Sunday, 20 of May of 2012

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Silêncio na Liturgia

Por Dom Eugênio Sales

Diz a Sagrada Escritura: “Há tempo de calar e tempo de falar” (Eclesiastes 3,5).

A muitos cristãos se aplica essa advertência bíblica. Ao entrar em certos templos, o modo como alguns procedem revela falta de Fé na presença eucarística e desconhecimento das exigências de um lugar sagrado. Dentro, continuam o entretenimento iniciado fora, na rua, como se tudo fosse banal. Outras vezes, a palestra, mesmo a meia voz, serve de passatempo, enquanto aguardam o ato litúrgico. A casa de oração é transformada em lugar de conversação. E isso acontece também entre pessoas que deveriam servir de exemplo.

Mais grave ainda quando este comportamento ocorre durante celebrações religiosas. Importa valorizar o silêncio nessas ocasiões e lugares. Ele também significa nossa condição de pecador. É o que se deduz dessa passagem de São Paulo, na Epístola aos Romanos (3, 19): “Toda a boca se cale e o mundo inteiro se reconheça réu em face de Deus“.

O Senhor, no sacrário das igrejas, pede o recolhimento pessoal e da comunidade. Há muitas outras oportunidades de os homens se encontrarem. No templo o relacionamento é com Deus. Manifesta-se de vários modos, pela genuflexão bem feita diante do Santíssimo, pela postura corporal, aproveitamento do tempo pela oração e, em particular, com a homenagem que a criatura presta ao Criador, guardando o silêncio respeitoso nos atos religiosos ou fora deles. Lemos no Evangelho de São Lucas (9,36) que, ao ser revelada a divindade de Cristo na transfiguração do Tabor, “os discípulos mantiveram silêncio“.

O profeta Habacuc (2,20) nos adverte: “O Senhor reside na sua santa morada. Cale-se toda a terra diante dele“. Sofonias (1,7) insiste no mesmo sentido: “Silêncio na presença do Senhor“. Em outras passagens a Sagrada Escritura retoma esse tema.

Um fator que induz à infração de tal dever diante de Deus aos lugares sagrados – e, principalmente, na ocasião das cerimônias – é o esforço por promover uma vivência comunitária. Como a prática religiosa, antes do Concílio Vaticano II, se ressentia de uma forte influência individualista, busca-se expandir uma visão mais conforme à própria natureza da Igreja. Formamos um só corpo, cuja cabeça é Cristo. Nossas ações devem repetir essa perspectiva, não ficando, assim, reduzidas a atitudes isoladas. Para alcançar esse objetivo recomenda-se o que diz respeito ao próximo.

Não se exclui dessas atitudes o templo e o que nele ocorre. Com boa vontade, embora mal disciplinada, foram sugeridas ruidosas manifestações estranhas às justas aclamações, aliás, previstas pelas normas litúrgicas. Nesse campo é fácil passar do correto ou razoável para o excesso. Este impede o clima de oração e ofende a santidade do lugar, o que é bem diverso de uma entusiástica participação, no júbilo coletivo, por razões pias. Essa matéria, evidentemente, não se mede pelo ruído, mas pelos motivos que o provocam. A glória de Deus merece calorosos aplausos, como exige a supressão até de murmúrios, quando profanos.

Essas considerações nos levam a especificar algumas circunstâncias para melhor compreensão. Na Santa Missa, o momento da paz por vezes se converte em balbúrdia inaceitável. Pelas diretrizes litúrgicas essa saudação é feita ao mais próximos. Em algumas igrejas, os excessos levam a uma agitação generalizada entre os participantes. O ambiente sagrado, imediatamente antes da Santa Comunhão, é prejudicado.

Certos cânticos mesmo de índole religiosa, podem ser classificados como oportunos em festejos e outros lugares, que não o templo sagrado. O Santo Sacrifício não é ocasião para protestos político-ideológicos, através de canções. Igualmente, a “Oração dos fiéis” não se destina a um momento de criticar ou de difundir determinadas posições, à margem da sacralidade do ato que se celebra.

Os batizados e, principalmente, as celebrações do casamento são, não raras vezes, uma real profanação do lugar sagrado. Qualquer pessoa que possua mediana educação doméstica – nem direi religiosa – jamais terá um comportamento não condizente com o ato e a Casa de Deus. Mesmo desprovido de Fé, possuindo bom senso, assumirá uma atitude respeitosa ao lugar onde se encontra. Ninguém é obrigado a ir, mas se, livremente, ali está, subentende-se que aceita as regras comezinhas de boa convivência humana.

Esses exemplos e outras circunstâncias sugerem a necessidade de inculcar a importância do sagrado, neste mundo que desconhece cada vez mais os valores religiosos.

Qual a metodologia a ser utilizada na preservação de um ambiente verdadeiramente adequado à santidade de nossos templos? A primeira medida será fortalecer o espírito de Fé. A crença bem viva na infinita grandeza de Deus é que nos leva a respeitá-Lo. E o silêncio é uma manifestação desses nossos sentimentos. Ao penetrar nos umbrais da casa do Senhor, por mais humilde e pobre que seja, tenhamos presente a dignidade espiritual do lugar.

Um outro recurso é ter bem viva a responsabilidade de dar um exemplo cristão ao próximo, principalmente às crianças e pessoas afastadas da Fé ou alheias a ela. Esse trabalho educativo cabe, de modo especial, aos que se acham naturalmente vinculados à Igreja. Esse comportamento é mais eloqüente que uma exortação ou apelo.

Muitos poderiam perguntar por que tratar desse assunto, quando há outros, aparentemente de maior gravidade e importância. A resposta é simples: tudo o que se refere a Deus é valioso e oportuno. Além disso, o cuidado com as necessidades materiais do nosso próximo será mais eficaz quando elas estão vinculadas ao seu progresso espiritual. Este é um alicerce sólido sobre o qual se possibilita a edificação de uma obra social duradoura e eficaz.

Louvemos ao Senhor com lábios e também com o coração na Casa de Deus. Esta é uma eloqüente manifestação de nossa Fé.

Fonte: http://www.arquidiocese.org.br/paginas/v19012007.htm


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Pedir com Fé

A ORAÇÃO DE PETIÇÃO ocupa um lugar muito importante na vida dos homens. Ainda que o Senhor nos conceda muitos dons e benefícios sem os termos pedido, decidiu conceder?nos outras graças mediante a nossa oração ou a oração daqueles que se encontram mais perto dEle. São Tomás ensina que a nossa petição não tem por fim mudar a vontade divina, mas obter o que o Senhor já tinha determinado conceder?nos se lho pedíssemos. Por isso é necessário pedir incansavelmente, pois não sabemos qual é a medida da oração que Deus espera que preenchamos para nos conceder o que nos quer conceder.

Temos que pedir também a outras pessoas que rezem pelas intenções santamente ambiciosas que trazemos no nosso coração. O próprio São Tomás explica que uma das causas pelas quais Jesus não respondeu imediatamente à cananéia foi porque Ele queria que os discípulos intercedessem por ela, para nos mostrar como é necessária a intercessão dos santos para alcançarmos algumas coisas.

O milagre extraordinário que a mãe da endemoninhada pedia ao Senhor necessitou também de uma oração persistente acompanhada de muita fé e de muita humildade. Perseverar é a primeira condição de toda a petição: É preciso orar sempre e não desfalecer, ensinou o próprio Jesus. “Persevera na oração. – Persevera, ainda que o teu esforço pareça estéril. – A oração é sempre fecunda”. A petição daquela mulher foi eficaz desde o primeiro momento. Jesus só esperou que o seu coração estivesse bem preparado para receber o grande dom que pedia.

Temos de pedir com fé. A própria fé “faz brotar a oração, e a oração, logo que brota, alcança a firmeza da fé”; ambas estão intimamente unidas. A cananéia tinha uma grande fé: “Ela crê na divindade de Cristo quando o chama Senhor; e na sua humanidade quando lhe diz: Filho de Davi! Não pede nada apoiada nos seus méritos; mas invoca a misericórdia do Senhor, dizendo: Tem piedade. E não diz: Tem piedade da minha filha, mas de mim, porque a dor da filha é dor da mãe; e para movê?lo ainda mais à compaixão, conta?lhe a sua dor; por isso continua: Minha filha é cruelmente atormentada pelo demônio. Nestas palavras, mostra ao Médico as suas feridas e a magnitude e espécie da sua doença; a magnitude, quando lhe diz: cruelmente atormentada; a espécie, pelas palavras: pelo demônio”.

A constância na oração nasce de uma vida de fé, da confiança em Jesus, que nos ouve mesmo quando parece que se cala. E, por fim, da humildade, que é mais uma qualidade da boa oração. A oração deve brotar de um coração humilde e arrependido dos seus pecados: Cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies; o Senhor, que nunca despreza um coração contrito e arrependido, resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes, a quem se sabe servus pauper et humilis, pobre e humilde.

Fonte: Falar com Deus


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11 Conselhos para ensinar os filhos a pensar

Por Luis Olivera

Aprende a pensar aquele que pergunta sempre, que sai da jaula das modas, que se atreve a inventar problemas e a pensar sobre si mesmo, sobre a vida, sobre tudo.

1. Em primeiro lugar, é preciso agir conforme a verdade das coisas: ensinar os filhos a não se enganarem, a serem sinceros, a agirem com coerência. “Podemos conhecer a química cerebral que explica o movimento de um dedo, mas isso não explica por que esse movimento é usado para tocar piano e não para apertar um gatilho” (Marcus Jacobson). E também “não podemos baratear a verdade” (F. Suárez), rebaixando o seu valor, como se fosse uma liquidação.

2. Um segundo ponto é que “o treinamento é um privilégio da inteligência humana” (José Antonio Marina). É preciso enriquecer a linguagem, é preciso estimular o diálogo, o exercício mental de raciocinar, de defender uma causa, de ter argumentos para as próprias decisões, e não somente fazer o que fazem os outros, como os bois no pasto. Aprender a pensar é descobrir como é grande o poder da moda sobre o mundo inteiro, e saber sair da jaula em que a moda pode encerrar-nos. O pensador livre – ou seja: o pensador – não deve sacrificar a sua liberdade no altar da moda. Sacrificar a verdade no altar da moda é uma das perversões mais nocivas para um pensador… E no entanto é excessiva a freqüência com que a razão fica presa na jaula da moda. Treinamento e cultivo, porque “a terra que não é lavrada, trará abrolhos e espinhos, ainda que seja fértil. Assim sucede com o entendimento do homem” (Santa Teresa de Ávila).

3. Já que é impossível não se equivocar nunca, pelo menos por utilidade e por dever temos de aprender com os nossos enganos: se quisermos aprender a pensar, deveremos descobrir o mundo tão humano do erro. “Errar é humano“, diziam já os antigos. O erro é o preço que o animal racional tem que pagar.

4. Seremos mais inteligentes e mais livres quando conheçamos melhor a realidade, quando saibamos avaliá-la melhor e quando sejamos capazes de abrir mais caminhos novos. Seria um erro pensar – observa Leonardo Polo – que o homem inventou a flecha porque tinha necessidade de comer pássaros. Também o gato tem essa necessidade, e o ilustre felino nunca inventou nada. O homem inventou a flecha porque a sua inteligência descobriu a oportunidade escondida no graveto.

5. Manter aberta a nossa capacidade de dirigir a própria conduta mediante valores pensados. É preciso passar do regime do impulso irracional para o regime da inteligência. Mais do que ensinar a pensar, a função dos pais há de ser a de motivar os filhos para que queiram pensar por sua própria conta. Com atitudes positivas, as crianças topam qualquer parada; com atitudes negativas, pensar parece lhes uma coisa cansativa e agir parece lhes uma coisa medíocre.

6. Ensinar a tomar decisões. A inteligência é a capacidade de resolver problemas vitais. Não é muito inteligente quem não seja capaz de decidir, mesmo que dentro do seu refúgio isolado consiga resolver facilmente problemas de trigonometria. Se admitirmos que educar é essencialmente ajudar a crescer na liberdade e na responsabilidade, então aprender a decidir bem acaba sendo um dos aspectos chave nessa tarefa: quanto maior a capacidade de decisão, mais liberdade.

7. Devemos recuperar – e estimular – nas crianças a sadia estratégia de perguntar continuamente. As três perguntas fundamentais são: “O que é?”, “Por que isso é assim?” e “Como é que você sabe?” Aristóteles definia a ciência como “o conhecimento certo pelas causas“: portanto, é preciso habituar-se a perguntar os porquês. Os pais devem estimular, comentar e favorecer (criando o clima adequado) os hábitos intelectuais dos filhos.

8. A inteligência tem de saber aprender, mas sobretudo tem de desfrutar aprendendo. Trata-se de formular perguntas que levem à reflexão, a perguntar-se sobre o próprio pensamento: “Por que o homem pensa?”, “Você já pensou porque é que lembramos das coisas?” “Pensamos quando estamos dormindo?” “O que é que mais faz você pensar?” “Você pode pensar duas coisas diferentes ao mesmo tempo?” Leonardo Polo define o homem como um ser que não somente resolve problemas, mas que também os formula. Com efeito, o ser humano progride propondo a si mesmo novos problemas e tentando resolvê-los.

9. A inteligência deve ser eficazmente lingüística. Graças à linguagem, não somente nos comunicamos com os outros, mas também conosco próprios. A inteligência não se parece a uma coleção de fotografias, mas a um rio. Rio e inteligência “discorrem“. A nossa língua original – a língua materna – é um rio em que deságuam milhares de afluentes. “A pluma e a palavra são as armas do pensador” (J.A. Jauregui): aprender a pensar é aprender a tocar os instrumentos do pensamento: a pluma e a palavra.

10. Fomentar a leitura e controlar o uso da televisão. Já que estamos falando do vôo da inteligência, trata-se de “ser mais inteligentes que a televisão” (Jiménez). Os livros “tem de ser obras que alimentem a inteligência sem deixar o coração seco“, ou seja, devem “iluminar a mente com a verdade e não mergulhá-la nas névoas da dúvida ou na escuridão do erro” (F. Suárez).

11. Urge encontrar momentos para refletir, para pensar, coisa aliás muito menos trabalhosa do que muitas das necessidades que inventamos. Pensar sobre o sentido da vida, das coisas, do homem, de Deus. Quando Unamuno disse que costumava sair para passear com os pastores de ovelhas para aprender a pensar, para desprender-se dos preconceitos e dos dogmas de escola, muitos rasgaram as vestes. Unamuno, porém, estava sendo sincero. Um pastor de ovelhas tem tempo para pensar, para dar rédea solta à sua imaginação e para descobrir horizontes filosóficos que jamais foram vistos por nenhum outro pensador. Fernando Corominas diz que é preciso “instalar” na mente e no coração dos filhos as coisas boas antes que cheguem as nocivas. Esse “chegar antes” é educar pensando no futuro. Sempre que nos abandonamos, retornamos à selva. Essa selva de que falo metaforicamente é sempre uma claudicação da inteligência.

Fonte: http://www.quadrante.com.br/Pages/servicos02.asp?id=221&categoria=Familia


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A Maturidade Afetiva

Por Rafael Llano Cifuentes


No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração. “Vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos

A afetividade não está por assim dizer encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade.

Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou pelo menos entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.

Observamos isto claramente no fenômeno de “fixação na adolescência” ou na “adolescência retardada“. Como já anotamos, o adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma “fixação“, permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.

É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.

Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos truncados, incompletos, mal-formados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem conseqüências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se “descasam“, se “juntam” e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.

Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra?

O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão dificil de definir que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: “Amor“. Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: “O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma“.

A MATURIDADE NO AMOR

Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que “a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro“.

Bem diferente é o conceito de amor que se cultua na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, onde o que mais conta é o prazer. Este fenômeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:

- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum “don Juan“: um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: “É mais fácil conquistar do que manter a conquista“.

- Diviniza-se o amor: “A pessoa imatura – escreve Enrique Rojas – idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge <…>. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenômeno que Ortega y Gasset designou por “doença da atenção”, mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real“.(E. Rojas)

- No imaturo, o amor fica “cristalizado“, como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na “versão real” que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e freqüentemente rupturas.

- A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São suscetíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. “O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta porcentagem de artesanato psicológico“.(E.Rojas)

A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.

- Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de “grude” que prende os outros ao próprio “eu” para completá-lo ou engrandecê-lo.

Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração. Procura cada vez mais atrair os outros para si e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.

Os sentimentos são caminho de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: “Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afetividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental“.

Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com um seu primo – extremamente egoísta – que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntava-lhe em que situação afetiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: “Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama“.

O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, em vez de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum. A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. As pessoas imaturas não compreendem que a dedicação aos filhos constitui um fator importante para a estabilidade afetiva dos pais. Também não assimilaram a idéia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de se empenhar na realização do cônjuge. Quem não é solidário termina solitário. Ou juntando-se a uma “gatinha“, seja de que espécie for.

EDUCAR A AFETIVIDADE

Mais do que nunca, é preciso prestar atenção hoje à educação da afetividade dos filhos e à reeducação da afetividade dos adultos. Uma educação e uma reeducação que devem ter como base esse conceito mais nobre do amor que acabamos de formular: aquele que vai superando o estágio do amor de apetência – que apetece e dá prazer – para passar ao amor de complacência – que compraz afetivamente – e abrir-se ao amor oblativo de benevolência – que sabe renunciar e entregar-se para conseguir o bem do outro.

O amor maduro exige domínio próprio: ir ascendendo do mundo elementar – imaturo – do mero prazer, até o mundo racional e espiritual em que o homem encontra a sua plena dignidade. Reclama que se canalizem as inclinações naturais sensitivas para pô-las ao serviço da totalidade da pessoa humana, com as suas exigências racionais e espirituais. Requer que se conceda à vontade o seu papel reitor, livre e responsável. Pede que, por cima dos gostos e sentimentos pessoais, se valorizem os compromissos sérios reciprocamente assumidos… Aaron Beek, no seu livro Só o amor não basta, insiste repetidamente em que é necessária a determinação da vontade para dar consistência aos movimentos intermitentes do coração: o mero sentimento não basta.

O “amor como dom de si comporta – diz o Catecismo da Igreja Católica – uma aprendizagem do domínio de si <…>. As alternativas são claras: ou o homem comanda e domina as suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. Esse domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida“.

Isto significa cultivar o amor. O maior de todos os amores desmoronar-se-á se não for aperfeiçoado diariamente. Empenho este que, na vida diária, se traduz no esforço por esmerar-se na realização das pequenas coisas, à semelhança do trabalho do ourives, feito com filigranas delicadamente entrelaçadas cada dia, na tarefa de aprimorar o trato mútuo, evitando os pormenores que prejudicam a convivência.

A convivência é uma arte preciosa. Exige uma série de diligências: prestar atenção habitual às necessidades do outro; corrigir os defeitos; superar os pequenos conflitos para que não gerem os grandes; aprender a escutar mais do que a falar; vencer o cansaço provocado pela rotina; retribuir com gratidão os esforços feitos pelo outro… e, especialmente, renovar, no pequeno e no grande, o compromisso de uma mútua fidelidade que exige perseverança nas menores exigências do amor…, uma perseverança que não goza dos favores de uma sociedade hedonista e permissivista, inclinada sempre ao mais gostoso e prazeroso.

O coração não foi feito para amoricos, dizíamos, mas para amores fortes. O sentimentalismo é para o amor o que a caricatura é para o rosto. Alguns parecem ter o coração de chiclete: apegam-se a tudo. Uns olhos bonitos, uma voz meiga, um caminhar charmoso, podem fazer-lhes tremer os fundamentos da fidelidade. Outros parecem inveterados novelistas: sentem sempre a necessidade de estar envolvidos em algum romance, real ou imaginário, sendo eles os eternos protagonistas: dão a impressão de que a televisão mental lhes absorve todos os pensamentos.

Precisamos educar o nosso coração para a fidelidade. Amores maduros são sempre amores fiéis. Não podemos ter um coração de bailarina. A guarda dos sentidos – especialmente da vista – e da imaginação há de proteger-nos da inconstância sentimental, do comportamento volátil de um “beija-flor“…

Tudo isto faz parte do que denominávamos a educação afetiva dos jovens e a reeducação afetiva dos adultos. João Paulo II a chama “a educação para o amor como dom de si: diante de uma cultura que «banaliza» em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e vive de maneira limitada e empobrecida, ligando-a exclusivamente ao corpo e ao prazer egoístico, a tarefa educativa deve dirigir-se com firmeza para uma cultura sexual verdadeira e plenamente pessoal. A sexualidade, de fato, é uma riqueza da pessoa toda – corpo, sentimento e alma -, e manifesta o seu significado íntimo ao levar a pessoa ao dom de si no amor“.

Fonte: http://www.quadrante.com.br/Pages/servicos02.asp?id=205&categoria=Espiritualidade


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Homem não prático, precisa-se.

Por Gilbert Keith Chesterton

(Trecho do livro Disparates do Mundo do genial, e esquecido, escritor inglês Chesterton)

Há uma anedota filosófica popular que caracteriza as infindáveis e inúteis discussões dos filósofos; refiro-me à questão sobre qual apareceu primeiro, a galinha ou o ovo. Não tenho bem a certeza de que a questão seja tão fútil como isso, se bem a compreendermos. Não tenho aqui que tratar dessas profundas questões teológicas e metafísicas, das quais o problema da galinha e do ovo é frívolo mas feliz exemplo.

O materialismo evolucionista está representado apropriadamente na visão de todas as coisas surgindo de um ovo, vago e monstruoso germe oval, auto-posto por acidente. A outra escola de pensamento, sobrenatural (à qual pessoalmente adiro), não será muito mal representada pela idéia de que este nosso mundo arredondado não passa de um ovo chocado por uma ave sagrada e não gerada – a pomba mística de que falam os profetas.

É contudo para função muito mais humilde que eu aqui invoco a tremenda potência de tal distinção. Esteja ou não o pássaro vivo no início da nossa cadeia mental, é absolutamente necessário que o esteja no final da dita cadeia. A ave é o nosso alvo – não para espingardas, mas para ser tocada com a varinha de condão criadora da vida. O essencial para pensarmos acertadamente é lembrarmo-nos de que o ovo e o pássaro não devem ser considerados como ocorrências cósmicas de igual importância, sucedendo-se uma à outra por toda a eternidade.

Não as convertamos em mero padrão ovo-pássaro como o modelo “ovo-e-flecha“. Um é meio; outro, fim; situam-se em mundos mentais diferentes. Pondo de lado as complicações da mesa do pequeno almoço, em princípio o ovo existe unicamente para produzir o pinto. Mas o pinto não existe apenas para vir a produzir outro ovo. Pode existir também para se divertir, para louvar a Deus, ou até para sugerir idéias a um dramaturgo francês (1).

Sendo uma vida consciente, tem ou pode ter um valor pessoal. Pois bem, a nossa política moderna está cheia de ruidoso esquecimento; esquece-se de que a produção daquela vida feliz e consciente é, apesar de tudo, a finalidade de todas as complexidades e compromissos. Falamos apenas de homens úteis e instituições que funcionam, isto é, estamos a pensar em galinhas que ponham mais ovos. Em vez de procurar alimentar a nossa ave ideal, a águia de Zeus, o cisne de Avon, ou seja o que for, falamos integralmente em termos processuais e embriogenéticos. O processo em si, separado do seu objectivo divino, torna-se duvidoso e até mórbido; o veneno entra no embrião de tudo; as nossas políticas são ovos podres.

O idealismo consiste apenas em considerar tudo na sua realidade essencial. Idealismo significa tão somente que devemos considerar um atiçador, no que diz respeito a avivar as brasas e a fazer borralho, antes de considerar a sua adequação ao espancamento das esposas. Quanto ao ovo, devemos considerá-lo, primeiro, para a criação prática de galinhas; só depois decidiremos se é suficientemente mau para servir na política. Bem sei que a busca primária da teoria (ou seja a procura de uma finalidade) nos expõe à banal acusação de tocar lira enquanto Roma arde.

Certa escola, representada por Lord Rosebery, procurou substituir os ideais morais ou sociais, que até então constituíram a base de toda a política, por uma conferência geral organizando completamente o sistema social, o que lhe mereceu a alcunha de “eficiência“. Não estou muito seguro da doutrina secreta desta seita na matéria em causa mas, tanto quanto consegui apurar, “eficiência” significa que temos de descobrir tudo acerca de uma máquina exceto aquilo para que ela serve.

Daqui surgiu uma das mais singulares fantasias do nosso tempo: a de que, quando as coisas vão mal, é preciso um homem prático. Estaríamos bem mais perto da verdade se disséssemos que quando as coisas vão muito mal precisamos de um homem não-prático. Pelo menos, com certeza que precisamos de um teórico. Homem prático quer dizer o habituado à simples prática do dia-a-dia, à maneira como as coisas funcionam vulgarmente. Quando as coisas não andam, do que se precisa é de um pensador, o homem que tem uma doutrina pela qual as coisas correrão. É disparate tocar lira quando Roma arde, mas há toda a razão para que se estude hidráulica durante o incêndio.

É, portanto, necessário deitar fora o agnosticismo pessoal quotidiano e tentar rerum cognoscere causas. Se o seu avião está ligeiramente indisposto, um homem habilidoso pode repará-lo, mas se está gravemente doente o mais natural é que seja necessário desencantar de uma universidade ou de um laboratório um velho professor distraído, cabeça de matagal encanecido, para analisar o mal. Quanto pior for o estrago, mais cabelos brancos e mais distração do teórico serão necessários para solucionar o problema. Nalguns casos extremos, ninguém, a não ser o homem (provavelmente louco) que inventou a aeronave, poderá talvez dizer de que avaria se tratava.

Eficiência“, evidentemente, é palavra fútil, pela mesma razão que são fúteis expressões como “homem forte“, “força de vontade” e “super-homem“; quer dizer: é fútil porque apenas concerne a ações depois de praticadas. Não tem filosofia para incidentes antes deles acontecerem. Não dá, pois, liberdade de escolher. Qualquer ato só é bem ou mal sucedido depois de realizado; ao iniciá-lo, o que tem de ser, em abstrato, é ou bom ou mau. É impossível apostar no vencedor, pois enquanto apostamos ainda o não é. Também não há combate ao lado do vencedor; combatemos para determinar de que lado ficará a vitória.

Se tal operação foi bem sucedida foi por ser eficiente. Se um homem é assassinado, o assassino é eficiente. O sol dos trópicos é eficiente na produção de povos indolentes, da mesma forma que é eficiente o tirânico contra-mestre do Lancashire na formação de homens enérgicos. Maeterlinck é tão eficaz no encher de um homem com estranhos frêmitos espirituais, como os senhores Crosse & Blackwell em o empanturrar com doces de frutas. Lord Rosebery, como cético moderno que é, prefere provavelmente os frêmitos espirituais. Eu, como cristão ortodoxo, prefiro as compotas, mas qualquer das operações só é eficaz depois de efetuada e ineficiente antes de o ser. O homem que pensa muito em sucesso tem de ser o mais dorminhoco dos sentimentais por ter sempre de olhar para trás. Se apenas quer vitórias, terá de chegar sempre atrasado à batalha. Para o homem de ação, só o idealismo serve.

Precisar esse ideal é, de longe, assunto mais prático e urgente do que quaisquer planos ou propostas imediatas, na perturbação da Inglaterra atual. O caos existente é devido, precisamente, a uma espécie de esquecimento geral de tudo a que originalmente aspiravam os homens. Ninguém pede o que deseja; todos pedem o que fantasiam poder obter. Cedo o mundo esquecerá o que o homem pretendia primeiramente e o próprio homem depois de uma vida política bem sucedida e vigorosa, também o esquecerá. O conjunto é um motim extravagante de ótimos secundários, pandemônio de pis aller (2).

Ora esta espécie de condescendência não só impede qualquer consistência heróica, como também impede qualquer entendimento realmente prático. É impossível determinar-se o ponto médio entre dois pontos que não estão fixos. Podemos fazer um acordo entre dois litigantes que não conseguem ambos tudo o que pretendem; mas não se eles não nos disserem o que querem. O gerente dum restaurante ficaria muito mais satisfeito se cada freguês fizesse os seus pedidos delicadamente, quer se tratasse de íbis guisado ou de cozido de elefante, em vez de se sentar, de cabeça entre as mãos, mergulhado em cálculos aritméticos sobre a quantidade de comida que o edifício possa conter.

Alguns de nós temos sofrido com certa espécie de senhoras que, pela sua perversa falta de egoísmo, dão muito mais trabalho do que as egoístas, quase reclamadoras do prato impopular e ansiosas pelo lugar pior da casa. Outros conheceram reuniões ou grupos de passeio cheios de ferventes abnegações alardeadas. Por muito mais ínfimas razões do que as de tais admiráveis mulheres, mantêm os nossos práticos da política a mesma confusão devido a idênticas dúvidas sobre as suas exigências reais.

Nada é mais impeditivo de um acordo do que um rosário de pequenas capitulações. Por todos os lados nos desnorteiam políticos campeões da educação laica – que, no entanto, julgam inútil trabalhar para a conseguir; desejam a proibição total, mas sabem que a não pedirão; lamentam a obrigatoriedade do ensino, mas mantêm-na resignadamente; querem a propriedade para os rurais, mas votam por qualquer outra coisa.

É este ofuscante e viscoso oportunismo que entrava tudo. Se os nossos estadistas fossem visionários, poder-se-ia fazer qualquer coisa de prático. Se pedíssemos qualquer coisa abstrata, talvez algo se obtivesse de concreto. Tal como as coisas estão, não só é impossível obter-se o desejado, como impossível é obter-se qualquer parte dele, porque ninguém o pode assinalar chãmente como se faz nos mapas.

Aquela clareza e até rigorosa qualidade do velho regatear extinguiu-se totalmente. Esquecemo-nos de que a palavra “compromisso” contém, entre outros elementos, a rígida e sonora palavra “promessa“. Moderação não significa vacuidade; é termo tão preciso como perfeição. O ponto médio é tão fixo como os extremos.

Se um pirata me obrigasse a passear na prancha, seria inútil propor-lhe, como solução de compromisso, que me deixasse andar apenas uma distância razoável sobre a dita tábua. É precisamente sobre qual fosse essa distância razoável que o pirata e eu não poderíamos pôr-nos de acordo. Há um requintado ponto de inflexão matemático depois do qual a prancha verga.

O meu bom senso acaba justamente aí. Mas o ponto em si é tão rigoroso como um diagrama geométrico, tão abstrato como qualquer dogma teológico.

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(1) Edmond Rostand, na peça Chantecler (1910) cujo protagonista é um galo (N. do T.).

(2) Em francês no original: «o pior possível», (N. do T.).

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Fonte: http://www.quadrante.com.br/Pages/servicos02.asp?id=372&categoria=Filosofia&pg=principal


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