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    “Não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração”

    July 30th, 2008
    Trabalhemos, e trabalhemos muito e bem, sem esquecer que a nossa melhor é a oração. Por isso, não me canso de repetir que temos que ser almas contemplativas no meio do mundo, que procuram converter o seu trabalho em oração. (Sulco, 497)

    Persuadi-vos de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. É só oferecê-lo e pôr mãos à obra, que já Deus nos escuta e nos alenta. Alcançamos o estilo das almas contemplativas, no meio do trabalho cotidiano! Porque nos invade a certeza de que Ele nos olha, ao mesmo tempo que nos pede um novo ato de auto-domínio: esse pequeno sacrifício, o sorriso para a pessoa inoportuna, esse começar pela tarefa menos agradável, mas mais urgente, o cuidar dos pormenores de ordem, com perseverança no cumprimento do dever, quando seria tão fácil abandoná-lo, o não deixar para amanhã o que temos que terminar hoje: tudo para dar gosto a Ele, ao nosso pai-Deus! E talvez sobre a tua mesa, ou num lugar discreto que não chame a atenção, mas que te sirva como despertador do espírito contemplativo, colocas o crucifixo, que já é para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço.

    Se te decides – sem esquisitices, sem abandonares o mundo, no meio das tuas ocupações habituais – a enveredar por estes caminhos de contemplação, logo te sentirás amigo do Mestre, com a divina incumbência de abrir as sendas divinas da terra à humanidade inteira. Sim. Com esse teu trabalho, contribuirás para a extensão do reinado de Cristo em todos os continentes. E suceder-se-ão, uma após outra, as horas de trabalho oferecidas pelas longínquas nações que nascem para a fé, pelos povos do Oriente impedidos barbaramente de professar com liberdade as suas crenças, pelos países de antiga tradição cristã, onde parece ter obscurecido a luz do Evangelho e as almas se debatem entre as sombras da ignorância… Então, que valor não adquire essa hora de trabalho!, esse continuar com o mesmo empenho por mais algum tempo, por mais alguns minutos, até terminar a tarefa! De um modo prático e simples, convertes a contemplação em apostolado, como uma necessidade imperiosa do coração, que pulsa em uníssono com o dulcíssimo e misericordioso Coração de Jesus, Senhor Nosso. (Amigos de Deus, 67) [Topo]

    http://www.opusdei.org.br/art.php?p=17514


    As Coisas do Senhor e o Senhor das Coisas…

    July 29th, 2008

    Jesus e os seus discípulos detiveram-se em casa desses amigos de Betânia antes de irem a Jerusalém. As duas irmãs começaram a preparar todas as coisas necessárias para hospedá-los. Mas Maria, talvez poucos minutos depois da chegada do Mestre, sentou-se aos seus pés e ouvia a sua palavra16, enquanto Marta cuidava sozinha do trabalho da casa. Maria despreocupou-se das inúmeras tarefas que ainda restavam por fazer e entregou-se completamente às palavras do Mestre. “A familiaridade com que se instalou aos seus pés [...], a fome de ouvir as suas palavras, demonstram que este não era o primeiro encontro, mas que existia uma verdadeira intimidade”.

    Marta não se mostra, com certeza, indiferente às palavras de Jesus; ela também as escuta, mas está mais ocupada nas tarefas domésticas. Sem perceber, deixou Jesus passar para um segundo plano: está absorvida nas coisas que tem de preparar para atendê-lo bem. E inquieta-se ao sentir-se sozinha, a braços com mais trabalho talvez do que aquele que podia realizar. Contempla então a sua irmã aos pés de Jesus e, presa de um certo desassossego, mas com grande confiança, posta-se diante de Jesus – como nota São Lucas – e diz-lhe: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado só com o serviço da casa? Dize-lhe, pois, que me ajude. Que grande confiança tem com o Mestre!: Dize-lhe que me ajude…

    Jesus responde-lhe no mesmo tom familiar, como parece indicar a própria repetição do nome: Marta, Marta – diz-lhe –, tu te afadigas e andas inquieta com muitas coisas. No entanto, uma só coisa é necessária. Maria, que deveria sem dúvida prestar ajuda à sua irmã, não esqueceu contudo o essencial, aquilo que é verdadeiramente necessário: ter Jesus como centro das atenções. O Senhor não louva toda a sua atitude, mas o principal: o seu amor.

    Nem sequer as coisas que se referem ao Senhor devem fazer-nos esquecer o Senhor das coisas. Marta nunca esqueceria a amável censura do Senhor. Se o seu trabalho era importante, mais importante ainda era estar com o Senhor.

    Nem sequer nas tarefas que se referem diretamente a Deus devemos esquecer que o principal, a única coisa necessária, é a sua Pessoa. E na nossa vida ordinária devemos ter presente que os assuntos que parecem primordiais, como o trabalho, também não podem antepor-se à família e muito menos a Deus. De pouco serviriam os nossos progressos – econômicos, sociais… – se a própria vida familiar viesse a deteriorar-se por ficar em segundo plano. Se um pai ou mãe de família ganha mais dinheiro, mas descuida o relacionamento com os filhos, de que adianta? Por maioria de razão, se os nossos deveres profissionais nos levam a esquecer as nossas orações habituais – uma breve leitura do Evangelho e outras práticas de piedade, que se intercalam com facilidade no meio das ocupações mais absorventes –, que sentido têm para um cristão?

    Santa Marta, que goza para sempre no Céu da presença inefável de Cristo, alcançar-nos-á a graça de valorizarmos mais a amizade com o Mestre; ensinar-nos-á a cuidar com diligência das coisas do Senhor, sem esquecer o Senhor das coisas.

    Fonte: Falar com Deus.


    Fiat …

    July 27th, 2008

    Devemos aceitar e abraçar a vontade de Deus com amor! Não como algo que nos é imposto e diante do qual não há outra saída a não ser aceitar, mas sim como algo que nos oferece o Pai mais amoroso. Precisamos ter uma vontade como a dos filhos de Zebedeu para acolhê-Lo sempre, custe o que custar, com plena confiança e gratidão, deixando de lado todo tipo de interesse ou egoísmo.

    Nesta passagem, Jesus nos convida também a viver em atitude de serviço aos demais, segundo o exemplo Dele, que não veio para ser servido e sim para servir. Isto implica fugir das honras, da sede pela estima e pelo reconhecimento alheio. Viva o entregar-se ao serviço do próximo desinteressadamente, buscando sempre o bem do outro, servindo a todos com verdadeiro amor. O homem que adere firmemente a Deus e que busca servi-Lo pode ser verdadeiramente feliz já nesta terra.

    Analisemos nossa vida: já vivemos em contínua atitude de serviço, servimos aos demais sem esperar nada em troca? Fugimos do orgulho, buscamos imprimir a toda nossa vida o selo do amor e da humildade?

    Fonte: Meditações do Regnum Christi.


    Sobre o Pecado (II)

    July 26th, 2008

    PARA ARMARMOS uma luta decidida contra o pecado, é necessário que reconheçamos sem desculpas os nossos erros diários, chamando?os pelo seu nome, sem procurar justificações que bloqueariam a contrição e a luta por evitá?los: omissões nos nossos deveres profissionais, na fraternidade, no trato com Deus; juízos negativos sobre os outros; ambições menos nobres ou desordenadas: de ser o centro das atenções, de mandar, de ter mais do que se precisa; movimentos de inveja e mau?humor que se vertem sobre os outros; pouca solicitude na vida familiar…

    Tudo isso são verdadeiros pecados, embora veniais, porque a vontade resiste a secundar o querer de Deus, antepondo?lhe o capricho pessoal ou o juízo próprio, ainda que não se chegue a uma ruptura com o Senhor. O empenho por estar cada dia mais perto de Jesus Cristo não se compagina com a fraqueza de admitir coisas que nos separam dEle. Cada falta venial deliberada é um passo atrás no caminho para Deus; é entravar a ação do Espírito Santo na alma.

    A água viva que o Senhor nos promete – Se alguém tem sede, venha a mim e beba… – não pode ser armazenada em vasilhames quebrados pelo pecado mortal ou rachados pelos pecados veniais. A Confissão restaura a alma, purifica?a e enche?a de graça. Recorramos a este sacramento com contrição verdadeira. Que possamos dizer com o Salmista: Os meus olhos derramaram rios de lágrimas porque não observaram a tua lei.

    Pedimos à nossa Mãe Santa Maria, Refúgio dos pecadores, que nos conceda a graça de detestar todo o pecado venial e um grande amor ao sacramento da Misericórdia divina. Examinemos, ao terminarmos este tempo de oração, com que freqüência recorremos a esse sacramento, com que amor nos aproximamos dele, que empenho pomos em praticar os conselhos recebidos.


    Sobre o Pecado (I)

    July 25th, 2008

    FORA DE DEUS, o homem só encontrará infelicidade e morte; o pecado é uma vã tentativa de conservar água numa cisterna fendida. “Ajuda?me a repetir ao ouvido daquele, e do outro…, e de todos: um homem com fé que for pecador, ainda que consiga todas as bem?aventuranças da terra, é necessariamente infeliz e desgraçado.

    “É verdade que o motivo que nos há de levar a odiar o pecado – mesmo o venial – e que deve mover a todos, é sobrenatural: que Deus o detesta com toda a sua infinitude, com ódio sumo, eterno e necessário, como mal oposto ao infinito bem… Mas a primeira consideração que te apontei acima pode conduzir?nos a esta última”: a solidão que o pecado deixa na alma deve também levar?nos a lutar contra ele. Não sem razão se disse que, com muita freqüência, “o caminho do inferno já é um inferno”.

    O pecado endurece a alma para as coisas de Deus. No Evangelho da Missa ( Mt 13, 10-17), Jesus diz, citando o profeta Isaías: Ouvireis com os vossos ouvidos e não entendereis; olhareis com os vossos olhos e não vereis. Porque o coração deste povo tornou?se insensível, e os seus ouvidos tornaram?se duros, e fecharam os olhos para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos e entendam com o coração… Basta lançar um olhar ao nosso redor para ver com pena como estas palavras do Senhor são também uma realidade em muitos que perderam o sentido do pecado e estão como que embrutecidos em face das realidades sobrenaturais.

    O pecado mortal afasta o homem radicalmente de Deus, porque priva a alma da graça santificante; faz perder todos os méritos adquiridos pelas boas obras já realizadas e impede de receber outros novos; submete de certo modo a pessoa à escravidão do demônio; diminui a inclinação natural para a virtude, de tal maneira que cada vez se torna mais difícil realizar atos bons. Por vezes, afeta também o corpo: causa faltas de paz, mau?humor, desânimo, pouca vontade para o trabalho; provoca uma desordem nas potências e sentimentos; ocasiona um mal para toda a Igreja e para todos os homens e separa?os deles, ainda que externamente não se note: assim como todo o justo que se esforça por amar a Deus eleva o mundo e cada homem, todo o pecado “arrasta consigo a Igreja e, de certa maneira, o mundo inteiro. Por outras palavras, não há nenhum pecado, mesmo o mais íntimo e secreto, o mais estritamente individual, que diga respeito exclusivamente àquele que o comete. Todo o pecado repercute com maior ou menor veemência, com maior ou menor dano, em toda a estrutura eclesial e em toda a família humana”.

    Todo o pecado está íntima e misteriosamente relacionado com a Paixão de Cristo. Os nossos pecados estiveram presentes e foram a causa de tanta dor; e agora, no que depende de nós, crucificam novamente o Filho de Deus. “Como Ele nos ama! Quanto sacrifício, quantas penas não passou para nos salvar, desde o presépio até à Cruz! O que nos dizem os mistérios dolorosos do Rosário, as estações da Via Sacra, a Cruz, os pregos e a lança, as feridas? O Senhor sofreu tudo isso por nós, por cada um de nós, unicamente para nos abrir o acesso ao Pai (Ef 2, 18), para nos obter o perdão dos pecados e o direito de possuirmos a vida eterna. Nós, em recompensa, pecamos e desprezamos todos os seus sacrifícios. E a dor mais aguda da agonia em Getsêmani foi esta: Jesus previu com clarividência divina a ingratidão com que lhe iríamos corresponder”.

    Com a ajuda da misericórdia divina, porque ninguém está confirmado na graça, o cristão que segue de perto o Senhor não cai habitualmente em faltas graves. Mas o conhecimento da nossa debilidade deve levar?nos a evitar com cuidado as ocasiões de pecar, mesmo as mais remotas; a praticar a mortificação dos sentidos; a não confiar na experiência própria, nos anos de entrega a Deus e de uma formação esmerada… E temos de pedir ao Senhor que saibamos detestar toda a falta deliberada, que nos dê finura de consciência para não perdermos o sentido do pecado, essa tremenda realidade que parece alheia a uma boa parte da sociedade a que pertencemos, porque deu as costas a Deus.

    Dizemos a Jesus com palavras de João Paulo II: “Ajuda?nos, Senhor, a vencer a nossa indiferença e o nosso torpor! Dá?nos o sentido do pecado. Cria em nós um coração puro e renova na nossa consciência um espírito firme”

    Fonte: Falar com Deus.