Sunday, 20 of May of 2012

Archives from month » October, 2008

Com a palavra… Pedro:

“Discipulado e missão são como as duas faces de uma mesma moeda: quando o discípulo está enamorado de Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que apenas Ele nos salva.”

S.S. Bento XVI

“O Evangelho não é somente uma comunicação de coisas que se pode saber, mas uma comunicação que comporta feitos e muda a vida”

S.S. Bento XVI, Encíclica Spe salvi núm. 2

“A educação consiste em que o homem chegue a ser cada vez mais homem,

que possa ‘ser’ mais e não somente que possa ‘ter’ mais…”

João Paulo II, em seu Discurso na UNESCO (1980).

“Quem não comunica a verdade do Amor ao irmão, ainda não deu bastante”

Exortação apostólica Sacramentum Caritatis, núm. 86.


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O Namoro na Visão Cristã Católica.

Por Dom Adair José Guimarães

Creio que outros vão escrever mais diretamente sobre o “namoro cristão”; quero fazer uma rápida abordagem do tema no plano humano, decorrente de uma visão positiva da filosofia cristã, cujo centro da atenção é a pessoa humana e seu caminho para a felicidade.

Faz parte da lógica consumista do capitalismo moderno apresentar a vitrine fetichista do comércio formal e informal, de maneira mais ousada nos shopping’s centers, como espaço do descartável. Os produtos, embora bonitos e requintados, em grande parte são descartáveis. Fabricados para serem consumidos rapidamente, devem ser substituídos por novos exemplares que a cada momento são inseridos nas prateleiras reais e virtuais do mercado, obedecendo à lógica do muito consumir. A cada ano surge uma infinidade de modelos novos de celulares e outros bens na área da eletrônica que povoam o imaginário dos humanos consumistas.

Essa perversidade que engalfinha milhões de dólares a cada dia está impregnando cada vez mais o inconsciente coletivo da humanidade, sobretudo no Ocidente: berço esplendido do consumismo. Trata-se da lógica do descartável: usa-se enquanto lhe agrada e faz bem, depois joga-se fora e busca-se outra opção que lhe satisfaça melhor aos instintos.

Tal realidade se materializa em mentalidade, em pensamento. Isso passa a reger o mundo humano e interfere drástica e profundamente na concepção de pessoa, de Deus, da natureza e da sociedade. Lamentavelmente a pessoa humana também está sendo colocada na vitrine, como objeto de consumo.

A mentalidade de prevalência do prático, acredito, tem favorecido uma mentalidade utilitarista e hedonista das coisas e passado dessas para as pessoas. Estamos vendo saltar aos nossos olhos as conseqüências desta mentalidade. Da mesma maneira que as pessoas trocam de aparelho celular a cada modelo novo que chega às lojas, muitos(as) estão trocando de relacionamentos afetivos a cada impulso dos sentidos em direção às possibilidades de novas aventuras e novas expectativas de prazer.

Tanto no namoro quanto no casamento percebe-se tal desastre humano. A raiz do problema não está basicamente na perda dos valores morais. É mais profundo. É uma questão de mentalidade. A concepção de pessoa humana está se nivelando com a concepção que temos das coisas e do seu conseqüente uso.

O namoro que brota entre dois jovens de sexos opostos é sempre acompanhado da mentalidade que ambos trazem consigo. Quando estes possuem uma concepção humana frágil, inegavelmente o relacionamento será igualmente frágil e possibilitará o aprofundamento das negatividades de alguns aspectos já decadentes.

A fase do namoro, ideal e moralmente objetivo, é um período excepcional para o conhecimento de duas pessoas, geralmente jovens, de sexo oposto. O namoro é um período na vida dos namorados que lhes permite se conhecerem melhor. Isso é fundamental para o alicerce de uma nova família que se quer sólida.

A prática do namoro evoluiu muito nas últimas quatro décadas. Não foi uma evolução ruim. Afinal, não dá para pensar o namoro nos moldes das primeiras décadas do século passado. Com a abertura dos últimos tempos e a igualdade de direitos estabelecida entre o homem e a mulher, bem como a quebra do tabu que circundava a questão sexual, abriu-se as portas para uma nova prática do romance amoroso entre os namorados. O erro não está na abertura, mas no mau uso da liberdade, face à mentalidade do descartável que está tomando conta da sociedade.

O estilo do namoro antigo tem muito em comum com o namoro dos nossos tempos: a falta de conhecimento um do outro. O namoro antigo não permitia nenhuma espécie de contato físico; a conversa entre os dois não existia, o estar só era impossível, etc – não se conheciam. O namoro moderno e avançado permite tudo: o sexo livre, o aborto, a depravação, etc – também não se conhecem como pessoas.

O final do filme todos nós conhecemos: corações machucados, magoados e infernizados com a síndrome da dependência sexual e outros males. A sociedade ainda é machista; por isso o Pe. Zezinho tem razão quando compôs a música “Laranja Lima” e nos diz que no namoro errado é a mulher quem sofre mais. Deve ser muito triste a ressaca do pós-namoro pagão, quando a consciência advertir que a jovem foi usada ou que usou o outro simplesmente por prazer, tendo se acobertado, para tanto, na falsidade e na mentira.

Estamos vivendo um mundo carente de valores. Além da mentalidade do descartável que favorece o hedonismo utilitarista no namoro (para muitos o trivial “ficar”), temos a elaboração de um ambiente cultural de morte que se expressa na música mundana, no teatro e no cinema também mundanos que apregoam os contravalores como sendo determinantes para a felicidade. Aí está o engano, pois se trata de uma mentalidade distorcida da pessoa humana. É a crise antropológica (a pessoa humana não se interroga sobre o seu fim). É a evidente falta de consciência do que é a realidade da pessoa humana e o que é realmente a felicidade para a qual a pessoa humana foi criada.

O que fazer para viver o namoro coerente e de maneira cristã? Olhar para Jesus Cristo, o modelo antropológico perfeito. Olhar para o testemunho de tantos casais que vivem o namoro correto e santamente. Não tenho dúvidas, os casais de namorados que viveram santamente o seu namoro viverão santamente o seu casamento. Afinal, a conquista da felicidade não se dá sem sacrifício, renúncia e entrega consciente. Onde há o amor não há a dor. “Felizes os puros de coração porque verão a Deus” (Mt. 5, 8).

Prezados jovens cristãos, sejam vocês o alicerce da construção da “civilização do amor” (Paulo VI) e da concretização de uma vida feliz a partir da santidade e do respeito à pessoa do outro. Deus os abençoe.

Fonte: http://presentepravoce.wordpress.com/2008/06/12/o-namoro-na-visao-crista-catolica/


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Sinceridade e Integridade

EU SOU A VERDADE, disse Jesus. Ele tem a verdade em plenitude, e esta chegou até nós por meio dEle. Todos os seus ensinamentos, como também a sua vida e a sua morte, constituem um testemunho da Verdade. Aquele em quem está a verdade é de Deus e, portanto, tem os ouvidos especialmente atentos à palavra de Deus.

A verdade teve a sua origem em Deus e a mentira na oposição consciente a Ele. Jesus chama ao demônio pai da mentira, porque a mentira começou com ele. Quem mente tem o demônio por pai. Por isso, o ensinamento moral da Igreja não só reprova a falsidade que causa um prejuízo ao próximo, como desaprova aqueles que – sem causarem um prejuízo ao próximo – “mentem por recreação e diversão, e os que o fazem por interesse e utilidade”.

A falta de veracidade que se manifesta na mentira ou na hipocrisia, ou ainda na falta de “unidade de vida”, revela uma discórdia interior, uma fratura na própria personalidade humana. Um homem assim é como um sino rachado: não tem bom som. O testemunho que o Senhor deu de Natanael, dizendo dele que era um israelita em quem não havia duplicidade, é o elogio mais belo que se pode fazer de um homem: “Nesse homem não há duplicidade; é feito de uma só peça”. É o que se deveria poder dizer de cada cristão.

Estamos numa época em que se valoriza extraordinariamente a sinceridade, mas que, por contraste, também é conhecida por tempo dos impostores, da falsidade e da mentira. Podem ser às vezes impostores “os homens da grande imprensa, que, divulgando indiscrições sensacionalistas e insinuações caluniosas…”, confundem os seus leitores. À “grande imprensa” poder-se-iam acrescentar muitas vezes o cinema, o rádio, a televisão… Estes instrumentos, que pela sua própria natureza devem ser transmissores da verdade, “se forem manipulados por pessoas astutas, à força de bombardearem os receptores com as suas cores sonorizadas e com uma persuasão tanto mais eficaz quanto mais oculta, são capazes de fazer que os filhos acabem por odiar o que os seus pais possuem de melhor, e que as pessoas vejam como branco o que é preto”.

Sempre que tenhamos esses meios ao nosso alcance, devemos usá-los para fazer com que a verdade chegue à sociedade. E mesmo que não seja esse o caso, existem meios de pelo menos repormos a verdade: uma carta de protesto, uma chamada telefônica, a intervenção num programa de radio ou num programa de auditório… Isso pode permitir que muitos ouçam a doutrina da Igreja sobre assuntos vitais para o bem da sociedade, ou saibam que existem homens de bem que não toleram o ataque leviano ou malévolo aos fundamentos morais do ser humano. Não permaneçamos passivos e encolhidos, pensando que podemos fazer pouco. Muitos poucos mudam o rumo de uma sociedade.

Ao terminarmos a nossa oração, recorramos a Nossa Senhora para sabermos viver em todo o momento a verdade sem concessões, e para sabermos dá-la a conhecer sem os entraves dos respeitos humanos ou da preguiça, causadores de tantas omissões. Peçamos uma vida sem duplicidade, sem a hipocrisia que Jesus tanto reprovou.

“«Tota pulchra es, Maria, et macula originalis non est in te!» – És toda formosa, Maria, e não há em ti mancha original!, canta alvoroçada a liturgia: não há nEla a menor sombra de duplicidade. Peço diariamente à nossa Mãe que saibamos abrir a alma na direção espiritual, para que a luz da graça ilumine toda a nossa conduta!

“– Se assim lhe suplicarmos, Maria nos obterá a valentia da sinceridade, para que nos cheguemos mais à Trindade Santíssima”.

Fonte: Falar com Deus


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Devoção Mariana

A DEVOÇÃO À VIRGEM não é de maneira nenhuma “um sentimento estéril e transitório, nem uma certa vã credulidade”, própria de pessoas de pouca idade ou formação. Pelo contrário – continua a afirmar o Concílio Vaticano II –, “procede da verdadeira fé, pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus e impelidos a um amor filial para com a nossa Mãe e à imitação das suas virtudes”.

O amor à Virgem anima-nos a imitá-la e, portanto, a cumprir fielmente os nossos deveres, a levar alegria a todos os lugares aonde vamos. Move-nos a repelir todo o pecado, até o mais leve, e incita-nos a lutar com empenho contra os nossos defeitos. Contemplar a docilidade de Maria à ação do Espírito Santo na sua alma é sentirmo-nos estimulados a cumprir a vontade de Deus a todo o momento, também quando nos custa. O amor que nasce no nosso coração ao invocá-la é o melhor remédio contra a tibieza e contra as tentações de orgulho e da sensualidade.

Quando fazemos uma romaria ou visitamos um santuário dedicado à nossa Mãe do Céu, fazemos uma boa provisão de esperança. Ela mesma – Spes nostra – é a nossa esperança! Sempre que rezamos com atenção o terço e nos detemos uns instantes a meditar cada um dos mistérios que nele se propõem, obtemos mais forças para lutar, mais alegria e desejos mais firmes de ser melhores. “Não se trata tanto de repetir fórmulas como de falar como pessoas vivas com uma pessoa viva, que, se não a vedes com os olhos do corpo, podeis no entanto vê-la com os olhos da fé. Com efeito, a Virgem e o seu Filho vivem no Céu uma vida muito mais “viva” do que a nossa – mortal – que vivemos aqui na terra.

“O Rosário é um colóquio confidencial com Maria, uma conversa cheia de confiança e de abandono. É confiar-lhe as nossas penas, manifestar-lhe as nossas esperanças, abrir-lhe o nosso coração. É declararmo-nos à sua disposição para tudo o que Ela, em nome do seu Filho, nos peça. É prometer-lhe fidelidade em todas as circunstâncias, mesmo as mais dolorosas e difíceis, certos da sua proteção, certos de que, se o pedimos, Ela sempre obterá do seu Filho todas as graças necessárias à nossa salvação”.

Façamos o propósito neste sábado mariano de oferecer-lhe com mais amor essa coroa de rosas que a palavra “rosário” significa na sua etimologia. Não rosas murchas pela falta de amor ou pelo descuido.

“Santo Rosário. Os gozos, as dores e as glórias da vida de Nossa Senhora tecem uma coroa de louvores que os Anjos e os Santos do Céu repetem ininterruptamente…, como também os que amam a nossa Mãe aqui na terra. – Pratica diariamente esta devoção santa e difunde-a”.

Através desta devoção, a nossa Mãe do Céu devolver-nos-á a esperança se alguma vez, ao considerarmos tantas fraquezas, sentirmos na alma a sombra do desalento. “«Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço mais do que aumentar todos os dias o número dos meus pecados…» Disseste-me o outro dia que falavas assim com a Nossa Mãe.

“E aconselhei-te, com plena segurança, que rezasses o terço: bendita monotonia de ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados!”

Fonte: Falar com Deus.


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O Problema Fundamental

Lastimo minha geração, vazia de toda substância humana, que busca somente divertimento, avanço tecnológico e carros importados como meta na vida, e se encontra espalhada em “tribos” que não possuem colorido algum…

Os homens recusam-se a despertar para a vida espiritual. Realizam uma espécie de trabalho forçado…

Tempo de publicidade, de regimes totalitários e de exércitos sem clarins e bandeiras, sem missas pelos mortos…

Abomino intensamente a realidade…

Só existe um problema no mundo, um único apenas. Restituir aos homens o significado espiritual das inquietações.

Fazer chover sobre eles algo que se assemelhe a um canto gregoriano. Se tivesse fé, certamente passada essa época de provação, necessária e ingrata, não suportaria outra coisa senão Solesmes.

… Toda a agitação dos últimos tempos só tem duas fontes: a precariedade dos sistemas econômicos e o desespero espiritual…

A solução se resume em fazer que o homem redescubra que existe uma vida espiritual, mais alta que a vida intelectual; única capaz de satisfazer os anseios do homem…

Eis o problema fundamental: O homem sabe o sentido da vida e não procura a resposta.

Trechos da carta escrita por Antoine de Saint-Exupery (Autor de “O Pequeno Píríncipe”), um ano antes de sua morte heróica a serviço da pátria.

Fonte: PHILLIPON, Marie-Michel. O Sentido do Eterno. Tradução: Eduardo de Carvalho. São Paulo: Factash Editora, 2008.


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