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    Paciência nas Dificuldades

    November 29th, 2008

    A PACIÊNCIA é uma virtude bem diferente da mera passividade perante o sofrimento; não é um não reagir nem um simples agüentar: é parte da virtude da fortaleza, e leva a aceitar serenamente a dor e as provas da vida, grandes ou pequenas, como vindas do amor de Deus. Identificamos então a nossa vontade com a do Senhor, e isso permite-nos manter a fidelidade em qualquer circunstância e é o fundamento da grandeza de ânimo e da alegria de quem está certo de vir a receber uns bens futuros maiores.

    Os campos em que devemos praticar esta virtude são inúmeros. Em primeiro lugar, conosco próprios, já que é fácil desanimarmos com os nossos próprios defeitos, sempre repetidos, sem conseguir superá-los totalmente. É necessário sabermos esperar e lutar com perseverança, convencidos de que, enquanto mantivermos o combate, estaremos amando a Deus. Normalmente, a superação de um defeito ou a aquisição de uma virtude não se consegue à custa de esforços violentos, mas de humildade, de confiança em Deus, de petição de mais graças, de uma maior docilidade. São Francisco de Sales afirmava que é necessário termos paciência com todos, mas, em primeiro lugar, conosco próprios.

    Paciência também com as pessoas com quem nos relacionamos freqüentemente, sobretudo se, por qualquer motivo, temos obrigação de ajudá-las na sua formação ou em determinadas circunstâncias… Devemos contar com os defeitos das pessoas com quem convivemos – sem esquecer que muitas vezes estão sinceramente empenhadas em superá-los –, talvez com o seu mau gênio, com as suas faltas de educação, com os seus melindres… que, sobretudo se se repetem com freqüência, poderiam fazer-nos faltar à caridade, envenenar a convivência ou tornar ineficaz o nosso interesse em socorrê-las. A caridade ajudar-nos-á a saber esperar, sem deixar de corrigir quando for o momento mais indicado e oportuno. Esperar um tempo, sorrir, dar uma resposta amável a uma impertinência, são pormenores que podem fazer com que as nossas palavras cheguem ao coração das pessoas, e, de qualquer modo, sempre chegam ao Coração do Senhor, que olhará para nós com especial afeto.

    Paciência com os acontecimentos que nos contrariam: a doença, a pobreza, o excessivo calor ou frio…, os diversos contratempos que se apresentam num dia normal: o telefone que não funciona ou a ligação que não se completa, a morosidade no trânsito que nos faz chegar atrasados a um encontro importante, esquecer em casa o material de trabalho, uma visita que se apresenta no momento menos oportuno… São as adversidades, talvez não muito grandes, mas que possivelmente nos levariam a reagir com falta de paz. O Senhor espera-nos nessas ocasiões: devemos enfrentá-las de ânimo tranqüilo, sem “explodir”, sem um gesto sequer de contrariedade ou um trejeito de desagrado. E tudo isto é manifestação do ânimo forte de um cristão que aprendeu a santificar os pequenos incidentes de um dia qualquer.

    (…)

    Caritas omnia suffert, omnia credit, omnia sperat, omnia sustinet, a caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre, ensina São Paulo. Se tivermos paciência, seremos fiéis, salvaremos a nossa alma e também a de muitos outros que Nossa Senhora coloca constantemente ao nosso lado.

    Fonte: Falar com Deus.


    "Acabar bem as tarefas"

    November 27th, 2008
    A santidade compõe-se de heroísmos. – Portanto, o que se nos pede no trabalho é o heroísmo de “acabar” bem as tarefas que nos comprometem, dia após dia, ainda que se repitam as mesmas ocupações. Senão, não queremos ser santos! (Sulco, 529)

    Perguntaste o que é podias oferecer ao Senhor. – Não preciso pensar a minha resposta: as coisas de sempre, mas melhor acabadas, com um arremate de amor, que te leve a pensar mais nEle e menos em ti. (Sulco, 495)

    Ao retomares a tua ocupação habitual, escapou-te como que um grito de protesto: sempre a mesma coisa! E eu te disse: – Sim, sempre a mesma coisa. Mas essa tarefa vulgar – igual à que realizam os teus colegas de trabalho – deve ser para ti uma contínua oração, com as mesmas palavras entranháveis, mas cada dia com música diferente. É missão muito nossa transformar a prosa desta vida em decassílabos, em poesia heróica. (Sulco, 500)

    Coloca na tua mesa de trabalho, no teu quarto, na tua carteira…, uma imagem de Nossa Senhora, e dirige-lhe o olhar ao começares a tua tarefa, enquanto a realizas e ao terminá-la. Ela te alcançará – garanto! – a força necessária para fazeres, da tua ocupação, um diálogo amoroso com Deus. (Sulco, 531)

    http://www.opusdei.org.br/art.php?p=20043


    Amor de mãe…

    November 25th, 2008

    Minha mãe me levava às igrejas. Durante os passeios festivos, as tarefas adminstrativas da casa e recados semanais, ou simplesmente quando fazia as compras, cujos itens que levava anotados num papel muito pequeno. Caminhava muito depressa e recordo que me levava pelas mãos quase que voando.

    Porém eu não protestava, era feliz com ela, indo de um lado ao outro, entrando em mercadinhos, lojas multicoloridas ou entidades financeiras. Precisamente de uma delas saimos uma vez com uma bicicleta. Era vermelha e dobrável. Foi coisa de um sorteio que ganhamos. Ainda que o melhor fosse quando comprava o pão recém assado e um pacote de azeitonas negras. Recordo o sabor e o amor de suas mãos partindo um pedaço de pão em plena rua.

    Outras vezes – como algo extraordinário – me presenteava com uma vinagrete, com aqueles vestígios de pepinos, cebolinhas, couve-de-bruxelas em flor e cenouras… O caso é que durante essas caminhadas me dizia com frequência: “Vamos ver a Jesus“. E eu não renegava. Porque queria ao fim poder descansar um pouco de tanta andança. Estava “arrebentado“.   Me sentava e mirava com a boca aberta os santos dos retábulos (eles com dobras de sobrepelizes, sotainas e casulas, ou os elementos de tortura utilizados em seu martírio), e mirava extasiado a escuridão dos confessionários, e as velas… Em seguida, minha mãe me colocava de joelhos, ou se me via muito agoniado, me deixava estar de pé ao seu lado, enquanto ela levava sua cabeça às mãos durante um bom tempo.

    Sempre – para minha vergonha (“mamãe não, mamãe não”) – se colocava no primeiro banco, o mais próximo possível da imagem da Virgem que havia. Assim foi como me enamorei da Mãe de Deus, quase sem querer. A única coisa que fazia era mirá-las. Era evidente que eram muito boas amigas. Meus olhos iam de minha mãe à Virgem e da Virgem à minha mãe (e ainda não perdi esse costume). Certamente algo se passava ali. Algo tramavam as duas. De esguelha mirava também uma pequenina chama vermelha que oscilava nervosa mais acima.   E essa chama me levava a…

    Guillermo, vem saudar a Jesus“. E eu ia ou não ia dependendo das pessoas que houvesse. Se estávamos sozinhos na igreja era fenomenal. Me levantava e me aproximava das grades do altar e tocava o sacrário.

    No sacrário está Deus, filho meu, diga-lhe algo“. Que iria eu lhe dizer? “Oi, Deus“. E voltava correndo para minha mãe. Se Ele estava bem ali… Nesta manhã retornei a uma dessas igrejas. E me vi ajoelhado no mesmo banco, o primeiro, diante da imagem da Virgem. E pensei que minha mãe me deu o melhor presente de minha vida, o conhecer a Jesus e a sua Mãe…

    Fonte: http://es.catholic.net/escritoresactuales/812/2807/articulo.php?id=38691

    Tradução: Renata Espíndola


    Bento XVI – Sobre ajuda a casais em crise.

    November 22nd, 2008

    Por ocasião do encontro internacional do movimento «Retrouvaille»

    Venerados irmãos e irmãs no episcopado e no sacerdócio,

    Queridos irmãos e irmãs:

    Dou-vos as boas-vindas com alegria, por ocasião do encontro mundial do movimento Retrouvaille. Saúdo todos vós, esposos e presbíteros, junto aos responsáveis internacionais desta associação que há mais de 30 anos trabalha com grande entrega ao serviço dos casais em dificuldade. Saúdo em particular o cardeal Ennio Antonelli, presidente de Conselho Pontifício para a Família, e lhes agradeço por suas corteses palavras, assim como por ter-me ilustrado as finalidades deste movimento.

    Impressionou-me vossa experiência, queridos amigos, que vos põe em contato com famílias marcadas pela crise do matrimônio. Refletindo sobre vossa atividade, uma vez mais pude ver a mão de Deus, ou seja, a ação do Espírito Santo, que suscita na Igreja respostas adequadas às necessidades e às emergências de todas as épocas.

    Certamente, em nossos dias a separação e os divórcios se converteram em uma emergência muito forte. Portanto, foi providencial a intuição dos cônjuges Guy e Jeannine Beland, em 1977, de ajudar os casais em grave crise a enfrentá-la por meio de um programa específico, cujo fim é reconstruir suas relações, não como uma alternativa às terapias psicológicas, mas como um caminho diferente e complementar.

    De fato, vós não sois profissionais; sois esposos que com freqüência viveram em primeira pessoa as mesmas dificuldades, superaram-nas com a graça de Deus e o apoio de Retrouvaille e experimentaram o desejo e a alegria de colocar, por sua vez, a própria experiência ao serviço dos demais. Entre vós há vários sacerdotes que acompanham os esposos em seu caminho, oferecendo-lhes a Palavra e o Pão da vida. «O que haveis recebido de graça, dai de graça» (Mateus 10, 8): constantemente fazeis referência a estas palavras de Jesus dirigidas a seus discípulos.

    Como demonstra vossa experiência, a crise conjugal – estamos falando de crises sérias e graves – constitui uma realidade com duas faces. Por uma parte se apresenta, especialmente em sua fase aguda mais dolorosa, como um fracasso, como a prova de que o sonho acabou ou se transformou em um pesadelo e, infelizmente, «não há nada a fazer».

    Esta é a face negativa. Mas há outra face, que nós desconhecemos com freqüência, mas que Deus vê. Toda crise, de fato – a natureza nos ensina -, constitui o passo a uma nova fase da vida. Ainda que no caso das criaturas inferiores isso aconteça de maneira automática, no ser humano implica a liberdade, a vontade e, portanto, uma «esperança maior» que o desespero.

    Nos momentos mais escuros, os cônjuges perderam a esperança; então se dá a necessidade de outras pessoas que a custodiem, de um «nós», de uma companhia de autênticos amigos que, com o máximo respeito, mas também com sincera vontade de bem estejam dispostos a compartilhar algo de sua própria esperança com quem a perdeu. Mas não de maneira sentimental ou superficial, e sim organizada e realista.

    Deste modo, no momento da ruptura, oferecereis ao casal uma referência positiva na qual confiar frente ao desespero. De fato, quando a relação se degenera, os cônjuges caem na solidão, tanto individual como de casal. Perdem o horizonte da comunhão com Deus, com os demais e com a Igreja. Então, vossos encontros oferecem o «amparo» para não se perder totalmente, e para voltar a subir pouco a pouco a montanha. Vejo-vos como custódios de uma esperança maior para os esposos que a perderam.

    A crise, portanto, é concebida como momento de crescimento. Desde esta perspectiva pode-se ler a narração das bodas de Caná (João 2, 1-11). A Virgem Maria percebe que os esposos «já não têm vinho» e diz isso para Jesus. Esta falta de vinho faz pensar no momento no qual, na vida de casal, acaba o amor, esgota-se a alegria e se derruba o entusiasmo do matrimônio.

    Depois de que Jesus transformou a água em vinho, felicitaram o esposo pois, segundo diziam, havia guardado até esse momento «o vinho bom». Isso significa que o vinho de Jesus era melhor que o anterior. Sabemos que este «vinho bom» é símbolo da salvação, da nova aliança nupcial, que Jesus veio realizar com a humanidade. E precisamente desta é sacramento todo matrimônio cristão, inclusive o mais frágil e vacilante, e pode encontrar, portanto, na humildade a valentia para pedir ajuda ao Senhor.

    Quando um casal em dificuldade ou – como demonstra vossa experiência – inclusive já separado, se encomenda a Maria e se dirige Àquele que fez dos dois «uma só carne», pode estar seguro de que a crise se converterá, com a ajuda do Senhor, em um momento de crescimento e que o amor será purificado, amadurecido, reforçado.

    Isso só Deus pode fazer, Ele que quer servir-se de seus discípulos como de válidos colaboradores para aproximar-se dos casais, escutá-los, ajudá-los e redescobrir o tesouro escondido do matrimônio, o fogo que foi sepultado sob as cinzas. Reaviva e faz que volte a arder a chama; certamente, não como no enamoramento, mas de uma maneira diferente, mais intensa e profunda: porém, é sempre a mesma chama.   Queridos amigos que haveis querido colocar-vos ao serviço dos demais em um campo tão delicado: asseguro-vos minha oração para que vosso compromisso não se converta em mera atividade, mas seja sempre, no fundo, testemunho do amor de Deus.

    Vosso serviço vai «contra a corrente». Hoje, de fato, quando um casal entra em crise, ele se encontra com muitas pessoas que lhe aconselham a separação. Inclusive aos esposos casados no nome do Senhor é proposto com facilidade o divórcio; esquece-se que o homem não pode separar o que Deus uniu (cf. Mateus 19, 6; Marcos 10, 9).

    Para desempenhar vossa missão, também vós tendes necessidade de alimentar continuamente vossa vida espiritual, pôr amor no que fazeis para que, ao entrar em contato com realidades difíceis, vossa esperança não se esgote e não seja reduzida a uma fórmula.

    Que nesta delicada obra apostólica vos ajude a Sagrada Família de Nazaré, a quem confio vosso serviço, e especialmente os casos mais difíceis. Que esteja a vosso lado Maria, Rainha da família, enquanto envio de coração a bênção apostólica a vós e a todos os que aderem ao movimento Retrouvaille.

    [Tradução: Élison Santos. Tradução: Aline Banchieri © Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]

    Fonte: http://www.zenit.org/article-19586?l=portuguese


    Se caíste, levanta-te com mais esperança…

    November 21st, 2008

    Se caíste, levanta-te com mais esperança… Só o amor próprio não compreende que o erro, quando é retificado, ajuda a conhecer-se e a humilhar-se. (Sulco, 724)

    Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se te afastas d’Ele por qualquer motivo, reage com a humildade de começar e recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, até mesmo repetidas vezes nas vinte e quatro horas do dia; de acertar o coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus.

    Neste sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e te inunda de alegria e de força, para não desfaleceres no combate e para retornares sem cansaço a Deus, mesmo quando te pareça que tudo está às escuras. Além disso, a Mãe de Deus, que é também Mãe nossa, te protege com a sua solicitude maternal e te firma nos teus passos.

    Previne a Escritura Santa que até o justo cai sete vezes. Sempre que li estas palavras, a minha alma estremeceu com uma forte sacudidela de amor e de dor. Com essa advertência divina, o Senhor vem uma vez mais ao nosso encontro, para nos falar da sua misericórdia, da sua ternura, da sua clemência, que nunca terminam. Estejamos certos de que Deus não quer as nossas misérias, mas não as desconhece; e conta precisamente com essas fraquezas para que nos tornemos santos.

    Prostro-me diante de Deus e exponho-lhe claramente a minha situação. Logo a seguir, recebo a certeza da sua assistência e, no fundo do meu coração, ouço que Ele me repete devagar: “Meus es tu!”, tu és meu; Eu já sabia – e sei – como és: para a frente! (Amigos de Deus, 214-215)

    Fonte: Opus Dei, Meditações Diárias.