• Home
  • A Blogueira por Ela Mesma…
  • Como rezar o Rosário
  • Evangelho do Dia Comentado
  •  

    Vocação para a Santidade

    January 20th, 2012

     

    A DESCOBERTA DA VOCAÇÃO pessoal é o momento mais importante de toda a vida. Da resposta fiel a essa chamada divina dependem a felicidade própria e a de muitos outros. Deus cria-nos, prepara-nos e chama-nos em função de um desígnio eterno. “Se hoje em dia tantos cristãos vivem à deriva, com pouca profundidade e limitados por horizontes pequenos, isso se deve sobretudo à falta de uma consciência clara da sua própria razão de ser e de existir [...]. O que eleva o homem, o que realmente lhe confere uma personalidade, é a consciência da sua vocação, a consciência da sua tarefa concreta. Isso é o que enche uma vida de conteúdo”1.

    A decisão inicial de seguir o Senhor é, porém, a base de muitas outras chamadas ao longo da vida. A fidelidade realiza-se dia após dia, normalmente em coisas que parecem de pouca importância, nos pequenos deveres cotidianos, no cuidado em afastar tudo aquilo que possa ferir o que é a essência da própria vida. Não basta preservar a vocação; é preciso renová-la, reafirmá-la constantemente: quando parece fácil e nos momentos em que tudo custa; quando os ataques do mundo, do demônio e da carne se manifestam em toda a sua violência.

    Teremos sempre a ajuda necessária para sermos fiéis. Quanto mais dificuldades, mais graças. E com a luta ascética bem determinada – com um exame particularbem concreto –, o amor cresce e se robustece com o passar do tempo; e a entrega, afastada toda a rotina, torna-se mais consciente, mais madura. “Não se trata de um crescimento de tipo quantitativo, como o de um montão de trigo, mas de um crescimento qualitativo, como o do calor que se torna mais intenso, ou como o da ciência que, sem chegar a novas conclusões, se torna mais penetrante, mais profunda, mais unificada, mais certa. Assim, pela caridade tendemos a amar mais perfeitamente, de modo mais puro, mais intimamente, a Deus acima de tudo, e ao próximo e a nós mesmos para que glorifiquemos a Deus neste tempo e na eternidade”2. É esse o crescimento que o Senhor nos pede.

    Esforçar-se por crescer em santidade, em amor a Cristo e a todos os homens por Cristo, é assegurar a fidelidade e conseqüentemente uma vida plena de sentido, de amor e de alegria. São Paulo servia-se de uma comparação tirada das corridas no estádio para explicar que a luta ascética do cristão deve ser alegre, como um autêntico esporte sobrenatural. E ao considerar que não tinha atingido a perfeição, dizia que lutava por alcançar o que fora prometido: Uma só coisa é a que busco: lançar-me em direção ao que tenho pela frente, correr para a meta, para alcançar o prêmio a que Deus nos chama das alturas3.

    Desde que Cristo irrompeu na sua vida na estrada de Damasco, Paulo entregou-se com todas as suas forças à tarefa de procurá-lo, amá-lo e servi-lo. Foi o que fizeram os demais Apóstolos a partir do dia em que Jesus passou por eles e os chamou. Os defeitos que tinham não desapareceram naquele instante, mas eles seguiram o Mestre numa amizade crescente e souberam ser-lhe fiéis. Nós devemos fazer o mesmo, correspondendo diariamente às graças que recebemos, sendo fiéis cada dia. Assim chegaremos à meta em que Cristo nos espera.

    (1) F. Suárez, A Virgem Nossa Senhora, Aster, Lisboa, pág. 29; (2) R. Garrigou-Lagrange, La Madre del Salvador, Rialp, Madrid, 1976, pág. 106; (3) cfr. Fil 3, 13-14.

    Fonte: Falar com Deus


    Somente a Escritura?

    December 11th, 2011
    A doutrina da Sola Scriptura, ou Somente a Escritura, alega que a Bíblia – interpretada individualmente pelo crente – é a única fonte de autoridade religiosa e é a única regra ou o único critério em quê o crente deve acreditar. Por esta doutrina, que é uma das fundamentais doutrinas do protestantismo, o protestante nega que exista qualquer outra fonte de autoridade religiosa ou revelação divina à humanidade.
    A Igreja Católica, por outro lado, afirma que a regra imediata ou direta de fé é o ensino da Igreja. Este, por sua vez, tem suas Fontes da Revelação Divina – A Palavra Escrita, a Sagrada Escritura, e a Palavra não-Escrita, conhecida como Tradição. A autoridade do Magistério da Igreja Católica (chefiado pelo Papa), apesar de não ser ela própria uma fonte de revelação divina, possui a missão de interpretar e ensinar tanto a Escritura como a Tradição. Estas duas formas são as fontes da doutrinacristã, a regra de fé cristã remota ou indireta. Obviamente, estas duas visões apresentadas são opostas, e aquele que busca seguir Cristo deve ter a certeza de que está seguindo a verdadeira.

    Esse e-book trata do assunto, demonstrando que o Sola Scriptura não se sustenta.

    View this document on Scribd

    Todos os Santos

    November 6th, 2011

     

    Alguém já disse que a Igreja é uma “Fábrica de Santos”; certamente trata-se de uma deveras profunda. Se o motivo da existência da Igreja fundada por Jesus (sobre esta pedra edificarei a minha Igreja) é ensinar a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ou seja, evangelizar a todos, qual o motivo último senão que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade, numa palavra, que todos sejam santos? “Sede santos, como vosso Pai do céu é santo.”

    No entanto, diante de nossas fraquezas e limitações, nossos pecados e inclinações, poderíamos achar que o Evangelho seria algo muito bonito, uma mensagem produnda da paz que plasmou a cultura dos povos, mas uma grande e bela utopia, algo inatingível para nós, simples humanso e pecadores. Neste momento, eis que diante de nossos olhos, literalmente, à vista de seus rostos, de suas imagens são-nos propostas as vidas de homens e mulheres, crianças, adultos e idosos, ricos e pobres, nobres e plebeus, de todas as etinias e épocas, que, em seu próprio estado de vida, vocação e profissão, tornaram-se referência viva do Evangelho. De fato, os santos, são o audiovisual da fé, a Sagrada Escritura em multimídia. Seus rostos, suas histórias, suas vidas, são um resumo, cada um a seu modo, da Palavra de Deus.

    Se podemos afirmar a Deus escreveu dois livros, um escrito – a Bíblia, outro feito de imagens – a criação, e que se é possível chegar a Ele e ler sua assinatura nestas duas obras-primas, podemos dizer sem sombra de dúvida, que a Igreja escreveu um terceiro livro, de certa forma, resumo dos dois, feito de palavras e rostos, imagens que ensinam por si só a beleza da Boa-Nova, de como se pode ser feliz. Bem-Aventurado nesta vida quem faz da Palavra Eterna do Pai, a fonte de sua existência…

    Celebramos a festa de todos os Santos e Santas de Deus, nossos antepassados que nos ensinam – são nossas histórias de família – que é possível chegar ao céu, que vale a pena viver na graça de Deus aqui na terra, que o céu se conquista fazendo o bem. Bendito seja Deus, nos seus Anjos e nos seus Santos!

    Texto retirado do Folheto “A Missa”, da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. (06/11/2011)


    Oração de Santo Agostinho

    September 17th, 2011

     

    “Vós sois, ó Jesus, o Cristo, meu Pai santo, meu Deus misericordioso, meu Rei infinitamente grande; sois meu bom pastor, meu único mestre, meu auxílio cheio de bondade, meu pão vivo, meu sacerdote eterno, meu guia para a pátria, minha verdadeira luz, minha santa doçura, meu reto caminho, sapiência minha preclara, minha pura simplicidade, minha paz e concórdia; sois, enfim, toda a minha salvaguarda, minha herança preciosa, minha eterna salvação…

    Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida, amei, por que desejei outra coisa senão vós? Onde estava eu quando não pensava em vós? Ah! que, pelo menos, a partir deste momento meu coração só deseje a vós e por vós se abrase, Senhor Jesus! Desejos de minha alma, correi, que já bastante tardastes; apressai-vos para o fim a que aspirais; procurai em verdade aquele procurais. Ó Jesus anátema seja quem não vos ama. Aquele que não vos ama seja repleto de amarguras. Ó doce Jesus, sede o amor, as delícias, a admiração de todo coração dignamente consagrado à vossa glória. Deus de meu coração e minha partilha, Jesus Cristo, que em vós meu coração desfaleça, e sede vós mesmo a minha vida. Acenda-se em minha alma a brasa ardente de vosso amor e se converta num incêndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coração; que inflame o âmago de minha alma; para que no dia de minha morte eu apareça diante de vós inteiramente consumido em vosso amor… Amém”.


    A Espiritualidade do Matrimônio

    July 17th, 2011

     

    Homilia do Cardeal James Francis Stafford na Peregrinação Aniversária de Julho em Fátima

    A espiritualidade do homem e da mulher casados significa que ambos vivem de acordo com o Espírito Santo. A minha homilia vai explicar em que consiste esta vida conjugal de acordo com o Espírito. Terá três partes: 1) a espiritualidade conjugal fundamenta-se no mistério do Verbo Encarnado, Jesus Cristo, o Esposo da Igreja; 2) o arquétipo da espiritualidade conjugal encontra-se na relação entre Cristo e a Igreja; 3) a realização concreta deste mistério encontra-se, por exemplo, no matrimónio do primeiro casal a ser beatificado pela Igreja: Luigi e Maria Quattrochi.

    1) A espiritualidade conjugal fundamenta-se no mistério do Verbo Encarnado, Jesus Cristo, o Esposo da Igreja. A substância da primeira leitura, tirada do Livro do Génesis, repete-se e aprofunda-se na leitura tirada da Epístola aos Efésios: “E os dois serão uma só carne’. Este é um profundo mistério, e o que eu digo é que se refere a Cristo e à Igreja”. Aqui, São Paulo esclarece o mistério da comunhão de Cristo com os ‘santos’ da Igreja por meio de um sinal nupcial: o ser ‘uma só carne’ do homem e da mulher. Ele mostra assim que a nupcialidade é uma característica essencial do amor. E insiste em que o mistério da Encarnação encerra uma lógica especial. Quer dizer que o Deus Invisível Se torna Visível através de uma genuína manifestação de Si Mesmo no mundo do homem e em sua história. O Primeiro Prefácio de Natal transmite lindamente a representação que Deus faz de Si Mesmo na Encarnação: “Por meio do mistério do Verbo Encarnado, a nova luz da Vossa claridade brilhou aos olhos da nossa mente, para que, conhecendo nós Deus de modo visível, possamos ser arrebatados por este meio para o amor de coisas invisíveis”.

    2) O arquétipo da espiritualidade conjugal encontra-se na relação entre Cristo e a Igreja. São Paulo usa a imagem do amor de esposos em Génesis para ilustrar “o plano do mistério escondido, durante séculos, em Deus” (Ef.3-9). Aqui ele fala do sacramento nupcial entre Cristo e a Sua Igreja. Cristo é o Esposo e a Igreja a Esposa. O mistério da lógica nupcial de Jesus e da Igreja presume que o homem e a mulher cristãos juntos em matrimónio sacramental, como marido e mulher, estão inseridos numa relação distinta e pessoal um com o outro. Nos escritos proféticos, na literatura hebraica sobre a sabedoria e nos salmos, a caracterização de Israel como ‘esposa’ manteve-se principalmente como imagem ética e jurídica.

    No Novo Testamento esta caracterização é, acima de tudo, radicalmente alterada pela Encarnação do Verbo: o carácter de ‘esposa’ é agora baseado inteiramente no ‘ser uma só carne’ do Verbo Encarnado (“Uma só pessoa em cada uma das naturezas. Una persona in utraque natura”-Santo Agostinho). Santo Agostinho insiste em que a natureza humana foi assumida pela união pessoal com o Verbo Eterno no mesmo instante em que foi criada. A Sua natureza humana foi criada pela própria assunção (ipsa assumptione) de tal modo que “desde que Ele começou a ser homem, nenhuma outra coisa a não ser o Filho de Deus começou a ser homem”.

    Assim a Igreja/Esposa encontra a sua origem e identidade na natureza humana de Cristo. Porque o Verbo se identifica com o servo humano cuja natureza Ele assumiu, o sujeito ‘Igreja/Esposa’, juntamente com todos os baptizados, que recebem cada um a revelação de um modo próprio a cada um, deve necessariamente realizar uma encarnação análoga à Encarnação do Verbo de Deus.

    Na primeira leitura ouvimos que no princípio da história humana existiu uma criatura de uma complementaridade única: um homem e uma mulher. Assim o dado original humano não era a identidade, mas a relação. Quando Adão foi apresentado a Eva, ele viu beleza, verdade e bondade nela, e por isso cantou a primeira canção de amor: “Esta é finalmente osso dos meus ossos e carne da minha carne; ela chamar-se-á Mulher porque foi tirada do Homem”.

    Por isso o homem não se deve resignar a um universo surdo à sua música e indiferente aos seus anseios, aos seus sofrimentos ou mesmo aos seus crimes. Esse universo não pode ser definido em termos de progresso material, uma vez que estamos a descobrir, para nossa tristeza e desalento, que o preço do progresso é a morte do espírito. O mundo não é simples fruto da evolução; não se pode basear na sobrevivência do mais forte, na economia globalizada. O universo não é tosco e sem esperança; não se parece mais com um campo de batalha do que com uma orquestra. O facto de haver um homem e uma mulher desde o princípio basta para crer na visão nupcial do fim que realmente é o princípio: “Eu vi a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descia do Céu de junto de Deus, ataviada como esposa adornada para o seu esposo, e ouvi uma voz alta que vinha do trono e dizia: ‘Eis a morada de Deus entre os homens’” (Apoc.21,2-3).

    3) A realização concreta deste mistério encontra-se, por exemplo, no matrimónio do primeiro casal a ser formalmente beatificado pela Igreja: Luigi e Maria Quattrocchi. Vemos esta realidade do significado do começo realizado no matrimónio cristão. Estou a pensar na bondade, verdade e beleza reveladas na relação entre o Beato Luigi Beltrame Quattrocchi e a Beata Maria Beltrame Quattrocchi. Em 2001 a Igreja Católica Romana beatificou o primeiro casal, em toda a sua história. A Igreja achou que o casal Quattrocchi era uma extraordinária testemunha do profundo mistério que é o sacramento do matrimónio. E assim este casal italiano dos nossos tempos foi promovido ao grau de “beato” – apenas a um passo formal da santidade – depois de ter sido julgado modelo da ‘espiritualidade cristã’, vivendo heroicamente o matrimónio e a família.

    O Papa João Paulo II declarou aquando da sua beatificação em 2001: “Queridas famílias, hoje temos a singular confirmação de que o caminho da santidade, seguido juntos como casal, é possível, é lindo, é extraordinariamente frutuoso e é fundamental para o bem da família, da Igreja e da sociedade”. Ele proferiu palavras especiais de encorajamento para os casais que experimentam o drama da separação, a doença ou a morte dum filho. O único casal antes deste a quem foi dado tal honra foram os mártires Aquila e Prisca, os quais se tornaram santos nos primórdios do Cristianismo, antes de ser estabelecido o processo formal de beatificação.

    Os esposos Beltrame Quattrocchi nasceram ambos na década de 1880/89. Casaram-se em 1905 e passaram toda a sua vida em Roma. Tiveram quatro filhos, dos quais três se tornaram religiosos. Os dois rapazes foram ordenados sacerdotes. Uma das raparigas fez-se freira. Os dois sacerdotes concelebraram com o Sumo Pontífice a Missa de beatificação de seus pais. O quarto filho também participou na Santa Missa. Se o quarto filho, o mais novo, tivesse entrado para a vida religiosa, Luigi e Maria haviam decidido que eles mesmos entrariam para a vida consagrada. Houve jornais que relataram que os filhos disseram que o casal decidira, ao fim de vinte anos, dormir em camas separadas, vivendo como irmãos os restantes 26 anos.

    Luigi morreu em 1951; era advogado e trabalhou no governo e em bancos, sendo ainda muito activo em vários grupos católicos. Em 1939, Dino Grandi, o ministro italiano da Justiça no regime de Mussolini, ofereceu a Luigi o alto cargo de Procurador Geral do Estado Italiano, mas ele recusou, para evitar ficar associado ao governo fascista.

    A esposa morreu em 1965; era professora e escritora. Durante a Primeira Guerra Mundial confortou soldados. Mais tarde estudou enfermagem e acompanhava inválidos em peregrinação a santuários, como Lourdes, França.

    “A nossa família era uma família normal que tentava viver os diversos relacionamentos num plano de alta espiritualidade”, disse Dom Tarcísio Beltrame Quattrocchi, um dos quatro filhos do casal, numa entrevista. O casal, ao princípio, apoiava o regime do ditador Mussolini, mas mais tarde rejeitou o fascismo e abriu as portas de sua casa a membros da resistência. Por vezes emprestava as vestes clericais de seus filhos sacerdotes para ajudar esses membros da resistência a evitarem captura pelos ocupantes Nazis. Registos detalhados das beatificações só começaram a ser mantidos há cinco séculos. Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi tornaram-se, respectivamente, no 1.273º e 1.274º católicos a serem beatificados pelo Sumo Pontífice.

    À luz do que fica aqui dito, eu desejo mencionar explicitamente aquela característica do matrimónio cristão que é, em certo sentido, como escreveu o Cardeal Angelo Scola, fundamental para o laço matrimonial que une homem e mulher no vínculo nupcial: a sua indissolubilidade. Uma das visões de Ezequiel (37-15 & ss) tem sido fundamental para o meu entendimento do matrimónio. Trata-se do sinal dos paus que Deus torna milagrosamente num só. Esta acção divina significa o milagre que Deus opera ao unir de novo Israel e Judá numa só nação. Durante décadas esta visão tem sido para mim a interpretação fundamental da comunhão indissolúvel de marido e mulher, concedida por Deus no matrimónio. O matrimónio sacramental é indissolúvel apenas porque é participação na total e irrevogável comunhão de Jesus, o Esposo, com a Igreja, Sua Esposa.

    Para o homem e a mulher, que se unem em matrimónio cristão, as implicações são claras. Ambos devem empenhar-se em transfigurar aquilo que ao princípio é primariamente um amor de apego físico, o eros, naquela espécie de amor que reconhece ser agarrado por e transformado no amor ‘agape’ de Deus, aquele amor que se esvazia de si mesmo para receber o outro.

    E vou terminar com aquele magnífico entendimento do que é realmente o matrimónio sacramental manifestado pelo Papa Bento XVI. Escreve ele em sua Encíclica ‘Deus Caritas Est’:”Do ponto de vista da criação, o ‘eros’ aponta ao homem o caminho do matrimónio, um vínculo único e definitivo; assim e só assim é que ele cumpre o seu mais profundo desígnio. Correspondendo a um Deus único temos um matrimónio monógamo. O matrimónio baseado num amor exclusivo e definitivo torna-se o ícone da relação entre Deus e Seu povo e vice-versa. O modo como Deus ama torna-se a medida do amor humano”(12).

    Cardeal J. Francis Stafford, Penitenciário-mor