Sunday, 20 of May of 2012

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“Não me soltes, não me deixes”

Manifestemos a Jesus que somos crianças. E as crianças, as crianças pequeninas e simples, quanto não sofrem para subir um degrau! Parece que estão ali perdendo o tempo. Finalmente, subiram. Agora, outro degrau. Com as mãos e os pés, e com o impulso de todo o corpo, conseguem um novo triunfo: mais um degrau. E volta a começar. Que esforços! Já faltam poucos…, mas então um tropeção… e zás!… lá em baixo. Toda machucada, inundada de lágrimas, a pobre criança começa, recomeça a subida. Assim nós, Jesus, quando estamos sós. Toma-nos Tu em teus braços amáveis, como um Amigo grande e bom da criança simples; não nos soltes até que estejamos lá em cima; e então – oh, então! – saberemos corresponder ao teu Amor Misericordioso, com audácias infantis, dizendo-te, doce Senhor, que, a não ser Maria e José, não houve nem haverá mortal algum – e os tem havido muito loucos – que te ame como eu te amo (Forja, 346)

Eu vou continuando a minha oração em voz alta, e vós, cada um de vós, por dentro, está confessando ao Senhor: Senhor, que pouco valho! Que covarde tenho sido tantas vezes! Quantos erros! Nesta ocasião e naquela…; nisto e naquilo… E podemos exclamar também: Ainda bem, Senhor, que me tens sustentado com a tua mão, porque me sinto capaz de todas as infâmias… Não me largues, não me deixes; trata-me sempre como a um menino. Que eu seja forte, valente, íntegro. Mas ajuda-me como a uma criatura inexperiente. Leva-me pela tua mão, Senhor, e faz com que tua Mãe esteja também a meu lado e me proteja. E assim, possumus!, poderemos, seremos capazes de ter-Te por modelo.

Não é presunção afirmar possumus! Jesus Cristo ensina-nos este caminho divino e pede-nos que o empreendamos, porque Ele o tomou humano e acessível à nossa fraqueza. Por isso se rebaixou tanto: Este foi o motivo por que se abateu, tomando forma de servo aquele Senhor que, como Deus, era igual ao Pai; mas abateu-se na majestade e na potência; não na bondade nem na misericórdia.

A bondade de Deus quer facilitar-nos o caminho. Não rejeitemos o convite de Jesus, não lhe digamos não, não nos façamos surdos ao seu chamamento, pois não existem desculpas, não temos motivo nenhum para continuar a pensar que não podemos. Ele ensinou-nos com o seu exemplo. Portanto, peço-vos encarecidamente, meus irmãos, que não permitais que se vos tenha mostrado em vão modelo tão precioso, mas que vos conformeis com Ele e vos renoveis no espírito da vossa alma. (É Cristo que passa, 15)


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«Ele veio para dar testemunho da Luz»

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de S. João, nº 2, §5-7 (trad. Bibliothèque augustinienne, t. 71, p.183s rev.)

«Ele veio para dar testemunho da Luz»

Como é que Cristo veio? Apareceu como homem. Porque Ele era homem quase ao ponto de Deus estar escondido nele, foi enviado à sua frente um homem notável, para obrigar a reconhecer que Ele, Cristo, era mais do que um homem… Quem era ele, esse que, assim, devia dar testemunho da Luz? Um ser notável, este João, um homem de um alto mérito, de uma graça eminente, de uma grande elevação. Admira-o, mas como se admira uma montanha: a montanha fica nas trevas até que a luz venha envolvê-la: «este homem não era a Luz». Não tomes a montanha pela luz; não vás quebrar-te contra ela, muito longe de aí encontrares socorro.

E o que devemos, então, admirar? A montanha, mas como montanha. Eleva-te até àquele que ilumina esta montanha que se ergueu para ser a primeira a receber os raios do sol, a fim de os reenviar para os teus olhos… Dos nossos olhos se diz também que são luz; e contudo, se não se acender a lâmpada à noite, ou o sol não nascer durante o dia, os nossos olhos abrem-se em vão. João foi também trevas antes de ser iluminado; só se tornou luz por essa iluminação. Se não tivesse recebido os raios da Luz, teria ficado nas trevas como os outros.

E a própria luz, onde está ela? « A Luz verdadeira que ilumina cada homem ao vir a este mundo»? (Jo 1,9). Se ilumina cada homem, iluminava também João, através de quem se queria manifestar… vinha para inteligências enfermas, para corações feridos, para almas com olhos doentes…, gente incapaz de O ver directamente. Ela cobriu João com os seus raios. Proclamando que ele próprio fora iluminado, João deu a conhecer Aquele que ilumina, Aquele que aclara, Aquele que é a fonte de todos os dons.


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Mansidão (III)

A MANSIDÃO opõe-se às manifestações estéreis de violência – que no fundo são sinais de fraqueza: impaciência, irritação, frieza, mau humor, ódio, etc. -, ao dispêndio inútil de forças por aborrecimentos que não têm razão de ser, nem pela sua origem – muitas vezes, surgem de ninharias que se podiam ter ultrapassado com um sorriso ou com o silêncio -, nem pelos seus resultados, porque não resolvem nada.

Da falta desta virtude provêm as explosões de mau humor entre os esposos, que vão corroendo pouco a pouco o verdadeiro amor; a iracúndia e suas conseqüências funestas na educação dos filhos; a falta de paz na oração, porque, ao invés de se falar com Deus, ruminam-se ofensas recebidas.

O domínio de si próprio – que faz parte da verdadeira mansidão – é a arma dos fortes; impede que falemos cedo demais, que digamos palavras ferinas que depois preferiríamos nunca ter pronunciado. A mansidão sabe esperar o momento oportuno e matiza os juízos, preservando-lhes toda a sua força.

A falta habitual de mansidão é fruto da soberba e só produz solidão e esterilidade à sua volta. “O teu mau gênio, as tuas reações bruscas, os teus modos pouco amáveis, as tuas atitudes desprovidas de afabilidade, a tua rigidez – tão pouco cristã! -, são a causa de que te encontres só, na solidão do egoísta, do homem amargurado, do eterno descontente, do ressentido, e são também a causa de que à tua volta, em vez de amor, haja indiferença, frieza, ressentimento e desconfiança. É preciso que, com um temperamento amável e compreensivo, com a mansidão de Cristo amalgamada à tua vida, sejas feliz e faças felizes todos os que te rodeiam, todos os que te encontram no caminho da sua vida”.

Os mansos possuirão a terra. Possuir-se-ão a si próprios, porque não serão escravos das suas impaciências e do seu caráter iracundo; possuirão a Deus, porque a sua alma estará sempre inclinada à oração, num clima de contínua presença de Deus; possuirão os que os rodeiam, porque só um coração manso e humilde conquista a amizade e o carinho dos outros. Na nossa passagem pelo mundo, temos que espalhar o bom aroma de Cristo: o nosso sorriso habitual, uma calma serena, bom-humor e alegria, caridade e compreensão.

Examinemos qual a nossa disposição para o sacrifício, necessário para tornar agradável a vida aos outros; se somos capazes de renunciar aos nossos juízos, sem pretender ter sempre razão; se sabemos reprimir o mau gênio e passar por alto os atritos que surgem no convívio diário.

O tempo do Advento é uma boa ocasião para reforçarmos esta atitude do coração. Chegaremos a consegui-lo se procurarmos com mais freqüência Jesus, Maria e José; se soubermos aproximar-nos do Sacrário para conversar com o Senhor sobre os assuntos que mais nos preocupam ou nos contrariam.

Fonte: Falar com Deus.


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Mansidão (II)

A MANSIDÃO não é característica dos homens moles ou amorfos; pelo contrário, exige uma grande fortaleza de espírito, e o próprio exercício desta virtude implica contínuos atos de fortaleza. Assim como os pobres são os verdadeiramente ricos segundo o Evangelho, assim também os mansos são os verdadeiramente fortes. “Bem-aventurados os mansos porque estão protegidos contra o demônio e contra os golpes das perseguições na guerra deste mundo. São como copos de vidro recobertos de palha ou de feno, que não se quebram quando recebem uma pancada. A mansidão é como um escudo muito forte contra o qual se chocam e se desfazem os ataques das setas agudas da ira. Os mansos vão vestidos com vestes de algodão muito suave, que os defendem sem incomodar ninguém”. A matéria própria desta virtude é a paixão da ira nas suas múltiplas manifestações, uma paixão que passa a ser de tal modo moderada e retificada que não desperta senão quando é necessário e na medida em que o é.

Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. Diante da majestade de Deus, que se fez criança em Belém, tudo o que nos atinge adquire as suas justas proporções, e o que poderia ser uma grande contrariedade permanece na sua exata medida. Aprendemos a não perder a paz e a ser justos ao avaliarmos os diversos incidentes da vida diária, a calar-nos em muitas ocasiões, a sorrir, a tratar bem os outros, a esperar o momento oportuno para lhes corrigir uma falta.

Aprendemos também a sair em defesa da verdade e dos interesses de Deus e dos nossos irmãos com toda a firmeza que seja necessária. Porque a mansidão não é contrária a uma cólera santa perante a injustiça. Não é mansidão o que serve de refúgio à covardia.

A ira é, pois, justa e santa quando se propõe respeitar os direitos dos outros e, de modo especial, a soberania e a santidade de Deus. Vemos Jesus santamente irado diante dos fariseus e dos mercadores do Templo. O Senhor encontra o Templo convertido num covil de ladrões, num lugar profanado, dedicado a coisas que não tinham nada que ver com a adoração de Deus, e irrita-se terrivelmente, demonstrando-o com as suas palavras e atos. Os evangelistas descreveram-nos muito poucas cenas tão contundentes como esta.

E juntamente com a santa ira de Jesus para com os que prostituem o lugar santo, vemos a sua grande misericórdia para com os necessitados: Chegaram-se a Ele cegos e coxos que se encontravam no Templo, e Ele os sarou.

Fonte: Falar com Deus.


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Mansidão (I)

A liturgia do Advento propõe-nos Cristo manso e humilde para que o procuremos com simplicidade, e também para que nos esforcemos por imitá-lo como preparação para o Natal. Só assim poderemos compreender os acontecimentos de Belém; e só assim poderemos fazer com que aqueles que caminham ao nosso lado nos acompanhem até o Menino-Deus.

A um coração manso e humilde como o de Cristo, as almas abrem-se de par em par. No seu Coração amabilíssimo, as multidões encontravam refúgio e descanso; e também agora se sentem fortemente atraídas por Ele, e nEle acham a paz. O Senhor disse-nos que aprendêssemos dEle. A fecundidade da ação apostólica estará sempre muito relacionada com esta virtude da mansidão.

Se observarmos Jesus de perto, vê-lo-emos paciente com os defeitos dos seus discípulos e disposto a repetir-lhes constantemente os mesmos ensinamentos, para que, apesar de lentos e distraídos, conheçam a doutrina da salvação. Não se impacienta com as suas rudezas e faltas de correspondência. Realmente, Jesus, “que é nosso Mestre e Senhor, manso e humilde de coração, atraiu e convidou pacientemente os seus discípulos”.

Imitar Jesus na sua mansidão é o remédio para as nossas irritações, impaciências e faltas de cordialidade e de compreensão. Este espírito sereno e acolhedor nascerá e crescerá em nós à medida que procurarmos estar cada vez mais na presença de Deus e considerarmos com mais freqüência a vida de Nosso Senhor. “Oxalá fossem tais o teu porte e a tua conversação que todos pudessem dizer, ao ver-te ou ouvir-te falar: «Este lê a vida de Jesus Cristo»”. A contemplação de Jesus nos ajudará especialmente a não ser altivos e a não nos impacientarmos com as contrariedades.

Não cometamos o erro de pensar que o nosso “mau gênio”, que se manifesta em ocasiões e circunstâncias bem determinadas, depende da maneira de ser dos que nos rodeiam. “A paz do nosso espírito não depende do bom caráter e benevolência dos outros. Esse caráter bom e essa benignidade dos nossos próximos não estão submetidos de modo algum ao nosso poder e ao nosso arbítrio. Isso seria absurdo. A tranqüilidade do nosso coração depende de nós mesmos. É em nós que deve estar o esforço por evitar os efeitos ridículos da ira e por não fazê-lo depender da maneira de ser dos outros. O trabalho de superarmos o nosso mau gênio não há de depender da perfeição alheia, mas da nossa virtude.

Fonte: Falar com Deus.


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