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    Frutos da Missa (III)

    June 30th, 2008

    ANTES DA SANTA MISSA, devemos preparar a nossa alma para nos aproximarmos do acontecimento mais importante que se dá cada dia no mundo. A Missa celebrada por qualquer sacerdote, no lugar mais recôndito, é o evento mais importante que acontece naquele instante sobre a terra, ainda que não esteja presente uma única pessoa sequer. É a coisa mais grata a Deus que os homens lhe podem oferecer; é a ocasião por excelência de agradecer-lhe os muitos benefícios que dEle recebemos, de pedir-lhe perdão por tantos pecados e faltas de amor… e de solicitar-lhe tantas coisas espirituais e materiais de que necessitamos.

    “Quem não tem coisas a pedir? Senhor, esta doença… Senhor, essa tristeza… Senhor, essa humilhação que não sei suportar por teu amor… Queremos o bem, a felicidade e a alegria das pessoas da nossa casa; oprime-nos o coração a sorte dos que padecem fome e sede de pão e de justiça, dos que experimentam a amargura da solidão, dos que, no fim dos seus dias, não recebem um olhar de carinho nem um gesto de ajuda.

    “Mas a grande miséria que nos faz sofrer, a grande necessidade a que queremos pôr remédio é o pecado, o afastamento de Deus, o risco de que as almas se percam para toda a eternidade. Levar os homens à glória eterna no amor de Deus: esta é a nossa aspiração fundamental ao participarmos da Missa, como foi a de Cristo ao entregar a sua vida no Calvário”. Desta maneira, também o nosso apostolado se integra na Santa Missa e dela sai fortalecido.

    Os minutos de ação de graças depois da Missa completarão esses momentos tão importantes do dia, e terão uma influência direta no trabalho, na família, na alegria com que tratamos a todos, na segurança e na confiança com que vivemos o resto do dia. A Missa vivida assim nunca será um ato isolado; será alimento de todas as nossas ações e lhes dará umas características peculiares.

    E na Santa Missa encontramos sempre a nossa Mãe, Santa Maria. “Como poderíamos tomar parte no Sacrifício do altar sem recordar e invocar a Mãe do Sumo Sacerdote e Mãe da Vítima? Nossa Senhora participou tão intimamente do sacerdócio do seu Filho, durante a sua vida na terra, que devia ficar para sempre unida ao exercício desse sacerdócio. Assim como esteve presente no Calvário, está presente na Missa, que é prolongamento necessário da Cruz do Senhor. No Calvário, Nossa Senhora assistia o seu Filho que se oferecia ao Pai; no altar, assiste a Santa Igreja que se oferece com a sua Cabeça. Ofereçamos Jesus pelas mãos de Nossa Senhora”. Procuremos ter presente a nossa Mãe Santa Maria durante a Santa Missa, e Ela nos ajudará a participar da imolação do seu Filho com outra piedade e recolhimento.

    Fonte: Falar com Deus (http://www.hablarcondios.org)


    Frutos da Missa (II)

    June 29th, 2008

    PARA OBTERMOS CADA DIA mais frutos da Santa Missa, a nossa Mãe a Igreja quer que assistamos a ela não como “espectadores estranhos e mudos”, mas tratando de compreendê-la cada vez melhor, nos seus ritos e orações, participando da ação sagrada de modo consciente, piedoso e ativo, pondo a alma em consonância com as palavras que dizemos e colaborando com a graça divina.

    Devemos, pois, prestar atenção aos diálogos, às aclamações, e viver conscientemente esses elementos externos que também fazem parte da liturgia: as posições do corpo (de joelhos, em pé, sentados), a recitação ou canto de partes comuns (Glória, Credo, Santo, Pai Nosso…), etc.

    Muitas vezes, ser-nos-á bastante útil ler no nosso missal as orações do celebrante. Como também o esforço por viver a pontualidade – chegando pelo menos uns minutos antes do começo -, nos ajudará a preparar-nos melhor e será uma atenção delicada com Cristo, com o sacerdote que celebra a Missa e com os que já estão na igreja. O Senhor agradece que também nisto sejamos exemplares. Por acaso não seríamos pontuais se se tratasse de uma audiência importante? Não há nada mais importante no mundo do que a Santa Missa.

    Além da participação externa, devemos fomentar a participação interna, pela união com Jesus Cristo que se oferece a si mesmo. Esta participação consiste principalmente no exercício das virtudes: em atos de fé, de esperança e de amor, de humildade, de contrição, ao longo das orações e nos momentos de silêncio: antes do “Confesso a Deus todo-poderoso”, devemos realmente sentir todo o peso dos nossos pecados; no momento da Consagração, podemos repetir, com o Apóstolo São Tomé, aquelas suas palavras cheias de fé e de amor: Meu Senhor e meu Deus, ou outras que a piedade nos sugira.

    A nossa participação na Santa Missa deve ser, pois, e antes de mais nada, oração pessoal, o ponto culminante do nosso diálogo habitual com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Diz Paulo VI que esse espírito de oração, “na medida em que for possível a cada um, é condição indispensável para uma participação litúrgica autêntica e consciente. E não somente condição, mas também seu fruto e conseqüência [...]. É necessário, hoje e sempre, mas hoje mais do que nunca, manter um espírito e uma prática de oração pessoal… Sem uma íntima e contínua vida interior de oração, de fé, de caridade pessoal, não podemos continuar a ser cristãos; não podemos participar de uma maneira útil e proveitosa no renascimento litúrgico; não podemos dar testemunho eficaz daquela autenticidade cristã de que tanto se fala; não podemos pensar, respirar, atuar, sofrer e esperar plenamente com a Igreja viva e peregrina… Dizemos a todos vós: orai, irmãos – orate, fratres. Não vos canseis de tentar que surja do fundo do vosso espírito, com o clamor mais íntimo, esse Tu! dirigido ao Deus inefável, a esse misterioso Outro que vos observa, espera e ama. E certamente não vos sentireis desiludidos ou abandonados, antes experimentareis a alegria nova de uma resposta embriagante: Ecce adsum, eis que estou contigo”.

    De modo muito particular, temos Deus junto de nós e em nós no momento da Comunhão, em que a participação na Santa Missa chega ao seu momento culminante. “O efeito próprio deste sacramento – ensina São Tomás de Aquino – é a conversão do homem em Cristo, para que diga com o Apóstolo: Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”.

    Fonte: Falar com Deus (http://www.hablarcondios.org)


    Frutos da Missa (I)

    June 28th, 2008

    O CONCÍLIO VATICANO II “recorda-nos que o sacrifício da cruz e a sua renovação sacramental na Missa constituem uma mesma e única realidade, à exceção do modo de oferecer [...], e que, conseqüentemente, a Missa é ao mesmo tempo sacrifício de louvor, de ação de graças, propiciatório e satisfatório”.

    Os fins que o Salvador deu ao seu sacrifício na Cruz costumam sintetizar-se nesses quatro, e alcançam-se em medidas e modos diversos. Os fins que se referem diretamente a Deus, como a adoração ou louvor e a ação de graças, produzem-se sempre infalível e plenamente no seu valor infinito, mesmo sem o nosso concurso, ainda que nenhum fiel assista à celebração da Missa ou assista distraído. Cada vez que se celebra o sacrifício eucarístico, louva-se a Deus Nosso Senhor sem limites, e oferece-se uma ação de graças que o satisfaz plenamente. Esta oblação, diz São Tomás, agrada mais a Deus do que o ofendem todos os pecados do mundo, pois o próprio Cristo é o Sacerdote principal de cada Missa e também a Vítima que se oferece em todas elas.

    Já os outros dois fins do sacrifício eucarístico (propiciação e de petição), que revertem em favor dos homens e que se chamam frutos da Missa, nem sempre atingem efetivamente a plenitude dos efeitos que poderiam alcançar. Os frutos de reconciliação com Deus e de obtenção do que pedimos à sua benevolência poderiam ser também infinitos, porque se baseiam nos méritos de Cristo, mas na realidade nunca os recebemos nesse grau porque nos são aplicados de acordo com as nossas disposições pessoais. Daí a importância de melhorarmos continuamente a nossa participação pessoal no Sacrifício do altar, unindo-nos intimamente ao próprio louvor, ação de graças, expiação e impetração de Cristo Sacerdote.

    Neste sentido, o rito externo da Missa (as ações e cerimônias), ao mesmo tempo que significam o sacrifício interior de Jesus Cristo, são também sinal da entrega e da oblação dos fiéis unidos a Ele: exigem e simultaneamente fomentam a entrega de todo o nosso ser, tanto durante a celebração como ao longo da vida: “Todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas – indica o Concílio Vaticano II –, bem como a vida conjugal e familiar, o trabalho cotidiano, o descanso do corpo e da alma, se praticados no Espírito, e mesmo os incômodos da vida pacientemente suportados, tornam-se «hóstias espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo» (1 Pe 2, 5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor na celebração da Eucaristia”. Todas as nossas obras e a própria vida adquirem um novo valor, porque tudo passa então a girar em torno da Santa Missa, que se converte no centro do dia.

    Fonte: Falar com Deus (http://www.hablarcondios.org)


    Castidade no Matrimônio

    June 27th, 2008

    Essa autenticidade do amor requer fidelidade e retidão em todas as relações matrimoniais. Comenta São Tomás de Aquino que Deus uniu às diversas funções da vida humana um prazer, uma satisfação; esse prazer e essa satisfação são, portanto, bons. Mas se o homem, invertendo a ordem das coisas, procura essa emoção como valor último, desprezando o bem e o fim a que deve estar ligada e ordenada, perverte-a e desnaturaliza-a, convertendo-a em pecado ou em ocasião de pecado.

    A castidade – que não é simples continência, mas afirmação decidida de uma vontade enamorada – é uma virtude que mantém a juventude do amor, em qualquer estado de vida. Existe uma castidade dos que sentem despertar em si o desenvolvimento da puberdade, uma castidade dos que se preparam para o casamento, uma castidade daqueles a quem Deus chama ao celibato, uma castidade dos que foram escolhidos por Deus para viverem no matrimônio.

    Como não recordar aqui as palavras fortes e claras com que a Vulgata nos transmite a recomendação do Arcanjo Rafael a Tobias, antes de este desposar Sara? O anjo admoestou-o assim: Escuta-me e eu te mostrarei quem são aqueles contra os quais o demônio pode prevalecer. São os que abraçam o matrimônio de tal modo que excluem Deus de si e de sua mente, e se deixam arrastar pela paixão como o cavalo e o mulo, que estão desprovidos de entendimento. Sobre esses o diabo tem poder.

    Não há amor humano puro, franco e alegre no matrimônio se não se vive a virtude da castidade, que respeita o mistério da sexualidade e o faz convergir para a fecundidade e a entrega. Nunca falei de impureza e sempre evitei descer a casuísticas mórbidas e sem sentido, mas, de castidade e de pureza, da afirmação jubilosa do amor, sim, falei muitíssimas vezes e devo falar.

    A respeito da castidade conjugal, assevero aos esposos que não devem ter medo de expressar o seu carinho, antes pelo contrário, pois essa inclinação é a base da sua vida familiar. O que o Senhor lhes pede é que se respeitem e que sejam mutuamente leais, que se confortem com delicadeza, com naturalidade, com modéstia. Dir-lhes-ei também que as relações conjugais são dignas quando são prova de verdadeiro amor e, portanto, estão abertas à fecundidade, aos filhos.

    Cegar as fontes da vida é um crime contra os dons que Deus concedeu à humanidade e uma manifestação de que a conduta se inspira no egoísmo, não no amor. Então tudo se turva, os cônjuges chegam a olhar-se como cúmplices; e produzem-se dissensões que, a continuar nessa linha, são quase sempre insanáveis.

    Quando a castidade conjugal acompanha o amor, a vida matrimonial torna-se expressão de uma conduta autêntica, marido e mulher compreendem-se e sentem-se unidos; quando o bem divino da sexualidade se perverte, a intimidade se destrói, e marido e mulher já não se podem olhar nobremente nos olhos.

    Os esposos devem edificar a sua vida em comum sobre um carinho sincero e limpo, e sobre a alegria de terem trazido ao mundo os filhos que Deus lhes tenha conferido a possibilidade de ter, sabendo renunciar a comodidades pessoais e tendo fé na Providência. Formar uma família numerosa, se tal for a vontade de Deus, é penhor de felicidade e eficácia, embora afirmem outra coisa os fautores de um triste hedonismo.

    É Cristo que passa > O matrimônio, vocação cristã > Ponto 25 (São Josemaria Escrivá)


    Olha Primeiro a Trave no Teu Olho…

    June 27th, 2008

    CERTA VEZ, O SENHOR disse aos que o escutavam: Como vês a palha no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu? Ou como ousas dizer ao teu irmão: Deixa que eu tire a palha do teu olho, tendo tu uma trave no teu? Hipócrita: tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar a palha do olho do teu irmão. Uma manifestação de humildade é evitar o juízo negativo – e muitas vezes injusto – sobre os outros.

    Pela nossa soberba pessoal, tendemos a ver aumentadas as menores faltas dos outros e, por contraste, a diminuir e justificar os maiores defeitos pessoais. Mais ainda, a soberba tende a projetar nos outros o que na realidade são imperfeições e erros próprios. Por isso Santo Agostinho aconselhava sabiamente: “Procurai adquirir as virtudes que julgais faltarem nos vossos irmãos, e já não lhes vereis os defeitos, porque vós mesmos não os tereis”.

    A humildade, pelo contrário, exerce positivamente o seu influxo numa série de virtudes que permitem uma convivência humana e cristã. Só a pessoa humilde está em condições de perdoar, de compreender e de ajudar, porque só ela é consciente de ter recebido tudo de Deus, só ela conhece as suas misérias e sabe como anda necessitada da misericórdia divina. Daí que trate o seu próximo com benignidade – também à hora de julgar -, desculpando e perdoando quando necessário. Por outro lado, nunca esquecerá que a nossa visão das ações alheias sempre é e será limitada, pois só Deus penetra nas intenções mais íntimas, lê nos corações e dá o verdadeiro valor a todas as circunstâncias que acompanham uma ação.

    Devemos aprender a desculpar os defeitos, talvez patentes e inegáveis, daqueles com quem convivemos diariamente, de tal forma que não nos afastemos deles nem deixemos de estimá-los por causa das suas falhas e incorreções. Aprendamos do Senhor, que, “não podendo de forma alguma desculpar o pecado daqueles que o haviam posto na cruz, procurou no entanto reduzir-lhe a malícia, alegando a ignorância daqueles homens. Quando nós não pudermos desculpar o pecado, ao menos julguemo-lo digno de compaixão, atribuindo-o à causa mais tolerante que possa ser-lhe aplicada, como é a ignorância ou a fraqueza”.

    Se nos habituarmos a ver as qualidades dos outros, descobriremos que essas deficiências do seu caráter, essas falhas no seu comportamento, são, normalmente, de pouca importância em comparação com as virtudes que possuem. Esta atitude positiva, justa, em face daqueles com quem lidamos habitualmente, ajudar-nos-á muito a aproximar-nos do Senhor, pois cresceremos em caridade e em humildade.

    Em face das deficiências dos outros, mesmo dos seus pecados externos (murmurações, maus modos, pequenas vinganças…), devemos adotar uma atitude positiva: rezar em primeiro lugar por eles, desagravar o Senhor, crescer em paciência e fortaleza, querer-lhes bem e apreciá-los mais, porque necessitam mais da nossa estima.

    O SENHOR NÃO MANDOU embora os Apóstolos nem deixou de estimá-los por causa dos defeitos que tinham, aliás bem patentes nos Evangelhos. Quando começam a segui-lo, vemos que às vezes se deixam dominar pela inveja, que têm sentimentos de ira, que ambicionam os primeiros postos. O Mestre corrige-os com delicadeza, tem paciência com eles e não deixa de querer-lhes bem. Ensina aos que seriam transmissores da sua doutrina algo de importância vital para a sua missão, para a Igreja inteira, para a família, para o mundo do trabalho: o exercício da caridade com atos.

    Amar os outros, mesmo com os seus defeitos, é cumprir a Lei de Cristo, pois toda a Lei se cumpre num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, e este mandamento de Jesus não diz que se deva amar só os que não têm defeitos ou aqueles que têm determinadas virtudes. O Senhor pede que saibamos estimar em primeiro lugar – porque a caridade é ordenada – aqueles que Ele colocou ao nosso lado por laços de parentesco, de trabalho, de amizade, de vizinhança.

    Esta caridade terá matizes e notas particulares de acordo com os vínculos que nos unam, mas em qualquer caso a nossa atitude deve ser sempre aberta, amistosa, desejosa de ajudar a todos. E não se trata de viver essa virtude com pessoas ideais, mas com aqueles com quem convivemos ou trabalhamos, ou que encontramos na rua à hora do tráfego mais intenso, ou quando os transportes públicos vão lotados. Às vezes, teremos talvez no nosso próprio lar, no nosso próprio escritório, pessoas que têm mau gênio, que são egoístas e invejosas, ou que um dia se levantaram indispostas ou cansadas. Trata-se de conviver, de estimar e de ajudar essas pessoas concretas e reais.

    Diante das faltas do próximo, a resposta do cristão, além de compreender e rezar, há de ser, quando for oportuno, ajudar através da correção fraterna, que o próprio Senhor recomendou e que sempre se viveu na Igreja. É uma ajuda fraternal que, por ser fruto da caridade, deve ser feita humildemente, sem ferir, a sós, de forma amável e positiva. Jamais deve dar a impressão de que é uma reclamação, um desabafo, uma manifestação de mau-humor ou de defesa de interesses pessoais, antes deve deixar absolutamente claro que o que se quer é que esse amigo ou colega compreenda que aquela ação ou atitude concreta faz mal à sua alma, ao trabalho, à convivência, ao prestígio humano a que tem direito. O preceito evangélico ultrapassa amplamente o plano meramente humano das convenções sociais e até a própria amizade. É uma prova de lealdade humana, que evita toda a crítica ou murmuração.

    SE TOMARMOS COMO NORMA habitual não reparar na palha no olho alheio, ser-nos-á fácil não falar mal de ninguém. Se em algum caso temos que pronunciar-nos sobre determinada atuação, sobre a conduta de alguém, faremos essa avaliação na presença do Senhor, na oração, purificando a intenção e cuidando das normas elementares de prudência e de justiça. “Não me cansarei de insistir-vos – costumava repetir Mons. Escrivá – em que aqueles que têm obrigação de julgar devem ouvir as duas partes, os dois sinos. Porventura a nossa lei condena alguém sem tê-lo ouvido primeiro e examinado o seu proceder?, recordava Nicodemos, aquele varão reto e nobre, leal, aos sacerdotes e fariseus que procuravam condenar Jesus”.

    E se temos que exercer o dever da crítica, esta deve ser construtiva, oportuna, ressalvando sempre a pessoa e as suas intenções, que não conhecemos senão parcialmente. A crítica do cristão é profundamente humana, não fere e até conquista a amizade dos que lhe são contrários, porque se manifesta cheia de respeito e de compreensão. Por honradez humana, o cristão não julga quem não conhece e, quando emite um juízo, sabe que este deve subordinar-se sempre a uns requisitos de tempo, de lugar e de matizes, sem os quais poderia converter-se facilmente em detração ou difamação. Por caridade e por honradez, teremos além disso o cuidado de não converter em juízo inamovível o que foi uma simples impressão, ou de não transmitir como verdade o que “disseram”, ou a simples notícia sem confirmação que fere o bom nome de uma pessoa ou de uma instituição.

    Se a caridade nos inclina a ver os defeitos alheios unicamente num contexto de virtudes e de qualidades positivas, a humildade leva-nos a descobrir em nós mesmos tantos erros e defeitos que não quereremos senão pedir perdão a Deus e nunca teremos vontade de criticar os outros; pelo contrário, estaremos sempre dispostos a receber e aceitar a crítica honrada das pessoas que nos conhecem e nos apreciam. “Sinal certo da grandeza espiritual é saber deixar que nos digam as coisas, recebendo-as com alegria e agradecimento”. Só o soberbo é que não tolera nenhuma advertência, antes se desculpa ou reage contra quem – levado pela caridade e pela melhor das amizades – quer ajudá-lo a superar um defeito ou a evitar que se repita determinado comportamento errôneo.

    Entre os muitos motivos para agradecer a Deus, oxalá possamos contar também o de ter pessoas ao nosso lado que saibam dizer-nos oportunamente o que fazemos mal e o que podemos e devemos fazer melhor, numa crítica amiga e honesta.

    A Virgem Santa Maria sempre soube dizer a palavra adequada; nunca murmurou e muitas vezes guardou silêncio.

    Fonte: http://www.hablarcondios.org/meditacaodiaria.asp