sunday, 20 of May of 2012

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Diálogo Ecumênico (I)

O ESPÍRITO SANTO impele todos os cristãos a realizarem múltiplos esforços para que se alcance a plenitude da unidade desejada por Cristo; é Ele quem promove os desejos de diálogo ecumênico. Mas este diálogo, para que tenha razão de ser, deve tender para a verdade e fundamentar-se nela. Não pode consistir, portanto, num simples intercâmbio de opiniões, nem num mútuo acordo sobre a visão particular que cada um tenha dos problemas que se apresentam e das suas possíveis soluções. Pelo contrário, deve expressar com clareza e nitidez as verdades que Cristo deixou em depósito ao Magistério da Igreja, as únicas que podem salvar; deve manifestar o conteúdo e o significado dos dogmas e, ao mesmo tempo, fomentar nas almas um maior desejo de seguir o Senhor de perto, isto é, a ânsia de santidade pessoal.

A verdade do cristão é salvadora precisamente porque não resulta de profundas reflexões humanas, mas é fruto da revelação de Jesus Cristo, confiada aos Apóstolos e aos seus sucessores, o Papa e os bispos, e transmitida pela Igreja como canal divino, com a assistência constante do Espírito Santo. Cada geraçãorecebe o depósito da fé, o conjunto de verdades reveladas por Cristo, etransmite-o íntegro à seguinte, e assim até o fim dos tempos.

Guarda o depósito que te foi confiado, escrevia São Paulo a Timóteo. E São Vicente de Lerins comenta: “O que é o depósito? É aquilo em que creste, não o que encontraste; o que recebeste, não o que pensaste; algo que procede, não do engenho pessoal, mas da doutrina; não fruto de um roubo privado, mas da tradição pública. É uma coisa que chegou até ti, que por ti não foi inventada; algo de que não és autor, mas guardião; não criador, mas conservador; não condutor, mas conduzido. Guarda o depósito: conserva limpo e inviolado o talento da fé católica. Aquilo em que creste, isso mesmo permaneça em ti, isso mesmo entrega-o aos outros. Recebeste ouro, devolve ouro; não substituas uma coisa por outra, não ponhas chumbo em lugar de ouro, não mistures nada fraudulentamente. Não quero aparência de ouro, mas ouro puro”.

O diálogo ecumênico não consiste em inventar novas verdades, nem em alcançar um pensamento concorde, um conjunto de doutrinas aceito por todos, depois de cada um ter cedido um pouco. A doutrina revelada não permite composições, porque é de Cristo, e é a única que salva. O desejo de união com todos e a caridade não podem levar-nos – deixaria de ser caridade – “a amortecer a fé, a tirar-lhe as arestas que a definem, a dulcificá-la até convertê-la, como pretendem alguns, em algo de amorfo que não tem a força e o poder de Deus”.

O desejo de diálogo com os irmãos separados, e com todos aqueles que dentro da Igreja se encontram longe de Cristo, deve levar-nos, pois, a meditar com freqüência no empenho com que nos esforçamos por melhorar a nossa formação pessoal, o conhecimento adequado da verdade revelada. Agora, nestes minutos de oração pensemos como é que aproveitamos esses meios que temos ao nosso alcance para uma formação intensa e constante: em particular, a leitura espiritual e o estudo metódico da doutrina cristã.

Fonte: Falar com Deus


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Desprendimento (II)

O segredo: apegar-se a Cristo

“…revesti-vos do homem novo…” (Ef 4,24)

Agora ensinar-te-ei um grande principio: esforça-te menos por desprender-te e mais por prender-te… Concentra teus esforços em te enriqueceres mais de mim do que em te esvaziares de ti mesmo. Permite-me entrar em ti e farei sair tudo o que seja alheio a mim. Deixa-me inundar-te com minha graça para livrá-lo de todos os vínculos terrenos. Este é o caminho tranqüilo para chegar à pureza do coração. Caminho fácil, seguro.

Tens de dominar muitas tendências naturais. Mas haverá uma predominante. Qual é o teu prazer ou paixão dominante? Talvez não o saibas. Pergunta-me e ajudar-te-ei a descobrir.

O que é que mais te perturba? O que é que mais te inquieta? Qual é o amor, o desejo, que te parece mais difícil submeter à minha vontade? É a impureza? São os maus companheiros? É o orgulho desordenado? O amor ao dinheiro? O desejo de ser louvado? A tagarelice? A impaciência?

Podes conhecer aquilo a que estás mais apegado, pelas coisas que facilmente te irritam. Em geral, ficas mais irritado quando, lendo teu jornal, alguém te molesta? Então estás apegado à tua tranqüilidade e à leitura do jornal. Ficas irritado quando alguém te contradiz? Então estás apegado aos teus pontos de vista. Sentes inveja quando outros são promovidos? Então estás apegado ao desejo de ser conhecido, de ser promovido, ou talvez, de enriquecer. Ficas contrariado quando outros são convidados para banquetes? Então estás apegado ao prazer da comida.

Examina-te seriamente, pede-me luz e te mostrarei qual é o defeito-chave que impede a tua identificação comigo.

Quando o tiveres descoberto, faze a substituição com a virtude contrária.

Estuda em mim qual é a virtude diretamente oposta ao teu vício predominante. Lendo os evangelhos, descobrirás como a pratiquei e em que circunstâncias.

És orgulhoso? Considera minha humildade e imita-a.

És avarento? Observa minha generosidade e imita-a.

És invejoso? Observa minha benevolência e imita-a.

És intemperante no comer e no beber? Observa minha temperança e imita-a.

És inclinado à cólera? Observa minha paciência e imita-a.

És sensual? Observa minha pureza e imita-a.

És preguiçoso? Gastas demasiado tempo na recreação, no sono, na leitura, nos programas de televisão, nas conversas? Estuda o modo como eu empregava o tempo e imita-me.

Planeja a prática da virtude de que mais necessitas. Visualiza exatamente as circunstâncias em que te encontrarás hoje e nas quais poderás praticar esta virtude. Fala comigo sobre teu plano. Lembra-te dele de vez em quando, durante o dia.

Quando sentires a tentação ou mesmo quando caíres, não desanimes. Pensa como praticarás, no futuro, a mesma virtude em circunstâncias semelhantes. Volta-te para mim. Relembra como eu a pratiquei e reze assim: “Senhor, ajuda-me; Jesus, ensina-me. Mestre, dá-me forças.”

Em tudo procura a minha ajuda e a acharás. Pede a minha mãe que estenda a mão e ela jamais deixará de fazê-lo.

Reza agora, esta oração de oferecimento: Senhor eu te ofereço minha vida e aceita, de boa vontade, as alegrias e as tristezas que me sobrevierem.

Eu te ofereço meus bens terrenos, e se for tua vontade que eu os perca, esta será também minha vontade.

Eu te ofereço minha família e meus amigos. E aceito desde agora, o momento e as circunstâncias que me irão separar deles.

Eu te ofereço minha morte com todas as dores que possam acompanhá-la. Não quero prolongar nem diminuir minha vida por um só momento.

Eu te ofereço o sofrimento daqueles que amo. Sofrimentos muitas vezes mais difíceis de suportar do que os meus. Eu te ofereço as decepções, as injustiças, os pesares que sobrevirão aos que me são queridos, em união com Maria que ofereceu seus sofrimentos na cruz.

Ajude-me, ó Cristo, a desprender-me. Enriquece-me com tuas virtudes. Que a tua vontade seja a minha vontade.

Pede-me o maior dom que posso fazer: o dom de mim mesmo. Em compensação, oferece-me o maior dom de Deus: o dom de ti mesmo.

Ajuda-me, ó Mestre, a ser generoso, desprendido, perseverante.

Transforma-me em ti. Assim como o sacerdote muda o pão e o vinho no teu Corpo e no teu Sangue, faze de mim uma extensão de ti mesmo, um outro Cristo.

Do livro Cristo minha Vida, págs. 77-79.


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"A Dor de Corrigir"

Esconde-se um grande comodismo – e, por vezes, uma grande falta de responsabilidade – naqueles que, constituídos em autoridade, fogem da dor de corrigir, com a desculpa de evitar o sofrimento aos outros. Talvez poupem desgostos nesta vida…, mas põem em risco a felicidade eterna – a sua e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados. (Forja, 577)

O santo, para a vida de muitos, é “incômodo”. Mas isso não significa que tenha de ser insuportável.

- O seu zelo nunca deve ser amargo; a sua correção nunca deve ferir; o seu exemplo nunca deve ser uma bofetada moral, arrogante, na cara do próximo. (Forja, 578)

Portanto, quando na nossa vida pessoal ou na dos outros percebermos alguma coisa que não está certa, alguma coisa que precisa do auxílio espiritual e humano que nós, os filhos de Deus, podemos e devemos prestar, uma das manifestações claras de prudência consistirá em aplicar o remédio conveniente, a fundo, com caridade e com fortaleza, com sinceridade. Não têm cabimento as inibições. É errado pensar que os problemas se resolvem com omissões ou com adiamentos.

A prudência exige que, sempre que a situação o requeira, se apliquem os remédios, totalmente e sem paliativos, depois de se deixar a chaga a descoberto. Ao notardes os menores sintomas do mal, sede simples, verazes, quer tenhais de curar alguém, quer se trate de receberdes vós mesmos essa assistência. Nesses casos, deve-se permitir, a quem se encontra em condições de curar em nome de Deus, que aperte de longe e depois mais de perto, e mais ainda, até que saia todo o pus e o foco de infecção fique bem limpo. Temos de proceder assim, antes de mais nada, conosco próprios e com os que temos obrigação de ajudar por justiça ou por caridade. Rezo especialmente pelos pais e pelos que se dedicam a tarefas de formação e ensino. (Amigos de Deus, 157)

Fonte:   http://www.opusdei.org.br/art.php?p=20803


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Oração e Apostolado

CERTO DIA, JESUS, depois de ter passado a tarde anterior curando doentes, pregando e atendendo as pessoas que vinham ter com Ele, muito antes do amanhecer, saiu da casa de Simão, foi a um lugar deserto e ali orava. Simão e os que estavam com ele saíram em sua busca e, achando-o, disseram-lhe: Todos estão à tua procura. É São Marcos quem o relata no Evangelho da Missa (Mc 1, 29-39).

Todos estão à tua procura. Também nos nossos dias as multidões têm “fome” de Deus. Continuam a ser atuais as palavras de Santo Agostinho no início das suas Confissões: “Criaste-nos, Senhor, para Ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti”

O coração da pessoa humana foi feito para procurar e amar a Deus. E o Senhor facilita esse encontro, pois Ele também procura cada pessoa através de inúmeras graças, de atenções cheias de delicadeza e de amor. Quando vemos alguém ao nosso lado, quando a imprensa, o rádio ou a televisão falam de alguém, podemos pensar, sem receio de nos enganarmos: Cristo chama essa pessoa, preparou para ela graças eficazes. “Repara bem: há muitos homens e mulheres no mundo, e nem a um só deles deixa o Mestre de chamar. – Chama-os a uma vida cristã, a uma vida de santidade, a uma vida de eleição, a uma vida eterna”. É nisto que se baseia a nossa esperança apostólica: Cristo, de uma maneira ou de outra, está à procura de todos. A missão de que Deus nos encarrega é a de facilitarmos esses encontros com a graça.

A propósito da passagem do Evangelho que comentamos, escreve Santo Agostinho: “O gênero humano está enfermo, afetado não por uma doença corporal, mas pelos seus pecados. Está acamado em todo o orbe terrestre, do Oriente ao Ocidente, como um grande doente. Para curar este moribundo, o Médico onipotente desceu à terra. Humilhou-se até o extremo de tomar carne mortal, ou seja, até se aproximar do leito do enfermo”.

(…)

Mantenhamos com firmeza a esperança na eficácia da nossa ação apostólica, por mais difícil que seja o ambiente em que nos movemos. Os caminhos da graça são imperscrutáveis, mas Deus quis contar conosco para salvar as almas. Que pena se, por omissão da nossa parte, muitos homens continuassem a viver longe de Deus! Devemos sentir a responsabilidade pessoal de que nenhum amigo, colega ou vizinho possa queixar-se a Deus: Hominem non habeo: Senhor, não encontrei quem me falasse de Vós, ninguém me ensinou o caminho.

“O cristianismo possui o grande dom de enxugar e curar a única ferida profunda da natureza humana, e isso vale mais para o seu êxito do que toda uma enciclopédia de conhecimentos científicos e toda uma biblioteca de controvérsias; por isso o cristianismo há de durar enquanto durar a natureza humana”, diz o Cardeal Newman.

(…)

O SENHOR QUER que sejamos seus instrumentos para tornar presente a sua obra redentora no meio das tarefas seculares, na vida normal. Mas como poderemos ser bons instrumentos de Deus se não cuidamos com esmero da vida de piedade, se não mantemos um trato verdadeiramente pessoal com Cristo na oração? Por acaso pode um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no abismo?

O apostolado é fruto do amor a Cristo. Ele é a luz com que iluminamos, a Verdade que devemos ensinar, a Vida que comunicamos. E isto só será possível se formos homens e mulheres unidos a Deus pela oração. Comove contemplar como o Senhor, no meio de tanta atividade apostólica, se levantava de madrugada, muito antes do amanhecer, para dialogar com seu Pai-Deus e confiar-lhe o novo dia que começava.

Devemos imitá-lo, pois é na oração, no trato de intimidade com Jesus, que aprendemos a prestar atenção, a compreender e a valorizar as pessoas que Deus põe no nosso caminho. Sem oração, o cristão seria como uma planta sem raízes; acabaria por secar, e não teria assim a menor possibilidade de dar fruto.

Podemos e devemos dirigir-nos ao Senhor muitas vezes ao longo do dia. Ele não está longe; está perto, ao nosso lado, e ouve-nos sempre, especialmente nesses momentos em que, tal como agora, nos dedicamos expressamente a falar-lhe sem anonimato, cara a cara. À medida que nos abrirmos às chamadas divinas, o nosso dia será divinamente eficaz. Na realidade, a nossa vida de apóstolos vale o que valer a nossa oração.

A oração nunca deixa de dar os seus frutos. Dela tiraremos a coragem necessária para enfrentar as dificuldades com a dignidade dos filhos de Deus, bem como para perseverar no convívio com os amigos que desejamos levar a Deus. Por isso a nossa amizade com Cristo há de ser cada dia mais profunda e sincera. Por isso devemos esforçar-nos seriamente por evitar todo o pecado deliberado, guardar o coração para Deus, procurar afastar os pensamentos inúteis – que freqüentemente dão lugar a faltas e pecados -, purificar muitas vezes a intenção, depondo aos pés do Senhor o nosso ser e as nossas obras… E jamais abandonar estes minutos diários de diálogo interior com Deus, ainda que estejamos cansados e não possamos concentrar-nos inteiramente, ainda que não experimentemos nenhum afeto, ainda que nos assaltem involuntariamente muitas distrações. A oração é o suporte de toda a nossa vida e a condição de todo o apostolado.

Ao terminarmos este tempo de oração, recorremos à intercessão poderosa de São José, mestre de vida interior. Pedimos àquele que viveu tantos anos junto de Jesus, que nos ensine a dirigir-nos a Ele com confiança durante todos os dias da nossa vida, sobretudo naqueles em que o trabalho aperta mais e nos parece difícil poder dedicar-lhe este tempo costumeiro de oração, condição imprescindível para a eficácia do nosso apostolado pessoal. A nossa Mãe Santa Maria intercederá por nós, junto com o santo Patriarca.

Fonte: Falar com Deus.


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Desprendimento (I)

Domínio de si mesmo

… que aproveita ao homem…?” (Mc 8,36)

Meu amigo , compreende tua incrível felicidade. Convidei-te não somente para ser outro Cristo, mas para seres um outro eu.

Desejas isto, mas também alimentas as tuas paixões e os teus apetites inferiores. As duas coisas não podem estar juntas. Não podes ser um outro eu a não ser que renuncies a ti mesmo.

Meu amor por ti só será compatível com outros amores enquanto não for contrário ao meu, que deve ser supremo. Eu te ordeno o amor ao próximo. Contudo, nenhum outro amor, a pessoa ou a coisas, deve superar o teu amor por mim. Deves dominar todos os desejos que te afastas de mim. É impossível ser vaidoso, desejar ser mais importante que os outros, e ser, ao mesmo tempo, um outro eu.

É impossível ser demasiadamente sensível, vingativo, sempre pronto a contradizer os outros, e ser um outro eu.

Não podes ser ganancioso, sensual, guloso, invejoso, e ser um outro eu.

São todas formas de egoísmo, que deves renunciar. Não quero meias medidas.

Eu disse: “Se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o para longe de ti” (Mt 5,29). Que nada impeça tua devoção, teu amor a mim, tua identificação comigo.

Para estares unido totalmente com a Santíssima Trindade e participares da visão beatífica, deves ser perfeito. A essência da perfeição é a união de tua vontade com a minha. Mas como poderás unir tua vontade perfeitamente com a minha, se não conquistares, primeiro, tua própria vontade? É por isso que deves extirpar tuas paixões, destruir teu apego às coisas materiais, suprimir em ti o desejo de louvores, de facilidades, de popularidade, e deixar de vangloriar-te diante de tuas idéias, de tuas qualidades, ou de teu progresso espiritual.

Os impuros não podem ver a Deus. Ser puro é entregar-se totalmente à minha vontade, sem recusar nada. Ser puro no olhar e no coração é não desejar os bens terrenos que são contrários à minha vontade.

Se não te purificas completamente nesta vida, fá-lo-ás no purgatório. Ali serás purificado do apego aos bens matérias pelo método da privação. Tua vontade ficará privada daquilo que mais desejas: ver minha face. O purgatório purifica pelo fato de te encontrares tão perto de mim e, no entanto, também fora do teu alcance.

Será muito melhor suprimir, agora, todos os desejos que não te aproximam mais de mim. E não somente aqueles que seriam gravemente pecaminosos, mas até mesmo aqueles que constituiriam faltas leves ou imperfeições. Todos estes desejos voluntários servem apenas para te perturbar, te atormentar, te cegar e tornar-te indiferente. Purifica-te, negando-te aquelas coisas e aqueles prazeres que possam ser alimentá-los.

Procura o que é difícil e não o que é fácil, por amor a mim.

Procura o desagradável em vez do que agrada, por amor a mim.

Procura o que é simples em vez daquilo que é grandioso, por amor a mim.

Procura não desejar nada a não ser o que eu te envio, e não recusas nada daquilo que permito que te aconteça, por amor a mim.

São duras estas palavras? Significam, por ventura, que daqui por diante terás de abandonar tudo o que é prazer?

De forma alguma! Eu te levarei ao grau de renúncia que é melhor para ti. O que é conveniente para uma pessoa, não será para outra. Se procurares fazer, por amor, tudo o que te peço, encontrarás alegria no sacrifício.

Mortifica-te. Mas entende que a maior mortificação é a prática da verdadeira humildade. Aceitar humildemente as mortificações que te envio é melhor do que acumular mortificações escolhidas por ti.

Observa os jejuns e as penitências impostas por minha Igreja. Lembra-te, porém, que em geral, não desejo que as pessoas façam mortificações que as deixem irritadas e descontentes. Que tuas penitências voluntárias limitem-se aquelas que não perturbem a tua paz. Há pessoas que se tornam escravas da mortificação.

De vez em quando eu mando algum sofrimento para que sejas mais completamente meu, desapegando-te daquilo que me separa de ti. Aceita os sofrimentos que te envio, e seu fardo se tornará leve, porque meu jugo é suave para aqueles que me amam.

O desejo de sofrer por causa de mim é santo. Contudo, melhor ainda é a virtude da indiferença. Procura fazer minha vontade, na alegria ou na tristeza, com santa indiferença, dizendo a ti mesmo: “não escolho nem prazer nem dor, mas desejo unicamente conformar-me a vontade de Deus”. Procura amar-me em todas as coisas, igualmente: na doença, na saúde, na morte, na riqueza ou na pobreza, no prazer ou na dor, na consolação ou na desolação.

Não te tornes demasiadamente apegado nem mesmo à perfeição. Uma vez que agora não me podes servir perfeitamente, oferece-me tua insatisfação. Agora deseja tão-somente servir-me o melhor que podes. Que teu único desejo seja agradar-me na situação em que estiveres.

Em resumo: cuidado para não te apegares a coisa alguma terrena, especialmente ao prazer. Sei muito bem que o corpo e o espírito necessitam de descanso. O que fazes a ti mesmo, fazes a mim. Quando te alegras com um prazer sadio, eu participo de tua alegria, porque estou contigo e em ti. Não escolhas um prazer do qual eu não possa participar contigo. Procura-o no tempo em que eu possa aprová-lo. Procura-o no grau que eu desejo. Pergunta-te de vez em quando, no meio de teu prazer: “Eu o deixaria, de uma vez, se soubesse não ser da vontade de Deus? Posso deixar isto, neste momento, sem me perturbar?”

Para ser totalmente um outro eu deves ser todo meu, desejando fazer apenas a minha vontade. Quanto mais “puro” fores, quanto mais “limpo” for teu coração, mais plenamente eu viverei contigo.

Do livro Cristo minha vida, págs. 73-76.


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