Sunday, 20 of May of 2012

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O ministério da direção espiritual (VI Parte)

Por Pe. Adair José Guimarães

A relação do dirigido com o diretor espiritual

Qual deve ser a relação a ser estabelecida entre o dirigido e o diretor espiritual? De antemão vale lembrar que a direção espiritual não é apenas um desabafo ou uma conversa informal. Mas trata-se de um diálogo franco, aberto e com um claro objetivo: o crescimento espiritual do dirigido. Na direção espiritual não podemos considerar apenas a dimensão sobrenatural que envolve este ministério; é, também, um desabrochar de um relacionamento entre duas pessoas humanas e situadas dentro de um contexto também humano, movidos pela fé e desejosas de alcançar a plenitude da vivência cristã.

Deus sempre fala à pessoa humana utilizando sempre uma mediação também humana. O diretor espiritual, antes de tudo, deve ser uma pessoa aberta ao relacionamento humano e com Deus. Sua fé e sua experiência de Deus lhe outorgará o caminho do bom entendimento na ajuda humana e sobrenatural aos que lhe procurarem para a direção espiritual. Ele, por graça de Deus, realiza essa maravilhosa mediação.

Igualmente, o dirigido deve possuir largueza de alma e um profundo desejo de se relacionar e se abrir cada vez mais aos caminhos de Deus. A escuta e a capacidade de ruminar as admoestações em vista do pleno amadurecimento. Como já aludimos em artigos anteriores, além da Palavra de Deus e da Oração, não se descarta neste processo interativo entre dirigido e diretor espiritual a iluminação do instrumental de análise e de interpretação fornecidos pelas ciências do comportamento.

Considero importante que o dirigido possua simpatia pelo diretor espiritual e, sobretudo, muita confiança. Deve considerar a direção espiritual um espaço de muita liberdade onde tudo possa ser partilhado, sem receios e sem arrodeios.

O dirigido deve rezar pelo seu diretor espiritual, comungar na intenção dele. Por ser uma pessoa humana, necessita da graça divina para instruir adequadamente o dirigido. Creio que esta solidariedade na oração ajuda muito o processo de amadurecimento na direção.

A direção deve obedecer ao movimento cadencial do crescimento constante. Não pode ser um processo fechado ou repetitivo; a cada etapa elementos novos devem ser visualizados de tal modo que favoreça o amadurecimento do dirigido e a elaboração de seu itinerário de fé e vivência humana.

Quando o dirigido perceber que a direção não está rendendo e o esforço está sendo em vão, deve fazer uma avaliação com o diretor espiritual. Em certos casos, aconselha-se mudar de diretor. Se não houver sintonia e a abertura se tornar impossível, a mudança pode ser de todo benéfica. Lembro que a mudança de diretor espiritual deve ser discutida com o próprio diretor. Uma mudança que não obedeça o caminho da caridade, fere o bom senso moral e ético, alem de depor contra o próprio dirigido, principalmente se este faz parte de um seminário, instituto ou congregação religiosa.

Não é de se estranhar que o dirigido tenha que, em certos casos, questionar o seu diretor. Acontece que o acúmulo de trabalho ou o exagerado número de dirigidos, poderá impedir o diretor de estabelecer uma meta para o seu dirigido. Nesse caso, é lógico que a direção se torne efandonha e o resultado será o esfriamento do caminho de crescimento do dirigido. Contudo, deve-se levar em conta as condições humanas do diretor, sobretudo se tratar de um padre cansado e sobressaltado pelo acúmulo de serviços pastorais, o que não é novidade por esse imenso Brasil, onde os presbíteros ainda são uma espécie rara.

Mesmo que a direção espiritual possa ser uma exigência formal de uma casa de formação, seminário ou congregação religiosa, o que se requer do dirigido é a abertura total de sua alma. Todos sabemos da nocividade da mentira em todos os processos humanos; também na direção espiritual não poderia ser diferente. Quando o dirigido mente tudo cai por terra e a direção espiritual torna-se uma perda de tempo e um pecado.

A enganação na direção espiritual acarretará uma perca de tempo do diretor espiritual e a conseqüente derrocada espiritual do dirigido. Quando vejo na mídia ou através de outros meios as histórias desastradas de lideranças leigas, padres e religiosas, a primeira coisa que me vem à mente é que não foram verdadeiros na direção espiritual. Mentiram e falsearam uma vivência de aparências. Quem tem problemas ou é problemático, carregá-lo-ás por onde quer que vá.
O problema que se esconde na direção espiritual vai, mais cedo ou mais tarde, vir a tona e o descalabro é certeiro. O segredo está, repito, na abertura plena que brota da confiança que se estabelece, uma verdadeira resposta à ação do Espírito Santo. Vale ressaltar que o Espírito Santo é o nosso diretor espiritual interior. Ao ministro humano da direção espiritual cabe a perspicácia de auxiliar o dirigido à obediência ao ditames interior do Divino Consolador e Santificador.

No relacionamento dirigido/diretor, o dirigido não deve copiar o seu diretor. Há sempre o perigo de tornar-se uma fotocópia do diretor. O diretor mesmo deve ter o cuidado de não deixar que isso venha a ocorrer. O modelo será sempre Jesus Cristo. É para ele e, conseqüentemente, para suas virtudes, que o diretor deverá encaminhar o seu dirigido. Uma boa direção deve ser, antes de tudo, cristocêntrica. Aí está o grande sucesso da direção espiritual e a pujança de sua beleza.

Para o afeiçoamento a Cristo, o dirigido deverá cultivar em si o espírito de ovelha. A ovelha, ao contrário do bode, deixa-se pastorear e conduzir às boas pastagens. O bode, ao inverso, não aceita ser conduzido, pois traz em si a auto-suficiência e um espírito inquebrantável.
O dirigido deve se sentir como um bloco de mármore a ser trabalhado pelo cinzel do diretor espiritual que, paulatinamente, com o auxílio da Graça Divina, o ajudará a dilapidar as realidades pontiagudas que a vida velha lhe plasmou. A obediência é um grande dom, o próprio Cristo a testemunhou se fazendo obediente e dócil até a morte e morte de cruz (Fil. 2, 8). Na próxima reflexão vamos meditar sobre os caminhos práticos para uma direção espiritual fecunda e feliz.

Que Senhor faça próspero o caminho dos que trabalham na orientação espiritual, sendo verdadeiros pastores e intercessores. Igualmente, faça que cada dirigido possa, exemplo de Moisés, olhar para além do deserto, do deserto da própria vida e suas contradições e mergulhar nas águas profundas do amor do Coração de Jesus.

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/521234


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Família que Reza Unida…

PENSEMOS HOJE NA NOSSA ORAÇÃO se a família e as pessoas que temos ao nosso cuidado ocupam no nosso coração o lugar querido por Deus. Juntamente com a própria vocação, esse, sim, é um tesouro que dura até à vida eterna. Talvez percebamos algum dia que outros tesouros que nos pareciam importantes se converteram pela falta de retidão de intenção em traça e ferrugem, ou que eram tesouros falsos ou de pouco valor.

Todos devemos poder dizer a respeito dos que nos foram confiados: Cor meum vigilat – o meu coração está vigilante; é a inscrição que se lê diante de uma das muitas imagens de Nossa Senhora em Roma. O Senhor nos quer vigilantes com todos, mas antes de mais nada com os nossos, com aqueles que nos confiou. Pede-nos um amor atento, um amor capaz de perceber que determinado membro da família descuida os seus deveres para com Deus, e então ajudamo-lo com carinho; ou que está triste e isolado dos demais, e temos mais atenções com ele… Pede-nos um coração vigilante que saiba reagir se percebe que se introduzem na família modos de proceder que desdizem de um lar cristão, se se vêem programas de televisão sem os selecionar ou com excessiva freqüência, se há um clima de indolência e desleixo, se há frieza ou indiferença deste ou daquele para com os outros…

E procura-se corrigir essas falhas sem irritações, dando exemplo, com oração, com mais detalhes de carinho. E se alguém fica doente, todos ajudam, porque aprendemos que os enfermos são prediletos de Deus e nesse momento a pessoa que sofre é o tesouro da casa; e ajudam-no a oferecer a sua doença, a rezar alguma oração, e procuram que sofra o menos possível, porque o carinho tira a dor ou a alivia; pelo menos, faz dela uma dor diferente.

Numa época como a nossa, a melhor maneira de defender a família é, além do carinho humano verdadeiro, a preocupação de fazer com que Deus esteja presente de uma forma grata no lar: pela bênção dos alimentos, rezando com os filhos mais pequenos as orações da noite, lendo com os mais velhos algum versículo do Evangelho, rezando alguma oração breve pelos defuntos, assim como pelas intenções da família e do Papa. E o terço, a oração que os Sumos Pontífices tanto recomendaram que se rezasse em família e que tantas graças traz consigo. Pode-se rezá-lo num momento que combine com o horário familiar, durante uma viagem de carro…, e nem sempre tem que ser iniciativa da mãe ou da avó: o pai ou os filhos mais velhos podem prestar uma colaboração inestimável nesta grata tarefa. Muitas famílias conservaram também o saudável costume de irem juntos à Missa aos domingos.

Não é necessário que sejam numerosas as práticas de piedade em família, mas seria pouco natural que não houvesse alguma num lar em que todos ou quase todos crêem em Deus. Não teria sentido que todos individualmente se considerassem bons fiéis e isso não se refletisse na vida familiar. Costuma-se dizer que os pais que sabem rezar com os filhos encontram mais facilmente o caminho que os leva aos seus corações. E estes jamais esquecem pela vida fora a ajuda que receberam dos pais para rezar, para recorrer a Nossa Senhora em todas as situações. Quantos devem ter achado a porta do Céu graças às orações que um dia aprenderam dos lábios de sua mãe, da avó ou da irmã mais velha!

E unidos assim, com um carinho grande e com uma fé forte, todos resistem melhor e com mais eficácia aos ataques de fora. E se alguma vez chega a dor ou a doença, é melhor suportada por todos juntos, e é ocasião de uma maior união e de uma fé mais profunda. A Virgem Maria, nossa Mãe, ensinar-nos-á que o nosso tesouro está na chamada do Senhor, com tudo o que isso implica, e na própria casa, no próprio lar, nas pessoas que Deus quis vincular à nossa vida para sempre.

Dentro do Coração de Jesus encontraremos infinitos tesouros de amor. Procuremos que o nosso coração se assemelhe ao dEle.


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Vocação Cristã – Palavra do Papa João Paulo II

«A colheita é grande; mas poucos os operários, poucos» (Mt 9,37), diz Jesus a seus discípulos antes de enviá-los em missão. Hoje, estas palavras se dirigem de modo muito particular a todos vós. O Senhor lhes convida a acolher o Reino que inaugurou no meio de nós. Propõe-lhes seguir Jesus e ser suas testemunhas verdadeiras e sinais da presença salvífica de Deus no meio de seus irmãos. Alento-vos a acrescentar em vós a certeza de que fomos reconciliados com Deus mediante a morte e ressurreição de seu Filho. A todos os que estão desanimados, provados ou abandonados à beira do caminho, ides anunciar-lhes esta boa nova: Deus nos ama, e «a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.» (Rm 5,8).

Como os doze discípulos, fostes chamados por seu nome para participar da obra de Cristo. Sede dignos deste chamado, e aprofundem as exigências de sua vocação cristã segundo a forma particular que recebestes. Fundamentem solidamente sua fé naquele que lhes escolheu para serem os mensageiros de sua boa nova entre seus irmãos e irmãs. E vós, jovens, não tenham medo de se comprometer generosamente no caminho do Senhor Jesus. Ele é sua esperança e sua alegria verdadeira; nele encontrarão a plena realização de sua vida. «Roguem, pois, ao Senhor da colheita que envie operários para sua colheita» (Mt 9,38). Que sua oração pessoal e comunitária tenha presente a missão universal da Igreja. Que implore a Deus para que cada vez mais discípulos aceitem contribuir com seu desígnio de reconciliação e de salvação para todos os homens».

João Paulo II. A presença de Deus transforma nossa vida. 16 de junho de 1996.


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Sim, sim, não, não…

NO ENSINAMENTO DE CRISTO, a hipocrisia e a falsidade são vícios muito combatidos, ao passo que a veracidade é uma das virtudes mais gratas ao Senhor: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há duplicidade, diz Jesus de Natanael, quando o vê aproximar-se acompanhado por Filipe. Ele próprio é a Verdade; e o demônio, pelo contrário, é o pai da mentira.

A verdade transmite-se através do testemunho, do exemplo e da palavra: Cristo é testemunha do Pai; os Apóstolos, os primeiros cristãos, e nós agora, somos testemunhas de Cristo diante de um mundo que precisa de testemunhos vivos. E como é que os nossos amigos e colegas hão de crer na doutrina que queremos transmitir-lhes, se a nossa própria vida não se baseia num grande amor à verdade? Nós, cristãos, devemos poder dizer, como Jesus Cristo, que viemos ao mundo para dar testemunho da verdade9, num momento em que muitos utilizam a mentira e o engano como uma ferramenta para escalar postos, para alcançar um maior bem-estar material ou para evitar compromissos e sacrifícios; ou simplesmente por covardia, por falta de caráter.

Devemos ser exemplares, estando dispostos a construir a nossa vida, o nosso patrimônio, a nossa profissão, sobre um grande amor à verdade. Não podemos sentir-nos tranqüilos quando está de permeio uma mentira. Devemos amar a verdade e empenhar-nos em encontrá-la, pois às vezes está tão obscurecida pelo pecado, pelas paixões, pela soberba, pelo materialismo…, que, se não a amássemos, não a poderíamos reconhecer. É tão fácil aceitar a mentira quando chega – dissimulada ou às claras – em reforço de um falso prestígio, de maiores lucros na profissão…! Mas diante da tentação, tantas vezes disfarçada sob inúmeros argumentos, devemos recordar a doutrina clara e diáfana de Jesus: Seja a vossa palavra: sim, sim; não, não.

Estendeu-se por toda a parte uma idéia – às vezes, um sentimento difuso – de que os compromissos assumidos com Deus – os compromissos do Batismo – ou diante dEle – como o casamento – são uma espécie de “ideal”, uma meta para a qual se deve tender, mas que no fundo não obrigam em todas as situações porque há situações em que são inatingíveis. Nós, pelo contrário, devemos estar firmemente persuadidos de que sempre é possível viver as virtudes e os compromissos da vocação a que Deus nos chamou, com todas as suas conseqüências.

O cristão, esmerando-se na lealdade, não cederá quando as exigências morais forem ou parecerem mais duras. Temos que pedir a Deus esta retidão de consciência: quem cede, teoricamente “desejaria” viver as virtudes, “desejaria” não pecar, “desejaria” não desistir, mas acha que, se a tentação for forte ou as dificuldades grandes, estará praticamente justificado se vier a ceder.

Isto pode acontecer em face dos compromissos no trabalho, da necessidade de repelir com energia um clima de sensualidade, quando são necessários recursos pesados para a educação dos filhos, ou ante as exigências da fidelidade no casamento ou no caminho vocacional. Recordemos hoje na nossa oração a clara advertência de Jesus: Caiu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e irromperam contra aquela casa, mas ela não desabou porque estava fundada sobre rocha14. A rocha é Cristo, que nos oferece sempre a sua fortaleza.

Fiéis a Cristo: este é o maior elogio que nos podem fazer; que Jesus Cristo possa contar conosco sem limitações de circunstâncias ou de futuro, que os nossos amigos saibam que não lhes falharemos, que a sociedade a que pertencemos possa apoiar-se, como num alicerce firme, nos pactos que subscrevemos, na palavra empenhada de modo livre e responsável. “Quando viajamos à noite de trem, nunca nos ocorreu pensar de repente que a vida de várias centenas de pessoas está nas mãos de um maquinista, de um agulheiro que, sem se importarem com o frio e o cansaço, permanecem nos seus postos? A vida de todo um país, a vida do mundo, dependem da fidelidade dos homens no cumprimento do seu dever profissional, da sua função social; de que cumpram fielmente os seus contratos e mantenham a palavra dada”15, sem necessidade de invocarem a Deus por testemunha, como homens íntegros.

Seja a vossa palavra: sim, sim; não, não. Homens de palavra, leais no cumprimento dos pequenos deveres diários, sem mentiras nem enganos no exercício da profissão, simples e prudentes, fugindo daquilo que não é claro: honestidade sem fissuras, diáfana. Se vivermos esta lealdade no humano, com a ajuda da graça seremos leais a Cristo, que é afinal o que importa. Não poderíamos construir a integridade da nossa fidelidade a Cristo sobre uma lealdade que metesse água cada dia no relacionamento humano.

Peçamos a Maria Santíssima, Virgo fidelis, Virgem fiel, que nos ajude a ser leais e fiéis, à custa da própria vida, se for preciso.

Fonte: http://www.hablarcondios.org/meditacaodiaria.asp


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Oração Vocal (II)

É necessário pôr atenção no que dizemos ao Senhor. E para isso temos que lutar às vezes em detalhes muito pequenos, mas necessários; pronunciando claramente as palavras, com pausa, fugindo da rotina. Tem que haver tempo também para a reflexão, de modo que cada uma das nossas orações vocais chegue a ser, de certa forma, uma verdadeira oração mental, ainda que não possamos evitar totalmente as distrações.

Sem uma graça especial de Deus, não é possível manter uma atenção contínua e perfeita ao significado das palavras. Por isso, haverá ocasiões em que a atenção se concentrará particularmente no modo como essas palavras se pronunciam; noutras, teremos presente a pessoa a quem nos dirigimos. Mas haverá momentos em que, por circunstâncias pessoais ou do ambiente, não conseguiremos de modo conveniente nenhuma dessas três formas de atenção. Então será necessário pormos ao menos nas nossas orações um cuidado externo, que consiste em afastar qualquer atividade exterior que pela sua própria natureza impeça a atenção interior.

Alguns trabalhos manuais, por exemplo, não impedem de ter a cabeça em outra coisa; como a mãe de família, que reza o terço em casa enquanto cuida da limpeza do lar ou olha pelos filhos pequenos; ainda que se distraia em algum momento, mantém ao menos essa atenção interior, coisa que não aconteceria se quisesse ao mesmo tempo ver televisão. De qualquer forma, devemos organizar o nosso plano de vida de tal forma que, sempre que seja possível, o tempo que dedicamos a algumas orações vocais, como o Angelus ou o terço, seja uma ocasião em que possamos concentrar-nos bem.

Juntamente com as orações vocais, a alma necessita do alimento diário da oração mental. E, desse modo, “graças a esses momentos de meditação, às orações vocais, às jaculatórias, saberemos converter o nosso dia num contínuo louvor a Deus, sempre com naturalidade e sem espetáculo. Assim, à semelhança dos enamorados, que não tiram nunca os sentidos da pessoa que amam, manter-nos-emos sempre na sua presença; e todas as nossas ações – mesmo as mais pequenas e insignificantes – transbordarão de eficácia espiritual”. O Senhor as olhará com agrado e as abençoará.


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